Lucas Carvalho, pesquisador da Fiocruz Bahia que coordena o projeto.
Um grupo de pesquisadores vai investigar marcadores imunológicos de proteção e de gravidade de doença em indivíduos infectados pelo novo coronavírus, para identificar quais eventos imunológicos estão associados à destruição tecidual observada na forma grave da Covid-19. Serão recrutados pacientes diagnosticados com o Sars-CoV-2 (Covid-19), assintomáticos e com sintomas, para avaliar a resposta imunológica durante o decorrer da doença.
Na coordenação do projeto, que será realizado com apoio do Programa Fiocruz de Fomento à Inovação, o pesquisador da Fiocruz Bahia, Lucas Carvalho, explica que uma resposta imune exacerbada, com produção elevada de citocinas pró-inflamatórias, fenômeno conhecido como “tempestade de citocinas”, tem papel importante na destruição tecidual e na gravidade de algumas doenças infecciosas.
Citocinas são moléculas que desempenham um papel importante na ativação de células de defesa do organismo e na magnitude da resposta imune. O estudo destes fatores imunológicos poderá servir para a identificação precoce de casos com maior probabilidade de evolução para formas graves da doença.
“Apesar de sabermos que a tempestade de citocinas é um fenômeno presente em alguns indivíduos infectados pelo SARS-CoV-2, os eventos imunológicos que levam à produção destas citocinas e, consequentemente, ao desenvolvimento de formas graves desta doença ainda não são completamente conhecidos”, explicou o pesquisador.
Autoria:Leile Camila Jacob Nascimento Orientação: Mitermayer Galvão dos Reis Título da dissertação: “AVALIAÇÃO DO PERFIL DE CITOCINAS EM PACIENTES COM INFECÇÃO PELO VIRUS CHIKUNGUNYA EM SALVADOR-BA”. Programa: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa Data: 1º/10/2020 Horário: 14:00 Local: Sala Virtual do Zoom
RESUMO
INTRODUÇÃO: Nos últimos anos, o vírus chikungunya (CHIKV)foi responsável por vários surtos em todo o mundo e continua sendo um problema de saúde pública nas Américas e no Brasil. A infecção por CHIKV em humanos pode causar doença leve a moderada caracterizada por febre, erupção cutânea, mialgia e poliartralgia, entretanto, alguns pacientes desenvolvem poliartralgia crônica após infecção por CHIKV que pode durar de meses a anos. Embora seja objeto de vários estudos, a imunopatogênese da infecção pelo CHIKV não é totalmente compreendida.
MÉTODOS:Este estudo avaliou o perfil de citocinas e quimiocinas séricas de pacientes infectados com CHIKV no estágio inicial da doença em comparação com pacientes com outras doenças febris agudas (OAFD) e controles saudáveis (CS), identificados durante um estudo de vigilância projetado para monitorar infecções por arbovírus entre pacientes com doenças febris agudas entre 2014 e 2016. Os níveis de biomarcadores séricos foram medidos por citometria de fluxo utilizando Cytometric Bead Array (CBA).Os níveis de biomarcadores de pacientes com infecção por CHIKV foram categorizados de acordo com a duração da artralgia (≤ 3 meses vs > 3 meses), diagnóstico concomitante de infecção por vírus da dengue (DENV), de acordo com o status de CHIKV IgM na amostra de fase aguda e número de dias de sintomas na coleta da amostra (1 vs 2-3 vs ≥4). O último foi usado como um proxy para a cinética das citocinas durante a fase aguda da doença. RESULTADOS:Pacientes com infecção aguda por CHIKV com níveis estatisticamente mais altos de CXCL8, CCL2, CCL9, CCL5, CXCL10, IL-1β, IL-6, IL-12 e IL-10 em comparação com HC. As quimiocinas CCL2, CCL5, CXCL10 também foram estatisticamente maiores na infecção por CHIKV em comparação com OADF. Os níveis de CXCL8 também foram maiores (p<0,05) em pacientes cuja artralgia durou > 3 meses em comparação com ≤3 meses. As análises multivariadas indicaram ainda que CXCL8 e sexo feminino foram associados deforma independente a artralgia com duração> 3 meses. Não foi observada diferença estatística nos níveis de citocinas entre os pacientes CHIKV-positivos em relação à coinfecção por DENV. A detecção do CHIKV por RT-PCR e/ou soroconversão de IgM na amostra de fase aguda foi correlacionada com maior frequência de artralgia maiores níveis de IL-6, CXCL8, CCL2 E CXCL10. Pacientes com CHIKV e OAFD apresentaram proxy cinética de citocinas semelhantes para IL-1β, IL-12, IFN-γ,IL-2 e IL-4, embora os níveis estivessem em menor magnitude para pacientes com CHIKV. A análise de assinatura de biomarcadores corroborou com esses achados.
CONCLUSÃO:De modo geral, foi encontrado um perfil de quimocinas e citocinas Th1 nos pacientes com CHIKV, independentemente dos dias de sintomas.A caracterização clínica dos pacientes com infeção por CHIKV foi, como esperado, diferencial em relação ao grupo controle com ODFA. Na comparação por dia deinício dos sintomas foi observado aumento de biomarcadores pró-inflamatórios já no primeiro dia de sintoma em comparação ao controle com ODFA e CS. Pacientes com artralgia persistente (>3 meses) apresentaram diferenças nas características clínicas e nos níveis e perfil de biomarcadores.Juntos, esses achados trazem importantes aspectos imunológicos que podem ser úteis como ferramentas para a compreensão da imunopatogênese da infecção por CHIKV.
Autoria: Maira Garcia Saldanha Orientação: Sergio Marcos Arruda Título da tese: “CÉLULAS INFLAMATÓRIAS TECIDUAIS NA PATOGÊNESE DA LEISHMANIOSE CUTÂNEA HUMANA POR L. braziliensis”. Programa: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa Data: 02/10/2020 Horário: 14:00 Local: Sala Virtual do Zoom
RESUMO
A leishmaniose cutânea (LC) é uma doença causada pela picada de um flebótomo do gênero Lutzomyaou Phlebotomusinfectado pelo protozoário Leishmania, mais comumente no Brasil, a L V. braziliensis, que evoluirá na maioria das vezes em cerca de um mês, para uma úlcera profunda e indolor. A resposta imune inflamatória do hospedeiro depende inicialmente das células da resposta imune inata,entre elas, as células natural killer(NK) e posteriormente a resposta imune adquirida mantida pelos linfócitos T CD4+e CD8+, juntamente com a produção de anticorpos por linfócitos B. Em conjunto, essas células produzem citocinas para controlar o crescimento dos parasitas intracelulares, principalmente dentro dos macrófagos. Histopatologicamente, observa-se um extenso infiltrado inflamatório,áreas focais de necrose e macrófagos contendo amastigotas, dependendo do tempo de evolução da infecção. Assim, a constatação de um processo inflamatório crônico, associado ao número reduzido de parasitas, sugere que a resposta imune inflamatória é efetiva no controle da leishmania, mas por outro lado a presença da necrose indica que essa inflamação pode também causar danos ao tecido. Na presente tese analisamos biópsias de úlceras cutâneas de pacientes com leishmaniose cutânea humana por L. braziliensis. Nestas biópsias avaliamos a expressão de linfócitos CD4+, CD8+, CD20+e células CD57+, CD68+, IL-1β+, TNF-α+, granzima B+e células perforina+através da técnica de imunoistoquímica. Essas células e moléculas foram quantificadas e correlacionadas com a extensão da inflamação e necrose tecidual,com o número de amastigotas e tamanho da lesão.Encontramos correlações positivas entre as células CD4+e inflamação, IL-1β+e necrose, macrófagos CD68+com perforina e o número de amastigotas. Essas correlações foram interpretadas como parte da patologia na LC, confirmando que, ao eliminar os parasitas nos macrófagos, os grânulos citotóxicos e citocinas produzidos pelas células inflamatórias contribuem para a progressão da doença.
