Cerca de quatro mil pessoas passaram pelo Fiocruz pra Você, realizado no sábado, 19/10, na Alameda dos Ipês do Parque da Cidade Joventino Silva. A 26ª edição do evento contou com uma série de atividades de promoção da saúde e popularização da ciência, criando um espaço de aprendizagem e recreação.
O Fiocruz pra Você é um evento nacional, promovido pela Fundação desde 1994, com foco em vacinação e atividades culturais, de divulgação científica e promoção da saúde. O projeto visa à integração e ao engajamento com as comunidades, promovendo ciência, diversão e solidariedade.
A realização da feira neste local aconteceu com o apoio da Secretaria municipal de Sustentabilidade, Inovação e Resiliência. O secretário, André Fraga, parabenizou a instituição pela iniciativa de promover um evento em um lugar que ele considera o principal espaço público da cidade.
“A Fiocruz contribui com essa ocupação de um espaço público e também trazendo informação e serviços, algo essencial”, ressaltou o secretário, declarando interesse em aprofundar parcerias e realizar outras ações em conjunto.
A feira de ciência e saúde contou com estandes que tiveram atividades de assistência à saúde da população, como medição de pressão, e de divulgação científica, como simulação de experimentos, exposição de insetos, distribuição de mudas de árvores, quizz, jogos, música e brincadeiras para crianças. Além disso, houve uma equipe do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) para vacinação antirrábica de cães e gatos.
Pesquisadores da Fiocruz Bahia e estudantes dos programas de pós-graduação em Patologia Humana (PGPAT) e Biotecnologia em Medicina Investigativa (PGBSMI) desenvolveram as atividades com o público, divulgando os trabalhos realizados na instituição.
A Universidade Federal da Bahia (UFBA) participou do Fiocruz Pra Você através do Instituto de Saúde Coletiva (ISC), da presença do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil) e do Núcleo Regional de Ofiologia e Animais Peçonhentos da Bahia (Noap), do Instituto de Biologia.
O núcleo já havia participado de outras edições da feira e a coordenadora, professora Rejâne Lira, ficou feliz com o retorno da feira pela importância que tem para a ciência, principalmente pelo número de pessoas que circularam no local. “É extremamente importante para que as pessoas tenham uma outra visão sobre a natureza, particularmente sobre animais peçonhentos que considerados vilões”, acrescentou Rejâne.
Muitas famílias aproveitaram o sábado no parque para conferir a feira, como foi o caso de Aline Chagas Sena. A terapeuta energética considerou uma oportunidade para o filho, de dois anos, conhecer os animais, um pouco mais sobre meio ambiente, incentivando a preservação da natureza desde cedo. “Gostei muito do evento, achei as atrações muito interessantes, principalmente como atividade para trazer meu filho”, comentou.
A Fundação Estatal Saúde da Família (FESF-SUS), parceira da Fiocruz Bahia na realização do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família, fez uma ação, na Unidade de Saúde da Família Nova Aliança, no município de Camaçari, de vacinação e conscientização da vacinação contra o sarampo.
No Dia do Médico (18/10), o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) homenageou médicos com o Diploma de Mérito Ético-Profissional destinado àqueles que, neste ano, completaram 50 anos de exercício ininterruptos da profissão, honrando a Medicina, sem ter sofrido sanções éticas. Dentre os 90 profissionais que receberam a honraria, está o pesquisador emérito da Fiocruz Bahia, Bernardo Galvão de Castro Filho. A homenagem aconteceu durante sessão plenária solene pública, no Salão de Eventos do CIMATEC.
Trajetória
Bernardo Galvão formou-se em medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 1969. Em 1979, implantou o Centro de Imunologia Parasitária do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/RJ) da Fiocruz. Em 1982, iniciou trabalhos pioneiros na área de AIDS, tendo isolado o HIV pela primeira vez na América Latina, contribuindo para implantação da triagem deste vírus nos bancos de sangue do país.
Em 1988, transferiu-se para a Fiocruz Bahia, onde implantou o Laboratório Avançado de Saúde Pública (LASP), que se constituiu no Laboratório Nacional de Referência do Ministério da Saúde para o Diagnóstico HIV/HTLV. Em 2001, implantou o Centro Integrativo Multidisciplinar de HTLV-1 da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP). Galvão é também Membro da Academia de Medicina da Bahia, da Academia de Ciências da Bahia e do Conselho Diretor da Academia de Ciências da Bahia.
AUTORIA: Jéssica Lobo da Silva ORIENTAÇÃO: Leonardo Paiva Farias TÍTULO DA TESE: “Avaliação do potencial quimioterápico de um inibidor de histona demetilase contra leishmaniose cutânea causada por Leishmania (V.) Braziliensis”. PROGRAMA: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa DATA DE DEFESA: 30/10/2019 HORÁRIO: 14h
RESUMO
INTRODUÇÃO: A Leishmaniose Cutânea (LC) causada por L. (V.) braziliensis é a forma clínica mais comum da doença no Brasil. A LC está associada à uma resposta inflamatória crônica intensa e ulceração, que podem levar meses ou anos para cicatrizar. Poucas opções terapêuticas, alta toxicidade dos tratamentos e o aparecimento de resistência reforçam a necessidade de tratamentos alternativos. Evidências moleculares sugerem que mecanismos epigenéticos estejam desregulados em doenças inflamatórias crônicas. Desta maneira, reguladores epigenéticos são considerados alvos promissores para melhorar condições inflamatórias crônicas. Após ensaios exploratórios, um inibidor (GSK-J4) de histonas demetilases (JMJD3 e UTX) mostrou efeitos positivos no controle da infecção em macrófagos humanos. O presente trabalho avaliou o potencial quimioterápico deste inibidor de histona demetilase com propriedades anti-inflamatórias contra L. (V.) braziliensis no modelo murino de LC.
METODOLOGIA: As CI50 para promastigotas e amastigotas foram determinados por citometria de fluxo e contagem direta utilizando macrófagos murinos, respectivamente. A análise morfológica dos promastigotas foi realizada por Microscopia Eletrônica de Varredura. O efeito leishmanicida nas amastigotas também foi avaliado após exposição ao composto por 24 h e contagem de promastigotas livres após 8 dias de cultura livre de tratamento. A viabilidade de macrófagos murinos foi mesurado por Alamar Blue. A produção de EROs e NO foram dosados por reação de Griess. A produção de citocinas foi dosado por citometria de fluxo. E finalmente, ensaios in vivo foram realizados em modelo de infecção de orelha em BALB/C com administrações intralesionais de GSK-J4.
RESULTADOS: O CI50 do GSK-J4 foi calculado em 888 nM para promastigotas e 4,5 μM para amastigotas após 24 horas de exposição. Adicionalmente, a exposição até 2,25 μM por 24 horas mostrou efeito irreversível sobre a forma amastigota. GSK- J4 não demonstrou toxicidade celular para as células não infectadas até 50 μM em 24 horas, com IS > 33,33. GSK-J4 (7,5 μM) induziu a produção de NO em 48 horas. Adicionalmente, GSK-J4 reduziu níveis de MCP-1 em macrófagos infectados. O tratamento intralesional com 50 μM e 100 μM reduziu a carga parasitária nas orelhas e demonstrou ter efeito no desenvolvimento de úlceras, uma vez que 75% camundongos tratados não desenvolveram lesões ulceradas.
CONCLUSÃO: Os dados apresentados sugerem que o GSK-J4 apresenta potencial quimioterápico devido ao seu efeito leishmanicida e imunomodulador. Este potencial deve ser melhor investigado em associação a outras drogas já utilizadas para o tratamento da Leishmaniose Cutânea causada por L. (V.) braziliensis como estratégia terapêutica para redução de toxicidade.
Palavras-Chave: GSK-J4, inibidor de histona demetilase, inflamação, L. (V.) braziliensis
A Fiocruz Bahia realizará, de 23 a 25 de outubro, atividades na 16ª Semana Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. O tema dessa edição é “Bioeconomia: Diversidade e Riqueza para o Desenvolvimento Sustentável”.
Vamos receber, em nossas instalações, estudantes de escolas públicas e privadas para participar da programação com palestras, oficinas, experimentações, exposições, jogos, e visita técnica às áreas de pesquisa. As atividades buscam demonstrar o quanto a ciência da saúde está presente na vida das pessoas e o quanto ela pode contribuir para a solução de problemas do nosso dia a dia.
No último dia, a programação inclui a sessão científica que acontece às sextas-feiras, às 9 horas. O tema da palestra será “Empreendedorismo na Academia”, ministrada pelo professor da Universidade de Araraquara (UNIARA), Hernane Barud.
Aconteceu entre 25 e 27 de setembro o 22º Simpósio Internacional de Microencapsulação, realizado pela Fiocruz Bahia juntamente com a Sociedade Internacional de Microencapsulação e a Universidade Federal da Bahia (UFBA). O simpósio tem longa tradição e aconteceu pela primeira vez no hemisfério sul.
