Painel da Fiocruz Bahia e da UFBA monitora casos de Covid-19

Qual é a situação atual e o que esperar da pandemia de Covid-19 no Brasil? Foi lançado, na última sexta-feira (27/3), um painel para monitoramento da doença no país, com atualização em tempo real. A plataforma permite que o usuário visualize os dados atuais, a evolução dos casos, os óbitos, a concentração da doença e a previsão da situação nos próximos dias em todos os estados no Brasil. 

O painel é a primeira ação lançada pela Rede CoVida, uma iniciativa conjunta do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) e da Universidade Federal da Bahia (Ufba), que reúne colaboradores de diversas instituições científicas de forma solidária. Toda a plataforma de monitoramento foi desenvolvida por quatro profissionais, em colaboração com dezenas de pesquisadores, que atuaram remotamente ao longo de 10 dias, seguindo recomendações do Ministério da Saúde.

De acordo com Gabriela Borges, estatística do Cidacs/Fiocruz Bahia e uma das responsáveis pelo painel de monitoramento, uma das preocupações era oferecer uma visualização de dados compreensível para todos os públicos. “Utilizamos bibliotecas de web para desenvolver um painel que apresentasse os dados e predições de forma fácil de ser interpretada”, relata. 

Segundo Juliane Oliveira, doutora em matemática pela Universidade do Porto e uma das responsáveis pela modelagem, os números indicam que estamos ainda no início da pandemia. “O modelo usado por nós já mostra um aumento crescente do número de casos no Brasil”, afirma.

Previsões podem ajudar tomada de decisões

O modelo matemático implementado pelo grupo traz dados que ajudam os gestores públicos a tomarem decisões baseadas em evidências científicas. “O gestor que observa um modelo pode se antecipar na quantidade de leitos, nos tipos de leitos, nos materiais necessários e recursos humanos a serem recrutados no preparo dos sistemas e assistência à saúde”, explica Oliveira.

Além dos recursos físicos e humanos, estes cálculos também contribuem para avaliar os efeitos de medidas sociais, como restrições de circulação de pessoas e fechamento de estabelecimentos comerciais não-essenciais. “Comparamos experiências anteriores e observamos padrões de comportamento humano.  Assim, fazemos a previsão de uma situação com uma margem de incerteza associada”, conta Oliveira.

Diversos modelos matemáticos estão sendo aplicados para compreender a atual pandemia de Covid-19. O Grupo de Trabalho de Modelagem da Rede CoVida adotou o modelo SIR; uma estratégia analítica produzida a partir de grupos de indivíduos classificados como Suscetíveis, Infectados e Recuperados. Uma das vantagens do modelo é a simplicidade e efetividade na modelagem de epidemias. “Estamos contribuindo para o fornecimento de uma visualização para população em tempo rápido daquilo que está acontecendo neste início da pandemia de coronavírus no Brasil”, defende Borges.

A equipe de modelagem da Rede CoVida é formada por cerca de 50 pesquisadores, entre eles matemáticos, epidemiologistas, estatísticos, físicos, cientistas da computação e bioinformatas. Todo o grupo está empenhado na execução de cálculos que projetam cenários futuros sobre a pandemia no Brasil e em pesquisas de evidências científicas em várias áreas envolvendo o novo coronavírus. O painel já pode ser acessado aqui.

Rede CoVida

Rede CoVida – Ciência, Informação e Solidariedade é um projeto de colaboração científica e multidisciplinar focado na pandemia de Covid-19. A rede visa ao monitoramento da pandemia no Brasil, com previsões de sua possível evolução. Visa também à produção de sínteses de evidências científicas tanto para apoiar a tomada de decisões pelas autoridades sanitárias quanto para informar o público em geral. É uma iniciativa conjunta do Cidacs/Fiocruz Bahia e da Universidade Federal da Bahia (Ufba), com apoio de colaboradores de outras instituições de pesquisa nacionais e internacionais.

Contatos com a imprensa:
Raíza Tourinho
Cidacs/Fiocruz Bahia | Rede CoVida
Tel: (71) 98108-1588
E-mail: raizatourinho@gmail.com

twitterFacebookmail
[print-me]

Fiocruz Bahia implanta medidas institucionais de enfrentamento ao coronavírus

A Fiocruz Bahia, tendo em vista a pandemia do novo coronavírus denominado SARS-CoV-2 (Covid-19) declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 11 de março de 2020, implementou medidas para prevenção e proteção da doença Covid-19 nos ambientes institucionais.

Discutida e aprovada, por unanimidade, em reunião do Conselho Deliberativo (CD) da Fiocruz Bahia, a vigência destas medidas, inicialmente prevista para valer até dia 31 de março, foi prorrogada por 15 dias a partir do dia 14 de abril de 2020. A Diretoria, entretanto, realizará reavaliação permanente da situação, com base na dinâmica do quadro epidemiológico relacionado à pandemia. As determinações estão em consonância com o Plano de Contingência da Fiocruz, das Orientações para a Gestão do Trabalho na Fiocruz e dos Planos de Contingência do Município de Salvador.

Ações como reuniões com profissionais de limpeza, manutenção, refrigeração e de diversas áreas foram realizadas para orientar quanto a procedimentos e cuidados gerais. Informações confiáveis, principalmente de material com orientação quanto à higienização correta das mãos e demais medidas de prevenção ao contágio do Covid-19 foram divulgadas interna e externamente.

Trabalhadoras grávidas/lactantes e todos com mais de 60 anos, que apresentem quadro de agravo (hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes não controlado, doenças pulmonares, tratamento oncológico e imunossuprimidos), foram colocados em trabalho exclusivamente remoto.

Os demais profissionais também estão em teletrabalho, com a possibilidade de convocação para a realização de atividades presenciais na Fiocruz Bahia, se consideradas essenciais. Os profissionais dos serviços de limpeza, manutenção e suporte ao biotério e canil estão trabalhando em escala.

As aulas dos programas de pós-graduação foram suspensas e poderão ser realizadas atividades em EAD. Já as defesas de teses e dissertações deverão ser realizadas sem público, em ambientes com portas/janelas abertas, e, quando possível, utilizar recursos de comunicação à distância. Eventos presenciais, em que esteja prevista grande concentração de pessoas, foram adiados ou estão sendo realizados à distância.

Plano de contingência da Fiocruz

A nova versão do Plano de Contingência da Fiocruz diante da pandemia pelo SARS-CoV-2 (Covid-19) está disponível no Portal Fiocruz. O documento, atualizado em 30 de março de 2020, inclui as orientações para os trabalhadores já divulgadas pela Coordenação-Geral de Gestão de Pessoas (Cogepe) em 24 de março, bem como as orientações para a área de ensino, detalhadas pela Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC). 

A versão 1.3 também incorpora os guias de saúde mental, alimentação e exercício físicos, elaborados pela equipe de Saúde Mental e Trabalho da Coordenação de Saúde do Trabalhador (CST/Cogepe). Clique aqui para acessar.

twitterFacebookmail
[print-me]

Fiocruz Bahia e Prefeitura de Salvador firmam parceria para enfrentamento ao coronavírus

Fotos: Max Haack/Secom

A Fiocruz Bahia e a Prefeitura de Salvador firmaram na manhã de hoje, 1º de abril, um acordo de cooperação técnico-científica que vai dar apoio ao diagnóstico da Covid-19 na capital, ampliando em 500 o número de testes a serem realizados por dia. O convênio também vai permitir a validação técnica das ações municipais, a partir da análise dos dados da Covid-19 na cidade, da revisão do plano de contingência para o combate à pandemia e da disseminação das informações para a população mais carente. 

Com validade de dois anos, o convênio foi apresentado à imprensa, no Palácio Thomé de Souza, pelo prefeito ACM Neto e pela diretora da Fiocruz Bahia, Marilda Gonçalves, além do secretário municipal da Saúde (SMS), Leo Prates. O prefeito salientou a importância da Fiocruz como uma das instituições mais preparadas e com o melhor requisito técnico para dar suporte na tomada de decisões, principalmente neste período em que a cidade deverá entrar em uma fase mais complexa de enfrentamento da pandemia. 

“As decisões precisam ser cada vez mais respaldadas por opiniões técnicas qualificadas. Sendo assim, a equipe da Fiocruz traz a possibilidade de comparação da situação de Salvador com o que vem acontecendo em outros lugares do Brasil para que a Prefeitura, como vem fazendo desde o início, tenha condições de tomar as medidas necessárias, adotar as melhores ações em políticas públicas e, sobretudo, definir os rumos para que a capital possa vencer o coronavírus”, declarou ACM Neto.

“Nesse momento de pandemia, é importante essa integração entre os poderes. Como a Fiocruz é um órgão federal (vinculado ao Ministério da Saúde) e que tem uma atuação forte em saúde pública, a instituição vem para reforçar as ações dentro de Salvador para enfrentar essa situação de uma maneira que todos saiam vencendo. É mais um reforço às ações que já estão sendo realizados pela Prefeitura, de forma que a gente possa contribuir para melhorar e reforçar o sistema de saúde”, ressaltou a diretora Marilda Gonçalves.

Ações – Uma das iniciativas possibilitadas pelo convênio é o apoio no diagnóstico dos casos de Covid-19 na capital. Estes testes serão feitos pela Fiocruz Bahia, a partir de material colhido nas unidades de saúde e encaminhados pelos laboratórios centrais estadual e municipal.

O pesquisador da Fiocruz Bahia, Ricardo Khouri, explica que as amostras de swab nasal dos pacientes com suspeita de infecção pelo novo coronavírus serão enviadas à instituição para realização do teste molecular, utilizando o kit de diagnóstico disponibilizado pela Fiocruz. “Nesse momento, estamos treinando as equipes, adaptando os laboratórios para o alto número de testes que iremos fazer e aguardando os kits chegarem”, afirmou.

Diante da identificação dos primeiros casos no Brasil e da preparação para uma possível disseminação da doença em território nacional, o Ministério da Saúde encomendou à Fiocruz o desenvolvimento e a produção dos kits para diagnóstico laboratorial destinados a atender a rede de laboratórios públicos de todo o país. Os kits foram desenvolvidos pelos institutos de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), no Rio de Janeiro, e de Biologia Molecular do Paraná (IBMP). A Fundação tem capacidade de produzir cerca de 20 mil testes semanais e o ritmo de produção seguirá conforme a demanda do Ministério da Saúde.