Estão abertas as inscrições para o webinário “Medidas de desigualdades no Brasil: implicações nas políticas sociais e de saúde”, promovido pelo Cidacs/Fiocruz Bahia. O evento, que ocorre no dia 30 de setembro, às 16h, discute as características e formulações das medidas de desigualdades no Brasil. As inscrições podem ser feitas neste link https://bit.ly/medirdesigualdades.
Entre os palestrantes estão Gabriel Vettorazzo (PNUD Brasil), Lúcia Maria Paixão (Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte), Marco Costa (IPEA), Maria Paula Ferreira (Fundação Seade) e Ruth Dundas (Universidade de Glasgow). A mediação será feita pela vice-coordenadora do Cidacs/Fiocruz Bahia Maria Yury Ichihara.
O evento é parte das ações em torno do Índice Brasileiro de Privação (IBP) – um novo índice criado para mensurar a privação material e analisar as desigualdades em nível municipal e em pequenas áreas. A iniciativa faz parte do projeto Social Policy & Health Inequalities (SPHI), realizado em parceria entre o Cidacs e Universidade de Glasgow.
Confira o perfil dos palestrantes
Gabriel Vettorazzo (PNUD Brasil): Graduado em administração pela Universidade de Brasília. Com um histórico de mais de 12 anos de experiência em gerenciamento de projetos. Em 2016 passou a integrar a equipe da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD Brasil para apoiar a elaboração do Relatório Nacional de Desenvolvimento Humano – Movimento é Vida. Atualmente gerencia projetos de cooperação em Desenvolvimento Humano e Sustentável construindo ferramentas de conhecimento para municípios, por meio de monitoramento e análise de dados.
Lúcia Maria Paixão (Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte): Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora (1979). Doutorado em Saúde Pública pelo Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (2014). Integrou o grupo de pesquisadores do Observatório de Saúde Urbana da UFMG envolvido na Avaliação do Projeto Vida no Trânsito em Belo Horizonte (MG) e Campo Grande (MS) (2011-2015). Atualmente ocupa o cargo de Diretora de Promoção à Saúde e Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte MG.
Marco Costa (IPEA): Economista, Doutor em Planejamento Urbano e Regional (Ippur), com pós-doutorado na Universidade Autônoma de Barcelona, técnico do Ipea, onde responde pela Coordenação de Estudos em Desenvolvimento Urbano. Coordena o INCT em Políticas Públicas e Desenvolvimento Territorial e os projetos Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, e Mapeamento da Vulnerabilidade Social nas Regiões Metropolitanas Brasileiras, entre outros. Possui larga experiência na área de Planejamento Urbano e Regional e na avaliação de políticas públicas.
Maria Paula Ferreira (Fundação Seade): Gerente de análise social da Fundação Seade, responsável pelas áreas de avaliação e monitoramento de programas públicos, desenvolvimento de metodologias e análise para indicadores e pesquisas sociais. Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, mestre em Epidemiologia pela Faculdade de Saúde Pública -Universidade de São Paulo e bacharel em estatística pela Universidade Federal de São Carlos.
Ruth Dudas (Universidade de Glasgow): Uma das líderes do Health Programme no tema Health Inequalities and Linked Data Analysis in the Measurement and Analysis of Socioeconomic Inequalities. É líder do Cross-Unit Statistical support at the MRC/CSO Social and Public Health Science Unit. Seus principais interesses de pesquisa são as desigualdades na mortalidade e as influências contextuais e sociais na saúde ao longo da vida. Tem interesses metodológicos em melhorar o uso de dados de rotina para analisar desigualdades em saúde, métodos para avaliar intervenções complexas e experimentos naturais e no desenvolvimento e aplicação de métodos de modelagem multinível.
Milena Soares, pesquisadora da Fiocruz Bahia, que coordena o projeto.
Um projeto para desenvolver um teste rápido de alta sensibilidade para diagnóstico simultâneo dos vírus SARS-Cov-2 e H1N1 foi aprovado pelo Programa Fiocruz de Fomento à Inovação (Inova Fiocruz). Coordenado pela pesquisadora da Fiocruz Bahia, Milena Botelho Pereira Soares, o trabalho será realizado em parceria com a Fiocruz Pernambuco, o SENAI CIMATEC e a Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
A testagem para Covid-19 através do método molecular RT-qPCR requer equipamentos especializados e pessoal da área da saúde treinado, sendo um procedimento dispendioso e que leva dias para apresentar os resultados, fatores que dificultam a testagem em massa da população. O novo teste, que utilizará a técnica de amplificação isotérmica de DNA (recombinase polymerase amplification-RPA), é mais simples de ser realizado e apresenta resultado em apenas 40 minutos.
Segundo Milena Soares, a adição de sondas para detectar o H1N1 resultará também em um diagnóstico diferencial da Covid-19, importante na tomada de decisão pelo sistema de saúde. “Esta inovação impacta de forma positiva no melhoramento do diagnóstico da Covid-19, possibilitando a detecção direta da infecção, de forma rápida, barata e eficaz, facilitando o isolamento rápido dos indivíduos infectados”, observa a pesquisadora.
Os cientistas também vão desenvolver um protótipo de leitor de fluorescência para a aplicação do teste em hospitais e postos de saúde, promovendo a nacionalização do equipamento de leitura do teste, que tornará viável a testagem em massa da população.
A Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente da Fiocruz (Obsma) convida todos os profissionais da educação para participar, nos dias 22 e 23 de setembro, da 6ª Oficina Pedagógica online Saúde e Meio Ambiente na Escola “Produção Audiovisual: Cinema e Educação em Tempos de Pandemia”. O evento terá início às 10h, com transmissão ao vivo para todo o Brasil através da plataforma Zoom e Facebook/Obsma.
O tema central da Oficina vai de encontro com uma das modalidades oferecidas pela Olimpíada, a Produção Audiovisual. A atividade debaterá a inserção dessa importante ferramenta didática no cotidiano escolar, não somente como alternativa para dinamização das aulas, mas também por seu potencial como formador de olhar e na educação estética dos alunos.
“Em um ano no qual todas as práticas pedagógicas precisam ser repensadas diante da pandemia da Covid-19, acreditamos no cinema como criador de espaços de debate de temas urgentes nos campos de saúde e meio ambiente”, destaca Cristina Araripe, Coordenadora Nacional da Obsma.
