Tese investiga fator de transformação do crescimento beta e polimorfismos na doença falciforme

Autoria: Rayra Pereira Santiago
Orientação: Marilda de Souza Gonçalves
Título da tese: “Fator de transformação do crescimento beta e polimorfismos no gene receptor 3 do fator de transformação do crescimento beta na doença falciforme”.
Programa: Pós-Graduação em Patologia Humana-UFBA /FIOCRUZ
Defesa: 25/08/2020
Horário: 14:00 
Local: Sala Virtual do Zoom

RESUMO

O fator de transformação do crescimento beta (TGF-β) é uma citocina com papel importante em processos biológicos, como disfunção endotelial e vascular, inflamação e homeostase hematopoiética. O objetivo do presente estudo foi investigar a associação dos níveis plasmáticos de TGF-β1 e de polimorfismos no gene do receptor 3 do fator de transformação do crescimento beta (TGFBR3) com biomarcadores genéticos, hematológicos, bioquímicos e imunológicos em indivíduos com doença falciforme (DF) e com as complicações clínicas. Para tanto, foi conduzido um estudo transversal, onde foram investigados 175 indivíduos com DF (120 HbSS e 55 HbSC). Os níveis plasmáticos do TGF-β, inibidor tecidual de metaloproteases-1 (TIMP-1) e da metaloproteinase da matriz 9 (MMP-9) foram determinados pela técnica de ELISA e os marcadores hematológicos, bioquímicos e imunológicos foram determinados por métodos automatizados. A genotipagem dos polimorfismos no gene TGFBR3 foi realizada utilizando TaqMan SNP Genotyping Assays. Os indivíduos HbSS apresentaram concentrações elevadas de TGF-β1 quando comparados a indivíduos controles saudáveis e HbSC. Nos indivíduos HbSS, o TGF-β1 esteve positivamente correlacionado com as hemácias, plaquetas, hemoglobina, hematócrito e TIMP-1. Além desses marcadores, os indivíduos HbSS com concentrações de TGF-β1 ≥72.29 ng/mL apresentaram contagem elevada de monócitos e níveis diminuídos de albumina. Os indivíduos HbSC apresentaram correlação positiva entre o TGF-β1 e leucócitos, eosinófilos, linfócitos, monócitos, plaquetas, TIMP-1, lipoproteínas de muito baixa densidade (VLDL-C), triglicérides, heme e aspartato aminotransferase (AST). Os indivíduos HbSC com concentrações de TGF-β1 ≥ 47.80 ng/mL apresentaram contagens elevadas de leucócitos e plaquetas e concentrações elevadas de triglicérides, VLDL-C, MMP-9 e TIMP-1 e concentrações diminuídas de lipoproteína de alta densidade (HDL-C). Nos indivíduos com HbSS, o alelo variante A do polimorfismo rs1805110 no gene
TGFBR3 esteve associado a concentrações elevadas de hemoglobina, hematócrito, lipoproteína de baixa densidade (LDL-C), acido úrico e endotelina; contagem elevada de reticulócitos e platelet distribution width (PDW) diminuídos e estiveram associados à ocorrência de alterações ósseas. O alelo variante T do polimorfismo rs7526590 no gene TGFBR3 esteve associado a concentrações elevadas de red cell distribution width (RDW), PDW, fosfatase alcalina, AST, bilirrubina indireta e lactato desidrogenase e concentrações diminuídas de ferritina e a ocorrência de úlceras de pernas. Os indivíduos com DF portadores do haplótipo GG no gene TGFBR3 apresentaram níveis mais elevados de colesterol total (T-CHOL), LDL-C, triglicérides, colesterol não HDL (não-HDL-C), proteínas totais e globulina que 8 aqueles com o haplótipo não-GG. Indivíduos com o haplótipo CGG apresentaram níveis elevados de plaquetócrito, T-CHOL, LDL-C e não-HDL-C. Ambos os haplótipos GG e CGG estiveram associados à ocorrência de pneumonia e os indivíduos com haplótipo não-GG apresentaram ocorrência maior de colelitíase. Nossos dados sugerem que o TGF-β1 desempenha papel importante no remodelamento vascular, vasculopatia, angiogênese, inflamação e hemólise na DF e que polimorfismos no gene TGFBR3 podem estar ligados ao estado inflamatório, hemólise e a complicações clínicas. Além disso, os indivíduos portadores dos haplótipos GG e CGG no gene TGFBR3 apresentaram alterações importantes no
perfil lipídico e apresentaram ocorrência maior de pneumonia.

Palavras chaves: doença falciforme, fator de transformação do crescimento beta, receptor 3 do fator de transformação do crescimento beta.

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Pesquisadora explica como funciona a imunização em pessoas que foram infectadas por Covid-19

O tema da imunidade para o novo coronavírus tem sido um dos assuntos discutidos em meio a pandemia, uma vez que a vacina ainda não está disponível e algumas pessoas têm depositado na imunidade adquirida após a infecção da Covid-19 a esperança para que a vida volte ao normal aos poucos. Algumas questões têm sido alvo de debate científico: seria possível alcançar a chamada imunidade de rebanho? E a imunidade após a infecção, ela é duradoura? 

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“O distanciamento social é a única medida que temos enquanto uma vacina não é produzida”, afirma Fernanda Grassi, pesquisadora da Fiocruz Bahia.
Para compreender como a imunidade funciona nos casos de Covid-19 é preciso entender o que acontece no corpo ao ser infectado. A médica imunologista e pesquisadora da Fiocruz Bahia, Fernanda Grassi, explica que na infecção por um vírus há inicialmente uma resposta imune inata do organismo: o vírus infecta uma célula e o organismo passa a produzir uma proteína para interferir na sua multiplicação e estimular a atividade de defesa de outras células. Isso cria um estado “antiviral”, que tenta impedir que haja infecção das células vizinhas. 
 

No caso da Covid-19, o pulmão é infectado pelo coronavírus e essa infecção levará a uma resposta imune protetora que ocorre com o processo de destruição da célula infectada e a inativação do vírus por anticorpos neutralizantes, capazes de impedir uma nova infecção pelo mesmo vírus. Os anticorpos para Sars-CoV-2 podem ser detectados em exame cerca de 10 dias após a infecção. 

Até o momento, o que se sabe sobre a imunidade para Covid-19 é que mais de 80% dos indivíduos que foram infectados pelo novo coronavírus têm anticorpos neutralizantes e já se sabe que títulos maiores de anticorpos estão relacionados à maior gravidade da doença. 

A pesquisadora compara dados das infecções anteriores por SARS-CoV-1, em 2002, e MERS-CoV, em 2012, com o que já foi descoberto na pandemia de SARS-COV-2. O pico de proteção dos infectados nas epidemias do passado foi de três a seis meses após a exposição ao vírus, com diminuição em cerca de 16 meses. Cerca de seis anos após essas infecções, menos de 10% das pessoas ainda tinham anticorpos para esses vírus.

Para Sars-CoV-2, na fase aguda da doença, há um maior nível de anticorpos em indivíduos sintomáticos do que assintomáticos, persistindo na fase de recuperação até três meses após a exposição ao vírus. Após esse período, ocorreu uma diminuição dos níveis de anticorpos nestes indivíduos e cerca de 40% dos indivíduos assintomáticos apresentaram uma negativação, não sendo possível mais detectar anticorpos pelos métodos atuais de testagem.

