Eventos iniciais de infecções parasitárias é tema de e-book

O e-book “Early Events During Host Cell – Parasite Interactions”, publicado pela Frontiers Media SA, foi organizado pelas pesquisadoras da Fiocruz Bahia, Patrícia Veras e Juliana Perrone Fullam, em colaboração com o pesquisador Albert Descoteaux, do Institut Armand Frappier, no Canadá, e a pesquisadora Maria Isabel Colombo, da Universidad Nacional de Cuyo, na Argentina. A publicação tem como foco as respostas do hospedeiro nas fases iniciais das infecções causadas por parasitos como a toxoplasmose, leishmaniose e doença de Chagas.

Composto de 11 artigos, o e-book aborda as descobertas recentes sobre mecanismos relacionados com a biologia celular e molecular de eventos iniciais que ocorrem nas células hospedeiras durante a interação com estes agentes patogênicos, incluindo o reconhecimento, internalização e estabelecimento no meio intracelular das células hospedeiras. Os textos originais e as revisões dão uma visão da complexidade e particularidade de cada um dos tipos de interações das células hospedeiras com diferentes micro-organismos.

Além disso, esse conjunto de publicações fornece informação sobre os recentes avanços na resposta imune inicial que leva ao controle ou progressão de doenças causadas por micro-organismos. Dessa forma, essas moléculas ou vias identificadas pelos diferentes autores podem servir como alvos para futuras intervenções de infecções pelos patógenos investigados.

Clique aqui para baixar gratuitamente o e-book.

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Aula inaugural marca lançamento do projeto Sons e Imagens da Bahia

A professora Ana Paula Nunes ministrou a aula inaugural do projeto.

A aula inaugural do projeto Sons e Imagens da Bahia, que teve como tema “Impactos pedagógico e socioculturais do Audiovisual”, foi ministrada pela professora Ana Paula Nunes, do curso de Cinema e Audiovisual, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), no dia 02 de agosto, por meio da plataforma Zoom. O projeto vai realizar oficinas de audiovisual, capacitando 81 alunos da rede estadual de ensino para a produção de curta-metragens.

O objetivo do Sons e Imagens da Bahia é proporcionar aos estudantes conhecimento em estratégias de promoção e disseminação da cultura popular e da divulgação científica da saúde, além de incentivar a produção digital e audiovisual como linguagem interdisciplinar. Os vídeos produzidos pelos discentes serão exibidos em uma mostra cinematográfica, destacando os três melhores filmes. Também haverá o Ciclo de Palestras Temáticas, que terá como público-alvo professores da rede estadual da Bahia, mas será aberto ao público. Para receber certificado é necessário efetuar inscrição e confirmar a presença através de link disponibilizado durante os eventos.

Esta é uma ação do projeto Sons e Imagens da Bahia através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com gestão cultural da SPCOC, em parceria com a Fiocruz Bahia, apoio da Secretaria de Educação e Governo do Estado da Bahia, assim como produção da Giro Planejamento Cultural. O projeto Sons e Imagens da Bahia conta com o patrocínio da Bayer e realização da Secretaria Especial de Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.

Lançamento

O coordenador da Assessoria de Comunicação da Fiocruz Bahia e do projeto, Antônio Brotas, apresentou a proposta e agradeceu às instituições, representadas pelos participantes da mesa de abertura, que atuaram na sua construção. “O projeto está na sua primeira edição e acreditamos nele, porque acreditamos que cultura, ciência e saúde podem caminhar juntas, formando cidadãos”, declarou.

Representando o Secretário de Educação da Bahia, o superintendente da Coordenação Executiva de Projetos Estratégicos de Educação, Marcius Gomes, disse que a Secretaria valoriza o audiovisual como parte da formação dos alunos e parabenizou a iniciativa. “Esta grande parceria com a Fiocruz tem sido fortalecida nas comemorações do Dia da Ciência, no projeto Meninas na Ciência e tantas outras agendas que a gente considera estratégicas para essa pauta que envolve a cultura, arte, ciência e educação”. Shirley Costa, coordenadora do Programa Bahia Olímpica, também da Secretaria, ressaltou o trabalho dos professores para que a ação acontecesse. “Esse projeto vai colaborar para que os estudantes se sintam ainda mais fortalecidos para participar desses espaços que extrapolam as paredes da escola”.