Um dia anterior a abertura oficial do evento, foi realizado o I International Course – Emerging Trends in Nanobiotechnology & Nanomedicineno, no auditório Aluízio Prata, da Fiocruz Bahia. O organizador, Fábio Formiga, destacou a importância do curso pré-simpósio, salientando a possibilidade de networking e parceria entre os participação dos inscritos.
“Foi um evento que reuniu professores, pesquisadores e estudantes, que participaram de palestras e discussões de alto nível científico sobre novas tendências nos campos da nanobiotecnologia e da nanomedicina” acrescentou o pesquisador da Fiocruz.
A possibilidade de network foi um dos pontos mais importantes do simpósio para Ricardo Bentes, da Universidade de Brasília (UnB). Para o participante, foi uma experiência ímpar, tanto do ponto de vista das palestras as quais atendeu e que preencheram lacunas de conhecimento na área de nano e microtecnologia, assim como do da inter relação pessoal com pesquisadores e estudantes de diferentes regiões do país e do exterior.
A programação do simpósio foi realizada no Hotel Vila Galé Salvador, que contou com palestrantes nacionais e estrangeiros na programação, com sessões plenárias, quatro sessões científicas e duas mesas temáticas, onde foram discutidas nanotecnologias para doenças tropicais e negligenciadas, saúde animal, agricultura sustentável e meio ambiente. Todas as apresentações foram realizadas em inglês. Participaram mais de 100 pessoas.
A participante Carlota Rangel Yagui, da Universidade de São Paulo (USP), parabenizou a organização do simpósio, elogiando palestra e trabalhos apresentados foram de altíssimo nível. “Foi uma excelente oportunidade de atualização e interação com grandes nomes da pesquisa em micro e nanotecnologia”, concluiu a professora.
No simpósio também houve apresentação de trabalhos científicos nas formas de comunicação oral e pôster. Os trabalhos premiados foram submetidos no formato integral ao periódico International Drug Delivery and Translacional Research, que dedicou um suplemento especial ao simpósio.
Alunos do Programa de Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PGBSMI) e Programa de Pós-Graduação em Patologia Humana (PGPAT) participaram ativamente da realização do evento e tiveram aproveitamento acadêmico para a disciplina Tópicos Avançados em Biotecnologia, para o PGBSMI, e Métodos e Técnicas em Patologia Ultraestrutural, para o PGPAT.
A Fiocruz Bahia promove, no dia 19 de outubro (sábado), o Fiocruz pra Você 2019. O evento, que será realizado no Parque da Cidade Joventino Silva, localizado no bairro Itaigara, ofertará uma rica programação com uma série de atividades de promoção da saúde e popularização da ciência, criando um espaço de aprendizagem e recreação de modo a impulsionar o acesso ao conhecimento.
Na feira de ciência e saúde, haverá estandes com atividades de assistência à saúde da população, como medição de pressão, e de divulgação científica, como simulação de experimentos, exposição de insetos, oficina de horta, uso de modelos científicos comestíveis para explicar conceitos em ciências biológicas (célula, DNA, divisão celular), quizz, jogos, música e brincadeiras para crianças.
Além disso, haverá uma equipe da CCZ para vacinação antirrábica de cães e gatos. Participarão também outras instituições de ensino em saúde. São esperadas cerca de 3000 pessoas no evento.
O Fiocruz pra Você é um evento nacional, promovido pela Fundação desde 1994, com foco em vacinação e atividades culturais, de divulgação científica e promoção da saúde. O projeto visa à integração e ao engajamento com as comunidades, promovendo ciência, diversão e solidariedade.
Fiocruz Pra Você
Dia: 19 de outubro de 2019
Horário: 09h às 16h
Local: Parque da Cidade – Itaigara
Entrada: Gratuita e aberta ao público.
Público Alvo: Todas as idades.
O coordenador do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), Mauricio Barreto, foi ovacionado durante a entrega do título de Professor Emérito da Universidade Federal da Bahia nesta sexta-feira, 04 de outubro, no Salão Nobre da Reitoria. A solenidade contou com mais de 300 pessoas entre acadêmicos, autoridades, parlamentares, familiares, estudantes e profissionais de saúde, que aplaudiram de pé o professor em vários momentos.
A cerimônia marcou o reconhecimento pela trajetória de 35 anos do Barreto como docente na universidade e precedeu a celebração pelos 25 anos do Instituto de Saúde Coletiva (ISC/Ufba), do qual ele foi um dos fundadores. Nesta última celebração, o professor também foi homenageado, juntamente a outros aposentados, com uma placa de reconhecimento pela contribuição dada na história do instituto, entregue pela vice-coordenadora do Cidacs, Maria Yury Ichihara.
A mesa da cerimônia da outorga do título foi composta pelo reitor da universidade, João Carlos Salles, a diretora do ISC, Isabela Cardoso, a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, o secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Bôas, além dos colegas acadêmicos de Barreto, Glória Teixeira e Naomar de Almeida Filho.
Reconhecimento
A diretora Isabela Cardoso lembrou a trajetória do professor de luta pela reforma sanitária e criação do Sistema Único de Saúde, a capacidade dele de agregar pessoas, a fundação e desenvolvimento do ISC, com a instituição de um projeto pedagógico inovador. “Mauricio é um dos pilares de desenvolvimento do instituto ao longo dos anos”, afirmou.
A carreira científica e a brilhante trajetória de acadêmica de Barreto foram demonstradas pela professora da Ufba e pesquisadora associada ao Cidacs, Maria Glória Teixeira. Ela lembrou da importância dele para o campo da saúde coletiva, o trabalho na epidemiologia social, e “seu compromisso em investigar e sensibilizar os colegas a investigar” os principais problemas de saúde da porção mais marginalizada da população brasileira. E citou como exemplo algumas das pesquisas que tiveram impacto social positivo, como a utilização da Vitamina A para evitar formas severas da diarreia e a retirada da segunda dose da vacina BCG, que se mostrou desnecessária. Além disso, ela lembrou da capacidade do professor de estar na vanguarda científica. “O Cidacs é uma das proposições mais avançadas e inovadores da atualidade no campo das políticas sociais”.
O homem Mauricio surgiu no discurso da pesquisadora Estela Aquino, com quem é casado há mais de 30 anos. Ela tratou da trajetória pessoal, mostrando a coerência entre o fazer científico e o pessoal. “Ele sempre foi um homem de grandes ideias que se aliam a grandes causas”, disse, lembrando que isso pode ser refletido na trajetória também dos filhos.
Um modelo a ser seguido. Foi assim que o reitor João Carlos Salles se referiu a Barreto. “O brilho de Mauricio Barreto que enriquece o ISC não deixa de ser a tradução da mais refinada produção acadêmica na universidade”, enfatizou, lembrando que a trajetória dele serve de exemplo para toda a comunidade.
Em seu discurso, o professor Mauricio Barreto, agradeceu a homenagem e discorreu sobre os valores que nortearam sua trajetória. Além da luta pela equidade em saúde em prol da população brasileira, a liberdade na prática científica, a interdisciplinaridade e a dialética universal-local na universidade, instituição central das sociedades humanas. “O pesquisador deve estar preparado para ser humilde. A ciência é o exercício da humildade, incompatível com a arrogância da verdade absoluta”.
A presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nísia Trindade, participou da cerimônia e ministrou a palestra “Saúde, Democracia e Civilização” na comemoração dos 25 anos do Instituto de Saúde Coletiva (ISC/UFBA), que aconteceu logo após a entrega do título.
Trajetória
Em 1977, o baiano de Itapicuru (233 Km de Salvador) se graduou em medicina pela Ufba e deu início à pesquisa em São Sebastião do Passé com estudos sobre Leshimaniose. Barreto quis seguir a carreira científica, fazendo mestrado em Saúde Comunitária no Instituto de Saúde Coletiva (ISC/Ufba). “Minha alma mater é Ufba”, disse ele durante a cerimônia de assinatura do acordo de cooperação entre o Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia), onde é pesquisador sênior, e a universidade.
Barreto é epidemiologista, doutor pela Universidade de Londres e foi professor da London School Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM). No Cidacs tem sido um entusiasta do uso de dados governamentais como fonte de informações para pesquisa científicas robustas. Barreto tem uma vasta bibliografia científica: são mais de 400 trabalhos publicados em revistas científicas e capítulos de livros. É um grande formador também: orientou cerca de 50 monografias, 18 dissertações de mestrado e 25 teses de doutorado.
O professor Mauricio, como é conhecido na comunidade científica, é responsável pela concepção e desenvolvimento do Cidacs, que reúne uma equipe que envolve médicos, epidemiologistas, nutricionistas, estatísticos, economistas e outras 20 formações, e está desenvolvendo métodos inovadores de pesquisa em avaliações de políticas públicas com métodos quantitativos e estratégias computacionais, o que coloca a Bahia no cenário de ponta da pesquisa epidemiológica no mundo. Pelos seus feitos, recebeu inúmeras condecorações e prêmios.