Imunidade de rebanho e vacina

A chamada ‘imunidade de rebanho’ ou ‘imunidade de grupo’ ocorre quando uma parte da população possui anticorpos contra uma doença e acaba protegendo outra parte que não possui anticorpos, pois a imunidade dessa parcela faz com que diminua a circulação do vírus na população. No caso do SARS-CoV-2 acredita-se que seja necessário que entre 40% e 70% da população esteja imune à doença, seja pela infecção natural ou vacinação, para obter a imunidade de grupo. 

Fernanda aponta que um levantamento, feito entre 14 e 21 de maio, mostrou que as 15 cidades brasileiras com maior soroprevalência ainda estão bem longe desse número de imunidade de grupo, a maior sendo em Belém, no Pará, com 15%. “Para alcançar a porcentagem estimada para imunidade de grupo, nós teríamos uma proporção de mortes muito alta, então o distanciamento social é a única medida que temos enquanto uma vacina não é produzida”, explicou a pesquisadora.

A cientista ressaltou que é preciso que a vacina leve a uma produção de anticorpos neutralizantes para que seja eficaz contra o vírus. Até o dia 28 de julho, havia mais de 190 candidatas à vacina sendo estudadas e seis delas se encontram na fase de testes em humanos. Como até o momento ainda não foi possível caracterizar a resposta imune protetora mais importante, essas vacinas estão sendo feitas através de apostas na melhor forma de proteger o indivíduo, em tempo recorde. 

“Eu espero que elas funcionem, mesmo que estejam pulando várias etapas para desenvolver uma vacina, porque muita gente está morrendo e precisamos dar uma resposta rápida a essa pandemia”, concluiu a pesquisadora.

 
 
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Fiocruz Bahia é homenageada pela Academia de Medicina da Bahia 

A Academia de Medicina da Bahia (AMB) realizou, no último dia 30/07, uma sessão pública em homenagem aos 63 anos do Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia). A sessão, realizada na modalidade virtual, contou com a presença de mais de 70 pessoas, entre elas membros da AMB, pesquisadores e colaboradores da Fiocruz Bahia e também da Fiocruz de outros estados. 

O presidente da Academia, Antonio Carlos Vieira Lopes, cumprimentou a todos os presentes e parabenizou a Fiocruz Bahia pelo trabalho no contexto da saúde pública brasileira, que surgiu graças ao esforço do governo federal e estadual para oferecer as bases para práticas da pesquisa científica, do desenvolvimento tecnológico e da formação de recurso humano qualificado.

“Tudo isso para o enfrentamento de problemas de saúde pública do Estado da Bahia e todos aqueles relacionados a doenças infectocontagiosas de caráter epidêmico”, destacou Antonio Carlos.

O presidente destacou também a presença de diversos membros da Academia de Medicina na Bahia na Fiocruz Bahia, exercendo atividades de ensino e pesquisa ao longo das décadas na instituição, como o pesquisador Zilton Andrade, falecido recentemente, e sua esposa e também pesquisadora da unidade, Sônia Andrade. 

O membro da academia e pesquisador emérito da Fiocruz Bahia, Bernardo Galvão Filho, conduziu o evento, dando destaque aos diretores que já passaram pela instituição e a participação de pesquisadores e colaboradores importantes no sucesso da Fiocruz Bahia.

Fiocruz Bahia e a Covid-19

A primeira apresentação ficou por conta da diretora Marilda Gonçalves, que trouxe a experiência da instituição no enfrentamento da Covid-19, neste período de pandemia. Medidas de contingência foram divulgadas no dia 16 de março pela Diretoria, em consonância com o Plano de Contingência da Fiocruz nacional, orientações da Gestão do Trabalho da instituição e dos Planos de Contingência do Município de Salvador e do Governo do Estado, sendo atualizadas e aprovadas pelo Conselho Deliberativo (CD) da Fiocruz Bahia. 

Desde o início, a Fiocruz Bahia vem realizando ações de enfrentamento ao novo vírus para garantir a segurança dos seus colaboradores e auxiliar o Sistema Único de Saúde no Estado da Bahia e do município de Salvador, tendo um diálogo direto com as esferas federais, estaduais e municipais. 

Entre as ações está o Tele Coronavírus – 155, que já realizou mais de 110 mil atendimentos por telefone com orientações para a evitar que a população circule até os postos de saúde. Os atendimentos são feitos por estudantes voluntários de medicina do quinto e sexto ano, supervisionados por médicos. 

Marilda também destacou a instalação da Plataforma de Diagnóstico para Covid-19 como uma das ações realizadas pela Fiocruz Bahia, onde são realizados os testes moleculares para detecção do SARS-CoV-2, viabilizada a partir da cooperação da com a Secretaria Municipal de Saúde da Bahia (SESAB) e Prefeitura de Salvador. 

Outra ação é a Rede Covida, formada por cerca de 150 pesquisadores e tem como objetivo o monitoramento da pandemia no Brasil, com previsões de sua possível evolução e produção de sínteses de evidências científicas, tanto para apoiar a tomada de decisões pelas autoridades sanitárias quanto para informar o público em geral.

A diretora também deu destaque a participação de pesquisadores da Fiocruz Bahia em ações de enfrentamento da Covid -19 em projetos estaduais e municipais; ações de comunicação e divulgação científica nas redes sociais; ações de pesquisa, ensino e divulgação científica com palestras on-line e aprovação de projetos no Edital Inova Fiocruz, que visa apoiar propostas voltadas para a pandemia da Covid-19 que possam trazer ações, decisões e respostas rápidas. 

Finalizando sua apresentação com a frase de Oswaldo Cruz, “Não podemos esmorecer para não desmerecer”, Marilda disse se sentir honrada em ser diretora dessa instituição que tem destaque nacional e internacional. “Tudo isso porque nós tivemos várias pessoas que contribuíram e contribuem para que ela seja uma instituição de excelência” concluiu a diretora. 

Apresentações

Fernanda Grassi, pesquisadora do IGM, falou sobre a imunidade e proteção na infecção pelo SARS-CoV-2, um tema que saiu dos centros de pesquisas e foi parar no cotidiano das pessoas, sendo discutido por toda a população. 

Alguns estudos recentes mostraram que em pacientes com forma mais graves da Covid-19 apresentaram números mais elevados de anticorpos do que em relação aos indivíduos com a forma mais leve ou assintomáticos.

A sessão pública contou com a apresentação da estudante egressa da Fiocruz Bahia, Jaqueline Góes, que ficou conhecida por fazer parte do grupo que realizou o sequenciamento do genoma do novo coronavírus em tempo recorde no início da pandemia no Brasil.

Jaqueline contou sua experiência durante o doutorado ao participar do Projeto Zibra, que sequenciou o vírus Zika em 2015 pelo nordeste do Brasil. Essa vivência a colocou no grupo da pesquisadora da Universidade de São Paulo, Ester Sabino, onde realiza o pós-doutorado atualmente, e a introduziu uma nova tecnologia que é capaz de sequenciar outros vírus, entre eles o SARS-Cov-2. 

Para falar sobre a situação da pandemia na América Latina, o pesquisador da Fiocruz Bahia e membro da Academia de Medicina da Bahia, Mitermayer dos Reis Galvão, realizou uma apresentação voltada para as questões sociais que envolvem os países desta região.

Os fatores que contribuem para tornar a América Latina o epicentro do novo coronavírus e a prolongação da pandemia tem relação com a rápida e intensa transição demográfica, criando as megacidades com uma grande população de pessoas que moram em situações de vulnerabilidade. 