A Fiocruz Bahia também vai fazer, através do Centro de Integração de Dados e Conhecimento em Saúde (CIDACS) da instituição, análise dos dados da Covid-19, utilizando modelos matemáticos para comparação com outros locais no Brasil e no mundo sobre a evolução da curva de transmissão do coronavírus, perfil dos pacientes infectados e localidades dos casos, por exemplo. Os resultados vão subsidiar as ações a serem adotadas pelo município, a exemplo dos decretos que restringem a circulação de pessoas e incentivam o isolamento social, conforme orientação das autoridades sanitárias.

Outro eixo é o apoio nas ações de comunicação em saúde para divulgar, ao máximo, as informações sobre a pandemia aos cidadãos, principalmente nas comunidades mais carentes. A estratégia deverá envolver desde conteúdos digitais até a orientação a ser levada pelos agentes comunitários de saúde para a população, no intuito de, através da informação, contribuir para o achatamento da curva de transmissão do coronavírus.

A lista contempla ainda a revisão do plano de contingência municipal pela instituição federal para proposição de melhorias nas decisões iniciais e validação das ações a serem adotadas. De acordo com o secretário Leo Prates, a Fiocruz vai colaborar com o Centro de Operações ao Enfrentamento do Coronavírus, que foi montado na SMS e que dialoga com diversas entidades para criação de modelos e contribuição na adoção de estratégias para combate à Covid-19.

twitterFacebookmail
[print-me]

Estudante egressa da Fiocruz Bahia integra equipe que sequenciou o genoma do coronavírus

Jaqueline Góes na premiação do Prêmio Gonçalo Moniz de Pós-Graduação, na Fiocruz Bahia.

O resultado do sequenciamento do genoma do novo coronavírus no Brasil foi publicado no dia 28 de fevereiro, 48h após a confirmação dos dois primeiros casos da Covid-19 em território nacional. O estudo, liderado por pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz (IAL) e do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-USP), teve como uma de suas coordenadoras, Jaqueline Goes. A biomédica baiana realiza pós-doutorado, no IMT-USP, sob supervisão da pesquisadora Ester Cerdeira Sabino. 

Para realização do sequenciamento, a equipe utilizou a tecnologia MinION, um pequeno aparelho onde a amostra do paciente é depositada e o resultado da leitura é exibido na tela de um computador, em tempo real. A descoberta das mutações, realizada graças ao sequenciamento, será estudada para verificar se há alguma influência na taxa de mortalidade, além de auxiliar no desenvolvimento de vacinas e testes diagnósticos mais rápidos.

Jaqueline Goes teve o seu primeiro contato com a tecnologia MinION durante o doutorado pelo programa de Pós-Graduação em Patologia (PgPAT), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) em parceria com a Fiocruz Bahia, quando foi convidada por seu orientador, o pesquisador da Fiocruz Luiz Alcântara, para o projeto de sequenciamento do vírus Zika. A pesquisa integrava o Projeto ZIBRA – Zika in Brazil Real Time Analisys, uma parceria entre pesquisadores brasileiros e estrangeiros, com a meta de sequenciar mil genomas do vírus para obter informações epidemiológicas importantes sobre a disseminação da doença no país. 

A pesquisa trouxe vasta experiência para a estudante que, em seguida, passou a integrar o pós-doutorado da USP e o grupo de pesquisa responsável pelo sequenciamento do coronavírus. “As informações genéticas geradas nos nossos estudos não são apenas do coronavírus, mas também de dengue, chikungunya e outros vírus cujos surtos já cobrimos, como zika e febre amarela. Esses dados podem ajudar, principalmente no início da epidemia, para direcionar ações de saúde pública, identificando os focos a partir dos quais se deu a transmissão e tomando as medidas de precaução, com o isolamento de lugares públicos”, conta Jaqueline.

A pesquisadora destaca ainda que a repercussão da descoberta acende a esperança de novos investimentos em saúde pública, incluindo as pesquisas. Para ela, este é um marco que pode lembrar para a sociedade a importância da ciência. 

“Dada a importância de contermos a emergência de epidemias, investir em pesquisas cujos resultados impactam diretamente a saúde pública é investir também no bem-estar da população geral, isso inclui não apenas o financiamento de projetos, como também, e principalmente, a manutenção das bolsas de pesquisa dos estudantes que são a força-motriz da ciência brasileira”, comenta.

Sobre Jaqueline Goes

Jaqueline Góes de Jesus é graduada em Biomedicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, mestre pelo Programa de Pós-graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI) da Fiocruz Bahia e doutora pelo Programa de Pós-graduação Patologia (PgPAT), da Universidade Federal da Bahia em ampla associação com a Fiocruz Bahia.

Em 2019, Jaqueline teve sua tese de doutorado premiada com o primeiro lugar no Prêmio Gonçalo Moniz de Pós-Graduação, na categoria Egresso e representou o PgPAT, no XIII Encontro de Pós-Graduação das Áreas de Medicina I, II e III da CAPES, tendo também recebido o prêmio de Melhor Trabalho de Tese, concedido pela banca avaliadora, composta pelos coordenadores das três áreas da Medicina.  A tese gerou publicações em revistas científicas de alto impacto, como Nature e Science. 

O trabalho de sequenciamento do genoma do novo coronavírus em tempo recorde, realizado no Instituto de Medicina Tropical de São Paulo – Universidade de São Paulo (IMT-USP), teve uma grande repercussão no meio científico e sociedade, com ampla divulgação nas mídias e redes de comunicação.

twitterFacebookmail
[print-me]

Divulgado edital Pibic – Fapesb/ cotas 2020

A Coordenação do Programa Institucional de Iniciação Científica (PROIIC) da Fiocruz Bahia torna público o EDITAL PIBIC-FAPESB/COTAS- 2020 e convoca a sua comunidade científica e acadêmica para apresentar propostas até 22 de abril de 2020.

Clique aqui para acessar.

Os bolsistas IC FAPESB/FIOCRUZ vigentes no período de 01/08/2019 a 31/07/2020 que desejarem dar continuidade aos projetos em desenvolvimento deverão, de comum acordo com seus orientadores, submeter novo pedido de bolsa.

A Iniciação Científica tem como objetivo estimular pesquisadores produtivos a envolverem estudantes de graduação nas atividades científica, tecnológica, profissional, artística e cultural, despertando a vocação científica e incentivando talentos potenciais. Poderão solicitar bolsas pesquisadores com doutorado exercendo atividade de pesquisa, com vínculo comprovado com a Fiocruz em tempo integral (regime de 40 horas), e pesquisadores visitantes da Fiocruz que se dedicam exclusivamente a atividades de pesquisas no IGM.

Qualquer dúvida pertinente a este edital deve ser esclarecida através do e-mail proiic@bahia.fiocruz.br.

twitterFacebookmail
[print-me]

Serviço de triagem para quem suspeita que está com coronavírus já está funcionando

Foi lançado hoje, 24 de março, o Tele Coronavírus, que oferecerá atendimento para triagem à distância de pessoas com sintomas do Covid-19, provocado pelo novo coronavírus. O serviço gratuito está disponível através do número de telefone 155, diariamente, das 7h às 19h. O objetivo do projeto idealizado pela Fiocruz Bahia e Universidade Federal da Bahia (UFBA) é evitar a circulação de pessoas que não necessitam de atendimento emergencial, pela cidade. 

Realizada em parceria com o Governo do Estado e instituições de ensino superior, a iniciativa conta com voluntários do quinto e sexto ano de cursos de Medicina. Os voluntários são divididos em grupos de 10 pessoas, supervisionados por um médico, recebendo as chamadas em casa, através do celular. 

Para auxiliar no atendimento, o estudante conta com um aplicativo que registra os sintomas e ajuda na orientação e no protocolo de atendimento oficial, adotado pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e o Ministério da Saúde.

A diretora da Fiocruz Bahia, Marilda Gonçalves, destaca que este serviço será de grande importância para a população da Bahia e integra um conjunto de ações da instituição, no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus em todo o Brasil, “o Tele Coronavírus será um canal relevante e sério de atendimento, representando uma das contribuições que a Fiocruz Bahia irá realizar em meio a esta crise. Capacitando os estudantes, iremos criar recursos humanos em saúde que auxiliem o sistema no tratamento contra essa nova doença, o que reduz a sobrecarga às unidades básicas de saúde”, avalia.

A médica Viviane Boaventura, pesquisadora da Fiocruz Bahia e integrante da equipe que coordena o projeto, explica que os estudantes receberam um treinamento por vídeoaula e, antes de iniciar as atividades, responderam a um pequeno teste objetivo para avaliar a compreensão das instruções de triagem. “A partir desse treinamento, estão aptos a iniciar as atividades. Todo o processo, desde o treinamento até o atendimento, é feito remotamente de forma a garantir a segurança física dos estudantes”, declara.

O secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, explica que o funcionamento do serviço foi disponibilizado após solicitação ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e que “o registro feito pelo estudante para alimentar a plataforma será utilizado como registros que vão auxiliar na gestão e na assistência à saúde”, esclarece.

A secretária da Secti e médica, Adélia Pinheiro, que faz parte do grupo de trabalho do Governo da Bahia no enfrentamento ao Covid-19, conta que, até o momento, há aproximadamente, 1.200 estudantes e 70 médicos. “Durante os trabalhos de planejamento, contamos com a participação de um conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) para acompanhar e opinar sobre as questões atinentes ao exercício profissional”, afirma.

O Tele Coronavírus é um serviço gratuito, idealizado pela Fiocruz e UFBA, recebeu apoio do Governo do Estado, através das Secretarias de Saúde (Sesab), de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), do Planejamento (Seplan) e da Infraestrutura (Seinfra). Também aderiram à ação as quatro universidades estaduais (Uneb, Uesc, Uefs e Uesb), a Escola Bahiana de Medicina, a FTC Salvador, a Unifacs, a UFRB, a UFSB e a Fesftech, esta última responsável pelo desenvolvimento da plataforma que será alimentada pelos voluntários. 

Os estudantes das instituições citadas, bem como os médicos supervisores, serão certificados pelo serviço. Aqueles que possuam interesse em se voluntariar, devem procurar as coordenações das respectivas universidades parceiras nesta ação.

twitterFacebookmail
[print-me]

Pesquisadora da Fiocruz Bahia concorre a prêmio através de votação

O projeto “Mitigando o Impacto da Artralgia Crônica Pós-Chikungunya”, da pesquisadora da Fiocruz Bahia, Viviane Boaventura, está concorrendo ao Prêmio Euro Inovação na Saúde. O prêmio está em sua 2ª fase, na qual todos os médicos em atuação, no país, podem votar nos melhores projetos, no site do prêmio, até 12 de abril. 