Em 2015, recebeu o Prêmio Roberto Santos de Mérito Científico, concedido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), e, em 2017, recebeu a Comenda 2 de Julho, concedida pela Assembleia Legislativa do Estado da Bahia. Desde 2003 integra a Academia Brasileira de Ciências (ABC), faz parte da Academia Mundial de Ciências (TWAS, na sigla em inglês), a Associação Internacional de Epidemiologia (IEA, na sigla em inglês), a Academia de Ciências da Bahia (ACB), da qual também é fundador, e também já ocupou cargos na Organização Mundial da Saúde (OMS) e no Ministério da Saúde.
Em dezembro de 2018, junto com mais 21 pesquisadores do mundo, ele como único brasileiro, participou da Comissão de Migração e Saúde da Universidade de Londres (UCL-The Lancet). Entre os achados, mostrou como a migração faz parte dos processos de ocupação da terra e que não há evidências de que os migrantes são responsáveis pela propagação de doenças. Por longo tempo tem liderado um grupo de pesquisa voltado para aspectos epidemiológicos das doenças infecciosas, desnutrição e asma, avaliação do impacto populacional de intervenções, e aspectos teóricos e metodológicos da Epidemiologia.
Lançado nesta segunda-feira (07/10), na Fiocruz Bahia, o programa “Parceiro da Ciência na Bahia” visa a construção de uma rede de apoio às ações de pesquisa, tecnologia, inovação e saúde pública no estado. O evento contou com a presença de autoridades e parlamentares da bancada baiana.
O Secretário de Saúde do Estado da Bahia, Fábio Villas Boas, participou do encontro representando o governador do estado, Rui Costa. Em seu discurso, foi ressaltado o apoio do governador a essa ação e para construção de projetos cooperativos voltados para o desenvolvimento da ciência e de interesse do Sistema Único de Saúde (SUS).
“A partir de uma visão mais pragmática da ação da pesquisa aplicada à saúde, nós conseguiremos alavancar recursos num montante maior. Não desistam, tenham coragem. Nenhuma sociedade consegue evoluir se não valorizar a ciência, elemento que faz com que nós possamos evoluir. Uma instituição consagrada como a Fiocruz recebe e continuará recebendo todo apoio do Governo do Estado da Bahia”, declarou Vilas Boas.
Na abertura, a diretora da Fiocruz Bahia, Marilda de Souza Gonçalves deu as boas-vindas e falou da importância da união de esforços em tempos de restrições orçamentárias. “Agradeço aos parceiros que há muito tempo vem contribuindo com a nossa pesquisa e a essa rede que tem sido formada em torno da nossa instituição”, disse.
“Estamos vivendo um momento de escassez de recursos para financiamento das nossas pesquisas, mas sabemos da importância de ser pesquisador, da contribuição das pesquisas para a sociedade e é por isso que estamos aqui, em um evento em prol da educação, da ciência, por uma causa da pátria”, completou a diretora.
A Fiocruz, no âmbito nacional, foi apresentada pelo chefe de gabinete da Presidência da Fiocruz, Valcler Rangel Fernandes, que parabenizou a unidade pela iniciativa. Na apresentação foram expostos os valores e a missão da Fundação, os lugares onde está presente, as formas de atuação, a cooperação internacional, dentre outros pontos.
Valcler Rangel associou o processo de celebração dos 120 anos da Fiocruz com a proposta do programa. “O Parceiros da Ciência na Bahia se insere no contexto da comemoração dos 120 anos, nessa perspectiva de conseguir com que a Fiocruz esteja presente e se concentre nos problemas de cada estado”, afirmou.
Também participaram do evento Mara Clécia Dantas Souza – chefe de gabinete da secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia, Adélia Maria Pinheiro; Julieta Palmeira – secretária de Políticas para as Mulheres; Handerson Jorge Dourado – diretor de Inovação da Fapesb; Alice Portugal – deputada federal e José de Arimateia – deputado estadual.
A vice-diretora de Pesquisa da Fiocruz Bahia, Camila Indiani, salientou o desenvolvimento e avanço de importantes programas científicos no Estado possibilitados pela instituição, como a formação e capacitação de recursos humanos. Além disso, destacou dois projetos da Fiocruz Bahia em desenvolvimento através da rede de apoio – o de modernização da Fiocruz Bahia e o de vigilância em saúde, em interação com o COSEMS – BA.
Em cumprimento ao Decreto nº 9.373 de 11/05/2018 e Lei 8.666/93, a Fiocruz Bahia comunica que está colocando à disposição de órgãos públicos federais, dos Estados, do Distrito Federal, Municipal e Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, bens diversos classificados como Inservíveis, na situação de Antieconômico e Irrecuperável.
Os interessados deverão entrar em contato com a Seção de Patrimônio, pelo telefone 3176-2222, e tratar com Eugenia Olivia Reis de Souza. Caberá aos interessados a retirada e transporte dos bens.
AUTORIA: Camylla Vilas Boas Figueiredo ORIENTAÇÃO: Marilda de Souza Gonçalves TÍTULO DA TESE: “Priapismo na doença falciforme: associação entre polimorfismos genéticos e biomarcadores laboratoriais”. PROGRAMA: Pós-Graduação em Patologia Humana-UFBA /FIOCRUZ DATA DE DEFESA: 18/10/2019 HORÁRIO: 14h
RESUMO
A doença falciforme (DF) é constituída por um grupo de doenças hematológicas que têm em comum a presença da hemoglobina variante S (HbS), sendo a anemia falciforme (AF) a forma mais grave da doença, e a hemoglobinopatia SC (HbSC), a segunda mundialmente mais frequente. Dentre as manifestações clínicas presentes na DF, o priapismo exerce impacto grande na qualidade de vida dos pacientes acometidos. O priapismo é definido como a ereção peniana prolongada, persistente e dolorosa, que não está associada ao estímulo sexual, cuja incidência em homens de qualquer idade é estimada em 0.3-1.05 a cada 100.000 por ano, sendo que, em aproximadamente 65% dos casos, a etiologia do evento tem como causa a DF. O priapismo é considerado emergência urológica, cujo diagnóstico incorreto pode levar a fibrose peniana, disfunção erétil e impotência. Dessa forma, o objetivo do presente estudo foi caracterizar os perfis hematológico e bioquímico de pacientes pediátricos com AF e HbSC, bem como investigar polimorfismos em genes de moléculas relacionadas à disfunção endotelial, associando-os a biomarcadores laboratoriais em indivíduos com DF que tiveram histórico clínico prévio de priapismo. Para tanto, foram realizados dois estudos. O primeiro, um estudo transversal envolvendo 181 pacientes pediátricos, sendo 126 com AF e 55 com HbSC. O segundo, um estudo caso-controle, onde foram investigados 37 pacientes do sexo masculino com DF, sendo 31 deles com AF e 6 com HbSC que foram previamente acometidos por evento de priapismo e 51 pacientes com DF (36 com AF e 15 com HbSC) que nunca relataram a ocorrência de priapismo e constituíram o grupo controle. Os marcadores hematológicos e bioquímicos investigados em ambos os estudos foram avaliados por métodos automatizados. No segundo estudo, a quantificação dos metabólitos de óxido nítrico (NOm) foi determinada colorimetricamente através da reação de Griess e a dosagem de endotelina-1 (ET-1) foi realizada pelo ensaio de imunoabsorção enzimática (ELISA). Os polimorfismos nos genes NOS3 e EDN1 foram investigados pelas técnicas de reação em cadeia da polimerase (PCR) e Restriction Fragment Length Polymorphism (RFLP). Os resultados encontrados no primeiro estudo demonstraram que pacientes com AF exibem um perfil hemolítico e inflamatório mais proeminente em comparação aos pacientes com HbSC que, por sua vez, apresentam alterações no perfil lipídico, bem como níveis diminuídos de NOm. De acordo com o histórico de admissões hospitalares, as crises de dor e os eventos de VOC estiveram associados a diferentes parâmetros laboratoriais em ambos os genótipos estudados, sendo a reticulocitose um biomarcador que pode estar associado à gravidade da DF. Alterações em moléculas associadas à disfunção endotelial, dislipidemia e níveis mais baixos de HbF podem estar associadas à história clínica prévia de priapismo. Pacientes participantes do segundo estudo tratados farmacologicamente com HU e que fazem uso de hemocomponentes são historicamente menos acometidos por eventos de priapismo. No que diz respeito à investigação genética, polimorfismo nos genes NOS3 e EDN1 não demonstraram significância estatística entre os grupos estudados, bem como a presença do alelo variante não esteve associada a alterações nos níveis de NOm e ET-1 nos pacientes com DF e história clínica prévia de priapismo. Estudos futuros que envolvam um número maior de pacientes, bem como aqueles em crise de priapismo podem levar a uma elucidação acerca do papel que essas moléculas desempenham no desenvolvimento dessa manifestação clínica.