Marilda de Souza Gonçalves, diretora da Fiocruz Bahia, ressaltou a importância da iniciativa e afirmou ser uma “entusiasta dos projetos da Fiocruz, principalmente como uma instituição que realiza trabalhos em interação com a sociedade”. Disse também que a Fiocruz Bahia tem feito uma política de realização de projetos em diálogo com outras instituições do estado. “Estaremos sempre juntos em prol da educação, da ciência, do desenvolvimento tecnológico e da inovação”, comentou.

O coordenador do Escritório de Captação de Recursos da Fiocruz, Luis Fernando Donadio, endossou o convite aos estudantes de que aproveitem ao máximo a oportunidade e falou sobre a viabilização do projeto, desde sua elaboração até o financiamento através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, popularmente conhecida como Lei Rouanet. Também agradeceu aos participantes e à diretora da Fiocruz Bahia, “que, com maestria, vem conduzindo todos esses estímulos de divulgação de cultura científica por meio da instituição”.

Carolina Tolosa, especialista em assuntos públicos, ciência e sustentabilidade na Bayer Brasil, disse ser uma satisfação poder apoiar o projeto. “A Bayer é uma empresa de ciências da vida, de inovação e saúde, no sentido mais amplo, mas a gente também acredita que desenvolvimento social vem através da educação, e da cultura. Acreditamos muito nesse projeto, muito no desenvolvimento da educação pelo audiovisual”, afirmou.

O funcionamento das oficinas, a divisão dos módulos e quem serão os facilitadores foi explicado por Gabriela Rocha, da Giro Planejamento Cultural, produtora da iniciativa. “Temos como premissa o audiovisual como ferramenta de transformação social, então a ideia é que ao final do projeto os estudantes produzam um filme, a partir dos seus anseios, da realidade em que estão inseridos, das coisas que eles gostariam de falar”, ressaltou. Confira a aula inaugural no canal do YouTube da Fiocruz Bahia.

Sobre a palestrante

Ana Paula Nunes é professora adjunta do Curso de Cinema e Audiovisual da UFRB, onde também é tutora do PET Cinema e líder do Grupo de Pesquisa Quadro a Quadro – projetando ideias, refletindo imagens. É idealizadora e coordenadora da Mostra de Cinema Infantojuvenil de Cachoeira – ManduCA. Em termos de formação, é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas – UFBA (2016), tendo realizado Doutorado Sanduíche na Universidade do Algarve, Portugal (2014); mestre e graduada em Comunicação/ Cinema pela UFF; e membro da Ong CINEDUC – Cinema e Educação por 13 anos, através da qual aprendeu e trabalhou em vários projetos e Oficinas de Vídeo e de Linguagem Audiovisual para professores, jovens e crianças.

Confira o calendário das próximas atividades abertas ao público que serão transmitidas pelo YouTube:

 

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Websérie | Leishmaniose | Episódio 1

No vídeo “Pesquisas para enfrentamento das leishmanioses”, o pesquisador da Fiocruz Bahia Manoel Barral fala sobre a doença, faz um panorama sobre as pesquisas em leishmaniose, os estudos realizados na Fiocruz Bahia e os principais desafios. A Fiocruz Bahia produziu uma websérie sobre as principais pesquisas realizadas na instituição.

Os vídeos, publicados semanalmente nas redes sociais, estão divididos em 9 temas: arbovirose, big data, câncer, células-tronco, doença de Chagas, doença falciforme, helmintíase, HTLV, leishmaniose e tuberculose.  As gravações tiveram início em 2019, por isso a maioria das entrevistas foram realizadas antes da pandemia.  

Confira!

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Divulgado resultado preliminar do PROFORTEC- Saúde

O Comitê Técnico Assessor do PROGRAMA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO EM SAÚDE – PROFORTEC-SAÚDE, promovido pela Fiocruz Bahia, torna público o resultado preliminar da seleção do programa de formação, nos perfis Laboratórios e Plataformas e Ciência de Dados, respectivamente. Como critério de desempate foram utilizados a maior nota na prova de conhecimentos específicos e, quando persistiu o empate, a idade dos candidatos, sendo priorizado o candidato com maior idade. 

Clique aqui e confira o resultado preliminar.