Segundo Mitermayer, as epidemias chegam através das camadas mais privilegiadas das populações, mas migra para as áreas onde ficam as pessoas mais vulneráveis da sociedade. Há também uma dificuldade de implementação das medidas de controle dessa pandemia nessa população, uma vez que moram em situação precária, sem saneamento básico e muitas vezes amontoadas em um único cômodo. 

A oferta insuficiente de teste também foi um ponto tocado na apresentação de Mitermayer. Sem testagem em massa, não é possível identificar os indivíduos infectados e seus contatos diretos, podem isolá-los. 

Os comentários finais do evento foram feitos pela acadêmica Eliane Elisa de Sousa e Azevedo, agradecendo o conhecimento passado pelos expositores que falaram sobre a Covid-19 e os aspectos da saúde pública para seu enfrentamento. 

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Produção e testagem para COVID-19 é tema de seminário

A palestra “Produção e testagem para COVID-19”, que será realizada no dia 11 de agosto, às 16h, transmitida no canal do YouTube da Fiocruz Bahia, será ministrada por Marco Krieger, pesquisador titular e Vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde (VPPIS) da Fiocruz, convidado da próxima edição do Ciclo de Seminários integrados sobre SARS-COV-2 (Covid-19). O encontro será mediado pelos pesquisadores da Fiocruz Bahia, Clarissa Gurgel e Ricardo Khouri.

O evento, promovido pela Vice-diretoria de Ensino da Fiocruz Bahia, faz parte das atividades dos alunos dos programas de pós-graduação em Patologia Humana e Experimental (PgPAT – UFBA/ Fiocruz Bahia) e em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI – Fiocruz Bahia). As apresentações abordam temas como filogenética do vírus, epidemiologia, imunologia, interação vírus-células, vacinas, diagnóstico, tratamento, biologia de sistemas e ética.

Sobre o palestrante

Possui graduação em Licenciatura Plena em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Paraná (1987), mestrado em Ciências Biológicas (Biofísica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1989) e doutorado em Ciências Biológicas (Biofísica) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1997). Atualmente, é pesquisador Titular da Fundação Oswaldo Cruz. Tem experiência na área de Genética, com ênfase em Parasitologia Molecular, atuando principalmente nos seguintes temas: Trypanosoma cruzi, expressão gênica, genômica funcional, diferenciação celular e utilização de técnicas de Biologia Molecular para o desenvolvimento de insumos para testes de diagnóstico.

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Balanço positivo marca encerramento da participação da Fiocruz Bahia no Tele Coronavírus

A participação da Fiocruz Bahia no Tele Coronavírus – 155 completou seu ciclo no dia 31 de julho. Lançado em 24 de março, o serviço gratuito de teletriagem cumpriu a expectativa programada de quatro meses de funcionamento e realizou mais de 110 mil atendimentos, colocando a população em contato direto com voluntários da área médica. “Agradeço, em nome da Fiocruz, aos mais de 1.500 voluntários da área de saúde que participaram do projeto”, declarou a pesquisadora da Fiocruz Bahia e integrante da coordenação do 155, Viviane Boaventura.

Para a pesquisadora o projeto foi exitoso, tanto no aspecto assistencial quanto de educação para cidadania. “Pacientes de 343 municípios da Bahia foram triados e cerca de 63% não necessitaram deslocar-se, contribuindo para reduzir a disseminação do vírus e a sobrecarga nas unidades de saúde. Além disso, o projeto ajudou a criar uma cultura cidadã entre os futuros médicos voluntários, que prestaram um importante trabalho, ajudando a mitigar o impacto da epidemia no nosso estado”, salientou.

O serviço apresentou demanda crescente no número de ligações nos primeiros meses, alcançando o pico de ligações em junho, mês em que foram realizados, em média, 1200 atendimentos por dia. A partir de final de junho houve redução significativa na demanda pelo serviço. As principais queixas dos usuários foram alteração súbita do olfato e paladar, tosse, febre e falta de ar.

Quem faz

O Tele Coronavírus é um serviço idealizado por pesquisadores e professores da Fiocruz Bahia e Universidade Federal da Bahia (UFBA), com apoio do Governo do Estado. Além de Viviane Boaventura, fazem parte da implementação/coordenação do projeto os pesquisadores da Fiocruz Bahia, Manoel Barral Netto, Roberto Carreiro, Ricardo Khouri e Pablo Ivan Ramos; os alunos de pós-graduação Thiago Cerqueira Silva e Felipe Torres; os professores de outras instituições Victor Nunes e Camila Vasconcelos (FMB-UFBA), Bernardo Canedo e Sofia Andrade (UNEB); Daniele Canedo (UFRB); e o médico residente Louran Passos.

Há ainda um grupo responsável pela construção e atualização da ferramenta técnica utilizada pelos alunos para orientações dos pacientes formado por Viviane Boaventura, Carolina Barbosa (Pro-Ar_UFBA), Álvaro Cruz (UFBA), Aurea Paste (UFBA), Jedson Nascimento (CEREM, Hospital Santa Izabel e CREMEB), Marília Santini (INI-Fiocruz) e Ivan Paiva (SAMU).

O projeto conta com a colaboração de professores e alunos de escolas médicas das seguintes instituições: Universidade Federal da Bahia – UFBA, Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Universidade do Estado da Bahia – UNEB, Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS, Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFRB, Universidade Federal do Sul da Bahia- UFSB, Centro Universitário UniFG, UNIFACS, Uni-FTC e Unime.

O Tele Coronavírus teve ainda apoio da Associação Bahiana de Medicina, Comissão Estadual de Médicos Residentes e da Fesf Tech. As secretarias estaduais envolvidas são a Secretaria de Saúde (Sesab), de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), do Planejamento (Seplan), de Segurança Pública (SSP), da Administração (Saeb), da Infraestrutura (Seinfra) e Secretaria de Comunicação (Secom).

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Seminário aborda alterações da hemostasia na Covid-19

A palestra “Alterações da Hemostasia na Covid-19”, que será realizada no dia 04 de agosto, às 16h, transmitida no canal do YouTube da Fiocruz Bahia, será ministrada por Erich Vinícius de Paula, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), convidado da próxima edição do Ciclo de Seminários integrados sobre SARS-COV-2 (Covid-19). O encontro será mediado pela diretora da Fiocruz Bahia, Marilda de Souza Gonçalves.

O evento, promovido pela Vice-diretoria de Ensino da Fiocruz Bahia, faz parte das atividades dos alunos dos programas de pós-graduação em Patologia Humana e Experimental (PgPAT – UFBA/ Fiocruz Bahia) e em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI – Fiocruz Bahia). As apresentações abordam temas como filogenética do vírus, epidemiologia, imunologia, interação vírus-células, vacinas, diagnóstico, tratamento, biologia de sistemas e ética

Sobre o palestrante

Erich de Paula é professor assistente de Hematologia, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. É graduado em Medicina, com especialização em hematologia e hemoterapia, e doutorado em Fisiopatologia Médica pela Unicamp. Suas áreas de interesse como investigador são interações entre hemostasia – incluindo fenômenos mediados pelo endotélio – e inflamação, com foco na sepse e doença falciforme. É coordenador do Comitê Técnico de Hemostasia da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia e bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq. 

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Pesquisadora da Fiocruz Bahia é finalista a prêmio através de votação para médicos

A pesquisadora da Fiocruz Bahia, Viviane Boaventura, está concorrendo ao Prêmio Euro Inovação na Saúde, com o projeto “Mitigando o Impacto da Artralgia Crônica Pós-Chikungunya”. Após vencer as duas primeiras etapas, o projeto chega à 3ª  e última fase da disputa, na qual todos os médicos, no país, poderão votar para eleger o grande vencedor. A votação pode ser realizada aqui, até o dia 4 de agosto de 2020.