AUTORIA: Jéssica Dias Petrilli ORIENTAÇÃO: Sérgio Marcos Arruda TÍTULO DA TESE: “Resposta induzida pelo Mycobacterium Tuberculosis com interrupção no Operon MCE1 e os lipídios da parede celular: uma análise para identificação de biomarcadores”. PROGRAMA: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa DATA DE DEFESA: 22/10/2019 HORÁRIO: 09h
RESUMO
Mycobacterium tuberculosis (M. tuberculosis) apresenta características peculiares quando comparado a outros patógenos. A interrupção no operon mce1 (Dmce1) do M. tuberculosis, um putativo transportador de lipídios, causa reorganização lipídica da sua parede celular e reduz assim a capacidade do bacilo de induzir uma resposta inflamatória adequada para controlar a infecção. O grande desafio da TB consiste em interromper o ciclo de transmissão do bacilo e, portanto, uma melhor compreensão dos mecanismos de patogênese do M. tuberculosis pode ser a chave para a interrupção desse ciclo. Diante disso, esse trabalho teve como objetivo avaliar a resposta induzida pelo M. tuberculosis Dmce1 e selvagem (WT), e pelo extrato apolar de lipídios da parede celular em modelo in vitro. Cepas do M. tuberculosis, Dmce1 e selvagem, foram utilizadas para avaliação da resposta induzida pelo bacilo na formação do granuloma e os extratos lipídicos da parede celular das duas cepas foram utilizadas para avaliação da resposta induzida em células do sistema imunológico. Em busca de biomarcadores associados com a TB, uma análise da expressão genica de células de sangue total de pacientes com TB ativa, TB latente, outras doenças pulmonares e indivíduos saudáveis foi realizada. Os dados demonstram que o M. tuberculosis Dmce1 é capaz de induzir a formação do granuloma, no entanto apresenta capacidade reduzida de controlar a infecção in vitro por um período prolongado. Os lipídios do M. tuberculosis Dmce1 foram associados com a capacidade reduzida da cepa em montar uma resposta inflamatória, pois o extrato apolar de lipídios da cepa induziu uma expressão diminuída de genes associados com a resposta inflamatória. Após análise de sangue total, genes associados a inflamação apresentaram-se como importantes alvos para avaliação de biomarcadores de diagnóstico da TB e progressão da doença. Assim, M. tuberculosis Dmce1 demonstrou ter uma capacidade imunogênica reduzida em comparação com a cepa selvagem e o rearranjo lipídico da sua parede celular está envolvido na resposta orquestrada pelo sistema imunológico do hospedeiro, revelando que os lipídios têm um importante papel no curso da doença.
O Programa de Pós-graduação em Patologia (PGPAT) iniciou o Processo de Credenciamento de novos docentes. As inscrições encerram no dia 11 de outubro de 2019.
Todo o procedimento será realizado conforme a Resolução PGPAT nº 002/2019, de 3 de outubro de 2019, que estabelece normas para credenciamento de docentes permanentes e colaboradores, em acordo ao Relatório do Qualis Periódicos 2019 e ao Documento Orientador de APCN da Medicina II-CAPES, que contém as recomendações gerais para o funcionamento do Programa.
Novos pleiteantes a docentes deverão preencher o formulário eletrônico. Também deverão preencher a Planilha, indicando a sua respectiva produção acadêmica de 2017-2019 e enviá-las para pgpat@bahia.fiocruz.br. O PGPAT (Nível 6- CAPES) está vinculado ao Departamento de Patologia e Medicina Legal da Faculdade de Medicina da Bahia (FMB-UFBA) e, desde de 1981, o Programa funciona em regime de ampla associação com Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz Bahia).
O PGPAT oferece duas áreas de concentração: Patologia Humana e Patologia Experimental, nas seguintes linhas de pesquisa: (i) Patologia e imunopatologia com ênfase nos mecanismos causadores das doenças infecciosas, parasitárias, crônico-degenerativas e genéticas; (ii) Abordagens diagnósticas e terapêuticas em doenças humanas e em modelos experimentais e (iii) Investigação de biomarcadores para doenças humanas e agentes anti-tumorais.
A implementação da terapia antirretroviral causa uma diminuição significativa na mortalidade associada ao HIV em todo o mundo. No entanto, a mortalidade ainda é alta entre as pessoas que vivem com coinfecção por HIV e tuberculose.
Embora nenhuma diferença na taxa de mortalidade tenha sido demonstrada até o momento entre pacientes com e sem experiência com terapia antirretroviral, diferentes preditores de mortalidade pode levar à implementação de abordagens distintas no manejo clínico desses grupos.
Em um estudo, que contou com a participação do pesquisador Bruno de Bezerril Andrade, e a doutoranda Maria Arriaga, ambos da Fiocruz Bahia, a ação de Inibidores de Protease foi analisado em uma população de uma área de alta carga de tuberculose e HIV. A pesquisa foi publicada no periódico científico PLOS One.
O estudo
Para o estudo, foram avaliados 273 pacientes com diagnóstico de tuberculose e HIV e tratados em um centro de referência no Rio de Janeiro, entre 2008 e 2016. Análises multivariadas foram utilizadas para avaliar a eficácia do esquema de terapia do 4º ao 10º mês, após a introdução do tratamento para tuberculose. Os preditores de mortalidade precoce foram identificados 100 dias após o início do tratamento para tuberculose, considerando pacientes com e sem terapia antirretroviral anterior.
Pacientes com terapia antirretroviral apresentaram tuberculose prévia com mais frequência e exibiram mais comorbidades. Além disso, análises adicionais sobre a sobrevivência precoce demonstraram que Síndrome Inflamatória de Reconstituição Imune (SIRI) e alta carga viral de HIV basal foram fatores de risco para mortalidade precoce em pacientes sem terapia antirretroviral, mas não em pacientes com terapia antirretroviral.
Para pacientes que já fizeram terapia antirretroviral, um risco maior de falha do tratamento foi observado naqueles com maior nível de carga viral de HIV e com resistência à primeira linha terapia antirretroviral, baseados no fármaco efavirenz. Um estudo anterior deste grupo também revelou pacientes tratados com inibidores de Protease tiveram 3,08 vezes mais risco de falha do tratamento em comparação com pacientes que usam regimes de terapia antirretroviral baseados em efavirenz.
Os regimes baseado em inibidores de Protease potencializados, como Ritonavir, são tóxicos e, quando adicionados a drogas anti-tuberculose, podem resultar na interrupção de ambas as terapias, uma vez que nenhum outro regime de terapia antirretroviral compatível com rifampicina é recomendado no Brasil.
Este estudo contribui para o conhecimento atual no campo das terapias para coinfecção por tuberculose e HIV, pois demonstra que os fatores de risco para mortalidade e insuficiência da terapia antirretroviral foram diferentes para os pacientes que fizeram esse tratamento com as drogas inibidoras.
A tuberculose pulmonar é a principal causa de morte por infecção e atinge uma a cada quatro pessoas no mundo. A comorbidade por diabetes é uma condição que faz com que indivíduos desenvolvam tuberculose com hiper-inflamação e maior facilidade do que com outros indivíduos sem essa condição crônica. A forma em que o tratamento contra tuberculose interage com a diabetes ainda não é amplamente estudado.
Uma investigação desenvolvida através de uma parceria entre a Fiocruz Bahia e instituições presentes na Índia, Estados Unidos e Brasil, liderada pelo pesquisador da Fiocruz Bahia, Bruno Bezerril, e pelo pós doutorando do Programa Nacional de Pós Doutorado/Capes (PNPD/Capes) Kiyoshi Fukutani, analisa a resposta ao tratamento contra tuberculose em pacientes sem e com diabetes. O artigo “Persistent inflammation during anti-tuberculosis treatment with diabetes comorbidity”, foi publicado no periódico eLife Sciences.
No estudo longitudinal, foram verificados 17 citocinas do plasma, que são proteínas e peptídeos secretados por células de defesa, de pacientes brasileiros e indianos durante e após o tratamento contra tuberculose. As análises das resposta aos medicamentos foram feitas através de estudos de população, mensuração de plasma e análise estatísticas.
Nos resultados, foi notado que, entre o início do tratamento e seis meses após a conclusão da terapia, pacientes que desenvolveram a infecção associada a diabetes tinham um maior nível de inflamação do que outros pacientes que não tinham a comorbidade tuberculose-diabetes, separando-os virtualmente em dois grupos diferentes.
Por outro lado, após um ano do tratamento, foi notado, tanto na população brasileira como na indiana, que os índices de infecção estabilizaram no mesmo patamar entre os dois grupos. Além disso, em pacientes que a tuberculose é associada a diabetes o prognóstico é mais difícil, por causa de atrasos ou não de esterilização das lesões pulmonares, maior danos permanentes nos pulmões, entre outros efeitos de longo prazo desfavoráveis.