As Oficinas Pedagógicas online acontecem quinzenalmente desde o mês de junho e contam com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Veja abaixo a programação completa da 6ª Oficina Pedagógica online “Produção Audiovisual: Cinema e Educação em Tempos de Pandemia”:
Anfitriã
Renata Fontoura – Coordenadora da Assessoria de Comunicação da Fiocruz Paraná e Coordenadora de comunicação da Obsma
Abertura
Cristina Araripe – Pesquisadora da Fiocruz e Coordenadora Nacional da Obsma
Dia 22 de setembro
Mediadora
Ana Lucia Soutto Mayor – Pesquisadora da Fiocruz e Coordenadora da Regional Sudeste da Obsma
Convidada
Adriana Mabel Fresquet – Professora associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Dia 23 de setembro
Mediadora
Thatiana Victoria dos Santos Machado Ferreira de Moraes – Professora de Filosofia e Assistente de Pesquisa da Coordenação Nacional Obsma
Convidada
Marcia Correa e Castro – Tecnologista da Fiocruz e Coordenadora do Canal Saúde
Importante: os professores que acompanharem os dois dias de evento pelo Zoom receberão certificado de participação. Caso as vagas na sala do Zoom sejam preenchidas até às 10h, os participantes inscritos poderão acompanhar via Facebook/Obsma e comentar seu nome completo durante o evento, para garantir seus certificados.
Natália Tavares, pesquisadora da Fiocruz Bahia, é uma das coordenadoras do projeto.
Um estudo realizado por pesquisadores da Fiocruz Bahia vai analisar a evolução da infecção pelo novo coronavírus através da dinâmica da produção de anticorpos durante o curso da doença e da identificação do perfil de citocinas, que são moléculas envolvidas na indução das diferentes subclasses destes anticorpos. Além disso, os cientistas vão observar como as células de defesa reconhecem as proteínas do SARS-CoV-2.
A pesquisa teve início no final do mês de julho e pretende avaliar 300 pessoas no total. Os pacientes estão sendo selecionados a partir da parceria com o Hospital Ernesto Simões, durante a fase aguda da doença, e o Hospital Otávio Mangabeira, na fase convalescente, onde os pacientes terão retorno periódico no Centro Pós-Covid. Fazem parte do estudo aqueles que têm confirmação do diagnóstico de coronavírus através do exame RT-PCR ou quadro clínico fortemente suspeito da doença (tomografia de tórax sugestiva de pneumonia viral).
A pesquisadora da Fiocruz Bahia, Natalia Tavares, uma das coordenadoras da pesquisa, explica que, diante da emergência causada pela Covid-19, desvendar a duração e o papel da resposta imune é fundamental para o controle da pandemia e também para o desenvolvimento de uma vacina.
Estudar estes perfis de citocinas poderão trazer dados que serão aplicados como indicadores de prognóstico, indicando precocemente pacientes que podem evoluir para a forma grave da doença e auxiliando, dessa forma, o manejo clínico preventivo. “Além disso, é fundamental identificar esses perfis na população local, uma vez que co-infecções com doenças endêmicas da nossa região podem causar alterações no perfil de resposta imune em comparação ao observado em outras populações”, acrescentou a pesquisadora.
Essas citocinas estimulam a produção de anticorpos da imunidade humoral, um tipo de resposta imune. Segundo a pesquisadora, no caso específico do SARS-CoV-2, muito tem se discutido sobre a capacidade de neutralização do vírus através dos anticorpos, mas o conhecimento sobre as demais funções da resposta dos anticorpos ainda é incipiente. “Tratando especificamente da aplicação clínica na Covid-19, os indicadores de prognóstico são fundamentais para o manejo e cuidado precoces de pacientes que podem evoluir para o quadro grave da doença”, explicou Natália.
No dia 11 de setembro, será realizada uma edição urgente do Papo Acadêmico, encontro destinado a estudantes dos programas de pós-graduação da Fiocruz Bahia, docentes e orientadores.
Com o objetivo de manter aberto um canal de comunicação permanente, o Papo Acadêmico tem a proposta de promover, periodicamente, um encontro das coordenações dos programas de pós-graduação e da Iniciação Científica da Fiocruz Bahia com seus estudantes.
De acordo com o pesquisador da Fiocruz Bahia, Bruno Solano, um dos objetivos é desenvolver um teste que possa ser aplicado no leito do paciente e que apresente resultado rápido.
Um projeto para aprimoramento do diagnóstico do novo coronavírus, coordenado pelo pesquisador da Fiocruz Bahia, Bruno Solano, foi selecionado pelo Programa Fiocruz de Fomento à Inovação. A proposta tem como objetivo encontrar soluções para acelerar o diagnóstico da Covid-19 através da otimização de métodos moleculares, que são os mais confiáveis e detectam o vírus já nos primeiros dias da infecção.
O projeto tem como principal aspecto inovador o desenvolvimento de um protótipo de teste molecular “point-of-care”, baseado na tecnologia CRISPR-Cas13, que utiliza mínima infraestrutura e apresenta resultado rápido (em até 1h), em fita-teste.
Atualmente, o diagnóstico para Covid-19 é feito através do método molecular de transcrição reversa seguida de reação em cadeia da polimerase (RT-qPCR), que chega a demorar 10 dias para obter o resultado, acarretando atraso no diagnóstico, problema que atinge principalmente a região Nordeste.
Segundo Bruno Solano, a rapidez no diagnóstico da Covid-19 é de suma importância para as decisões relacionadas a giro de leitos, liberação de profissionais de saúde e indicação de isolamento social, com reflexo no controle da disseminação viral na população. Além do coordenador, participam do trabalho os pesquisadores da Fiocruz Bahia, Clarissa Gurgel, Carlos Gustavo Regis e Ricardo Khouri.
O grupo de especialistas também pretende otimizar os protocolos de RT-qPCR que têm sido um gargalo para o processamento de amostra em média e larga escala. Além disso, serão analisadas estratégias de sequenciamento rápido como alternativa de diagnóstico, usando um sequenciador portátil em tempo real (MinION), utilizado com sucesso na epidemia do vírus Zika, o que traria benefício adicional de rastreamento da origem de disseminações por portadores assintomáticos em unidades de saúde.
Nos dias 08 e 09 de setembro, das 10h às 12h, a Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente da Fiocruz (Obsma) convida a todos para a 5ª Oficina Pedagógica online. “Saúde e Meio Ambiente na Escola: Educação Popular em Saúde e Pandemia” será o tema do evento destinado a professores da educação básica de todo o país, com transmissão ao vivo pela plataforma Zoom e Facebook/Obsma.
A iniciativa é uma importante ferramenta para divulgação científica, mesmo em tempos de pandemia. De acordo com a Coordenadora Nacional da Obsma, Cristina Araripe, os encontros online foram a maneira encontrada para continuar construindo, em parceria com educadores de todas as regiões do Brasil, novas metodologias e abordagens pedagógicas que privilegiem a transversalidade e o diálogo entre a educação e os temas saúde e meio ambiente.
“As Oficinas Pedagógicas online têm colocado em pauta, a cada edição, temáticas de grande relevância para a melhoria da educação no país. Por meio de cada bate-papo, a Olimpíada busca aproximar a ciência da escola, da educação básica e da sociedade” comenta Cristina.
Os eventos realizados quinzenalmente contam com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e visam contribuir com a formação de cidadãos mais críticos e conscientes.
Confira a programação completa da 5ª edição das Oficinas Pedagógicas online:
Dia 08 de setembro
Mediadora
Zulma Maria de Medeiros, pesquisadora da Fiocruz e coordenadora da regional Nordeste I da Obsma.