“Trata-se de um projeto multidisciplinar que envolve estudantes de pós-graduação e outros pesquisadores da Bahia, Ceará e Rio de Janeiro. Utilizando dados clínicos e sociodemográficos, foi desenvolvido e validado um escore para prever quais pacientes persistirão com dor articular por mais de um ano após o início da doença”, explica a autora do projeto. 

Essa informação é útil para pacientes infectados, no encaminhamento precoce para tratamento da dor (evitando desenvolvimento de sequelas e automedicação) e na adequação da rotina para minimizar o impacto da doença. Além disso, auxilia gestores de sistema de saúde a dimensionar os custos com os danos diretos ou indiretos e antecipar ações como a oferta de serviços de saúde. 

De acordo com Viviane Boaventura, esses dados poderão também ser aplicados em pesquisas de desenvolvimento de fármacos sugerindo qual grupo apresenta maior risco de cronicidade e, portanto, maior chance de se beneficiar com o tratamento. “O prêmio seria importante para a continuidade do trabalho, onde estão sendo investigados alvos terapêuticos para a doença”, comenta a pesquisadora.

Na 1ª fase, mais de 1650 iniciativas foram submetidas à avaliação do Conselho Médico, que escolheu as 100 iniciativas finalistas. Na segunda, foram selecionados 11 finalistas que já garantiram o prêmio de € 50 mil. Nesta 3ª fase, o Grande Vencedor receberá o valor de € 500 mil. O resultado será divulgado somente na cerimônia de premiação, que será realizada em São Paulo (SP).

O prêmio

O Prêmio Euro Inovação na Saúde é exclusivamente voltado a médicos(as), devidamente registrados(as) em seus conselhos regionais de medicina. A Eurofarma é a patrocinadora exclusiva do prêmio que tem o objetivo de reconhecer e incentivar a comunidade médica do Brasil na busca por soluções inovadoras em produtos, serviços e ações que resultem em ganhos potenciais e/ou efetivos para a qualidade de vida e bem-estar dos brasileiros.

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Fiocruz Bahia será homenageada em sessão pública da Academia de Medicina da Bahia

No dia 30 de julho, às 18h, será realizada a Sessão Pública da Academia de Medicina da Bahia (AMB) em homenagem aos 63 anos do Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia). Para participar do evento, que acontece através do Zoom, é necessário se inscrever nesse link. O tema da sessão será “Covid-19” e contará com a participação do presidente da AMB, Antonio Carlos Vieira Lopes, e da diretora da Fiocruz Bahia, Marilda Gonçalves.

O encontro coordenado pelo pesquisador emérito da Fiocruz Bahia, Bernardo Galvão, também contará com a presença dos pesquisadores da Fiocruz Bahia, Fernanda Grassi e Mitermayer Galvão dos Reis, e da pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) e estudante egressa da Fiocruz Bahia, Jaqueline Goes.

Confira a programação completa:

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Teste rápido para doença de Chagas obtém registro da Anvisa

O pesquisador Fred Luciano é um dos desenvolvedores do novo teste.

O novo kit diagnóstico para doença de Chagas crônica, que tem como um dos idealizadores o pesquisador Fred Luciano Neves, da Fiocruz Bahia, obteve registro da Anvisa. Os testes serão produzidos pela unidade produtora de imunobiológicos da Fiocruz, Bio-Manguinhos, e irão contribuir para a melhoria do diagnóstico da doença no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente nas ações de controle e vigilância epidemiológica coordenadas pelo Ministério da Saúde.

Os testes sorológicos convencionais (ELISA) e os de biologia molecular (PCR e suas variantes), atualmente utilizados para diagnóstico de Chagas, levam horas para apresentar resultado, demandam estrutura laboratorial, equipamentos sofisticados e pessoal com treinamento especializado. O novo teste é realizado através da coleta de amostra de sangue ou plasma através de um furo no dedo do paciente e o resultado é obtido em 15 minutos. Caso seja reagente, uma linha roxa/rosa irá aparecer, indicando que o paciente foi infectado.

De acordo com o Fred Luciano, além de dispensar o uso de equipamentos e de profissionais altamente qualificados, o novo teste amplia a oferta de diagnóstico, uma vez que a maior parte da população acometida pela doença vive em áreas rurais, muitas delas de difícil acesso, e não necessitarão se deslocar para unidades de saúde ou laboratórios para serem diagnosticados, podendo o diagnóstico ser realizado por agentes de saúde.

“Os testes rápidos para a identificação da doença de Chagas tornarão esta população visível e dará a ela a oportunidade de receber tratamento adequado, melhorando a sua qualidade de vida”, explica Fred.

Esta é a estratégia que o projeto IntegraChagas (Fiocruz/Ministério da Saúde) irá adotar brevemente para a identificação de casos positivos em municípios de cinco estados brasileiros. O teste rápido poderá também ser empregado em outros países, pois estudos anteriores provaram que as moléculas são capazes de diagnosticar a infecção causada por diferentes cepas do parasito.

Desenvolvimento do teste

O desenvolvimento do novo kit diagnóstico é fruto de parceria entre Fiocruz Bahia, Fiocruz Paraná, Fiocruz Pernambuco, Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e Bio-Manguinhos (Fiocruz).

Dois estudos realizados em 2019, um deles conduzido em áreas não endêmicas (Barcelona/Espanha) e o outro em áreas endêmicas (Argentina, Bolívia e Paraguai), auxiliaram na elaboração do teste rápido. Ambos os estudos apontaram o bom desempenho das moléculas IBMP-8.1 e IBMP-8.4 em diagnosticar a doença de Chagas crônica independe da endemicidade da doença e da cepa do parasita circulante.

A pedido do Ministério da Saúde e em parceria com o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), essas duas moléculas foram eleitas para compor um novo teste rápido em 2019 e o registro concedido em julho de 2020.

Doença

A doença de Chagas é uma enfermidade negligenciada causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, que é transmitido pelas fezes de um inseto (triatoma) conhecido como barbeiro, ao picar o humano ou animal. No Brasil, estima-se que existam hoje de 1,9 a 4,6 milhões de pessoas infectadas por T. cruzi, o que corresponde a aproximadamente de 1,0 a 2,4% da população, segundo dados do Ministério da Saúde.

*Texto com informações de Bio-Manguinhos

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Potencial terapêutico do trióxido de arsênio em carcinoma oral é tema de tese

Autoria: Raphael Luis Rocha Nogueira
Orientação: Clarissa Araújo Gurgel Rocha
Título da dissertação: “Potencial terapêutico do trióxido de arsênio em linhagem metastática de carcinoma escamocelular oral”.
Programa: Pós-Graduação em Patologia Humana-UFBA /FIOCRUZ
Defesa: 07/08/2020
Horário: 14:00 
Local: Sala Virtual do Zoom

RESUMO

INTRODUÇÃO: O carcinoma escamocelular oral (CEO) é o tipo histológico mais comum das neoplasias malignas da cavidade oral. Apesar dos impactos na sobrevida dos indivíduos acometidos, poucos avanços terapêuticos são descritos na literatura, especialmente no que diz respeito a quimioterapia. O uso de estratégias farmacológicas para o bloqueio de vias de sinalização celular relacionadas ao desenvolvimento embrionário, como a inibição downstream da via Hedgehog, tem se destacado como um campo promissor e, portanto, a utilização de fármacos reposicionados, como o Trióxido de Arsênio, representa uma possível estratégia na terapêutica deste tumor.