A investigação concluiu que a relação entre tuberculose e diabetes faz com que a inflamação sistêmica tenha uma maior persistência, mesmo após a aplicação do tratamento. Também, a pesquisa apontou que é necessário tratar a tuberculose com maior rigor para evitar danos maiores em pessoas com tuberculose que têm diabetes. Atualmente, os pesquisadores estão desenvolvendo um novo tratamento com antibióticos para curar de maneira mais rápida a infecção e prevenir o paciente de ter maiores danos.
O Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia), através do Núcleo de Saúde do Trabalhador e da Coordenação do Programa Fiocruz Saudável, promove uma mesa redonda com a temática “Saúde e Alimentação”, que acontecerá no dia 17 de outubro, na Fiocruz Bahia. O evento tem enfoque na importância da relação saudável com o alimento para o equilíbrio físico, mental, emocional e espiritual do indivíduo.
A mesa de debate é uma proposta de celebração tanto do Dia Mundial da Saúde Mental (10/10) quanto do Dia Mundial da Alimentação (16/10). O médico psiquiatra, Thiago Campos de Oliveira, ministrará a palestra “Saúde Mental e Distúrbios alimentares” e a Nutricionista Laila de Freitas abordará a questão da “Nutrição sem restrições”.
No período da tarde, haverá uma oficina de alimentação saudável com o tema “Alimentação Viva”. Além de propor uma alimentação baseada na vitalidade dos alimentos para consumo de vegetais in natura, frutas frescas e castanhas, o movimento da Alimentação Viva contribui para uma reflexão sobre estilo de vida e cuidados ambientais, a partir da germinação do alimento entendendo o ser humano como parte integrante e indissociável da rede da vida.
O evento é parte das atividades de 2019 do Programa Rede Diálogos do NUST, cujo objetivo é dar visibilidade ao adoecimento mental, por meio de um espaço aberto de diálogo, construindo coletivamente proposições para a transformação da realidade na direção de um ambiente mais saudável, bem como das atividades do Programa Fiocruz Saudável, cuja finalidade é fomentar reflexões acerca de pressupostos de qualidade de vida e proteção ambiental, questões que atualmente integram o conceito de saúde.
Data: 17 de outubro de 2019 Local: Fiocruz Bahia Horário:
Mesa redonda – 09h às 12h
Oficina de alimentação saudável – 15h às 16h Entrada: gratuita e não necessita inscrição
O estudante do Programa de Pós-graduação de Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI) da Fiocruz Bahia, Pedro Santos, recebeu o prêmio Jovem Pesquisador na categoria Mestrado pelo trabalho apresentado no 55º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop 2019).
O estudo “Avaliação de risco ocupacional e dinâmica da estrutura populacional de Schistosoma mansoni em trabalhadores de hortifruticulturas em Salvador, Bahia” foi orientado pelo professor da Fiocruz Bahia, Lucio Barbosa, e foi escolhido entre outros 14 trabalhos selecionados no evento organizado pela SBMT.
Para Pedro, a premiação foi uma surpresa e satisfação após muita dedicação dele e do grupo de pesquisa que faz parte do Laboratório de Patologia e Biologia Molecular (LPBM). “Quando chegou o e-mail da comissão organizadora relatando que nosso trabalho foi selecionado por eles, entre tantos outros, para concorrer a premiação de Jovem Pesquisador na categoria em que hoje me insiro, foi um motivo de muita felicidade para a nossa equipe e para mim”, relatou.
“No dia da apresentação oral, foi reiterado que os trabalhos selecionados para a banca avaliadora já eram trabalhos de destaque. Na noite de abertura do evento foi anunciado os vencedores de cada categoria e tive a imensa satisfação e felicidade em receber este prêmio que é fruto de muito trabalho e dedicação da nossa equipe”, comemorou o estudante.
Ainda, o estudante disse que essa premiação o motiva a seguir a carreira acadêmica, mesmo com um cenário não favorável na ciência. “A vontade de querer contribuir com a melhoria de vidas através da saúde pública e compartilhamento do conhecimento é muito mais forte. E com isso, espero continuar a dar respostas a sociedade e trabalhar na solução de problemas através de um futuro doutorado e outras oportunidades no universo acadêmico”, apontou.
Sobre a premiação
O Prêmio Jovem Pesquisador, da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), é uma condecoração dada nos pré-cursos e Congressos de Medicina Tropical à melhores apresentações e trabalhos submetidos. O objetivo é estimular jovens pesquisadores da área de medicina tropical a desenvolver suas investigações. O prêmio é dado nas categorias graduação, mestrado ou doutorado.
A Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), fundada em 1962, apoia órgãos públicos e particulares envolvidos no enfrentamento e controle de doenças tropicais, infecciosas e parasitárias, em várias frentes de apoio, respeitando as diretrizes do SUS. Dentre os diversos objetivos, busca promover e incentivar estudos e pesquisas relativos à Medicina Tropical, dar assessoria técnico-científica, estimular educação permanente; e promover eventos de âmbito internacional, nacional e regional e intercâmbio cultural com instituições científicas.
Durante o XIII Encontro de Pós-Graduação nas Áreas de Medicina I, II e III da CAPES, que ocorreu de 18 à 20 de setembro, na Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP), alunos egressos da Fiocruz Bahia foram premiados por seus trabalhos acadêmicos apresentados no evento. O encontro nacional, anual e itinerante, é destinado a coordenadores, pesquisadores, secretários, estudantes e outros profissionais envolvidos com a Pós-Graduação na área de Medicina no país. O tema norteador foi “Perspectivas da Nova Avaliação Quadrienal: Mudança de Paradigma”.
A ex-estudante, Jaqueline Góes, do Programa de Pós-graduação em Patologia (PGPAT – UFBA/ Fiocruz Bahia), ficou em 1º lugar na categoria Doutorado, por sua tese “Vigilância Genômica em Tempo Real de Arbovírus Emergentes e Re-Emergentes”. Para a vencedora, essa conquista é fruto do trabalho de toda a equipe do projeto Zika in Brazil Real Time Analysis (Zibra), do qual fez parte, e ressalta a importância de fazer colaborações que geram trabalhos de grande impacto científico, fornecendo respostas rápidas para tomada de decisões no que tange a saúde pública.
Jaqueline também agradeceu o apoio das coordenadoras do programa de pós-graduação e do seu orientador, Luiz Alcântara, além de ressaltar a importância das instituições de financiamento, sem os quais não poderia realizar as atividades que deram origem aos resultados apresentados na tese, incluindo a bolsa de estudos no país e durante o período sanduíche no exterior. “Fiquei muito feliz em ter compartilhado a felicidade do prêmio com meus colegas Breno Cardim e Afrânio Evangelista, isso demonstra a importância da ciência e dos programas de pós-graduação do Instituto Gonçalo Moniz para o país,” comemorou.
No 2º lugar, o ex-aluno Afrânio Evangelista, do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PGBSMI – Fiocruz Bahia), foi premiado por sua tese “Mecanismos envolvidos no efeito terapêutico de células mesenquimais de medula óssea em modelo experimental de neuropatia diabética sensorial”.
Afrânio declarou se sentir honrado com o reconhecimento e pela oportunidade de apresentar seu trabalho para uma plateia de pesquisadores das áreas da medicina I, II e III e mostrar que na instituição se produz pesquisa de qualidade. “Foi uma experiência edificante e inesquecível, tanto pela visibilidade proporcionada pelo evento, quanto pela oportunidade de estabelecer parcerias, o que é imprescindível para nós pesquisadores”, afirmou.
Na categoria de Mestrado, o aluno do PGPAT, Breno Cardim Barreto, ficou em 1º lugar com a dissertação intitulada “Caracterização da Expressão da Conexina 43 Miocárdica na Doença de Chagas Crônica”. Breno disse que, no cenário atual da ciência, esse prêmio serve como mais um estímulo para não desistirmos de lutar pela pesquisa no país. “Pude falar um pouco do meu trabalho de mestrado, e mostrar que no Nordeste também são feitas pesquisas de qualidade”, comentou.
No dia 21 de setembro, foi comemorado o Dia Mundial da Árvore. E neste ano, a data foi ainda mais especial: marcou a abertura oficial das inscrições da 10ª edição da Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (2019-2020), da Fundação Oswaldo Cruz.
Professores da educação básica de todo o país poderão inscrever os trabalhos de seus alunos do Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano) e Ensino Médio, desenvolvidos entre 2019 e 2020, nas categorias Produção Audiovisual, Produção de Textos e Projeto de Ciências.
A iniciativa premiará os 36 melhores trabalhos sobre saúde e meio ambiente com uma viagem ao Rio de Janeiro, para que alunos e professores vencedores participem de atividades científicas e culturais na cidade.