Apresentação da Fiocruz
Cristiana Ferreira Alves de Brito, pesquisadora da Fiocruz e coordenadora da regional Minas/Sul da Obsma.
Convidado
Educação Popular no Sistema Único de Saúde (SUS)
Paulette Cavalcanti de Albuquerque, pesquisadora da Fiocruz e professora adjunta da Universidade de Pernambuco (UPE)
Dia 09 de setembro
Apresentação da Obsma
Rita Suely Bacuri de Queiroz, tecnologista em Saúde Pública da Fiocruz e coordenadora da regional Norte da Obsma
Convidado
Educação Popular em Saúde Na Escola
Grasiele Nespoli, pesquisadora e professora da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fiocruz
Importante: os professores que acompanharem os dois dias de evento pelo Zoom receberão certificado de participação.
Um estudo conduzido por pesquisadores da Fiocruz Bahia investigou o potencial antioxidante da hidroxiureia (HU) e seus efeitos na modulação da resposta celular antioxidante. A HU é considerado o fármaco “padrão-ouro” para o tratamento da doença falciforme, uma enfermidade genética do sangue que, em vez de produzir a hemoglobina (Hb) A, produz a hemoglobina denominada S (HbS), que pode estar em homozigose (HbSS) ou em associação com outra hemoglobina variante (p. ex., HbSC, HbSE, HbSE ou talassemias) repercutindo em problemas sistêmicos graves, a exemplo das crises álgicas (decorrentes da vasoclusão) e anemia (decorrente das hemólises).
Os resultados do trabalho coordenado pela pesquisadora da Fiocruz Bahia, Marilda de Souza Gonçalves, que tem como primeiro autor Sânzio Santana, estudante egresso do Programa de Pós-graduação em Patologia Humana (PgPAT – UFBA/ Fiocruz Bahia) foram publicados na revista científica Frontiers in Immunology, no tópico Inflammatory Mechanisms of Hemolytic Diseases. Na pesquisa, foi investigado o efeito da HU na neutralização de radicais livres e estimulação de genes antioxidantes em células mononucleares de sangue periférico humano (PBMC) e células endoteliais da veia umbilical humana (HUVEC).
No artigo, os pesquisadores explicam que a liberação excessiva de heme nas crises hemolíticas, uma molécula pró-oxidante formada por um anel heterocíclico (protoporfirina IX) que contém um átomo de ferro no centro, contribui para a gravidade da anemia falciforme, atuando na oxidação da hemoglobina S (HbS), inflamação e dano tecidual sistêmico. Neste contexto, o heme liberado nas crises hemolíticas merece grande atenção por possuir grande relevância na repercussão fisiopatológica da anemia falciforme, sendo utilizado neste estudo para mimetizar o microambiente hemolítico in vitro.
Após confirmar o potencial de eliminação de radicais livres pela HU, utilizando o composto radical DPPH na ausência de células, os autores confirmaram esse efeito mostrando a redução significativa nas espécies reativas de oxigênio intracelular em HUVEC tratadas com HU na presença de hemina. Em seguida, os pesquisadores mostraram que a HU foi capaz de induzir a expressão gênica de enzimas antioxidantes em HUVEC e PBMC de forma heterogênea, e as análises de microarranjo em HUVEC sugeriram que essa indução de genes antioxidantes ocorre pela via de sinalização Nrf2.
Segundo os cientistas, esses achados são de grande importância, expandindo a compreensão sobre os mecanismos primários da HU que costumam ser atribuídos a indução de Hb fetal (HbF) e a liberação de óxido nítrico (NO). No entanto, estudos adicionais in vitro e in vivo serão necessários para validar os desdobramentos funcionais da via antioxidante mediada por Nrf2 proposta pelo presente estudo.
Autoria: Lívia Brito Coelho Fontes Orientação: Deborah Bittencourt Mothé Fraga Título da tese: “Avaliação da segurança do 17-AAG para sua utilização como quimioterápico no tratamento da leishmaniose visceral canina”. Programa: Pós-Graduação em Patologia Humana – UFBA /FIOCRUZ Defesa: 04/09/2020 Horário: 14:00 Local: Sala Virtual do Zoom
RESUMO
INTRODUÇÃO: No Novo Mundo, os cães são considerados o principal reservatório da leishmaniose visceral (LV). Devido às ineficiências nos tratamentos existentes e à falta de uma vacina eficaz, a eutanásia de cães é uma das principais estratégias de controle da doença, tornando obrigatório o desenvolvimento de novas intervenções terapêuticas. Anteriormente, nosso grupo mostrou que o 17-AAG, um inibidor de HSP90, demonstrou potencial para uso no tratamento da leishmaniose. OBJETIVO: O presente estudo teve como objetivo testar a segurança do 17-AAG em cães, avaliando a farmacocinética plasmática, a proporcionalidade à dose e a tolerabilidade do 17-AAG em resposta a uma ou várias doses intravenosas (IV) em cães saudáveis. MATERIAL E MÉTODOS: Dois protocolos de pesquisa foram usados. Protocolo 1 (P1): cães saudáveis receberam doses variáveis (50, 100, 150, 200 ou 250 mg/m²) de 17-AAG ou placebo (n = 4) endovenoso, usando um desenho cross-over com período de ―wash-out‖ de sete dias entre os tratamentos. O protocolo 2 (P2) envolveu nove cães saudáveis que receberam três doses de 150 mg/m² de 17-AAG administradas IV em intervalos de 48 horas. RESULTADOS: Todos os cães completaram com sucesso ambos os protocolos. Em P1, o 17-AAG foi bem tolerado, no entanto, foram observados níveis aumentados de enzimas hepáticas e diarreia em todos os quatro cães que receberam dosagem de 250 mg/m². Os parâmetros concentrações plasmáticas máximas (Cmax) e área sob a curva (AUC) foram proporcionais à dose administrada entre as doses de 50 e 200 mg/m². Em relação ao P2, o 17-AAG foi considerado bem tolerado em doses múltiplas de 150 mg/m². Níveis aumentados de enzimas hepáticas e diarréia foram observados em 3/9 e 1/9 desses cães, respectivamente. Nossos resultados demonstraram segurança para realização do teste de eficácia do 17-AAG em cães com LV quando administrado em concentrações iguais ou inferiores a 150 mg/m² em intervalos de 48 horas. Mas que a hepatotoxicidade observada com o esquema de dosagem intervalado apesar de ser reversível aponta para esforços para redução da toxicidade como a utilização de nanoformulações ou lipossomas.
Palavras-chave: Toxicidade; farmococinética; cães; tanespimicina.
Vamos conversar sobre meninas na ciência? No próximo dia 1º de setembro, às 17 horas, a Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (Obsma) convida para um bate-papo online sobre meninas, gênero e ciência. A live, que será transmitida pelo Facebook da Obsma, vai apresentar o prêmio Menina Hoje, Cientista Amanhã – que contemplará projetos desenvolvidos por professoras e estudantes do gênero feminino.
O prêmio se tornará fixo e, a cada edição, homenageará uma cientista notável da história. Nesse ano de estreia, a escolhida foi a pesquisadora Bertha Lutz.