Clique aqui para conhecer o projeto de Viviane Boaventura.

Definidos os vencedores, na 3ª fase, caberá novamente à comunidade médica eleger o Grande Vencedor do Prêmio Euro Inovação na Saúde, profissional que será reconhecido, tendo seu nome divulgado somente na cerimônia de premiação, que será realizada em São Paulo (SP).  

 

O prêmio

O Prêmio Euro Inovação na Saúde é exclusivamente voltado a médicos(as), devidamente registrados(as) em seus conselhos regionais de medicina. A Eurofarma é a patrocinadora exclusiva do prêmio que tem o objetivo de reconhecer e incentivar a comunidade médica do Brasil na busca por soluções inovadoras em produtos, serviços e ações que resultem em ganhos potenciais e/ou efetivos para a qualidade de vida e bem-estar dos brasileiros.

Na 1ª fase, mais de 1650 iniciativas foram submetidas à avaliação do Conselho Médico, que escolheu as 100 iniciativas finalistas.

twitterFacebookmail
[print-me]

Triagem para sintomas do coronavírus poderá ser feita através do número 155

Idealizado pela Fiocruz Bahia e Universidade Federal da Bahia (UFBA), um novo serviço, denominado Tele Coronavírus, oferecerá à população atendimento gratuito, através do número 155. O objetivo do projeto, que será lançado nesta terça-feira, 24 de março, é evitar a circulação de pessoas que não necessitam de atendimento emergencial, pela cidade. 

Realizada em parceria com o Governo do Estado e instituições de ensino superior, a iniciativa contará com voluntários do quinto e sexto ano de cursos de Medicina que farão uma triagem à distância de pessoas com sintomas do Covid-19, provocada pelo novo coronavírus. Os voluntários serão divididos em grupos de 10 pessoas, supervisionados por um médico, recebendo as chamadas em casa, através do celular. 

Para auxiliar no atendimento, o estudante contará com um aplicativo que irá registrar os sintomas e ajudará na orientação e no protocolo de atendimento oficial, adotado pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e o Ministério da Saúde.

A diretora da Fiocruz Bahia, Marilda Gonçalves, destaca que este serviço será de grande importância para a população da Bahia e integra um conjunto de ações da instituição, no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus em todo o Brasil, “o Tele Coronavírus será um canal relevante e sério de atendimento, representando uma das contribuições que a Fiocruz Bahia irá realizar em meio a esta crise. Capacitando os estudantes, iremos criar recursos humanos em saúde que auxiliem o sistema no tratamento contra essa nova doença, o que reduz a sobrecarga às unidades básicas de saúde”, avalia.

A médica Viviane Boaventura, pesquisadora da Fiocruz Bahia e integrante da equipe que coordena o projeto, explica que os estudantes “receberão um treinamento por vídeoaula e, antes de iniciar as atividades, responderão a um pequeno teste objetivo para avaliar a compreensão das instruções de triagem. A partir desse treinamento, estarão aptos a iniciar as atividades. Todo o processo, desde o treinamento até o atendimento, será feito remotamente de forma a garantir a segurança física dos estudantes”, declara.

O secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, explica que o funcionamento do serviço foi disponibilizado após solicitação ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e que o registro feito pelo estudante para alimentar a plataforma será utilizado como registros que vão auxiliar na gestão e na assistência à saúde”, esclarece.

A secretária da Secti e médica, Adélia Pinheiro, que faz parte do grupo de trabalho do Governo da Bahia no enfrentamento ao Covid-19, conta que, até o momento, há aproximadamente, 1.200 estudantes e 70 médicos. “Durante os trabalhos de planejamento, contamos com a participação de um conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) para acompanhar e opinar sobre as questões atinentes ao exercício profissional”, afirma.

O Tele Coronavírus é um serviço gratuito, idealizado pela Fiocruz e UFBA, recebeu apoio do Governo do Estado, através das Secretarias de Saúde (Sesab), de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), do Planejamento (Seplan) e da Infraestrutura (Seinfra). Também aderiram à ação as quatro universidades estaduais (Uneb, Uesc, Uefs e Uesb), a Escola Bahiana de Medicina, a FTC Salvador, a Unifacs, a UFRB, a UFSB e a Fesftech, esta última responsável pelo desenvolvimento da plataforma que será alimentada pelos voluntários. 

Os estudantes das instituições citadas, bem como os médicos supervisores, serão certificados pelo serviço. Aqueles que possuam interesse em se voluntariar, devem procurar as coordenações das respectivas universidades parceiras nesta ação.

twitterFacebookmail
[print-me]

Ministério da Saúde disponibiliza aplicativo sobre o coronavírus

A fim de facilitar o acesso a informações sobre o coronavírus Covid-19 e combater a propagação de notícias falsas, o Ministério da Saúde desenvolveu aplicativos com dicas de prevenção, descrição de sintomas, formas de transmissão, mapa de unidades de saúde e até uma lista de notícias falsas que foram disseminadas sobre o assunto.  

Os aplicativos estão disponíveis para usuários dos sistemas operacionais iOS e Android: 

Para baixar o app iOS clique aqui.

Para baixar o app Android clique aqui.

Também com o objetivo de alertar e esclarecer a população sobre as Fake News que começaram a ser disseminadas sobre o tema, foi disponibilizado um número de WhatsApp para envio de mensagens da população para apuração pelas áreas técnicas do Ministério da Saúde e respondidas oficialmente se são verdade ou mentira. 

Qualquer cidadão poderá enviar gratuitamente mensagens com imagens ou textos que tenha recebido nas redes sociais para confirmar se a informação procede, antes de continuar compartilhando. O número é (61) 99289-4640.

twitterFacebookmail
[print-me]

Mulheres na ciência é tema de sessão científica

A Fiocruz Bahia recebeu a professora e pesquisadora do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Márcia Barbosa, em uma sessão científica especial para o Dia Internacional da Mulher, realizada no dia 13 de março, no Auditório Aluízio Prata.

A Vice-Diretora de Pesquisa do Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia), Camila Indiani de Oliveira, começou a sessão apresentando o currículo de Márcia, mencionando prêmios como o reconhecimento da ONU Mulher como uma das cientistas que moldam o mundo e da Forbes como uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil.

Com a palestra “Mulheres na Ciência: uma mulher inconveniente”, Márcia mostrou através de dados a necessidade de ter mais diversidade na ciência. Sua experiência na conquista do espaço da mulher na ciência vem desde a universidade, quando se tornou a primeira mulher presidente do Diretório Acadêmico do Instituto de Física da UFRGS durante os anos da ditadura no Brasil. Começou a pesquisar sobre a presença feminina nesta área ao ingressar no grupo de pesquisa da União Internacional de Física em 1999, quando eles perceberam que não havia tantas mulheres na física.

A partir deste grupo ela ajudou a organizar a primeira Conferência Internacional de Mulheres na Física, em 2002, reunindo mulheres do mundo inteiro, em Paris. O congresso gerou dados sobre a presença das mulheres na graduação e na pós-graduação, mostrando que havia uma queda quando chegavam ao doutorado, assim como no meio profissional.

Márcia reforçou que esse problema não é exclusivo da física, mas de todas as áreas da ciência. Essa questão também é universal: mulheres de todas as regiões do mundo sofrem ao tentar conciliar carreira com maternidade e família, uma das razões para haver essa queda nos números conforme se avança na carreira acadêmica.

Segundo a pesquisadora, no Brasil, em todas as áreas da ciência as mulheres são quase 50% da presença na graduação, nos mestrados e doutorados. Porém, os dados diminuem quando se analisa dados dos cargos como professor universitário e pesquisador, chegando a 45%. No caso dos comitês e comissões das instituições, que são cargos que ela considera “técnico-política” pois requer indicação e network para alcançar, a queda é maior ainda.

“Mesmo que a situação esteja melhorando aos poucos e estejamos conseguindo eleger mulheres para esses cargos, nosso problema ainda é de formação de redes”, disse a pesquisadora.

Quando se fala do cenário baiano, Márcia comenta o fato da Bahia ter histórico de algumas mulheres que se destacaram na ciência, diferente de outros estados da região nordeste e também do sudeste. “O motivo ainda é um pouco desconhecido, mas acredito que as dificuldades de viver no nordeste levam as mulheres daqui a ter essa vontade de ter destaque na ciência, na Bahia principalmente”, acrescentou. 

Ela comentou que em conversa com a professora do Instituto de Física da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Suani Pinho, da UFBA, ela foi informada que metade das diretoras dos institutos da UFBA são mulheres, o que impressionou Márcia por não ser o caso da Universidade de São Paulo (USP) ou da Universidade de Campinas (Unicamp), por exemplo.

Universidades públicas

Em relação às universidades federais, Márcia acredita que é preciso levantar dados em primeiro lugar, para definir as políticas e conseguir avançar na equidade de gênero. É preciso verificar quantas mulheres existem nas instituições e conversar com elas, verificar se elas estão sofrendo alguma forma de assédio moral ou sexual e desenvolver políticas internas para evitar isso. Algo que leva tempo, mas a pesquisadora acredita ser necessário.

Ela sugere a criação de um Código de Ética de Relações Humanas, em que todas as relações dentro da instituição são observadas. Esse projeto já foi iniciado na UFRGS, onde foi medido o assédio moral dentro da universidade através de um questionário.

“Com isso, estamos ‘cutucando’ a universidade para criar esse código e ensinar as pessoas a se relacionarem, pois a universidade pública é um ponto chave para essa transformação porque ela vai formar as pessoas que vão para o mercado de trabalho”, acrescenta.