Os candidatos estão apresentados por ordem de classificação. Os candidatos com pontuação inferior a 50,0 pontos (nota 5,0) não foram aprovados e por isso não constam da lista de classificação. O prazo para recurso contra o resultado da prova teórica será 16 e 17/08/2021, através do e-mail clara.vasconcellos@fiocruz.br. 

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PROFORTEC-Saúde divulga gabarito das provas

O Comitê Técnico Assessor do PROGRAMA DE FORMAÇÃO TÉCNICA EM CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO EM SAÚDE – PROFORTEC-SAÚDE, promovido pela Fiocruz Bahia, torna público o gabarito das provas de seleção do programa de formação, nos perfis Laboratórios e Plataformas e Ciência de Dados. Os resultados e notas dos candidatos que realizaram a prova online podem ser acessados no mesmo link utilizado para a realização da prova. Clique aqui e consulte o gabarito.

As notas obtidas pelos candidatos que realizaram a prova presencialmente serão encaminhadas individualmente por e-mail, até o dia 13/08/2021. A divulgação do resultado preliminar da prova teórica com a classificação será divulgada no dia 13/08/2021O prazo para recurso contra o resultado da prova teórica será 16 e 17/08/2021, através do e-mail clara.vasconcellos@fiocruz.br.

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Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente da Fiocruz abre inscrições para sua 11ª edição

Estão abertas as inscrições para a 11ª edição da Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (Obsma)/ Fiocruz. Podem participar alunos e professores da educação básica, do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, incluindo a Educação de Jovens e Adultos, de escolas públicas ou privadas. Os professores são responsáveis pela inscrição dos trabalhos de seus alunos nas modalidades Produção Audiovisual, Produção de Texto ou Projeto de Ciência.

A iniciativa tem como objetivo estimular e mobilizar a comunidade escolar a refletir de forma crítica sobre questões relacionadas à saúde, ao meio ambiente e suas interfaces com a educação e a ciência e tecnologia (C&T). Os trabalhos devem ser, obrigatoriamente, originais, abordarem os temas centrais propostos e serem realizados entre os anos de 2021 e/ou 2022. A partir da inscrição, ficam vinculados a uma das seis Coordenações Regionais – Centro-Oeste; Minas-Sul; Nordeste I; Nordeste II; Norte e Sudeste – de acordo com a cidade e o estado onde está localizada a escola.

Na 11ª edição, será conferido o Prêmio Menina Hoje, Cientista Amanhã, nesta edição em homenagem à trajetória científica de Maria von Paumgartten Deane (1916-1995), a trabalhos regularmente inscritos na 11ª Obsma desenvolvido por grupos de alunas e professoras. exclusivamente do gênero feminino. Para concorrer ao Prêmio a professora responsável deverá assinalar no formulário eletrônico, no momento da inscrição, que seu trabalho está de acordo com o Art. 34 do Regulamento.

Acesse o regulamento e participe

 

Fonte: Obsma

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Divulgada lista de inscrições homologadas para processo seletivo do PROFORTEC-SAÚDE

O Comitê Técnico Assessor do Programa de Formação Técnica em Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde – PROFORTEC-SAÚDE, promovido pela Fiocruz Bahia, torna pública a lista de inscrições homologadas para participação no processo seletivo do programa de formação. Clique aqui para acessar a lista.

As orientações para acessar o ambiente virtual, onde ocorrerá a prova e o link de acesso à sala virtual através da ferramenta Zoom, serão disponibilizados para os e-mails informados, no momento da inscrição, para todos os candidatos que tiveram a inscrição homologada, até as 17 horas do dia de hoje (03/08/2021). 

O candidato que não receber as orientações e link de acesso à sala virtual até o dia 03/08/2021, às 17 horas, deve imediatamente entrar em contato com o e-mail ensino.bahia@fiocruz.br para comunicar o não recebimento das informações.  

No dia 05/08/2021, às 09 horas, haverá uma reunião preparatória online com todos os candidatos inscritos para teste no uso das ferramentas tecnológicas e esclarecimentos de dúvidas. O link para participação na reunião será encaminhado via e-mail cadastrado no ato da inscrição. A participação na reunião, embora fortemente recomendada, não é obrigatória. 

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Websérie | Playlist – Esquistossomose

A Fiocruz Bahia lançou uma websérie que aborda as principais pesquisas realizadas na instituição. O segundo módulo abordou os estudos em esquistossomose, com os pesquisadores Ricardo Riccio e Leonardo Farias.