E para falar sobre o assunto, convidamos: a bióloga, historiadora da ciência e pesquisadora titular da Fiocruz, Magali Romero Sá; a neurocientista da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e indicada ao Nature Research Award de 2019, Natalia Mota; e a colunista do MIT Technology Review Brasil e podcaster do Ogunhê, Nina da Hora. O evento contará como mediadora com a coordenadora da regional Norte da Obsma Rita Bacuri, e como anfitriã a jornalista da Olimpíada Valentina Leite.
O Menina Hoje, Cientista Amanhã foi pensado no contexto da promoção da igualdade de gênero na ciência, em consonância com as diretrizes dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030 da ONU.
Para concorrer à premiação, basta inscrever-se na Olimpíada e escolher a opção ao preencher o formulário, juntar um time de professoras e alunas que gostem de ciência e caprichar no projeto. Clique aqui para informações.
Para saber mais, acompanhe a live no dia 1/9 pelo Facebook. Esperamos por vocês!
Uma pesquisa analisou o desempenho de antígenos quiméricos para o diagnóstico da doença de Chagas crônica utilizando testes rápidos. O estudo liderado pelo pesquisador Fred Luciano Neves Santos, da Fiocruz Bahia, utilizou amostras de soro oriundas de diferentes regiões geográficas do Brasil e de pacientes com apresentações clínicas distintas da doença. O trabalho foi descrito em artigo publicado na revista BioMed Research International.
Os testes rápidos têm a vantagem de serem mais baratos e não necessitarem de equipamentos específicos, sendo uma metodologia promissora para o rastreamento da doença de Chagas por apresentar resultados em até 15 minutos, em instalações de saúde ou em áreas remotas com recursos limitados.
Para essa pesquisa, foram testadas 32 amostras de sangue positivas e negativas para Trypanosoma cruzi, protozoário causador da doença de Chagas. Essas amostras foram originadas de áreas endêmicas dos estados de Alagoas (AL), Bahia (BA), Goiás (GO), Minas Gerais (MG), Paraíba (PB) e Pernambuco (PE), além de áreas não endêmicas do Paraná (PR).
Independentemente da origem geográfica ou apresentação clínica, todas as amostras com anticorpos contra T. cruzi apresentaram resultado positivo tanto para antígenos quiméricos IBMP-8.1 quanto para o IBMP-8.4. O grupo reforça a necessidade de um estudo em larga escala (estudo de fase 2), com mais pacientes, para validar os resultados observados, previsto para ser realizado em 2021.
A palestra “Ética em tempos de pandemia”, que será realizada no dia 1º de setembro, às 16h, transmitida no canal do YouTube da Fiocruz Bahia, será ministrada por Samuel Goldenberg, pesquisador titular da Fiocruz Paraná, convidado para o encerramento do Ciclo de Seminários Integrados sobre SARS-COV-2 (Covid-19). O encontro será mediado pelas pesquisadoras da Fiocruz Bahia, Patrícia Veras e Cláudia Brodskyn.
Samuel Goldenberg possui graduação em Ciências Biológicas e Mestrado em Ciências Biológicas (Biologia Molecular), pela Universidade de Brasília e doutorado (Doctorat DEtat ès Sciences) pela Université de Paris VII. Tem experiência e formação na área de Biologia Molecular, com ênfase em Parasitologia Molecular, atuando principalmente nos seguintes temas: diferenciação de Trypanosoma cruzi, regulação da expressão gênica em parasitos, genômica funcional e desenvolvimento de insumos para diagnóstico.
É coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para Diagnóstico em Saúde Pública. É membro do Comitê Científico Internacional do Instituto Pasteur de Montevideu. Membro Titular da Academia Brasileira de Ciências, foi agraciado em 2006 com a Ordem Nacional do Mérito Científico na Classe Comendador, em em 2018 na classe Grã-Cruz, em 2010 foi agraciado na Classe Comendador com a Ordem do Mérito Médico e em 2011 recebeu a Medalha Samuel Pessoa da Sociedade Brasileira de Protozoologia (SBPz). Ganhador do Prêmio Almirante Alvaro Alberto 2017, outorgado pelo CNPq em parceria com a Marinha do Brasil e a Fundação Conrado Wessel.
O evento
O ciclo de seminários é promovido pela Vice-diretoria de Ensino da Fiocruz Bahia e conta com a comissão organizadora formada pelas pesquisadoras da instituição, Patrícia Veras, Cláudia Brodskyn Valéria Borges, Deborah Fraga, Natalia Tavares e Juliana Perrone Fullam. Os eventos fazem parte das atividades dos alunos dos programas de pós-graduação em Patologia (PgPAT – UFBA em Ampla Associação com a Fiocruz Bahia) e em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI – Fiocruz Bahia).
Para todos os professores envolvidos na organização do evento, os discentes tiveram um desempenho excelente e abraçaram o projeto. “Gostaríamos de agradecer ao apoio institucional da nossa diretora da Fiocruz Bahia, Dra. Marilda Gonçalves, a toda equipe da Assessoria de Comunicação, pela divulgação e a possibilidade de transmitir e gravar as conferências dos convidados no Youtube, à Geiqsa Barbosa, pela ajuda imprescindível no manejo da Plataforma Zoom, às nossas secretárias da pós-graduação, Carol Sodré, Simone Farias e Ana Costa pelo apoio diário, à Clara Mutti, coordenadora de Ensino pela ajuda em todos os momentos”, declarou a pesquisadora Patricia Veras, Vice-Diretora de Ensino e Informação da Fiocruz Bahia, em nome da Comissão organizadora dos Seminários Integrados.
A ideia da realização do Ciclo de Seminários Integrados sobre SARS-COV-2 (Covid-19) surgiu após uma reunião remota com os estudantes de pós-graduação que sentiam a necessidade de realizar atividades capazes de motivá-los, diante do cenário da pandemia de Covid-19. Participam cerca de 90 alunos dos dois programas de pós-graduação, que foram divididos em grupos. Antes de cada palestra acontece uma atividade restrita aos alunos, em que dois desses grupos apresentam artigos científicos relacionados com o tema do dia, que são discutidos com o palestrante.
A abertura do evento foi realizada no dia 18 de junho, com a palestra ministrada pela pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) e estudante egressa da Fiocruz Bahia, Jaqueline Góes de Jesus, com o tema de vigilância genômica do SARS-CoV-2 no Brasil. No total serão 12 palestras.
As apresentações abordaram os mais diferentes temas, com convidados especialistas e estão disponíveis no canal do YouTube da Fiocruz Bahia: filogenia do vírus (Tiago Gräf, Fiocruz Bahia), aspectos epidemiológicos da infecção (Guilherme Werneck, UFRJ), interação entre o vírus e a célula hospedeira (Samuel Pita, UFBA), aspectos imunológicos (Marcelo Bozza, UFRJ e Ana Caetano, UFMG), aspectos patológicos da infecção (Luiz Freitas, UFBA e Fiocruz Bahia), aspectos hematológicos (Erich Paula, UNICAMP) diagnóstico (Marco Krieger, Fiocruz), tratamento (Ceuci Nunes, Instituto Couto Maia) e vacinas (Gustavo Cabral, USP).
“Os convidados foram excelentes, dedicaram-se muito a esta atividade, e todas as palestras e discussões foram extremamente elogiadas”, comemora Claudia Brodskyn, idealizadora dos Seminários Integrados. “Atribuímos o sucesso da nossa empreitada ao envolvimento de toda a equipe responsável pela organização, à Assessoria de Comunicação, pela divulgação e apoio incondicional durante as nossas transmissões via YouTube, a toda secretaria acadêmica pelo suporte diário, mas principalmente ao envolvimento dos nossos estudantes e convidados”, completa.