Uma consequência dessa transformação desde a universidade é a formação de professores que irão trabalhar na educação infantil e com adolescentes. Segundo Márcia, para mudar o cenário das escolas, onde as crianças ainda não enxergam a mulher como cientista, é preciso dar formação primeiro ao professor para que ele seja capaz de contar a história da ciência, eles incluam as histórias das mulheres nessa área.

twitterFacebookmail
[print-me]

Plano de Contingência da Fiocruz está disponível

Composição ilustrativa do novo corona vírus

O Plano de Contingência da Fiocruz diante da pandemia do novo coronavírus está disponível no Portal Fiocruz. Elaborado por um grupo dedicado de especialistas de várias unidades e áreas, sob a orientação da Coordenação de Vigilância e Laboratórios de Referência da Fundação, o documento segue os princípios de planos já elaborados e colocados em prática por instituições que já passaram pelo primeiro momento da pandemia. Conheça as orientações sobre a realização de eventos, viagens e procedimentos no local de trabalho, entre outras.

Clique aqui para acessar o documento. Ressalta-se que o Plano de Contingência é atualizado conforme a necessidade de novas medidas.

Acompanhe o especial da Fiocruz sobre o tema: https://portal.fiocruz.br/coronavirus

 

 

twitterFacebookmail
[print-me]

Adiado o curso de Boas Práticas para o Processamento de Amostras Histológicas

A coordenação do curso de Boas Práticas para o Processamento de Amostras Histológicas informa que a atividade foi adiada e a nova data para realização será divulgada em breve. 

Esta determinação está em consonância com as medidas coletivas de prevenção e proteção nos ambientes institucionais definidas no Plano de Contingência da Fiocruz diante da pandemia da doença pelo SARS-CoV-2 (Covid-19).

twitterFacebookmail
[print-me]

Pesquisa avalia o impacto da carga viral de jovens com dermatite associada à HTLV

A dermatite infecciosa associada ao vírus HTLV-1 (DIH) é uma inflamação cutânea recorrente que afeta jovens que adquirem o vírus principalmente pela amamentação, quando são amamentados por portadoras do HTLV-1. A DIH geralmente desaparece na idade adulta, mas pode tornar o paciente predisposto ao desenvolvimento precoce de outras doenças associadas ao HTLV, como paraparesia espástica tropical/mielopatia associada ao HTLV-1 (HAM/TSP), uma doença que leva à dificuldade para andar e fraqueza em ambas as pernas, e a leucemia/linfoma das células T do adulto (ATL), um câncer que pode ser muito agressivo.

A Bahia é um dos estados brasileiros com maior número de portadores do HTLV-1. Dados recentes mostram que 47% dos pacientes com essa dermatite também desenvolvem HAM/TSP. Os fatores relacionados ao desenvolvimento de doenças juvenis associadas ao HTLV-1 ainda são desconhecidos, sendo a carga proviral um dos principais parâmetros relacionados ao desenvolvimento de doenças associadas ao HTLV-1 em adultos.

Um estudo coordenado pela pesquisadora da Fiocruz Bahia, Maria Lourdes Farre Vallve, se propôs a investigar a relação entre as duas doenças. O trabalho foi publicado no “PLOS Neglected Tropical Diseases”. Na pesquisa, 59 crianças portadoras do vírus foram diagnosticadas e observadas entre 2002 e 2017: 16 eram assintomáticas, 18 tinham dermatite associada ao HTLV; 20 tinham dermatite e mielopatia e cinco tinham apenas mielopatia.

Considerando que a carga viral de pacientes adultos com mielopatia é mais elevada, o estudo esperava que em pacientes jovens de DIH que desenvolvessem a mielopatia, também houvesse o aumento da carga viral, porém, foi observado carga viral semelhante em pacientes jovens com dermatite com ou sem mielopatia.

Além disso, os pacientes com dermatite que desenvolveram mielopatia associada à HTLV-1 não foram necessariamente aqueles que apresentaram níveis mais altos de carga proviral, sugerindo que altos níveis de carga nos pacientes com dermatite podem favorecer, mas não necessariamente desencadeiam o desenvolvimento de mielopatia.

Quatorze pacientes apresentaram remissão da dermatite durante o período de acompanhamento. Em 12 deles, foi possível comparar a carga proviral na dermatite em atividade e, após remissão, a carga proviral foi maior na remissão do que quando a doença estava ativa, o que poderia estar relacionado com a predisposição dos pacientes de DIH de desenvolverem a leucemia/linfoma de maneira precoce Além disso, o estudo mostra a necessidade de que as crianças com DIH não deixem de ser clinicamente acompanhadas após o desaparecimento dos sintomas da dermatite, pois a carga proviral não diminui.   

O estudo sugere que outros parâmetros devem ser investigados para entender por que os pacientes com dermatite desenvolveram mielopatia associada à HTLV muito mais cedo e com mais frequência, sobre o 47%, do que portadores assintomáticos adultos, com frequência estimada em torno de 3%.

 

 

twitterFacebookmail
[print-me]

Prazo prorrogado: bolsas do Pibic e Pibiti 2020-2021

A Coordenação do Programa Institucional de Iniciação Científica (PROIIC) da Fiocruz Bahia informa que foram lançados, pela Vice-presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB/ Fiocruz), os editais para concorrer às Cotas Fiocruz 2020 para bolsas PIBIC e PIBITI do CNPq e convoca a sua comunidade científica e acadêmica para apresentar propostas. As inscrições foram prorrogadas até 17 de abril de 2020.

Os editais estão disponíveis nos endereços:

http://www.pibic.fiocruz.br e http://www.pibiti.fiocruz.br

As inscrições são para para bolsas novas, renovação e para os bolsistas que ingressaram nos programas por substituição/banco de reserva no mês de março. 

Servidores ativos com doutorado exercendo atividade de pesquisa com vínculo comprovado com a Fiocruz, em regime de tempo integral (40 horas), poderão solicitar apenas 01 cota de bolsa nova ou renovação. Para os casos de pesquisadores visitantes, pós-doutorandos e celetistas da Fiocruz, os servidores ativos com doutorado e vínculo permanente na Fiocruz serão os responsáveis por estes doutores e deverão, obrigatoriamente, assumir a coorientação no ato da solicitação da bolsa. Em caso de saída dos mesmos, o coorientador assumirá obrigatoriamente a orientação do bolsista, até o término da vigência da bolsa, sem possibilidade de substituição.

Em caso de doutores aposentados ou em vias de aposentadoria, eles deverão estar vinculados ao Programa Pesquisador Voluntário da Fiocruz, para que possam dar continuidade a orientação dos seus bolsistas e/ou realizar pedido de cota nova. Qualquer dúvida pertinente a estes editais deve ser esclarecida através do e-mail proiic@bahia.fiocruz.br .

twitterFacebookmail
[print-me]

Organização Mundial da Saúde declara pandemia de coronavírus

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, declarou hoje (11) que a organização elevou o estado da contaminação pelo novo coronavírus como pandemia. O anúncio surge quando há mais de 120 países com casos declarados de infeção.

A mudança de classificação não se deve à gravidade da doença, e sim à disseminação geográfica rápida que o Covid-19 tem apresentado. “A OMS tem tratado da disseminação [do Covid-19] em uma escala de tempo muito curta, e estamos muito preocupados com os níveis alarmantes de contaminação e, também, de falta de ação [dos governos]”, afirmou Adhanom no painel que trata das atualizações diárias sobre a doença. “Por essa razão, consideramos que o Covid-19 pode ser caracterizado como uma pandemia”, explicou durante a conferência de imprensa em Genebra.

Adhanom  disse que mudança ocorre depois que, nas últimas duas semanas, o número de casos fora da China se multiplicou por 13.

Para evitar criar o pânico, ele acrescentou, “não podemos dizer isto de forma mais clara ou contundente. Todos os países podem mudar o curso desta pandemia”.

“Estamos nisto juntos e precisamos de fazer com calma aquilo que é necessário”, frisou o responsável da OMS.

O diretor-geral para situações de emergência, Mike Ryan, sublinhou por sua vez que a utilização da palavra “pandemia” é meramente descritiva da situação e “não altera em nada aquilo que estamos fazendo”.

Irã e Itália na “linha da frente”

Um dos casos mais preocupantes é o do Irã. A OMS considera que a situação no país é “muito grave” e apelou para maior vigilância e maiores cuidados dos doentes.

A organização considera que os iranianos estão fazendo o que podem, mas enfrentam falta de material e de equipamentos médicos.

A OMS enviou 40 mil testes nas últimas 24 horas, mas os suprimentos são “muito, muito escassos” e está difícil encontrar fornecedores.

No Brasil

Na Câmara dos Deputados, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que a declaração de pandemia não muda as medidas no Brasil. O país continua com o monitoramento das áreas atingidas e com as iniciativas e protocolos já anunciados. Hoje, o titular da pasta vai participar de comissão geral na casa, onde irá apresentar a deputados informações sobre as ações do governo acerca do problema.

*Com informações da RTP

twitterFacebookmail
[print-me]

Coronavírus é tema de palestra na Fiocruz Bahia

Panorama do COVID-19” foi o tema da Sessão Científica Extraordinária, que aconteceu na Fiocruz Bahia, no dia 4 de março. Na palestra, o infectologista da Universidade de San Diego, na Califórnia, e do Hospital Roberto Santos, Kevan Akrami, apresentou os aspectos epidemiológicos da doença, a patofisiologia do novo coronavírus, o tratamento, a prevenção e as respostas que o Brasil e mundo estão ofertando frente a ameaça que o vírus representa.

O coronavírus integra uma grande família de vírus zoonóticos, de origem animal, que pode causar de um resfriado comum a doenças mais graves, como a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV) e a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS-CoV). O COVID-19 já infectou mais de 100 mil pessoas em 101 países/territórios, causando mais de 3,5 mil mortes. No Brasil, já existem 25 casos confirmados do vírus, sendo dois na cidade de Feira de Santana, na Bahia.

O surto por SARS-CoV ocorreu em 2002, na China, com transmissão de morcegos para seres humanos, infectando 8 mil pessoas e deixando 774 mortos. Já os casos de MERS-CoV aconteceram na Arábia Saudita em 2012, se estendendo até 2015, com casos relatados na Coréia do Sul ainda causados por esse coronavírus.

Em 31 de dezembro de 2019, os primeiros casos de uma pneumonia de origem desconhecida foram relatados na cidade de Wahun, na China. Os casos tinham ligação com um mercado de frutos-do-mar da região, sugerindo transmissão animal-humano, porém, mais tarde, houve um número crescente de pacientes que não tiveram contato com esse mercado, indicando que também estava ocorrendo a disseminação de pessoa para pessoa. Em 7 de janeiro, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) Chinês divulgou que conseguiu isolar o vírus e identificá-lo como um novo coronavírus, denominado COVID-19 em 11 de fevereiro pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Segundo Kevan, várias cepas do COVID-19 foram sequenciadas desde sua descoberta e a proximidade destas com o tipo que causou SARS, cerca de 88%, ajudará no tratamento, pois será possível utilizar medidas empregadas em 2002, o que ajudará para o desenvolvimento da vacina. O infectologista explicou que o COVID-19 é um vírus de RNA e, por isso, é altamente mutável, dificultando o seu controle.