OBJETIVO: Estudar o potencial terapêutico do Trióxido de Arsênio por meio da inibição farmacológica da via HH em linhagem metastática de carcinoma escamocelular oral.

MATERIAL E MÉTODOS: A citotoxicidade do Trióxido de Arsênio foi determinada em diversas linhagens tumorais de CEO e células não tumorais através do ensaio de viabilidade pelo método Alamar Blue, sendo a linhagem metastática de CEO (HSC3) utilizada como modelo celular. Inicialmente, avaliou-se os efeitos deste fármaco na viabilidade celular através do ensaio de exclusão por Azul de Tripan, em tempos diferentes de incubação. Ademais avaliou-se a atividade do Trióxido de Arsênio sobre o ciclo celular, padrão de morte, e alterações morfológicas em diferentes tempos de incubação deste fármaco por citometria de fluxo. Para a avaliação protéica dos componentes da via HH, foram realizados os ensaios de Western Blot e imunofluorescência. A expressão gênica dos componentes da via HH foi avaliada através de reações de qPCR, utilizando TaqMan Gene Expression AssaysTM.

RESULTADOS: A linhagem HSC3 apresentou maior sensibilidade ao Trióxido de Arsênio em relação às demais linhagens tumorais avaliadas. Tal fármaco foi capaz de reduzir a expressão protéica e gênica dos componentes da via HH e de seus genes alvos após 24h de tratamento, indicando redução da cascata sinalizadora da via HH. Ademais, o Trióxido de Arsênio foi capaz de reduzir significativamente a viabilidade celular das células HSC3 a partir de 24 h de tratamento e promoveu alterações na morfologia celular. Os ensaios de análise do ciclo celular e padrão de morte demonstraram um aumento significativo da fragmentação nuclear na fase sub-G1 e aumento de morte celular por apoptose.

CONCLUSÕES: O Trióxido de Arsênio apresentou atividade citotóxica promissora em linhagem metastática de CEO, sendo capaz de reduzir a atividade da via HH, em linhagem celular metastática de CEO.

Palavras-chave: Neoplasias bucais; Proteínas Hedgehog; Reposicionamento de fármacos; Trióxido de Arsênio.

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Pesquisadores desenvolvem ferramenta que prevê se paciente terá dores a longo prazo após chikungunya

A chikungunya é uma doença causada por um vírus transmitido através da picada do mosquito Aedes aegypti, que pode causar sintomas como febre, vermelhidão na pele e dores no corpo. Segundo o Ministério da Saúde, de janeiro a junho deste ano foram notificados mais de 48.300 casos prováveis da doença no Brasil. A região Nordeste apresentou as maiores taxas de incidência, sendo 48,3 casos/100 mil habitantes. Apenas o estado da Bahia concentrou cerca de 45% dos casos prováveis de chikungunya do país. 

Um aspecto importante da doença é que estima-se que metade dos indivíduos infectados desenvolve dores crônicas debilitantes nas articulações, o que afeta a qualidade de vida e aumenta a carga dos sistemas de saúde. Por isso, pesquisadores da Fiocruz Bahia realizaram um estudo para identificar as variáveis ​​clínicas e demográficas relevantes na fase aguda da chikungunya, em busca de elencar um conjunto de características que possam indicar os pacientes que possuem maior probabilidade de desenvolver artralgia crônica (dores nas articulações a longo prazo). 

Esse prognóstico pode ser útil para rastrear pacientes que irão necessitar de cuidados especiais e para também orientar políticas públicas de saúde, além de poder propiciar ao paciente tratamento precoce, diminuindo a sobrecarga do sistema de saúde. Os resultados do trabalho coordenado pela pesquisadora da Fiocruz Bahia, Viviane Boaventura, foram publicados na revista científica Plos Neglected Tropical Diseases.

O estudo faz parte de um projeto maior denominado “Mitigando o Impacto da Artralgia Crônica Pós-Chikungunya”, com foco no desenvolvimento de fármacos para tratamento da doença, que está concorrendo ao Prêmio Euro Inovação na Saúde. Médicos de todo o país podem votar, através desse link, até dia 4 de agosto. 

No primeiro momento da pesquisa, um grupo de pessoas diagnosticadas com chikungunya foram avaliadas, entre 2016 e 2018, em cidades da Bahia e Ceará. Posteriormente, os achados foram validados em outro grupo de pacientes, no município de Feira de Santana (BA). 

Como resultado, foram detectadas cinco características que representam bons preditores de artralgia crônica: indivíduos do sexo feminino, hipertensos, que tiveram edema na pele e dor retro-ocular durante a infecção e idade maior que 26 anos. A partir desses dados, os cientistas desenvolveram um sistema de pontuação que denominaram de Shera (sigla em inglês para sexo, hipertensão, edema, dor retro-ocular e idade). A ferramenta está disponível no link  www.sheracalculator.com/shera e pode ser utilizada em português e inglês. 

De acordo com os pesquisadores, essa ferramenta consegue prever 8 em cada 10 indivíduos com chikungunya que persistirão com dor articular por pelo menos um ano após o início da enfermidade. Além disso, o sistema de pontuação fácil de usar pode ser aplicado em áreas com acesso limitado à serviços de saúde.

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Divulgado resultado da segunda chamada do Credenciamento dos Docentes PGPCT

O Colegiado do Programa de Pós-Graduação em Pesquisa Clínica e Translacional (PPGPCT) torna pública a relação dos candidatos aprovados, em ordem alfabética, para a Segunda Chamada do Credenciamento de Novos Docentes, conforme Resolução 01, do PPGPCT. 

Esclarecimentos devem ser realizados através do e-mail pgpct@fiocruz.br.

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Fiocruz Bahia lamenta falecimento do Pesquisador Emérito Zilton Andrade

A Fiocruz Bahia lamenta profundamente o falecimento do Pesquisador Emérito da Fiocruz, Zilton de Araújo Andrade, na manhã desta quarta-feira, 22 de julho. Zilton Andrade foi diretor e pesquisador da Fiocruz Bahia. Colaborou significativamente na construção da unidade, que possui um pavilhão com seu nome e abriga a maioria dos laboratórios da instituição. Aos 96 anos, deixou filhos e a esposa, Sonia Gumes Andrade, Pesquisadora Emérita da Fiocruz, com quem era casado desde 1953. 

Os Pesquisadores Eméritos da Fiocruz Zilton e Sonia Andrade, 2009.

Importante patologista, Zilton Andrade construiu sua trajetória profissional em áreas de pesquisa em doenças negligenciadas que ainda acometem a população. As contribuições relevantes para a medicina o levaram a obter reconhecimento nacional e internacional. “Dr. Zilton deixa um legado importantíssimo para a ciência brasileira e internacional, com contribuições na área de esquistossomose, doença de Chagas, em sociedades científicas como a de Medicina Tropical, entre outras. Deixará um vazio enorme na nossa ciência”, lamentou a diretora da Fiocruz Bahia, Marilda Gonçalves. 

O pesquisador da Fiocruz Bahia, Manoel Barral, ressaltou a contribuição do patologista para a comunicação social da ciência, como articulista no Jornal Tribuna da Bahia, “como mais uma evidência da enorme visão de futuro”, e a atuação exemplar de um médico-cientista em diversos aspectos. “Não bastasse tudo isto, o Prof. Zilton foi mais além, serviu de referência e estímulo para que mais de uma geração de jovens médicos trilhassem os caminhos da investigação científica. Criar e liderar uma escola médico-científica que se espraia para além da especialidade médica do seu líder é para poucos, é para os verdadeiramente iluminados”, afirmou.