Autoria: Daiana Santos de Oliveira Orientação: Mitermayer Galvão dos Reis Título da tese: “Dinâmica e diversidade de Leptospira spp. de amostras ambientais e as suas implicações na transmissão de leptospirose em humanos”. Programa: Pós-Graduação em Patologia Humana-UFBA /FIOCRUZ Defesa: 22/09/2020 Horário: 14:00 Local: Sala Virtual do Zoom
RESUMO
A leptospirose é uma zoonose causada por bactérias do gênero Leptospira. Acomete mais de um milhão de pessoas anualmente no mundo, causando aproximadamente 60.000 óbitos. As populações urbanas vulneráveis e carentes de infraestrutura e saneamento básico são as principais afetadas por essa doença. Nestes ambientes, a transmissão ocorre a partir da exposição ao meio ambiente contaminado por Leptospira. Estudos prévios demonstraram a presença de espécies de Leptospira em matrizes ambientais. Entretanto, são limitadas as informações sobre a dinâmica e diversidade de Leptospira patogênica em diferentes matrizes ambientais de áreas urbanas. Muitos estudos são voltados à análise de dados epidemiológicos e de soroprevalência em animais. Porém, a maioria desses estudos leva pouca consideração sobre os determinantes ambientais e co-circulação de diferentes sorogrupos/sorovares. O presente estudo teve como objetivo avaliar a presença, diversidade, e dinâmica de espécies de Leptospira em diferentes nichos ambientais, caracterizar os parâmetros físicos e químicos ambientais que estão associados a Leptospira em matrizes aquáticas e caracterizar o perfil epidemiológico de indivíduos com presença de anticorpos anti-Leptospira em comunidades urbanas vulneráveis. A pesquisa foi realizada em cinco comunidades urbanas carentes da cidade de Salvador-Ba, que são desprovidas de saneameneto básico, onde a leptospirose é endêmica. Comprovamos que a água de esgoto, empoçada e solo são reservatórios ambientais de Leptospira. A taxa de positividade por qPCR nas amostras de água de esgoto e empoçada foi de 36% e 34%, respectivamente. Foi apresentada uma maior presença e concentração no período de alta precipitação, indicando que a chuva tem papel importante na dispersão e manutenção. Nossos resultados também mostraram que fatores físico-químicos como SDT (Sólidos Totais Dissolvidos), salinidade e pH estão associados a presença e concentração da bactéria no ambiente. Utilizando a técnica de isolamento identificamos uma diversidade de
espécie de Leptospira em solo, inclusive intermediária e patogênica. Entretanto, não conseguimos isolar as duas leptospiras mais frequentemente associadas à transmissão em humanos (L. interrogans sorovar Copenhageni e L. Kirschneri sorovar Cynopteri). Resultados do nosso estudo sorológico em residentes destas comunidades evidenciaram padrões epidemiológicos específicos associados à transmissão de Copenhageni e Cynopteri. Futuros estudos orientados a identificar o reservatório de Cynopteri em comunidades urbanas são necessários. Sendo assim, esses dados podem auxiliar no desenvolvimento de estratégias mais efetivas de prevenção da doença.
Palavras-chave: Isolamento, físico-químico, solo, água de esgoto, ambiente, soroprevalência.
Um estudo relatou a presença de lesões na boca de pacientes com Chikungunya, como uma das manifestações clínicas frequentes da infecção por esse arbovírus. Os resultados da pesquisa liderada pela pesquisadora da Fiocruz Bahia, Viviane Boaventura, foram descritos em artigo publicado no Journal of Travel Medicine.
No trabalho, foram analisados 105 pacientes com chikungunya aguda, até 10 dias após o início da doença. As lesões orais foram detectadas em 21 destes pacientes, surgindo de dois a seis dias após o início dos sintomas. Os tipos identificados de lesões foram úlcera, sangramento e inchaço na gengiva e os pacientes se queixavam de dor e/ou dificuldade de engolir alimentos.
As lesões afetaram principalmente os seguintes locais: lábios (52,4%), gengiva (43%), língua (43%) e parte interna da bochecha (28,6%). A presença de lesão oral foi fortemente associada a manchas vermelhas na pele e dor atrás dos olhos, sugerindo um perfil polissintomático. No entanto, não foi relacionada à dor articular persistente, comum após a infecção por Chikungunya.
Os pesquisadores observaram que as lesões orais dolorosas afetam a alimentação e consumo de líquido dos pacientes, aumentando a morbidade da doença. O estudo aponta para a necessidade de exame intrabucal de rotina na fase aguda, e prescrição de medicamentos de alívio da dor causada pelas lesões, o que pode ajudar a mitigar os sintomas da chikungunya.
Um debate sobre o Sistema de Previsão da Qualidade do Ar de Salvador (SOPRAR/Salvador) e seu uso para aprimoramento da gestão em qualidade do ar e proteção da saúde humana será promovido durante a Live Soprar. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas nesse link, até o dia do evento, que acontece em 10 de setembro, às 15 horas.
O Soprar é resultante de um projeto de inovação e ação intersetorial com poder público local, coordenado pela Fiocruz Bahia em parceria com empresa francesa ARIA Technologies e apoio da CETREL S.A. O projeto foi viabilizado pelo fundo de investimento alemão DEG – KfW Bankengruppe com contrapartida de ARIA Technologies e suporte do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Este sistema caracteriza-se como uma inovadora ferramenta de gestão direcionada para contribuir nas ações de prevenção e mitigação do impacto da poluição do ar na saúde da população e integra as estratégias de resiliência do Programa Salvador Resiliente.
A palestra “Desenvolvimento de Vacinas utilizando VLPs e sua adaptação ao projeto COVID-19”, que será realizada no dia 25 de agosto, às 16h, transmitida no canal do YouTube da Fiocruz Bahia, será ministrada por Gustavo Cabral Miranda, pesquisador da FAPESP, convidado da próxima edição do Ciclo de Seminários integrados sobre SARS-COV-2 (Covid-19). O encontro será mediado pelos pesquisadores da Fiocruz Bahia, Cláudia Brodskyn e Leonardo Farias.
O evento, promovido pela Vice-diretoria de Ensino da Fiocruz Bahia, faz parte das atividades dos alunos dos programas de pós-graduação em Patologia Humana e Experimental (PgPAT – UFBA/ Fiocruz Bahia) e em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI – Fiocruz Bahia). As apresentações abordam temas como filogenética do vírus, epidemiologia, imunologia, interação vírus-células, vacinas, diagnóstico, tratamento, biologia de sistemas e ética.
Sobre o palestrante
Gustavo Cabral possui graduação em Ciências Biológicas, pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB); mestrado em Imunologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e doutorado em Imunologia, pelo Dpto. de Imunologia, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB-IV), da Universidade de São Paulo (USP), com doutorado sanduíche na unidade de investigação Biomark, Sensor Research, do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), Porto, Portugal.