Epidemia

Em relação a epidemia da doença na China, Kevan aponta que a demora para o país entrar em quarentena é um dos fatores responsáveis pelo grande número de casos. Adiciona-se ainda a negação inicial das autoridades sobre a possibilidade de os primeiros casos registrados em dezembro do ano passado serem um novo tipo de coronavírus. “Uma resposta atrasada a quarentena, faz a infecção se espalhar mais rápido na população”, explicou. Para Kevan, as implicações sociais e econômicas de uma epidemia podem levar a hesitação inicial em países que estão apresentando casos de coronavírus, o que favorece a epidemia a continuar no local.

O pico da epidemia aconteceu no mês de janeiro e os novos dados epidemiológicos mostraram que os casos na China tendem à estabilização, enquanto nos outros países a tendência é aumentar nos próximos meses. A justificativa é que epidemias em alguns países, como o Irã e Itália, que tem os maiores números de mortes fora da Ásia, ocorrem porque adotaram práticas semelhantes à China, ao retardar a resposta.

A taxa de mortalidade do COVID-19 é considerada baixa, de cerca de 2.72% quando comparada com a taxa de mortalidade do SARS-CoV de 2002, que foi 14-15%, e MERS-CoV, de 35%. Essa taxa deve ser ainda mais baixa, pois o número de casos assintomáticos ou com poucos sintomas pode ser muito maior, indicando que existem ainda mais pessoas infectadas pelo mundo. A maioria dos casos confirmados são leves, sem necessidade de hospitalização para tratamentos mais severos.

Os casos mais graves de infecção respiratória, no contexto da emergência do COVID-19, estão relacionados a homens com média de idade maior do que 50 anos, que apresentaram comorbidades, como diabetes e problemas cardiovasculares. Um dado interessante, exibido durante a apresentação, é em relação a infecção em crianças, que ainda não foi registrado.

Pesquisas e testes

Quando comparada a 2002, a resposta da comunidade científica aos desafios impostos pelo COVID-19 foi bem mais rápida. Graças às novas tecnologias, o sequenciamento do vírus está sendo feito em pouco tempo em várias partes do mundo. Testes estão sendo realizados com drogas utilizadas em outras epidemias provocadas pelo coronavírus, além de novas drogas que podem auxiliar na diminuição da taxa de mortalidade. Na época do surto de SARS, por exemplo, foram testadas diversas drogas para inibir a resposta inflamatória da doença, sem sucesso. Esse resultado já iluminou os caminhos que os pesquisadores estão seguindo e novas abordagens estão sendo feitas, como um estudo recente com utilização de células-tronco.

Sobre o desenvolvimento de kits diagnósticos, os institutos de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) e de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) iniciaram a produção de protótipos de kits com insumos para a realização de 30 mil testes diagnósticos para o novo coronavírus. Os kits foram encomendados pelo Ministério da Saúde para atender a rede de laboratórios públicos de todo o país.

A prevenção ainda é o meio mais aconselhado para a maioria da população, segundo o infectologista. O indicado é a lavagem das mãos e antebraços com água e sabão durante 20 segundos, uso de álcool em gel e evitar locais muito cheios de pessoas, pois uma pessoa infectada pode contaminar até 2m ao redor, com saliva ou espirro. O uso de máscaras não é necessário na situação atual da epidemia, apenas em caso de contato com pessoas infectadas ou viagens de avião se a pessoa quiser se sentir mais segura ou para profissionais de saúde, aconselhou Kevan.

 

twitterFacebookmail
[print-me]

Tese busca estimar a frequência de APOL1 e da hemoglobina em pacientes submetidos à biopsia renal

Autoria:Dona Jeanne Alladagbin
Orientação: Washington Luís Conrado dos Santos
Título da tese: “Associação entre variantes de risco do gene apoli e hemoglobinas variantes com progressão das doenças glomerulares na Bahia”.
Programa: Pós-Graduação em Patologia Humana-UFBA /FIOCRUZ
Data de defesa: 23/03/2020
Horário: 14h

RESUMO

Introdução: Além daqueles tradicionalmente reconhecidos como principais fatores de risco da doença renal, uma ênfase crescente tem sido atribuída à constituição genética dos pacientes.

Objetivo: Estimar a frequência das variantes de risco de APOL1 e da hemoglobina em pacientes submetidos à biopsia renal na Bahia, e avaliar a associação entre essas variantes e a progressão das doenças glomerulares nesses pacientes.

Método: Estudo de coorte prospectiva, incluindo 326 pacientes submetidos à biópsia renal. Os genótipos de Apol1 foram testados por PCR e sequenciamento do DNA de 304 pacientes e as variantes da hemoglobina foram definidas por cromatografia líquida de alta eficiência. A genotipagem do haplótipo G1 do APOL1 na população geral, foi realizada utilizando-se o kit Illumina BeadChip Human Omni2.5-8.Também foi desenvolvido um estudo longitudinal onde os pacientes foram acompanhados durante cinco anos para avaliar os marcadores de progressão de doença.

Resultados: Dentre os pacientes, 22,7% têm um alelo de risco e 4,3% têm dois alelos de risco da APOL1. A mediana de idade do diagnóstico de doença renal foi menor em pacientes portadores de dois alelos de risco de APOL1 (21 [18 – 39] anos) do que pacientes com um (30 [21 – 36] anos) ou sem alelos de risco (33 [24 – 44] anos, p = 0,04). Houve um declínio progressivo na taxa média de filtração glomerular entre pacientes com dois alelos de risco entre o momento da biópsia e após 5 anos de acompanhamento: (de um dos maiores agrupamentos populacionais afrodescendentes fora da África69 [39-79] mL / min / 1,73 m2 para 27 [26-31] mL / min / 1,73 m2, p = 0,004), comparado àqueles com um (de 76 [42-111] mL / min / 1,73 m2 para 105 [62-138] mL / min / 1,73 m2), p=0,74 ou nenhum (de 66 [41 -101] mL / min / 1,73 m2 para 91 [53-113] mL / min / 1,73 m2, p = 0,81) alelo de risco do APOL1.A análise de regressão logística sob um modelo de herança recessiva mostrou uma associação forte e significativa entre dois alelos de risco do APOL1 com doença renal em estágio terminal (Odd ratio = 4,8, p = 0,015). A sobrevida renal foi significativamente menor (69%) no grupo com dois alelos de risco de APOL1 em comparação com o grupo com um (94%) e ou sem (91%) alelos de risco (p = 0,024). A proporção de pacientes diagnosticados com GESF que evoluíram para doença renal em estágio terminal foi maior em indivíduos com dois alelos de risco (33%) do que naqueles com um alelo de risco (0%) ou sem alelos de risco (3%, p = 0,04). A frequência do haplótipo G1 não foi estatisticamente diferente entre os pacientes submetidos à biópsia renal (9,6%) e a população em geral (8,3%). A frequência do traço falciforme nos pacientes submetidos à biópsia renal foi de 5%, semelhante à encontrada na população geral (4,5%, p = 0,70). O traço de hemoglobina C est presente em 3,7% dos pacientes e em 2,2% da população geral (p = 0,11). Cinco anos depois da biopsia renal, a taxa media de filtração glomerular entre os pacientes com traço falciforme era significativamente menor 24 [10-57] mL / min / 1,73 m2 em comparação a 86 [47-115] mL / min / 1.73 m2, no grupo com HbAA, p=0,01. Após um acompanhamento de cinco anos, 31% dos pacientes com HbAS apresentaram doença renal em estágio terminal necessitando de diálise em comparação com 8% dos participantes HbAA (p = 0,02). Nenhum paciente com traço da hemoglobina C necessitou de diálise durante os cinco anos de acompanhamento.

Conclusões: O genótipo de alto risco do APOL1 está fortemente associado com o declínio progressivo e mais rápido da taxa estimada de filtração glomerular, bem como maior frequência de doença renal em estágio terminal, e consequentemente, com uma menor sobrevida renal nos pacientes. Não há diferença na frequência de HbAS ou HbAC entre os pacientes submetidos a biópsia renal e a população geral. Porém, pacientes com HbAS apresentam atrofia tubular mais intensa, declínio mais rápido da taxa de filtração glomerular, menor sobrevida renal em comparação aos pacientes com HbAA. A frequência dos haplótipos do APOL1 entre os pacientes submetidos a biópsia renal não parece diferir do da população geral da Bahia.

Palavras-chave: glomerulopatia, Nefropatia, biópsia renal, APOL1, traço falciforme, traço de hemoglobina C.

twitterFacebookmail
[print-me]

Aula inaugural da Fiocruz Bahia abordará gamificação e mapeamento participativo

A aula inaugural da Fiocruz Bahia, em 2020, terá como tema “Gamificação e mapeamento participativo: potencialidades do aplicativo +Lugar”. Ministrada pela professora do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Profº Milton Santos da Universidade Federal da Bahia (IHAC/UFBA), Isa Beatriz da Cruz Neves, a aula acontece no dia 27 de março, às 09 horas.

O evento marca o início das atividades acadêmicas dos programas de Pós-graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa – PgBSMI, de Pós-graduação em Patologia Humana e Experimental – PgPAT (UFBA/ Fiocruz Bahia) e de Pós-Graduação em Pesquisa Clínica e Translacional (PPGPCT). Estarão presentes representantes da Associação de Pós-Graduandos (APG) da Fiocruz Bahia.

O evento é aberto ao público, é gratuito e não necessita inscrição.

A palestrante

Isa Beatriz é professora Adjunta do Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia no Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Profº Milton Santos da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Possui graduação em História (UCSal) e em Pedagogia (UNEB), tem mestrado em Educação pela Faculdade de Educação da UFBA e doutorado em Educação e Contemporaneidade – PPGEduC- UNEB. Integra o Grupo de Pesquisa Comunidades Virtuais 2.0 (UFBA) e desenvolve cursos de extensão e pesquisas relacionados ao processo de ensino-aprendizagem e tecnologias digitais, especialmente games, aplicativos e robótica.