Os vídeos, publicados semanalmente nas redes sociais, estão divididos em 9 temas: arbovirose, big data, câncer, células-tronco, doença de Chagas, doença falciforme, helmintíase, HTLV, leishmaniose e tuberculose. As gravações tiveram início em 2019, por isso a maioria das entrevistas foram realizadas antes da pandemia.

Confira a playlist!

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Grand Challenges Icoda Covid-19 Data Science seleciona três projetos da Fiocruz

Cristina Azevedo (Agência Fiocruz de Notícias)

Três projetos liderados por pesquisadores da Fiocruz estão entre os dez selecionados em todo o mundo pelo Grand Challenges Icoda Covid-19 Data Science, uma iniciativa que apoia projetos de dados em saúde para responder de forma mais precisa à pandemia e a possíveis desafios no futuro. Com o apoio da Fundação Bill & Melinda Gates, da Minderoo Foundation e do programa AI for Health, da Microsoft, eles receberão um fundo de US$ 100 mil (R$ 515 mil) para seu desenvolvimento por um ano. Acesse aqui o anúncio do Grand Challenges.

Os pesquisadores da Fiocruz à frente dos três projetos selecionados pelo Grand Challenges Icoda Covid-19 Data Science

Efetividade da vacinação de Covid-19 no Brasil utilizando dados móveis, liderado por Fernando Bozza, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz); Avaliação dos efeitos das desigualdades sociais na pandemia de Covid-19 em um país de média e baixa renda, comandado por Maria Yury Ichihara; e Avaliação rotineira de infecções, prevenção e controle de Sars-Cov-2 em populações desiguais, que tem à frente Juliane Fonseca, ambas do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), estão entre os dez escolhidos, numa seleção que envolveu mais de 400 inscritos de 69 países. Além dos três projetos brasileiros, os demais selecionados incluem pesquisadores de 19 países com foco particular em nações de rendas média ou baixa, como Colômbia, Ruanda e África do Sul. 

Luz sobre “invisíveis” 

Pesquisador do INI e chefe do Laboratório de Medicina Intensiva, Bozza lidera o projeto que tem cerca de 15 pessoas em seu núcleo central, entre epidemiologistas, engenheiros de computação, cientistas de dados, não só da Fiocruz, como também da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), em diferentes estados. O grupo já vinha trabalhando com o impacto da Covid-19 sobre o sistema de saúde brasileiro. Agora, o projeto passa a englobar a vacinação, seu acesso e efetividade, tanto para evitar a forma grave da doença como o contágio, em especial nas populações mais vulneráveis. 

“No início da pandemia, desenvolvemos um aplicativo de testagem, Dados do Bem, que já teve mais de dois milhões de downloads. Essa informação coletada vai ser usada para entender a efetividade nas comunidades onde a gente vem trabalhando em mais detalhe, como é o caso da Maré”, explica Bozza, referindo-se à comunidade no Rio onde já era desenvolvido o Conexão Saúde, um projeto que se refletiu na redução de mortes por Covid-19, e que agora também inicia um estudo de vacinação em massa. 

O pesquisador lembra que o Brasil, ao longo dos anos, vem construindo um sistema de informação bastante amplo, como o Data SUS. “Por outro lado, ainda falta muito na área de análise. Hoje, muitas das políticas no país ainda são baseadas em impressões”, diz Bozza. Para ele, o novo projeto pode contribuir para aprofundar a cultura de análise de dados em saúde, em tempo real, de uma forma mais próxima das pessoas e das comunidades. “Essa é uma das contribuições que eu gostaria que o projeto trouxesse: trazer essa luz aos invisíveis. O Estado brasileiro e o sistema de saúde ainda não têm capacidade de enxergar bem e entender o que acontece nessas comunidades.” 

Cidacs em dose dupla 

Os outros dois projetos escolhidos vêm do Cidacs, com alcance igualmente nacional. O grupo de Maria Yury é integrado por cerca de dez pessoas da Fiocruz, da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da London School. Ele pretende criar um Índice de Desigualdade Social para a pandemia, o IDS-Covid-19, medindo as diferenças em termos socioeconômicos, demográficos e de acesso aos cuidados de saúde. Seu desenvolvimento é um desdobramento do Índice Brasileiro de Privação (IBP), de cuja elaboração a vice-coordenadora do Cidacs também participou.  