Tem pós-doutorados no Instituto Jenner, da Universidade de Oxford, Inglaterra, e no Hospital Universitário (Inselspital), da Universidade de Berna, Suíça, com o desenvolvimento de vacinas utilizando VLPs (Virus-like particles) e diagnósticos avançados, utilizando a tecnologia de Biossensores. Atualmente, exerce a função de Pesquisador Principal, com projetos aprovados pelo “Programa Jovens Pesquisadores (JP), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), para o desenvolvimento de vacinas contra SARS-Cov-2, Chikungunya e vírus Zika, utilizando Virus Like-Particles.
Foi relançado, no dia 17/08, o Programa Biotech Bahia, uma parceria entre o SEBRAE e Programa de Pós-graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI) da Fiocruz Bahia, apoiada pela Vice-Diretoria de Ensino do IGM, que tem como objetivo oportunizar discentes e docentes do programa e servidores da instituição a uma imersão no universo do empreendedorismo.
As inscrições foram prorrogadas e podem ser realizadas nesse link, até o dia 03/09. O público-alvo é de alunos, pesquisadores e servidores da Fiocruz Bahia.
Oito a quinze equipes serão selecionadas e passarão por uma trilha de aceleração com duração aproximada de 180h, com encontros on-line por 12 semanas. As equipes deverão conter até 4 componentes, não necessariamente todos vinculados ao programa de pós-graduação, mas pelo menos um membro deve ser do PgBSMI.
Essa aceleração visa o desenvolvimento da mentalidade empreendedora aliada à inovação, incluindo-a no rol esperado de atuação de egressos e docentes do PgBSMI.
A pesquisadora da Fiocruz Bahia, Claudia Brodskyn, que coordena o estudo.
Um grupo de pesquisadores da Fiocruz Bahia vai realizar um estudo para identificar a presença de anticorpos específicos do Sars-CoV-2 em habitantes de diferentes bairros de Salvador. O objetivo é avaliar se houve aumento de imunidade na população em decorrência do aumento de casos positivos para a Covid-19, na capital.
O projeto foi aprovado no Edital Geração de Conhecimento – Enfrentamento da Pandemia e Pós-Pandemia Covid-19, do Programa Fiocruz de Fomento à Inovação (Inova Fiocruz), que apoia propostas nas áreas definidas pela Fundação como prioritárias para a pandemia, visando acúmulo de conhecimento necessários ao entendimento da doença. A pesquisa será realizada em parceria com o pesquisador do Instituto de Saúde Coletiva, da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA), e pesquisador visitante da Fiocruz Bahia, Federico Costa.
A pesquisadora da Fiocruz Bahia e coordenadora do projeto, Cláudia Brodskyn, disse que a previsão é que as amostras de sangue comecem a ser coletadas até setembro, cerca de seis meses após a confirmação do primeiro caso na cidade, e, posteriormente, serão feitas coletas entre janeiro e fevereiro e julho e agosto de 2021.
A coleta em três períodos distintos, inclusive em períodos posteriores ao início da pandemia, servirá para mostrar se os resultados que serão encontrados em Salvador serão semelhantes ou diferentes dos dados encontrados em estudos similares em outras regiões do país. “Acreditávamos que haveria um aumento de pessoas com sorologia positiva em tempos mais tardios de avaliação após a pandemia, mas outros estudos mostram o oposto, então essa observação em períodos distintos será importante dentro do projeto”, explica a pesquisadora.
Quatro bairros de Salvador irão fazer parte deste estudo: dois com maior vulnerabilidade econômica e dois com poder aquisitivo maior, para que seja realizada uma análise dos parâmetros socioeconômicos associados a Covid-19, através de aplicação de um questionário. Serão 250 pessoas por bairro, sendo 1 mil indivíduos por período, totalizando 3 mil indivíduos.
A imunidade para a Covid-19 ocorre quando o indivíduo é infectado e anticorpos neutralizantes são produzidos para combater esse vírus e impedindo que ele se torne novamente infectado caso tenha contato novamente com o Sars-CoV-2. Alguns estudos apontam que os anticorpos para esse vírus persistem na fase de recuperação até três meses após a exposição ao vírus. Após esse período, pode ocorrer uma diminuição significativa dos níveis de anticorpos.
Uma análise ecológica de base populacional utilizando dados obtidos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), do Ministério da Saúde, foi realizada com o objetivo de identificar um perfil epidemiológico da transmissão da doença de Chagas aguda, no Brasil.
A doença de Chagas é causada pelo parasito Trypanosoma cruzi, transmitido por um inseto conhecido como barbeiro e está presente em 21 países da América Latina. A enfermidade, que atinge coração e órgãos do sistema digestivo, tem duas fases: aguda, que é logo após a infecção e pode durar até quatro meses; e crônica, fase após a aguda e de longa duração. No Brasil, apenas os casos agudos são obrigatoriamente notificados ao SINAN.
O estudo analisou as características epidemiológicas e tendências espaço-temporais das notificações, incluindo todos os casos de doença de Chagas aguda notificados entre 2001 e 2018 (5.184 casos). O trabalho coordenado pelo pesquisador da Fiocruz Bahia, Fred Luciano Neves Santos, foi descrito em artigo publicado no periódico PLOS Neglected Tropical Diseases. Os achados podem contribuir para ações de vigilância voltadas à prevenção de novos casos da enfermidade.
Os autores da pesquisa afirmaram que a distribuição espaço-temporal da doença nesse período foi heterogênea no país. Também relataram que a taxa de incidência anual foi de 0,16 por 100.000 habitantes e identificaram um rápido aumento de notificações antes de 2005, uma queda estável de 2005 a 2009, seguida por aumento após 2009. As frequências mais altas de infecção foram observadas em crianças, adolescentes e idosos na região Norte, em todo período observado, e nas mulheres e em indivíduos de 20 a 64 anos no Nordeste, entre 2001 e 2009.
A transmissão vetorial foi a principal via relatada até 2005, enquanto a transmissão oral aumentou significativamente no Norte durante os outros períodos. O estudo também apontou que o estado do Pará é responsável por 81% dos casos decorrentes de transmissão oral na região Norte, com maiores proporções de casos ocorrendo após a safra de açaí e bacaba, com o consumo de alimentos derivados dessas frutas contaminadas pelas fezes do inseto.
Com esses resultados, os autores concluíram que, embora tenha diminuído a ocorrência da doença de Chagas em todo Brasil, a enfermidade continua sendo uma ameaça à saúde pública, evidenciada pela ocorrência de casos agudos em mais de 50% das microrregiões brasileiras. Também ressaltaram a necessidade de ações entomológicas e a adoção de medidas higiênico-sanitárias para reduzir a transmissão oral. Notificar casos crônicos no Brasil, inclusive em bancos de sangue, deve ser uma medida a ser fortemente considerada, de acordo com os cientistas.
Mitermayer Galvão dos Reis, pesquisador da Fiocruz Bahia.
A América Latina é atualmente o epicentro da pandemia pelo novo coronavírus, com cinco países entre os dez com maior número de casos registrados no mundo, de acordo com relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), lançado em julho. Segundo monitoramento da Universidade Johns Hopkins, na Inglaterra, apenas Brasil e México concentram 70% das mortes pela Covid-19. Juntos, Brasil, México, Peru, Colômbia e Chile, somam quase 5 milhões de casos e 200 mil mortes.