Atuou como professora em cursos de graduação na UCSAL, Unijorge, UNEB e UFRB. Foi professora formadora do programa do Governo Federal “Um Computador por Aluno – UCA”, no curso de História e Matemática – EAD/UNEB e no curso de Pedagogia Parfor/UFRB (informações do Currículo Lattes).

Confira a programação:

 

twitterFacebookmail
[print-me]

Resultado final da Formação de Tutores do PPgPCT

O Colegiado do Programa de Pós-Graduação em Pesquisa Clínica e Translacional (PPGPCT) torna pública a relação dos candidatos aprovados, após a formação de tutores prevista no Edital 001/2020, como etapa para a Seleção de Tutores. 

O candidato que desejar interpor recurso deve fazê-lo nos dias 27 e 28 de fevereiro de 2020, com a entrega do Formulário para Pedido de Revisão

Clique aqui para acessar o documento com o resultado e outras informações.

 

twitterFacebookmail
[print-me]

Estudo computacional amplia informações sobre o parasito causador da leishmaniose

A Plataforma Bioinformática do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) colocou sua lupa para mais um campo de pesquisa ainda pouco investigado: a composição da membrana de parasitos do gênero Leishmania, alguns dos quais causam a leishmaniose. O achado é fruto de um novo artigo cujo autor principal Lucas Gentil Azevedo, mestrando no Programa de Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI/Fiocruz Bahia), sob a orientação do pesquisador do Cidacs Pablo Ramos. A leishmaniose é uma doença negligenciada que assola sobretudo populações mais pobres, sendo endêmica em muitas regiões do país, inclusive na Bahia.

O estudo foi publicado na revista Parasites & Vectors, referência no estudo de doenças tropicais e negligenciadas, e contou também com a participação de outros pesquisadores da Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia), incluindo Aldina Barral, Artur Queiroz e Luciane Santos. E, para entender o achado, se você faltou às aulas de biologia na escola, é preciso saber que as células são formadas por membranas cuja a estrutura basicamente é composta por lipídios e proteínas – é essa parte da célula que seleciona aquilo que entra e sai.

Neste estudo, Azevedo investigou uma parte específica dessa fina camada da célula: o Lipofosfoglicano (LPG). “A variação dos genes que fazem parte da síntese desse componente nas diversas espécies de Leishmania ainda é pouco compreendido mesmo sendo sabido que ele é um importante fator de virulência das leishmanias”, explica o pesquisador. “É uma doença negligenciada, não tem tanto investimento no campo da pesquisa”, acrescenta.

“E o LPG é um composto de membrana muito importante durante todos os estágios de vida do parasita. Desta forma, entender a variação dos genes responsáveis pela sua síntese é um dos primeiros passos para compreendermos melhor a sua variabilidade entre as diferentes espécies de Leishmania”, detalha Gentil.

Ainda voltando à aula de biologia, para um agente causador de doenças se espalhar no corpo, é preciso que ele se replique dentro das células do hospedeiro. Para entender o papel do LPG nos quadros de manifestação da leishmaniose, os pesquisadores aplicaram uma estratégia de mineração de dados para comparar em larga escala o DNA do protozoário causador da doença. Os dados foram coletados de sistemas públicos nacionais e internacionais.

Assim, eles puderam perceber as semelhanças e diferenças entre as diversas sequências genômicas – ou seja, a ausência, presença ou duplicação dos genes, aquele componente que determina as manifestações das mais elementares às mais complexas de qualquer organismo.

O estudo resultou na criação de um catálogo com os genes relacionados à síntese do LPG nas diversas espécies de Leishmania vinculando-os com dados filogenéticos (forma como se agrupam, a ordem e evolução dos genes) e de expressão de RNA (estrutura responsável pela síntese de proteínas). Os dados gerados nesse trabalho podem servir como um guia para outros pesquisadores realizarem estudos in vitro (aquele da bancada com vidros e tubos tradicionais) mais aprofundados sobre o tema.

O que é a doença?

As leishmanioses são causadas por protozoários do gênero Leishmania e da família Trypanosomatidae. De modo geral, essas enfermidades se dividem em leishmaniose tegumentar americana, que ataca a pele e as mucosas, e leishmaniose visceral (ou calazar), que acomete órgãos internos.

Trata-se de uma doença negligenciada, ou seja, que recebe pouco investimento para pesquisa, tratamento, treinamento de profissionais de saúde e produção de novos fármacos. Entre 2014 e 2018, foram diagnosticadas 19.053 pessoas com leishmaniose no Brasil, de acordo com o Departamento de Informática do SUS (DataSUS).

É uma doença transmitida ao homem (e também a outras espécies de mamíferos) por insetos vetores ou transmissores, conhecidos como flebotomíneos, muito parecido com mosquitos. No Brasil, esses insetos podem ser conhecidos por diferentes nomes de acordo com sua ocorrência geográfica, como tatuquira, mosquito palha, asa dura, asa branca, cangalhinha, birigui, anjinho, entre outros.

Trajetória

Atualmente mestrando no curso de Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa da Fiocruz Bahia, Lucas Azevedo produziu o artigo que descreve estes achados como fruto de seu projeto de Iniciação Científica, período em que foi contemplado com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).

twitterFacebookmail
[print-me]

Abertas as inscrições para curso de Boas Práticas para o Processamento de Amostras Histológicas

As inscrições para o curso de “Boas Práticas para o Processamento de Amostras Histológicas” estão abertas e podem ser realizadas até dia 11 de março, neste link. A atividade caracteriza-se por uma abordagem teórico-prática sobre as técnicas utilizadas durante o processamento de fragmentos de tecido, incluindo todas as suas etapas, desde a coleta desses fragmentos até a produção de lâminas histológicas. 

O objetivo do curso, a ser realizado nos dias 17 e 18/03/2020, na Fiocruz Bahia, é apresentar aos estudantes provenientes de cursos de graduação e de pós-graduação as boas práticas para o processamento de amostras histológicas. Trata-se de um tema de interesse para estudantes e pesquisadores que necessitam empregar o conhecimento de técnicas histológicas no desempenho de suas atividades, obtendo qualidade na interpretação dos resultados obtidos. A carga horária é de 8 horas e estão sendo oferecidas 15 vagas.

twitterFacebookmail
[print-me]

Tese avalia a ação de linalol sobre parâmetros cardiovasculares

Autoria: Samuel Barbosa Camargo
Orientação: Darizy Flávia Silva Amorim Vasconcelos
Título da tese: “Potencial Anti-Hipertensivo de Linalol Complexado A B-Ciclodextrina: Estudos Farmacodinâmico e Farmacocinético”.
Programa: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa
Data de defesa: 09/03/2020
Horário: 14h

RESUMO

A hipertensão arterial (HA) é importante problema de saúde pública e apresenta difícil controle e tratamento. Alternativas terapêuticas precisam ser encontradas e a pesquisa com produtos naturais é bastante promissora. Os óleos essenciais de plantas apresentam efeitos biológicos sobre o sistema cardiovascular e o monoterpeno linalol (LIN) tem sido estudado como anti-hipertensivo. Os monoterpenos apresentam dificuldades de solubilidade devido às suas características lipofílicas e a formação de complexos de inclusão e sistemas de liberação controlada de fármacos, principalmente com ciclodextrinas (CDs) demonstram ser de fácil síntese e utilização para estabilização e melhoria na farmacocinética e farmacodinâmica. O objetivo deste trabalho foi avaliar a ação de linalol puro e do complexo de inclusão contendo linalol em -ciclodextrina (LIN/CD) sobre os parâmetros cardiovasculares de pressão arterial (PA) e frequência cardíaca (FC) de ratos espontaneamente hipertensos (SHR) e normotensos wistar. Como resultados dos estudos de farmacocinética, o complexo LIN/CD foi capaz de aumentar a biodisponibilidade de linalol na corrente sanguínea em cerca 20 vezes, assim como houve aumento da área sobre a curva de concentração sanguínea em relação ao tempo, demonstrando que uma vez complexado, LIN permanece por muito mais tempo na corrente sanguínea. Nos estudos para medida direta de PA e FC, administrações i.v. de LIN e LIN/CD (50 mg/kg) demonstraram ser capazes de induzir hipotensão em ratos SHR. Este efeito foi associado à bradicardia quando aplicado ao linalol puro e taquicardia sem diferenças estatísticas quando aplicado ao complexo de inclusão e comparado ao grupo veículo. Após administração por v.o., foi possível averiguar hipotensão e bradicardia por parte do grupo LIN/CD (50 mg/kg) quando comparado ao linalol puro especialmente nas 3 últimas horas. A administração de LIN e LIN/CD por via orogástrica de maneira subcrônica durante 21 dias (50mg/kg) em SHR induziu manutenção dos níveis pressóricos iniciais e apresentou um efeito anti-hipertensivo superior ao LIN e estatisticamente significante a partir do 15º dia, perdurando até o 20º dia, já o grupo LIN alcançou diminuição da pressão arterial apenas no último dia do tratamento. Adicionalmente, LIN/CD foi capaz de promover aumento nos níveis da citocina anti-inflamatória IL-10; foi capaz também de impedir o desenvolvimento de hipertrofia cardíaca, com diminuição significante do índice de massa do coração, quando comparado ao grupo tratado com LIN. Em estudos de reatividade vascular com artéria mesentérica superior, houve vasorrelaxamento induzido por NPS (10-13-10-5M) sem alterações significantes em relação aos controles. A curva em resposta à Phe (10-10-10-6M) apresentou uma diminuição significante da potência farmacológica do grupo LIN/CD em relação ao grupo veículo. Com relação ao tratamento crônico de 60 dias o grupo LIN/CD apresentou efeito anti-hipertensivo importante, desde 15 dias de tratamento, perdurando durante todo o tratamento de 60 dias, aproximando-se dos animais normotensos sadios. O grupo LIN apresentou, em menor proporção, efeito anti-hipertensivo aproximando-se do grupo veículo. Com relação aos estudos de hipertrofia do coração, após 60 dias de tratamento, apenas o grupo tratado com o complexo LIN/CD e os animais wistar apresentaram diminuição do índice de massa cardíaca quando comparado ao grupo veículo. Em estudos de reatividade vascular, após 60 dias de tratamento a curva concentração resposta à Phe apresentou diminuição estatisticamente significante no grupo tratado com LIN/CD, quando comparado ao grupo veículo, sendo que o grupo linalol também apresentou esta diminuição da reatividade vascular, porém em menor proporção. Nas curvas de relaxamento, foi possível observar alterações estatisticamente significantes para o relaxamento induzido por Ach e NPS com relação ao grupo tratado com LIN/CD em comparação ao veículo. Com relação aos estudos morfológicos, a histologia demonstrou que os grupos tratados com LIN e LIN/CD apresentaram características semelhantes ao grupo wistar sadio, sem sinais de injúrias. Esses resultados em conjunto, sugerem que o complexo de inclusão LIN/CD tem promissor potencial de aumento da biodisponibilidade de LIN e melhora dos seus efeitos sobre o sistema cardiovascular, seja com seu efeito hipotensor e anti-hipertensivo ou redução do índice de massa cardíaca e melhora da função vascular.