Além da premiação nacional, será oferecido o Prêmio Menina Hoje, Cientista Amanhã a um trabalho desenvolvido por grupos de alunas e professoras do gênero feminino.
A abertura das inscrições ainda marcou o fortalecimento da atuação da Obsma nas redes sociais online, com o lançamento oficial do Instagram da Olimpíada e que tornou possível acompanhar as novidades e ações também neste novo perfil. A Fiocruz Bahia é a unidade técnico-científica responsável pela atuação da olimpíada na Regional Nordeste II, que compreende os estados de Alagoas, Bahia e Sergipe.
Para realizar a inscrição na 10ª Obsma, o professor deve ler o regulamento, preencher o formulário no site oficial www.olimpiada.fiocruz.br e enviar os trabalhos inscritos para uma das Regionais da Obsma de acordo com sua região (endereços estão disponíveis no site).
Em caso de dúvidas, o professor deve entrar em contato com a Coordenação da Olimpíada pelo e-mail olimpiada@fiocruz.br ou o telefone (21) 2560-8259.
O pesquisador e coordenador do Cidacs da Fiocruz Bahia, Maurício Barreto.
O coordenador do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) Mauricio Barreto, recebe, no dia 4 de outubro, na Reitoria da Ufba, às 9h, o maior título da carreira docente. Barreto será empossado como Professor Emérito da Universidade Federal da Bahia (Ufba), onde leciona há 35 anos. O feito é mais um reconhecimento por sua trajetória, que desde o início é constituída pela luta pela equidade em saúde e pela expansão da ciência.
Em 1977, o baiano de Itapicuru (233 Km de Salvador) se graduou em medicina pela Ufba e deu início à pesquisa em São Sebastião do Passé com estudos sobre Leshimaniose. Barreto quis seguir a carreira científica, fazendo mestrado em Saúde Comunitária no Instituto de Saúde Coletiva (ISC/Ufba). “Minha alma mater é Ufba”, disse ele durante a cerimônia de assinatura do acordo de cooperação entre o Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia), onde é pesquisador sênior, e a universidade.
Barreto é epidemiologista, doutor pela Universidade de Londres e foi professor da London School Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM). No Cidacs tem sido um entusiasta do uso de dados governamentais como fonte de informações para pesquisa científicas robustas. Barreto tem uma vasta bibliografia científica: são mais de 400 trabalhos publicados em revistas científicas e capítulos de livros. É um grande formador também: orientou cerca de 50 monografias, 18 dissertações de mestrado e 25 teses de doutorado.
O professor Mauricio, como é conhecido na comunidade científica, é responsável pela concepção e desenvolvimento do Cidacs, que reúne uma equipe que envolve médicos, epidemiologistas, nutricionistas, estatísticos, economistas e outras 20 formações, e está desenvolvendo métodos inovadores de pesquisa em avaliações de políticas públicas com métodos quantitativos e estratégias computacionais, o que coloca a Bahia no cenário de ponta da pesquisa epidemiológica no mundo. Pelos seus feitos, recebeu inúmeras condecorações e prêmios.
Em 2015, recebeu o Prêmio Roberto Santos de Mérito Científico, concedido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), e, em 2017, recebeu a Comenda 2 de Julho, concedida pela Assembleia Legislativa do Estado da Bahia. Desde 2003 integra a Academia Brasileira de Ciências (ABC), faz parte da Academia Mundial de Ciências (TWAS, na sigla em inglês), a Associação Internacional de Epidemiologia (IEA, na sigla em inglês), a Academia de Ciências da Bahia (ACB), da qual também é fundador, e também já ocupou cargos na Organização Mundial da Saúde (OMS) e no Ministério da Saúde.
Em dezembro de 2018, junto com mais 21 pesquisadores do mundo, ele como único brasileiro, participou da Comissão de Migração e Saúde da Universidade de Londres (UCL-The Lancet). Entre os achados, mostrou como a migração faz parte dos processos de ocupação da terra e que não há evidências de que os migrantes são responsáveis pela propagação de doenças. Por longo tempo tem liderado um grupo de pesquisa voltado para aspectos epidemiológicos das doenças infecciosas, desnutrição e asma, avaliação do impacto populacional de intervenções, e aspectos teóricos e metodológicos da Epidemiologia.
O estudo é uma investigação da função de uma região concreta do genoma que não codifica para proteínas, mas origina um transcrito não codificante conhecido como RPSAP52, que apresenta funções reguladoras muito relevantes na proliferação celular. Os pesquisadores identificaram que o RPSAP52 regula a via de sinalização de HMGA2/IGF2BP2/RAS. Esta é uma via de caráter altamente pró-proliferativo e anti-diferenciador das células, de modo que a ativação de RPSAP52 promove o crescimento e mantem as células em um estado desdiferenciado típico das células tumorais mais agressivas.
Em condições normais, RPSAP52 somente se expressa a nível embrionário e está silenciado na maioria dos tecidos adultos. Porém, em um grande número de cânceres, o RPSAP52 se expressa de forma aberrante e promove o caráter pluripotente e de alta replicação das células. Isto se consegue mediante a capacidade que RPSAP52 tem em manter os níveis e função do co-regulador da tradução IGF2BP2 e em consequência, de diminuir os níveis do importante microRNA supressor tumoral let-7.
O estudo foi realizado in vitro e in vivo em modelos animais, e tem confirmado o papel tumorgênico de RPSAP52 em tumores de mama e sarcoma. Nesses tipos tumorais, o RPSAP52 pode também ter um valor preditivo como biomarcador. Além disso, o fato de que este RNA não codificante se expresse na maior parte dos tumores humanos e mostre um papel relevante reforça a função do genoma não codificante (frequentemente menosprezada) na regulação dos programas celulares e especialmente no contexto patológico.
Na ótica da pesquisa translacional, os achados são significativos pois este tipo de moléculas são presentes em níveis baixos e são mais facilmente atacáveis que os genes codificantes. Neste sentido, os pesquisadores estão trabalhando na geração de modelos tumorais in vivo nos quais seja possível testar a administração de pequenas moléculas que possam destruir RPSAP52 e seu efeito no crescimento tumoral. Este foi um estudo altamente colaborativo, em que também participaram pesquisadores do Instituto Catalão de Oncologia e do Instituto de Pesquisa Biomédica de Bellvitge, de Barcelona, Espanha.
Iniciou-se, ontem (18/9), o XIII Encontro de Pós-Graduação nas Áreas de Medicina I, II e III da CAPES, sediado na Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP), em Salvador. Da Fiocruz Bahia, estiveram presentes a diretora, Marilda de Souza Gonçalves; a vice-diretora de Pesquisa, Camila Oliveira; a vice-diretora de Ensino, Patrícia Veras; as coordenadoras dos programas de pós-graduação, Valéria Borges e Theolis Bessa, a coordenadora de Ensino, Claudia Brodskyn; além de pesquisadores e estudantes da instituição.
O encontro nacional, anual e itinerante, é destinado a coordenadores, pesquisadores, secretários, estudantes e outros profissionais envolvidos com a Pós-Graduação na área de Medicina no país. O tema norteador do evento de 2019 é “Perspectivas da Nova Avaliação Quadrienal: Mudança de Paradigma”.
Após a apresentação da camerata da Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA), foi formada a mesa de abertura do evento, da qual fez parte o pesquisador emérito da Fiocruz Bahia e professor titular da EBMSP, Bernardo Galvão.
O destaque do primeiro dia foi a palestra “O Sistema Nacional de Pós-Graduação: Atualidades e Perspectivas”, ministrada pela diretora de Avaliação da CAPES, Sônia Báo. Na apresentação, a professora fez um panorama do cenário nacional da pós-graduação, abordando diversas questões, dentre elas o impacto das produções científicas, a colaboração com a indústria, o aprimoramento do sistema de avaliação e propôs reflexões.
Sônia Báo também disse que, comparativamente com outros países, o Brasil precisa investir mais em ciência e tecnologia e em formação de recursos humanos qualificados. “Precisamos pensar os critérios que refletem a excelência acadêmica dos programas e como alinhá-los às políticas de Ciência, Tecnologia e Inovação e ao fomento”, afirmou.
As coordenações dos programas de pós-graduação em Patologia Humana e Experimental (PGPAT – UFBA/Fiocruz Bahia) e em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PGBSMI – Fiocruz Bahia), ambos vinculados a área de concentração da Medicina II, participaram ativamente do processo de organização do evento juntamente com a Presidente da comissão organizadora, Ana Marice Teixeira Ladeia, da EBMSP.
O diretor da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), Paulo Elian, ministrou a palestra intitulada “História e Política de Memória Institucional da Fiocruz”, na Fiocruz Bahia, no dia 12 de setembro. O pesquisador abordou os desafios da preservação da memória da Fiocruz, os projetos já realizados e a política de memória da institucional.