O cientista foi igualmente importante na formação de recursos humanos de excelência, bem como da grande maioria dos pesquisadores da Fiocruz Bahia. Os pesquisadores Luiz Freitas e Mitermayer Galvão, da Fiocruz Bahia, salientaram a grande produção científica de Zilton Andrade: 277 artigos científicos publicados e orientação de 59 alunos, em teses de mestrado e doutorado. “Prof. Zilton foi o mestre no mais completo significado do termo: dedicado, íntegro, ético, produtivo e comprometido. Deixa, em todos nós, sua lembrança viva e memória a ser louvada e lembrada. Foi daqueles que cumpriu com galhardia sua passagem entre nós”, comentaram os colegas. 

Zilton Andrade nasceu em Santo Antônio de Jesus (BA). Formado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), alcançou na universidade o posto de professor titular em 1974 e o título de Professor Emérito em 1985. Ingressou na Fundação Oswaldo Cruz em 1983, se aposentou em 1994 e, em 2012, recebeu o título de Pesquisador Emérito da Fiocruz. Era professor Permanente do curso de Pós-graduação em Patologia Humana (UFBA/Fiocruz). Entre suas condecorações mais importantes estão a de Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico – Presidência da República do Brasil (1995) e Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico – Presidente da República do Brasil (2005). É Membro da Academia Brasileira de Ciências.

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Palestra aborda anatomia patológica da Covid-19

A palestra intitulada “Anatomia patológica da SARS-COV & Covid-19”, será realizada no dia 29 de julho, às 16h, através do canal do YouTube da Fiocruz Bahia. A apresentação faz parte do Ciclo de Seminários integrados sobre SARS-COV-2 (Covid-19) e será ministrada por Luiz Antonio Rodrigues de Freitas, pesquisador colaborador da Fiocruz Bahia e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA). O encontro será mediado pelos pesquisadores da Fiocruz Bahia e patologistas, Sergio Arruda e Washington dos Santos.

O evento, promovido pela Vice-diretoria de Ensino da Fiocruz Bahia, faz parte das atividades dos alunos dos programas de pós-graduação em Patologia Humana e Experimental (PgPAT – UFBA/ Fiocruz Bahia) e em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI – Fiocruz Bahia). As apresentações abordam temas como filogenética do vírus, epidemiologia, imunologia, interação vírus-células, vacinas, diagnóstico, tratamento, biologia de sistemas e ética.

Sobre o Palestrante

Luiz Freitas possui graduação em Medicina pela UFBA, mestrado e doutorado em Patologia Humana também pela UFBA. Fez pós-doutorado no Institut Pasteur de Lyon-França, em Patologia Ultraestrutural do Fígado, e na School of Public Health of Harvard University (EUA). É Professor Titular de Patologia da Faculdade de Medicina da Bahia (UFBA), atuando na graduação, e professor permanente do Programa de Pós-graduação em Patologia da UFBA/ Fiocruz Bahia. É Pesquisador Titular aposentado da Fiocruz Bahia.

Desenvolve atividades de pesquisa em Patologia Hepática com foco em patologia da esteato-hepatite, fibrose portal e carcinoma hepatocelular, trabalhando com doença humana e modelos experimentais murinos. Também desenvolve pesquisas em patologia das leishmanioses cutânea e visceral humana e leishmaniose visceral canina. Atua na área diagnóstica da patologia humana, na Fiocruz como pesquisador aposentado-colaborador do LAPEM, uma unidade de referência do Ministério da Saúde, para o diagnóstico histológico de doenças hepáticas e em transplantes hepáticos. É o atual Coordenador do Colegiado de curso de graduação em Medicina da Faculdade de Medicina da Bahia da UFBA.

 

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Fiocruz Bahia premia melhores trabalhos de iniciação científica

A Vice-diretoria de Ensino da Fiocruz Bahia, através do Programa Institucional de Iniciação Científica (PROIIC), promoveu a premiação dos trabalhos de iniciação científica desenvolvidos na instituição. A Reunião Anual de Iniciação Científica (RAIC), que acontece tradicionalmente, não pode ser realizada devido às medidas de distanciamento social por conta da pandemia de Covid-19. A sessão de premiação foi realizada de forma remota, através do Zoom, no dia 10 de julho.

Participaram da premiação a vice-diretora de Ensino da Fiocruz Bahia, Patrícia Veras, e a coordenadora do PROIIC, Juliana Menezes Fullam, além dos integrantes da comissão de organização e apoio e dos estudantes. Os trabalhos foram avaliados por uma banca composta por pesquisadores internos e externos.

“O programa de Iniciação Científica é extremamente importante para a formação de novos pesquisadores. Apesar da pandemia, com o apoio da Fiocruz, da Diretoria do IGM e de pesquisadores do IGM e de instituições colaboradoras, conseguimos mais uma vez realizar a RAIC, desta vez em um novo formato. Em nome da comissão do PROIIC, gostaria de agradecer a todos que de alguma forma contribuíram para este evento e parabenizar todos os alunos que desenvolvem seus trabalhos com tanta dedicação”, comemorou Juliana.

Confira os premiados:

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Produção e acesso à vacina Anti-Covid finaliza ciclo de webinários

Os desafios para produzir e distribuir a vacina Anti-Covid em um país com dimensões continentais como o Brasil serão discutidos no webinário “Desafios da produção e acesso da vacina Anti-Covid”, promovido pela Rede CoVida em parceria com a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e a Associação Brasileira de Economia da Saúde (Abres). O evento ocorre nesta quinta-feira, dia 23 de julho, das 16h às 18h, e finaliza um ciclo de três webinários sobre a vacina anti-Covid.

Para falar sobre a produção, o  evento reúne a presidente da Fiocruz, Nisia Trindade, e o diretor do Butantan, Dimas Covas, os centros de pesquisa responsáveis pela produção e realização de testes da fase 3 das vacinas contra Covid-19 com desenvolvimento mais avançado no mundo, respectivamente, a da Oxford/AstraZeneca e a chinesa Sinovac. A ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde, Carla Domingues, familiar com os desafios de distribuição da vacina diante das especificidades brasileiras, finaliza a mesa de apresentadores do webinário.

O debate ficará por conta do vice-presidente da Abrasco, Reinaldo Guimarães, e da presidente da Abres, Érika Aragão. Os mediadores serão a presidente da Abrasco, Gulnar Azevedor, e o coordenador do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) e um dos da Rede CoVida, Mauricio Barreto.

O webinário ocorre mediante a inscrição pelo Zoom, com vagas limitadas, e será retransmitido pelo youtube do Cidacs:

Participantes:
Nísia Trindade – Presidente Fiocruz
Dimas Covas – diretor Instituto Butantan
Carla Domingues – ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunização (MS)

Debatedores:
Reinaldo Guimarães – Vice-presidente da Abrasco
Érika Aragão – Presidente da Abres, Ufba e Rede CoVida

Mediadores:
Gulnar Azevedo – Presidente da Abrasco
Mauricio Barreto – Coordenador do Cidacs e Rede CoVida

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Pesquisa correlaciona parâmetros histopatológicos a lesões na leishmaniose cutânea

Um estudo da Fiocruz Bahiia buscou correlacionar os parâmetros histopatológicos de biópsias realizadas em lesões causadas pela leishmaniose cutânea, com o objetivo de encontrar informações que possam contribuir para a elucidação da patogênese da doença. Para isso, populações de células foram caracterizadas e quantificadas por pesquisadores, que correlacionaram esses dados com a necrose, inflamação e o número de leishmanias encontrados nas amostras.