Palavras-chave: Hipertensão; Linalol; Ciclodextrinas; Complexo de Inclusão; Cardiovascular.

twitterFacebookmail
[print-me]

Transferência de renda aumenta chance de cura para hanseníase, diz estudo inédito

O maior estudo de acompanhamento individual de pessoas com hanseníase do mundo gerou novos resultados: a adesão ao tratamento aumenta em cerca de 22% e a cura em 26% quando a pessoa com hanseníase é beneficiária do Programa Bolsa Família. Entre crianças menores de 15 anos, este efeito é ainda maior: a adesão ao tratamento e a cura da hanseníase aumentam em cerca de 55% se a criança faz parte de uma família beneficiária do programa. Esses achados foram publicados na edição de fevereiro da revista científica The Lancet Infectious Diseases, uma das mais conceituadas no mundo na área de saúde.

O estudo liderado pela pesquisadora do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) Júlia Pescarini mostra que pessoas com hanseníase diagnosticadas enquanto estão recebendo a transferência de renda condicionada têm uma chance aumentada de realizar todo o tratamento, que dura até um ano. Além disso, estar em uma família que recebe o benefício amplia as chances do indivíduo (adulto ou criança) se curar.

Para obterem resultados, os pesquisadores analisaram os dados individuais de pessoas com diagnóstico de hanseníase entre 2007 e 2014. No total, foram analisadas 11.456 pessoas recém diagnosticadas com hanseníase. Desses, 8.750 que receberam o benefício do Bolsa Família foram comparados com o restante das pessoas que não receberam.

Além do Cidacs, o estudo contou com a participação de pesquisadores da London School of Hygiene & Tropical Medicine e Health Data Research, no Reino Unido, Instituto de Saúde Coletiva e Instituto de Matemática Estatística da Universidade Federal da Bahia, Universidade Federal Fluminense (UFF), Núcleo de Medicina Tropical da Universidade de Brasília (UnB) e Fiocruz Brasília.

Efeitos

A pesquisa liderada por Pescarini, pesquisadora do Cidacs e doutora em epidemiologia pela Universidade de São Paulo (USP), mostra que geralmente a adesão e a cura da hanseníase variam de acordo com a forma da doença. Na forma paucibacilar (até cinco lesões) o tratamento dura entre seis e nove meses e a proporção de indivíduos que se curam é maior. Já quem desenvolve a forma multibacilar (mais de cinco lesões) pode ficar um ano ou mais recebendo a medicação, o que aumenta as chances de abandonar o tratamento. Na pesquisa, os autores encontraram que o efeito do Programa Bolsa Família parece ser mais evidente quanto mais longo é o tratamento.

Além disso, o estudo indica que as condições socioeconômicas (baixa renda, falta de informação e a habitação precária) são consolidadas cientificamente como determinantes para desenvolvimento, tratamento e cura da hanseníase, ou mesmo ter sequelas permanentes desencadeadas pela doença.

“Nesse sentido, o efeito do programa Bolsa Família pode estar associado ao fato de que famílias beneficiárias possuem maior segurança alimentar e que as crianças incluídas no programa precisam cumprir certas condicionalidades. Isso inclui alta adesão escolar e ir com frequência ao Posto de Saúde para o monitoramento do crescimento e para cumprir o calendário de vacinação, o que gera mais exposição aos serviços de saúde”, explica Pescarini.

Além disso, a autora sugere que o beneficio de renda do programa pode colaborar para redução dos gastos indiretos do tratamento, como deslocamento até o posto de saúde, o que melhoraria a adesão ao tratamento da hanseníase.

Estudos anteriores

O estudo realizado no Cidacs faz parte da Coorte de 100 Milhões de Brasileiros – uma plataforma de pesquisa do Cidacs que avalia o impacto de políticas sociais usando os dados do Cadastro Único para Programas Sociais a partir de cruzamentos com diversos sistemas de informações em saúde. Para este estudo, os pesquisadores analisaram bases de dados com informações individuais de 33 milhões de pessoas que utilizaram algum benefício social entre 2007 e 2014, dos quais quase 24 mil eram pessoas com a enfermidade. O tamanho da amostra com dados individuais torna esse o maior estudo já realizado sobre o tema.

No ano passado, o grupo de pesquisadores publicou outros achados sobre o tema, como os fatores socioeconômicos que elevam a possibilidade de o indivíduo desenvolver hanseníase: as chances dobram quando há ausência de renda, escolaridade e/ou condições inadequadas de habitação. Além disso, a magnitude do estudo permitiu que, pela primeira vez, pudessem ser analisados critérios étnicos com precisão. Após ajustadas todas as outras características, a análise indicou que pessoas autodeclaradas pretas e pardas são mais propensas a ter a doença do que as brancas.

Outros dados encontrados mostram que o risco de uma criança contrair hanseníase na região Norte do Brasil é 34 vezes maior do que no Sul. Moradores do Norte ou Centro-Oeste têm de cinco a oito vezes mais chances de contrair a doença, sendo o Nordeste a terceira região de incidência. O risco de hanseníase é 40% maior nas pessoas em situação de pobreza em relação a indivíduos com renda acima de um salário mínimo.

A hanseníase

A hanseníase é uma doença crônica e infectocontagiosa causada pela Mycobacterium leprae, e atinge, ainda hoje, 200 mil pessoas, sendo que a cada dez novos casos no mundo, um acontece no Brasil, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/ONU). No Brasil, em 1976 foi determinado o uso da palavra hanseníase para se referir a doença, pelo estigma que a denominação lepra causava aos pacientes. Todo o tratamento é fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de forma totalmente gratuita a todos os pacientes diagnosticados.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza que uma vez confirmado o caso, o paciente deve começar imediatamente o tratamento medicamentoso: a poliquimioterapia (PQT) com antibióticos, cuja duração varia segundo a forma clínica da doença, a idade do paciente e sua tolerância ao medicamento.

Estudo: “Effect of a conditional cash transfer programme on leprosy treatment adherence and cure in patients from the nationwide 100 Million Brazilian Cohort: a quasi-experimental study”

Pesquisador(es): Julia Pescarini.

twitterFacebookmail
[print-me]

Teste rápido de leptospirose é lançado na Fiocruz Bahia

Foto: Ascom Fiocruz Bahia

O Ministério da Saúde e a Fiocruz Bahia lançaram, no dia 13/2, o teste rápido para diagnóstico de leptospirose. O kit diagnóstico foi desenvolvido por pesquisadores da Fiocruz Bahia a partir da parceria com Bio-Maguinhos, unidade produtora de imunobiológicos da Fiocruz nacional.

O teste identifica, em sangue total, soro ou plasma, anticorpos para a leptospirose, apresentando resultado em até 20 minutos. O kit será executado em ambiente hospitalar, para auxiliar e dar oportunidade ao tratamento específico da doença.

Um projeto para avaliar a implantação do teste deverá contar com participantes de todas as regiões do país. Além de Salvador (BA), cidades da região Sudeste foram sugeridas para iniciar o projeto devido às chuvas acentuadas que vem atingindo Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, pois as inundações favorecem a ocorrência de casos de leptospirose.

O desenvolvimento do kit diagnóstico foi liderado pelo pesquisador da Fiocruz Bahia, Mitermayer Galvão dos Reis, junto com o professor da Universidade de Yale (EUA) e pesquisador externo da instituição, Albert Ko. No lançamento, Mitermayer Reis apresentou como foi realizada a pesquisa até a materialização do produto. “Isso é resultado de um esforço coletivo. Agradeço a todos os parceiros”, comemorou.

Na abertura do evento, André Luiz de Abreu, coordenador Geral de Laboratórios de Saúde Pública – CGLAB, da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), do Ministério da Saúde (MS), ressaltou a importância de poder disponibilizar para a população um produto desenvolvido numa instituição pública de referência. “Isso é mostrar que nosso país tem capacidade produtiva, de desenvolvimento e de atender a sua população, com tecnologia e confiança”, afirmou.

O diretor do Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis (SVS/MS), Julio Croda, agradeceu ao Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e ao secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, pelas escolhas mais técnicas em investimento e execução orçamentaria para as ações que possam gerar impacto na saúde da população brasileira.

“Esse é um momento de retorno para sociedade, principalmente no sentido de todo investimento que é feito em tecnologia e inovação, sendo um produto eminentemente nacional. Iremos disponibilizar esse kit em um momento importante de enchentes em São Paulo e Minas Gerais, porque o tratamento faz diferença, evita a progressão da leptospirose e diferenciá-la de outras doenças febris é fundamental”, declarou.

O coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Rivaldo Venâncio, felicitou os pesquisadores do projeto que começou há, aproximadamente, 20 anos. “Essa é uma conquista do SUS. Parabenizo todos que trabalharam nesse projeto que é uma construção de vida. Quando a gente olha, desde as primeiras ideias até chegar a um produto como esse, tem muitas horas no laboratório, tem muito trabalho”, pontuou.

Marilda Gonçalves, diretora da Fiocruz Bahia, destacou que a leptospirose é um problema grave de saúde pública e falou sobre a dificuldade de se fazer o diagnóstico diferencial para que o tratamento seja instituído de maneira rápida. “É uma honra fazer o lançamento aqui, na Fiocruz Bahia. Parabenizo a todos os pesquisadores envolvidos, é uma satisfação participar desse momento e ver a concretização desse trabalho”, comentou. 