Durante a visita, o diretor também se reuniu com a diretora da Fiocruz Bahia, Marilda de Souza Gonçalves, profissionais da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e três filhos dos pesquisadores eméritos da Fiocruz, Zilton e Sonia Andrade, para discutir os trabalhos para preservação do acervo do casal de cientistas.
A Casa de Oswaldo Cruz é a unidade da Fiocruz dedicada à preservação da memória da Fundação e às atividades de pesquisa, ensino, documentação e divulgação da história da saúde pública e das ciências biomédicas no Brasil. De acordo com o diretor, é preciso pensar em como registrar a experiência e reter conhecimentos de gerações que estão paralisando suas atividades, chegando ao final de sua trajetória profissional na Fiocruz. “É também um reforço ao valor da ciência e contra o negacionismo histórico”, frisou.
Em 2018, o Conselho Deliberativo da Fiocruz formou uma comissão, coordenada pelo diretor, para construir um documento de política de memória da Fiocruz, que está em desenvolvimento. Paulo Elian destacou a importância da preservação da memória no contexto da diversidade coletiva da Fundação.
“A Fiocruz, que completa 120 anos no próximo ano, é formada por unidades com histórias e trajetórias muito diferentes. Um dos desafios é dar conta de uma instituição que, hoje, está presente em 10 estados e Distrito Federal, além de pensar a relação da Fiocruz com a sociedade e os territórios onde ela está inserida, pois são muito diversos”, observou.
A diretora da Fiocruz Bahia considerou a visita de Paulo Elian de suma importância, pois a instituição deve estar atenta ao tratamento que planeja dar aos acervos institucionais advindos do trabalho realizado cotidianamente pelos pesquisadores. “É a certeza de que as gerações de pesquisadores que estão iniciando na instituição saibam do valor do trabalho até agora realizado e de que suas trajetórias profissionais deverão ser sempre lembradas, pois sempre haverá um passado e um futuro”, disse Marilda Gonçalves.
Na apresentação, a memória institucional foi definida como um recurso capaz de promover a construção de identidade, reforçar laços de pertencimento, ativar projetos coletivos e responder a questões do presente. Para o diretor da COC, as ações de memória são uma oportunidade para que instituições possam refletir e pensar criticamente sobre a sua própria trajetória.
“É também uma iniciativa voltada a democratização do conhecimento. Os acervos, aquilo que nós produzirmos em torno da nossa trajetória, devem estar sempre a serviço do acesso para a sociedade. É acionar o passado para enfrentar os desafios do presente”, comentou.
Diversas iniciativas vem sendo realizadas no âmbito nacional da Fiocruz, como a comemoração dos 100 Anos do Castelo da Fiocruz, o Projeto Oswaldo Inspira, a nova edição do livro “Massacre de Manguinhos” (Editora Fiocruz) e a indicação ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) do Castelo Mourisco da Fiocruz a Patrimônio Cultural da Humanidade. De acordo com Paulo Elian, medidas de incentivo também serão lançadas, como prêmio e edital de apoio a projetos de memória institucional.
Memória dos pesquisadores Zilton e Sônia Andrade
A Fiocruz Bahia, em parceria com a COC e a UFBA, está trabalhando na constituição e preservação de um acervo com documentos e materiais dos pesquisadores eméritos da instituição, Zilton e Sônia Andrade. Os cientistas têm 95 e 91 anos, respectivamente.
Os pesquisadores Zilton e Sonia Andrade, em 2009.
“Dr. Zilton e Dra Sonia dedicaram a sua trajetória profissional à difusão do conhecimento em áreas ainda consideradas negligenciadas e que acometem a nossa população, como a esquistossomose e a doença de Chagas. Construíram um patrimônio cientifico sólido, repleto de descobertas, com colaborações científicas que trouxeram ícones da pesquisa ao nosso instituto, e estão de parabéns por essa trajetória grandiosa”, declarou Marilda Gonçalves.
A diretora reconhece, no pioneirismo de Zilton e Sonia Andrade na produção de ciência e formação de recursos humanos de excelência, inclusive da grande maioria dos servidores da Fiocruz Bahia, a importância da preservação do acervo dos cientistas.
Uma reunião realizada com Marilda Gonçalves, Paulo Elian, Leide Mota (arquivista da UFBA), Ana Lúcia Albano (bibliotecária da Biblioteca Gonçalo Moniz – Faculdade de Medicina da UFBA), Ritta Maria Morais (Memorial da Faculdade de Medicina da UFBA) e os filhos do casal de pesquisadores, Marusia, Carlos Eduardo e Ivan Huol, foi realizada para conversar sobre os materiais e os locais onde os acervos ficarão abrigados.
O tratamento inicial do material está sendo realizado por Leide Mota, que está identificando os documentos e acondicionando-os em caixas adequadas. De acordo com a presidente da Associação dos Arquivistas da Bahia, o casal de pesquisadores tem, na Fiocruz, diversos materiais biológicos, documentos textuais, correspondências, microfotografias de laminas, até disquetes e objetos de laboratório. O próximo passo será tratar os documentos e descrevê-los.
“Os pesquisadores Zilton e Sônia Andrade foram formadores de gerações de pesquisadores, de uma prática científica que se materializou num programa de pós-graduação. Além disso, eles tiveram um papel importante da construção do instituto; mantiveram-se atuantes durante muito tempo e guardaram um acervo enorme, o que não é comum”, afirmou Paulo Elian.
Conheça um pouco dos pesquisadores:
Zilton de Araújo Andrade – Formado em Medicina em 1950, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde alcançou o posto de professor titular em 1974 e o título de Professor Emérito em 1985. Detentor de outros títulos, o pesquisador é membro da Academia de Medicina da Bahia, desde 1985, sócio Emérito da Sociedade Brasileira de Patologia (1995). Entre as condecorações mais importantes estão a de Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico – Presidência da República do Brasil (1995) e Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico – Presidente da República do Brasil (2005).
É Membro da Academia Brasileira de Ciências. Na Fiocruz Bahia, foi diretor e pesquisador titular, onde trabalhou intensamente na construção da Fiocruz Bahia. A unidade possui um pavilhão que leva seu nome, o qual abriga a maioria dos laboratórios da instituição. Se aposentou em 1994 e, em 2012, recebeu o título de Pesquisador Emérito da Fiocruz.
Sonia Gumes de Andrade – Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (1953), doutorado em Patologia Humana pela Universidade Federal da Bahia (1986) e Pós-Doutorado pelo Institute Pasteur de Lyon (1987). Recebeu o Título de Professora Emérita da UFBA (2011) e recebeu o título de Pesquisadora Emérita da Fiocruz, em 2012. É especializada em Patologia, desenvolvendo estudos em Patologia Experimental das doenças parasitárias, com ênfase na Patologia e Imunopatologia da Doença de Chagas.
As suas linhas de pesquisa têm focalizado o papel das cepas do Trypanosoma cruzi na Patologia da Doença de Chagas Experimental, na caracterização clonal das cepas de diferentes biodemas e na resposta aos quimioterápicos. Desenvolve projetos sobre a patogenia da miocardiopatia crônica chagásica em diferentes modelos experimentais. É membro da Academia de Medicina da Bahia e sócia de várias sociedades como a de Medicina Tropical, de Patologia e de Parasitologia. Teve participação atuante como membro do Comitê Científico da Organização Mundial de Saúde (OMS), entre 1984 e 1986.
Com foco em nanotecnologia, o 22º Simpósio Internacional em Microencapsulação acontece entre os dias 24 a 27 de setembro de 2019 e será realizado junto com a Sociedade Internacional de Microencapsulação e a Universidade Federal da Bahia (UFBA). Trata-se de um simpósio de longa tradição e que ocorrerá pela primeira vez no Hemisfério Sul.
Na abertura do evento, voltado para pesquisadores e estudantes das áreas de Farmácia, Química, Biologia, Biotecnologia e Engenharias, ocorrerá o I International Course – Emerging Trends in Nanobiotechnology & Nanomedicineno, no auditório da Fiocruz Bahia. A programação continua de 25 a 27 de setembro no Hotel Vila Galé Salvador.
O simpósio contará com palestrantes nacionais e estrangeiros na programação, com sessões plenárias, quatro sessões científicas e duas mesas temáticas, onde serão discutidas nanotecnologias para doenças tropicais e negligenciadas, saúde animal, agricultura sustentável e meio ambiente. Todas as apresentações serão realizadas em inglês.
Haverá também apresentação de trabalhos científicos nas formas de comunicação oral e pôster. Os trabalhos premiados poderão ser submetidos no formato integral (Full Article) ao periódico International Drug Delivery and Translacional Research, que dedicará um suplemento especial ao simpósio.
Alunos do Programa de Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PGBSMI) e Programa de Pós-Graduação em Patologia Humana (PGPAT) participaram ativamente da realização do evento e terão aproveitamento acadêmico para a disciplina Tópicos Avançados em Biotecnologia, para o PGBSMI, e Métodos e Técnicas em Patologia Ultraestrutural, para o PGPAT.