A leishmaniose cutânea causada pelo parasito Leishmania braziliensis é transmitida através da picada do flebótomo, também conhecido como mosquito palha. A resposta imune desencadeada pela doença provoca uma inflamação cutânea exacerbada importante para controlar a carga parasitária, mas que também provoca danos aos tecidos, podendo causar feridas extensas.

A pesquisa, realizada com biópsias de 22 pacientes, foi coordenada pelo pesquisador, Sérgio Arruda, e a doutoranda, Maíra Saldanha, em colaboração com o pesquisador Edgar Carvalho e equipe. Os resultados foram publicados em artigo do periódico científico Frontiers in Cellular and Infection Microbiology.

No trabalho, os cientistas descrevem que as células T CD4+ foram correlacionadas positivamente com a extensão da inflamação, as células B e IL-1β+ foram associadas com a extensão da necrose, os macrófagos CD68+ e a perforina foram correlacionados com o número de parasitos e as células CD57+ foram correlacionadas com os macrófagos CD68+ e leishmanias.

Como conclusão, os autores do estudo sugerem que, na tentativa de controlar as leishmanias, os macrófagos infectados permanecem em estado ativado, devido à produção de citocinas pró-inflamatórias, contribuindo para dano do tecido. Os pesquisadores também propõem que a produção exacerbada de grânulos citotóxicos contendo perforina pode agravar a necrose da pele, contribuindo para o aumento das lesões.

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Tese avalia potencial pró-angiogênico de células-tronco para superexpressar o fator inibidor de leucemia

Autoria: Girlaine Café Santos
Orientação: Milena Botelho Pereira Soares
Título da tese: “Potencial pró-angiogênico de células-tronco mesenquimais geneticamente modificadas para superexpressar o fator inibidor de leucemia (LIP)”.
Programa: Pós-Graduação em Patologia Humana-UFBA /FIOCRUZ
Defesa: 03/08/2020
Horário: 14:00 
Local: Sala Virtual do Zoom

RESUMO

INTRODUÇÃO: A angiogênese é o processo de formação de vasos sanguíneos em tecidos adultos e a sua compreensão pode ajudar no desenvolvimento de terapias para doenças isquêmicas. As células-tronco mesenquimais (CTMs) são células com capacidade de autorrenovação, diferenciação e secreção de moléculas que exercem múltiplos efeitos biológicos, como regeneração tecidual, redução da inflamação e neovascularização, caracterizando uma importante ferramenta da medicina regenerativa. O potencial terapêutico das CTMs pode ser aumentado por modificação genética para superexpressão de citocinas e fatores de crescimento. A hipótese desse estudo considerou que a superexpressão do Fator Inibidor da Leucemia (LIF) em CTMs de camundongo aumenta o seu potencial pró-angiogênico.

OBJETIVOS: O objetivo desse estudo foi gerar uma linhagem de células-tronco mesenquimais geneticamente modificadas para superexpressar LIF (CTM_LIF) e avaliar o seu potencial angiogênico em modelos in vitro e in vivo.

METODOS: As CTMs derivadas da medula óssea de camundongo foram transduzidas usando um sistema lentiviral de segunda geração para expressar LIF humano. A expressão de LIF foi confirmada por RT-qPCR e por ELISA. A caracterização das células geradas foi realizada pelo ensaio de diferenciação em três linhagens e o imunofenótipo foi avaliado por citometria de fluxo. A atividade imunossupressora de CTM_LIF foi confirmada usando ensaio de linfoproliferação. A análise da expressão gênica dos principais marcadores de angiogênese e celulares perivasculares foi realizada por RT-qPCR e imunofluorescência. Para avaliar os efeitos de CTM_LIF em células endoteliais obtidas a partir da veia umbilical (HUVECs), foi realizado o ensaio de cicatrização de feridas. A capacidade de CTM_LIF de formar brotamento de microvasos in vitro foi investigada em culturas de anel aórtico. Finalmente, foi realizado um experimento para demonstrar a formação de novos vasos sanguíneos in vivo com angiorreator de Matrigel.

RESULTADOS: Após a transdução, CTM_LIF apresentou aumento de expressão e secreção de LIF, indicando o sucesso da modificação genética. A análise por citometria de fluxo e o ensaio de diferenciação de três linhagens mostraram que CTM_LIF manteve o imunofenótipo e a multipotência característicos de CTM. A análise de expressão gênica demonstrou regulação positiva dos genes que codificam fatores estratégicos no processo de neovascularização, como angiogenina, IL-8, Mcp-1 e Vegf, e para os marcadores celulares perivasculares ɑSma, Col4a1, Sm22 e Ng2. No ensaio de cicatrização de feridas, o meio condicionado de CTM_LIF promoveu um aumento significativo na migração celular em comparação com o meio condicionado de CTM controle. O ensaio de brotamento em culturas de anel aórtico demonstrou que CTM_LIF favoreceu surgimento e alongamento de microvasos no tecido. O ensaio com angiorreator mostrou que o CTM_LIF foi mais potente na promoção da vascularização tecidual in vivo do que as CTM de controle.

CONCLUSÃO: Em conclusão, a superexpressão de LIF é uma estratégia promissora para aumentar o potencial pró-angiogênico das CTM e cria precedentes para futuras investigações de suas aplicações no tratamento de doenças isquêmicas e reparo tecidual.]
PALAVRAS-CHAVE: Células-tronco mesenquimais, Modificação genética, LIF, Fatores pró-angiogênicos, Angiogênese.

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Rede CoVida monitora os casos de Covid-19 no país e realiza predições

A “Rede CoVida – Ciência, Informação e Solidariedade” é um projeto de colaboração científica e multidisciplinar focado na pandemia de Covid-19. A rede visa ao monitoramento da pandemia no Brasil, com previsões de sua possível evolução. Visa também a produção de sínteses de evidências científicas tanto para apoiar a tomada de decisões pelas autoridades sanitárias quanto para informar o público em geral. É uma iniciativa conjunta do Cidacs/Fiocruz Bahia e da Universidade Federal da Bahia (Ufba), com apoio de colaboradores de outras instituições de pesquisa nacionais e internacionais.

Um painel para monitoramento da doença no país, com atualização em tempo real, foi a primeira ação lançada pela rede. A plataforma permite que o usuário visualize os dados atuais, a evolução dos casos, os óbitos, a concentração da doença e a previsão da situação nos próximos dias em todos os estados e municípios no Brasil, com casos confirmados.

Toda a plataforma de monitoramento foi desenvolvida por quatro profissionais, em colaboração com dezenas de pesquisadores, que atuaram remotamente ao longo de 10 dias, seguindo recomendações do Ministério da Saúde. O CoVida produz boletins quinzenais que podem ser acessados no site do projeto.

De acordo com Gabriela Borges, estatística do Cidacs e uma das responsáveis pelo painel de monitoramento, uma das preocupações era oferecer uma visualização de dados compreensível para todos os públicos. “Utilizamos bibliotecas de web para desenvolver um painel que apresentasse os dados e predições de forma fácil de ser interpretada”, relata. 

Previsões rigorosamente calculadas podem ajudar na tomada de decisões

O modelo matemático implementado pelo grupo traz dados que ajudam os gestores públicos a tomarem decisões baseadas em evidências científicas. “O gestor que observa um modelo pode se antecipar na quantidade de leitos, nos tipos de leitos, nos materiais necessários e recursos humanos a serem recrutados no preparo dos sistemas e assistência à saúde”, explica Oliveira.