Nos últimos dias, o Brasil ultrapassou a marca de mais de 3 milhões de infectados e mais de 100 mil mortes registradas causadas pela Covid-19. Diversos são os fatores que contribuíram para este cenário. De acordo com o médico patologista e pesquisador da Fiocruz Bahia, Mitermayer Galvão dos Reis, o principal fator é decorrente de um fenômeno de rápida e intensa transição demográfica da área rural para a área urbana na América Latina, que cria as megacidades com grande número de pessoas que moram em situações de alta vulnerabilidade social.
Segundo Mitermayer, a desigualdade social leva o indivíduo a viver com insuficiência de recursos financeiros, em locais onde não há saneamentos adequado, sem oferta de água encanada e esgoto, e morando de maneira aglomerada em habitações muitas vezes com apenas um cômodo. “Como vamos falar de distanciamento social nessas situações?”, questiona o pesquisador.
Essas condições levam a uma dificuldade da implementação das medidas mais básicas de controle da Covid-19, como o uso de água e sabão para higienizar as mãos e alimentos e a disponibilidade de máscaras em quantidade adequada. Mitermayer ainda reforça que o acesso a álcool em gel pode ser considerado um luxo, uma recomendação nem sempre aplicável a pessoas que vivem nessas condições.
Outro ponto tocado pelo pesquisador é a dificuldade de manter o distanciamento social no transporte público, agravado pela redução na oferta do transporte com as implementações das medidas para diminuir a circulação das pessoas pela cidade. “Ônibus, metrôs, os hidroviários no caso do Amazonas, estão sempre cheios e os usuários ficam agrupados por horas no trajeto, aumentando o risco de contaminação”, afirma Mitermayer.
Os países da América Latina também são caracterizados pela alta do desemprego, que leva ao emprego informal. Muitas pessoas trabalham como ambulantes ou em feiras, propiciando aglomeração, aumentando o risco de infecção.
Testagem e atenção primária
Para Mitermayer, a pouca oferta de testagem é também um dos fatores que levam a manutenção do estado de epicentro da pandemia da América Latina. Segundo o cientista, a baixa testagem não mostra o quadro real da situação e, sem a identificação dos indivíduos infectados, a Vigilância Epidemiológica fica impossibilitada de identificar também os contatos diretos dessas pessoas e impedir que eles continuem circulando e contaminando outras pessoas. “Se você testa o indivíduo, ele sabe que está infectado e ele mesmo vai se cuidar, na maioria das vezes, e evitar a contaminação de outras pessoas”, acrescenta o pesquisador.
O pesquisador defende o uso da telemedicina como forma de auxiliar os pacientes com Covid-19 a passarem por essa situação da melhor maneira possível, com o acompanhamento constante de um médico por telefone ou chamada de vídeos tirando dúvida e dando as orientações em caso de piora dos sintomas.
Para Mitemayer, a atenção primária em saúde em países da América Latina, em especial em situação de pandemia, também é outro ponto que precisa ser melhorado. Na maioria das vezes, esses países têm limitações no que diz respeito a espaço físico, equipamentos de proteção individual, medicamentos e recursos humanos, especialmente profissionais de saúde.
O pesquisador diz que é preciso garantir que as unidades básicas de saúde estejam equipadas e preparadas para atender esses pacientes com coronavírus, com equipamentos de proteção individual (EPI), medicamentos adequados para casos de intubação ou tratamento dos sintomas, assim como realização de teste para Covid-19 e exames básicos como hemograma e oximetria para verificar o nível de oxigênio no sangue.
Outra sugestão de enfrentamento feita pelo pesquisador é entrada dedicada para casos de Covid-19 nos postos de saúde, como está sendo feito nos hospitais de referência, além da distribuição de álcool em gel e máscaras nestas unidade.
A especialização do profissional de saúde também é um ponto importante a ser discutido na pandemia, apontado por Mitermayer. No caso da Covid-19, ele explica que um profissional de saúde para trabalhar em Unidade de Tratamento Intensivo precisa de experiência, o que ainda falta na quantidade ideal nesta região. Profissionais com menos experiência e até recém-formados em medicina estão sendo recrutados para trabalhar na linha de frente, o que não é o ideal, mas é a forma encontrada para suprir a demanda.
“Em relação aos hospitais de referência, o ideal é ter uma equipe multidisciplinar com médico infectologista, pneumologista, cardiologista, hematologistas e nefrologistas, como também enfermeiros e fisioterapeutas especializados, já que a Covid-19 é uma doença sistêmica, atingindo diversos órgãos”, acrescenta.
Retorno ao “normal”
Quando se fala em retorno da atividade econômica e reabertura do comércio nos países da América Latina, Mitermayer é enfático ao dizer que é preciso levar em consideração as experiências de outros países da Ásia, Europa e também dos Estados Unidos, que estão experimentando o efeito rebote após a reabertura. “O retorno não deve ser baseado apenas na quantidade de leitos disponíveis, mas também deve ser levado em consideração o número de infectados, ampliando a testagem para que esse número seja o mais perto do real”, explica.
A esperança para o retorno à vida como era antes da pandemia está no desenvolvimento de uma vacina eficaz para o vírus. Para o pesquisador, um problema para a América Latina será a produção em larga escala da vacina, pois existem apenas dois laboratórios capazes de atender a demanda da região: Bio-manguinhos, da Fiocruz, e Instituto Butantan, ambos no Brasil. Laboratórios particulares presentes em outros países não possuem estrutura para a produção de milhões de doses e o Brasil será o centro de distribuição das vacinas da região.
Como prioridade para vacinação, Mitermayer defende que, além dos trabalhadores de unidades de saúde e de serviços essenciais, como farmácias, supermercados, da polícia e motoristas de transporte coletivo, um outro grupo seria de indivíduos que trabalham presencialmente e não puderam aderir ao “home office” durante a pandemia. Para o pesquisador, crianças também devem ter prioridade, mesmo que não sejam consideradas grupo de risco. “Não se iludam: criança pode não adoecer tanto, mas leva para casa o vírus”, disse, salientando que a vacinação é uma medida para o retorno seguro das aulas.
A palestra “O Instituto Couto Maia e a pandemia de COVID-19”, que será realizada no dia 18 de agosto, às 16h, transmitida no canal do YouTube da Fiocruz Bahia, será ministrada por Ceuci de Lima Xavier Nunes, diretora geral do Instituto Couto Maia (ICOM), referência para doenças infecto-contagiosas no Estado da Bahia, convidada da próxima edição do Ciclo de Seminários integrados sobre SARS-COV-2 (Covid-19). O encontro será mediado pelos pesquisadores da Fiocruz Bahia, Bruno Solano e Isadora Siqueira.
O evento, promovido pela Vice-diretoria de Ensino da Fiocruz Bahia, faz parte das atividades dos alunos dos programas de pós-graduação em Patologia Humana e Experimental (PgPAT – UFBA/ Fiocruz Bahia) e em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI – Fiocruz Bahia). As apresentações abordam temas como filogenética do vírus, epidemiologia, imunologia, interação vírus-células, vacinas, diagnóstico, tratamento, biologia de sistemas e ética.
Sobre a palestrante
Ceuci Nunes é médica infectologista, mestra e doutora em Medicina e Saúde pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Professora Adjunta da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, diretora técnica do Serviço Especializado em Imunização e Infectologia (SEIMI) e atual Diretora Geral do Instituto Couto Maia (ICOM).