Maurício Zuma, diretor de Bio-Manguinhos, observou que esse trabalho é um exemplo de como fazer inovação. “O desenvolvimento desse kit trouxe uma geração de pesquisadores que soube transformar o conhecimento em algo prático, o que é complexo de se fazer. Bio-Manguinhos está totalmente preparada para fazer a produção do kit, que será muito importante para a vigilância epidemiológica”. Também esteve presente ao evento Antônio Ferreira, coordenador do Programa de Desenvolvimento Tecnológico de Reativos para Diagnóstico de Bio-Manguinhos.

Doença e diagnóstico

A leptospirose é uma doença causada por bactérias do gênero Leptospira spp.. Endêmica no Brasil, a enfermidade está relacionada às precárias condições de infraestrutura sanitária. Durante os períodos de chuvas e enchentes, a bactéria expelida através da urina dos ratos, presente nos esgotos e bueiros, mistura-se à inundação e penetra no corpo através da pele, principalmente por ferimentos, mas também com a pele íntegra, se imersa por longos períodos.

Comumente confundida com outras doenças febris, como dengue, a leptospirose é caracterizada por sintomas como dores de cabeça e no corpo, podendo manifestar vômito, diarreia e tosse. Na fase tardia da doença, ocorrem manifestações mais graves como pele e olhos amarelados, sangramento e alterações urinárias. A letalidade chega a cerca de 10%.

Os testes diagnósticos para leptospirose têm alto custo, sendo necessário juntar uma quantidade de amostras de pacientes com suspeita da doença para que seja realizado, levando dias e até semanas para apresentar o resultado. O novo kit é de fácil uso para diagnóstico em campo ou laboratório, com a vantagem de ser uma opção portátil, rápida e de aplicação individual.

twitterFacebookmail
[print-me]

Fiocruz Bahia lança projeto para incentivar interesse de meninas de escolas públicas pela ciência

Foi celebrado na terça-feira, 11 de fevereiro, o Dia Internacional da Mulher e Menina na Ciência, na Fiocruz Bahia. A data foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), junto com a UNESCO, em colaboração com instituições e parceiros da sociedade civil que promovem o acesso e a participação de mulheres e meninas na ciência. Na ocasião, foi lançado o projeto “Meninas baianas na ciência: conectando passado, presente e futuro”.

A iniciativa, organizada pelas pesquisadoras da Fiocruz Bahia, Karine Damasceno, Isadora Siqueira e Natália Tavares, tem como objetivo incentivar meninas de escolas públicas de Salvador a conhecer e a se interessar pelas áreas de ciência e tecnologia a partir dos exemplos de atuação de mulheres na ciência visando inspirar essa vocação, além de fortalecer e divulgar o papel das mulheres nas atividades em áreas de ciência da saúde.

Cerca de 75 meninas serão selecionadas para participar do evento a ser realizado nos dias 16 e 17 de abril, na Fiocruz Bahia, quando serão realizadas palestras com mulheres reconhecidas, nacional e internacionalmente, que realizarão um levantamento histórico sobre mulheres brasileiras na ciência, bem como de suas trajetórias profissionais, de maneira a influenciar na projeção futura dessas meninas na ciência. Também serão realizados workshops com temas diversos, ministrados por pesquisadoras e com a participação de alunas dos Programas de Pós-graduação, da Iniciação Científica e meninas do Programa de Vocação Científica (PROVOC).

O lançamento contou com a presença da diretora da Fiocruz Bahia, Marilda Gonçalves, e as vice-diretora de Ensino e Informação, Patrícia Veras, e da vice-diretora de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, Camila Indiani. A diretora destacou a importância do projeto para promover a igualdade de gênero na ciência e superar todos os desafios. “Ser mulher na ciência é difícil, precisamos enfrentar vários desafios, mas isso não pode tirar o brilho das nossas conquistas”, ressaltou Marilda Gonçalves.

Patrícia Veras comentou sobre o papel da Fiocruz Bahia no caminho a ser seguido para a equidade de gênero, contribuindo para a formação em ciência, tecnologia e inovação em meio ao protagonismo feminismo pungente. Em sua fala, Camila Indiani trouxe conselhos que cientistas mulheres deram para as futuras gerações em evento da Revista Nature, como se espelhar nos exemplos que vieram antes e abriram os caminhos para que mais mulheres pudessem fazer ciência hoje em dia.

O evento contou com a presença do diretor da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), Paulo Elian, que disse estar muito feliz em participar do encontro como pesquisador de uma instituição que é dirigida por uma mulher, Nísia Trindade, presidente da Fiocruz nacional, desde 2017.

A COC é a unidade técnico-científica da Fundação Oswaldo Cruz dedicada à preservação da memória da Fiocruz e às atividades de pesquisa. Em sua apresentação, Paulo trouxe a história da presença feminina na Fundação desde os primeiros momentos e o pioneirismo de algumas pesquisadoras, que farão parte do projeto nacional da Fiocruz “Mulheres na Fiocruz: Memórias, Trajetórias e Contextos”.

Ações governamentais

 Em um segundo momento, foi realizada uma mesa redonda com a presença de representantes de secretarias do governo do estado da Bahia, que promovem ações voltadas para a valorização das mulheres no campos de ciências e, também, pela igualdade racial nesta área. A secretária Estadual de Promoção da Igualdade Racial, Fabya Reis, falou da importância extrema de ações que contemplem a inclusão de mulheres negras na ciência.

Shirley Costa, coordenadora do projeto Ciência na Escola (Secretaria de Educação do Estado da Bahia), mostrou em sua apresentação as ações promovidas nas escolas públicas para incentivar o interesse por ciência e trouxe resultados envolvendo alunas, como o Projeto Minas na Ciência, de São Miguel das Matas (BA) e a equipe Educa Girls, de Jacobina (BA), que conquistou a etapa regional do Technovation Challenge Brazil, em 2018, competição de desenvolvimento de aplicativos para meninas de 10 a 18 anos.

No campo da tecnologia e inovação, estavam presente ao evento, Mara Souza, assessora da Secretária Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), Adélia Pinheiro; Sahada Luedy, Diretora de Políticas e Programas, da Superintendência de Desenvolvimento Cientifico da SECTI, responsável pela Popularização da Ciência, e Ilnah Oliveira, Coordenadora de Políticas e Programas da Superintendência de Desenvolvimento Científico da SECTI.  

As representantes da SECTI enfatizaram a importância da parceria com a Fiocruz Bahia e mencionaram o edital de pesquisa sobre anemia falciforme e outros agravos da população negra, que foi lançado no final de 2019. O edital visa a implantação do Centro de Referência em Doença Falciforme, e terá cotas para mulheres e negros.

Julieta Palmeira, Secretária Estadual de Políticas para as Mulheres, destacou como o patriarcado atinge as mulheres em diversos ramos do conhecimento e como o grau de invisibilidade da mulher na ciência tem ligação com o grau de desigualdade de gênero, que é ainda muito forte. “O grande desafio não é apenas superar o número, pois a porcentagem de mulheres pesquisadoras é ainda baixa, e sim ter a presença feminina na chefia de grupos de pesquisas”, afirmou.

Ivanilda Amado, da Diretoria de Políticas para o Ensino Superior, da Secretaria Estadual de Educação, representou o Sr. Jerônimo Rodrigues, Secretário de Educação. A Sra. Ivanilda ressaltou o objeto da sua tese de doutorado, onde pesquisou mulheres negras intelectuais no campo da educação, mulheres que pavimentaram e lutaram por políticas afirmativas, possibilitando que tantas outras tivessem acesso à educação, principalmente em nível superior.

Além das autoridades presentes, o evento contou com a presença das coordenadoras dos cursos de pós-graduação, Valéria Borges (PGPAT) e Theolis Barbosa (PGBSMI) e de vários pesquisadores da Fiocruz Bahia. Também marcaram presença, Emília Machado, diretora da Associação que leva seu nome, e os estudantes que desenvolvem o projeto Jovens Pensantes.

Como desdobramento do evento, a secretária Julieta Palmeira organizará uma reunião congregando as secretarias e outras instituições do estado da Bahia para que sejam discutidas estratégias que propiciem a continuidade do projeto.

twitterFacebookmail
[print-me]

Estudo identifica infecção congênita por Zika em recém-nascidos assintomáticos

Casos de infecção congênita por zika durante o surto de microcefalia, após a epidemia do vírus em 2015, foram identificados e caracterizados em bebês que nasceram assintomáticos e sem alterações no perímetro cefálico.

O estudo foi descrito em artigo publicado no International Journal of Gynecology and Obstetics. A pesquisa foi realizada em 2016, com bebês nascidos na maternidade pública Professor Jose Maria Magalhães Netto, em Salvador, Bahia, uma das cidades do país mais afetadas pela epidemia de microcefalia.

Ao todo, 151 recém-nascidos fizeram parte do estudo: 32 foram classificados com microcefalia dentro dos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde, 5 destes foram classificados como apresentando microcefalia grave; enquanto 119 foram considerados normais. A maioria dos bebês nasceram entre janeiro e maio de 2016.

Amostras de tecido placentário, sangue, sangue do cordão umbilical e urina dos recém-nascidos foram coletadas para testes. Nos bebês com microcefalia, foram detectados anticorpos para o vírus em exames sorológicos.

Nos bebês normocefálicos, 4 tiveram resultados positivos em exames sorológicos, enquanto 13 tiveram resultados positivos para Zika nos testes de urina, plasma ou placenta, totalizando 17 bebês que não foram considerados microcefálicos acometidos pela infecção congênita pelo vírus.

Esses resultados mostram que esta infecção pode estar presente em pacientes assintomáticos no nascimento, enfatizando a importância do acompanhamento pré-natal e neonatal em regiões endêmicas. Nos casos de infecção por vírus Zika na gestante, é recomendado aos bebês, mesmo que assintomáticos no nascimento, acompanhamento por profissionais de saúde, já que estudos anteriores demonstram que alguns desses bebês, ao longo do desenvolvimento, apresentaram atrasos neurológicos.

O estudo liderado pela pesquisadora da Fiocruz Bahia, Isadora Siqueira, faz parte do Programa Conjunto de Pequenas Subvenções, com o apoio do Escritório Regional da Organização Mundial de Saúde (OMS) para as Américas (OPAS). Na publicação ‘Construindo oportunidades durante uma epidemia de zika nas Américas: o caso de fortalecimento da capacidade de pesquisa’ são apresentados os trabalhos de equipes de pesquisa no Brasil, Colômbia e Peru, apoiadas por meio de um programa conjunto de pequenos subsídios.

twitterFacebookmail
[print-me]