Além dos recursos físicos e humanos, estes cálculos também contribuem para avaliar os efeitos de medidas sociais, como restrições de circulação de pessoas e fechamento de estabelecimentos comerciais não-essenciais. “Comparamos experiências anteriores e observamos padrões de comportamento humano. Assim, fazemos a previsão de uma situação com uma margem de incerteza associada”, conta Oliveira.

Diversos modelos matemáticos estão sendo aplicados para compreender a atual pandemia de Covid-19. O Grupo de Trabalho de Modelagem da Rede CoVida adotou o modelo SIR; uma estratégia analítica produzida a partir de grupos de indivíduos classificados como Suscetíveis, Infectados e Recuperados. Uma das vantagens do modelo é a simplicidade e efetividade na modelagem de epidemias. “Estamos contribuindo para o fornecimento de uma visualização para população em tempo rápido daquilo que está acontecendo neste início da pandemia de coronavírus no Brasil”, defende Borges.

O integrantes do projeto já realizaram reuniões com gestores do Estado e dos municípios de Salvador e Camaçari para apresentar os cálculos realizados pela Rede CoVida. Além disso, a equipe participou de instâncias, como o Comitê Científico do Consórcio Nordeste, visando apoio na tomada de decisão a partir de evidências científicas.

Grupo de Epidemiologia & Informação da Rede CoVida

É responsável por organizar e garantir o fluxo regular de dados úteis e disponíveis sobre os diferentes aspectos da pandemia. Esse trabalho, em breve, resultará na construção de uma grande plataforma integrada de dados sobre a Covid-19, que permitirá cruzar diferentes informações e assim responder às mais diversas questões de pesquisa sobre a pandemia. Desse modo, esse grupo temático apoia as análises que se fizerem necessárias, contribui com os demais grupos temáticos em análises para responder questões de investigação específicas, além de apoiar a construção de relatórios e boletins.

Consulte o funcionagrama disponível em: https://covid19br.org/sobre/

Confira o vídeo do pesquisador Pablo Ramos sobre curva de contágio:

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Plataforma de diagnóstico para Covid-19 aumenta capacidade de testagens na Bahia

Na pandemia da Covid-19, a realização do teste molecular para detecção de indivíduos infectados pelo novo coronavírus tem sido fundamental para a vigilância epidemiológica e implementação de políticas públicas. Por isso, a Fiocruz Bahia implantou a Plataforma de Diagnóstico da Covid-19 que, em maio, começou o projeto piloto para realização de diagnóstico pela técnica RT PCR, o teste molecular para detecção do material genético do vírus SARS-COV-2.

A iniciativa, que contribui para a ampliação da capacidade de testagem do estado, foi consolidada por meio de cooperação da Fiocruz Bahia com a Secretaria Estadual de Saúde da Bahia (SESAB) e Prefeitura de Salvador, em consonância com a Coordenação de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde e da Coordenação de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fiocruz.

As amostras serão enviadas à Fiocruz Bahia pelas unidades de Saúde cadastradas no sistema Gerenciador de Ambiente Laboratorial – GAL, através do LACEN-BA. Os kits para diagnóstico são desenvolvidos pelos institutos de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), no Rio de Janeiro, e de Biologia Molecular do Paraná (IBMP).

A diretora da Fiocruz Bahia, Marilda Gonçalves, destacou a importância das parcerias com instituições do Estado visando apoio às ações no enfrentamento ao novo Coronavírus. De acordo com a vice-diretora de Pesquisa da Fiocruz Bahia, Camila Indiani de Oliveira, a técnica empregada na testagem já era utilizada em diversos projetos de pesquisa da instituição, assim como os equipamentos necessários. 

A nova estrutura conta com 4 equipes, totalizando 20 profissionais, formadas por estudantes de pós-graduação, pós-doutores e pesquisadores da Fiocruz Bahia, além de colaboradores da Prefeitura de Salvador. “Os integrantes das equipes se voluntariaram para participar desta iniciativa, o que muito nos deixa orgulhosos”, comentou Camila. Também trabalham junto aos grupos, profissionais responsáveis pela Biossegurança e Qualidade, para construir e revisar protocolos de diagnóstico, de biossegurança, de recebimento e processamento de amostras.

Teste molecular

A partir da chegada da amostra, a estrutura montada cuidará de garantir a descontaminação externa e certificará se a amostra enviada está em conformidade com os critérios de qualidade de coleta e transporte. Em seguida, a amostra seguirá para as etapas de aliquotagem e extração do material genético viral. 

Após a extração, segue-se para a realização do RT-PCR que permite a transcrição reversa do RNA viral em DNA complementar, e em seguida amplifica o DNA complementar através da reação em cadeia da polimerase em tempo real, permitindo a detecção do vírus. Os resultados obtidos serão analisados por uma equipe treinada para então serem registrados no GAL, para serem visualizados pelas unidades cadastradas requisitantes do teste. 

O pesquisador da Fiocruz Bahia, Ricardo Khouri, explica que, a técnica molecular identifica o material genético do vírus mesmo antes dos sintomas surgirem e até, aproximadamente, dez dias após o início dos sintomas, isso permite o manejo do paciente de maneira mais eficaz. 

Além da técnica molecular que será utilizada na Fiocruz Bahia, existem também as técnicas sorológicas, que identificam a infecção de maneira indireta, através da detecção dos anticorpos no soro do paciente. De acordo com o pesquisador, a detecção dos anticorpos só pode ser utilizadas após alguns dias do aparecimento dos sintomas, pois o sistema imune dos pacientes necessita entre 7-14 dias após a infecção para produzir os anticorpos em quantidade suficiente para serem detectados. 

Confira aqui o comunicado que a diretoria da Fiocruz Bahia publicou para seus colaboradores, agradecendo a participação dos pesquisadores na plataforma. 

Confira algumas fotos da Plataforma:

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Palestra aborda papel da imunossenescência no desfecho da Covid-19

A palestra “Papel da imunossenescência no desfecho da Covid-19”, que será realizada no dia 21 de julho, às 16h, no canal do YouTube da Fiocruz Bahia, será ministrada por Ana Maria Caetano de Faria, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), convidada da próxima edição do Ciclo de Seminários integrados sobre SARS-COV-2 (Covid-19).

O evento, promovido pela Vice-diretoria de Ensino da Fiocruz Bahia, faz parte das atividades dos alunos dos programas de pós-graduação em Patologia Humana e Experimental (PgPAT – UFBA/ Fiocruz Bahia) e em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI – Fiocruz Bahia). As apresentações abordam temas como filogenética do vírus, epidemiologia, imunologia, interação vírus-células, vacinas, diagnóstico, tratamento, biologia de sistemas e ética

Sobre a palestrante
Ana Maria Caetano de Faria possui graduação em Medicina e mestrado em Microbiologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), doutorado em Imunologia pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutorado pela Harvard Medical School, EUA. Foi Pesquisadora Visitante na Universitá di Bologna, na Itália, e na Rockefeller University, EUA. Foi membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), da Câmara de Assessoramento de Ciências Biológicas e Biotecnologia da FAPEMIG e do Comitê de Assessoramento de Imunologia do CNPq.

Atualmente, é Professora Titular de Imunologia da UFMG. Tem experiência na área de Imunologia, com ênfase em Imunobiologia, atuando principalmente nos seguintes temas: Imunologia de Mucosas, Imunobiologia da Nutrição, Tolerância oral, Imunobiologia do Envelhecimento. 

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