Para o organizador, Fábio Formiga, o simpósio contribui para estimular a pesquisa de vanguarda na Fiocruz, com a inserção da nanotecnologia, uma fronteira do conhecimento. “Representa uma oportunidade de intercâmbio de conhecimentos e de formação em novas técnicas, processos e aplicações do nano e microencapsulamento de moléculas bioativas”, afirmou o pesquisador.
O Simpósio acontece desde 1972, sendo inicialmente um fórum para discussões científicas em Microencapsulação, e ocorre entre o intervalo de dois anos. A 22ª edição será uma continuação dos dois anteriores, que ocorreram em Boston (EUA), em 2015, e em Faro (Portugal), em 2017.
Desenvolver uma ideia. Explorar caminhos. Aprender formas de comunicar uma pesquisa. Testar possibilidades e soluções em saúde. Estas são algumas das propostas do programa Inova Labs Fiocruz que iniciou nesta terça (10/9) com uma sessão inaugural no Polo de Biotecnologia do Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a recepção das equipes selecionadaspara a primeira rodada de dez semanas do programa.
A iniciativa das vice-presidências de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB) e de Produção e Inovação em Saúde (VPPIS), em parceria com o Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde (DECIT/ SCTIE/ MS), proporciona capacitação para pesquisadores desenvolverem ideias que possam ser implementadas no Sistema Único de Saúde (SUS), atendendo necessidades da população brasileira nas áreas de oncologia e emergências sanitárias.
Como parte do Programa Inova Fiocruz, os treinamentos do Inova Labs acontecerão em quatro rodadas. Ao todo, serão selecionadas até 84 equipes. Em breve será lançada a segunda chamada. Para participar, servidores da Fiocruz envolvidos nas áreas temáticas definidas pelo programa apresentam ideias, projetos, pesquisas, tecnologias ou startups para participar de um treinamento com foco na adoção de conceitos de empreendedorismo interno.
“Trazer este treinamento para a Fiocruz, como parte do Inova, é uma forma de oferecer ferramentas para o pesquisador ampliar o alcance de sua ideia ou pesquisa. A proposta segue o modelo de pré-aceleração no desenvolvimento de tecnologias que podem chegar ao SUS. Tudo está em consonância com as diretrizes institucionais, definidas tanto pelo Congresso Interno, como pela Política de Inovação da Fiocruz.” Destaca Rodrigo Correa, vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas.
Marco Krieger, vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde, afirma que “a iniciativa pode auxiliar a criação de uma cultura de inovação adaptada às peculiaridades da Fiocruz, na busca de soluções para a Saúde Pública”. De acordo com Krieger, o programa Inova Labs está integrado as demais ações da presidência de apoio ao sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação na Fiocruz, que cobrem desde a articulação das ferramentas de fomento, passando pela estruturação da política e a criação de um ambiente favorável aos esforços de transferência para a sociedade dos conhecimentos gerados nos laboratórios da Fundação.
Em um programa de pré-aceleração as atividades realizadas buscam validar oportunidades, criar estratégias e desenvolver novas habilidades de forma ágil, direcionada e experimental. A metodologia adotada no Inova Labs foi criada pela Biominas e implementada em mais de 160 ideias e projetos no setor de saúde e de ciências da vida.
Patrícia Veras, do Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia), participou de uma realização anterior da Biominas com o projeto Leish Derm, uma tecnologia alternativa para o tratamento da leishmaniose tegumentar. Para Patrícia, ter participado do treinamento ampliou sua visão como pesquisadora. “O ganho foi imenso, nossa equipe vem traduzindo o conhecimento adquirido na prática, resultando em avanços efetivos no desenvolvimento tecnológico de nosso produto, a Leish Derm, por meio de estabelecimento de parcerias internas e externas à Fiocruz, como a Comissão de Propriedade Intelectual da Fiocruz (COPAT) para pedido de patente; Farmanguinhos, no desenvolvimento da tecnologia; ANVISA e indústrias farmacêuticas para possíveis parceiras.”
Outra representante da Fiocruz em evento da mesma metodologia, a Interfarma 2018, foi Tatiana Tilli, do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS), que concluiu sua participação como vencedora da rodada. A competição entre as equipes é estimulada como dinâmica de treinamento e aperfeiçoamento dos projetos.
Tatiana diz já ter participado de outros programas de empreendedorismo, mas que este formato foi o que mais aproveitou, pois é exclusivo para a área de saúde. “Esse treinamento e experiência é capaz de mudar: a nossa forma de pensar; o formato de fazer ciência; melhora, sem dúvidas, nossa habilidade em escrever fomento e ainda amplia nossa fonte de captação de recursos para ciência”.
Atuação do Sistema Gestec-NIT
Ao longo da estruturação do Inova Labs, reuniões entre as vice-presidências, a Biominas e a Coordenação Gestão Tecnológica (Gestec) foram realizadas para habilitar o Sistema Gestec-NIT (Núcleos de Inovação Tecnológica) para apoiar os pesquisadores que desejassem submeter projetos. Além disto, representantes da área participarão tanto dos treinamentos como capacitados, como palestrantes, durante as etapas do programa e também farão parte das bancas de avaliação.
“A gente está assumindo capacitações que estão previstas no programa, como palestras sobre propriedade intelectual e transferência de tecnologia. A Gestec vai ministrar estas aulas já como uma forma de absorver e de treinar dentro do Inova Labs”, conta Carla Maia, coordenadora da Gestão Tecnológica (Gestec/VPPIS).
Carla diz que não havia sido previsto um módulo ou aula sobre prospecção tecnológica. Durante as reuniões, foi sugerido ao grupo incluir a atividade e todos concordaram. “Então vamos ter também uma equipe para falar das bases que a Fiocruz tem contratado, que são bases com valor alto de contratação e que a gente precisa estimular todo mundo a usar.”
Para Teresa Cristina Lowen, da Gerência de Articulação dos NITs, “a expectativa é de que os NITs participem desse processo de capacitação para que estejam aptos a assessorar os pesquisadores que forem contemplados nesse edital, assim como em oportunidades futuras.”
Isto porque é fundamental para o desenvolvimento de um projeto a parceria com o Sistema Gestec-NIT. Foi a partir deste apoio que Patricia Veras teve o pedido de patente de seu projeto elaborado. “O treinamento ampliou os horizontes do grupo em relação às ações que visam tornar nossa tecnologia mais rapidamente acessível ao mercado”, destacou Veras.
Empreendedorismo científico e tecnológico
Já no VIII Congresso Interno o tema de desenvolvimento tecnológico e inovação foi debatido considerando a necessidade de se realizar ações que pudessem ampliar a capacidade da Fiocruz de transformar os conhecimentos e tecnologias gerados na instituição (Tese 5).
Dentre outras diretrizes, a de número 13 (T5) menciona a “criação de ambientes de inovação em saúde comprometidos com o SUS por meio de ideação, pré-aceleração (…)”, mesmo texto adotado na Política de Inovação da Fiocruz quando se refere à seção 2, empreendedorismo científico e tecnológico.
Pela Vice-presidência de Produção e Inovação em Saúde (VPPIS), Celeste Emerick coordena as ações voltadas para construção de um programa de estímulo ao empreendedorismo e está à frente de um grupo de trabalho para elaboração das normativas referentes ao tema.
A partir de um termo de referência validado pela Presidência, tais ações na Fiocruz foram direcionadas em dois eixos: Mecanismos de apoio a criação de empresas de base científica e tecnológica e Disseminação de cultura de inovação e empreendedorismo.
Celeste explica que o primeiro eixo envolve, a princípio, a criação de spin-off com base em conhecimento científico institucional. “Já o segundo eixo está voltado para a área do aprendizado e da capacitação. É neste segmento que se enquadra o Inova Labs, pois trata-se da difusão de uma cultura de modelo ‘de negócio no qual podemos absorver os conceitos de forma crítica e analítica para incorporar o aprendizado no modelo Institutional que está em processo de construção”, explica Celeste.
Com o programa Inova Labs, a Fiocruz pretende potencializar a criação de futuros negócios e startups de acordo com suas diretrizes institucionais, contribuindo de forma efetiva para o desenvolvimento da inovação em saúde no país. Além disso, tem como objetivo preparar pesquisadores para desenvolver produtos, serviços e processos inovadores que possam solucionar problemas reais da população brasileira e avançar ainda mais na transferência de conhecimento gerado na Fiocruz.
Tatiana Tilli incentiva o envolvimento dos pesquisadores no Inova Labs. “O momento atual da Fiocruz nos permite explorar o empreendedorismo como uma via de atuação para nós pesquisadores, uma vez que temos a Política de Inovação da Fiocruz, NITs capacitados e oportunidades como o Inova Labs. A pergunta que fica é: Como não aproveitar essa oportunidade?”, diz Tatiana.