“Esse índice vai medir a condição de vulnerabilidade, como está a desigualdade da população em relação à doença”, conta Maria Yuri. Se o IBP já usava dados do censo, como renda, escolaridade e condições de moradia, o novo índice vai agregar uma dimensão sociodemográfica — como raça, idade e densidade domiciliar —, além de informações sobre o acesso ao sistema de saúde. Vai mostrar ainda a curva de mortalidade por Covid-19 nos 5.570 municípios brasileiros. A partir daí serão analisados os padrões e sua relação com o indicador de desigualdade. 

“Espero que esse índice possa auxiliar a entender melhor o impacto da Covid em áreas mais vulneráveis, a desenhar políticas de proteção social, a mitigar os efeitos adversos da pandemia e melhor alocar recursos”, conta. Como o trabalho parte de dados simples de serem coletados por organismos demográficos e de estatística em países de baixa e média rendas, Maria Yuri espera que outras nações possam reproduzir a metodologia.  

Tradução de estatísticas 

Já o trabalho liderado por Juliane Fonseca pretende desenvolver métodos matemáticos e estatísticos para estabelecer modelos sobre a transmissão da Covid-19 e tornar esses dados mais acessíveis à população. Ele é uma continuação de um projeto financiado pelo Programa Fiocruz de Fomento à Inovação, o Inova Fiocruz. Em sua primeira parte, foi desenvolvida uma plataforma de visualização de modelos analíticos, onde os dados são atualizados em tempo real, para ver cenários e métricas e saber se a doença está controlada ou não. Com a verba do Icoda, ele entra em uma nova fase.  

“O objetivo é continuar com essa plataforma e ter agora resultados que impactem mais nas estratégias de vacinação, levando em consideração a questão da pobreza. Temos um mapeamento em tempo real do risco de infecção e hospitalização para cada cidade brasileira”, conta a pesquisadora da Fiocruz e da Universidade do Porto, à frente de uma equipe de nove pessoas, que inclui ainda integrantes da UFBA. 

Um outro aspecto é o trabalho de divulgação científica junto às comunidades, que já vinha sendo desenvolvido. Agora os pesquisadores esperam conseguir entrar um pouco mais nas áreas mais carentes. “Vamos usar cartilhas, minicursos, seminários, vídeos explicativos para deixar mais palpável o que a gente tem na parte de matemática e estatística, os resultados analíticos e as recomendações, por meio de uma linguagem mais acessível”, conta. 

Muito competitivo, o chamado grant pilot, além de recursos, traz projeção internacional. “Um dos pontos importantes do Icoda é que ele destaca muito a cooperação internacional. Tudo o que a gente está desenvolvendo fica aberto e pode ser reproduzido. Um país na África pode aproveitar nossos dados e conhecimento, por exemplo”, diz Juliane. “Ter três projetos da Fiocruz entre esses dez selecionados é muito importante. Mostra que a Fiocruz tem impacto e que é um exemplo”, conclui. 

Grand Challenges e ICODA 

O Grand Challenges é uma família de iniciativas lançadas pela Fundação Bill & Melinda Gates em 2003 para estimular inovações em busca de soluções para problemas globais em saúde e desenvolvimento. Já o International Covid-19 Data Alliance (ICODA) é uma aliança global convocada pela HDR UK (o instituto nacional para dados de saúde do Reino Unido), em 2020. A iniciativa já mapeou cerca de cem repositórios de dados, plataformas e bancos de dados relevantes para o combate à Covid-19. Apoiam ainda a iniciativa a Mindaroo Foundation, uma organização filantrópica com base na Austrália, e a AI for Heath, um programa filantrópico da Microsoft destinado a melhorar as condições de saúde no mundo.

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Dissertação avalia desempenho diagnóstico de antígenos recombinantes quiméricos do T. cruzi

Autoria: Ramona Tavares Daltro
Orientação: Fred Luciano Neves Santos
Título da dissertação: “WESTERN BLOT COMO FERRAMENTA DIAGNÓSTICA PARA IDENTIFICAR A DOENÇA DE CHAGAS CRÔNICA UTILIZANDO PROTEÍNAS RECOMBINANTES QUIMÉRICAS”.
Programa: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa
Data de defesa: 05/08/2021
Horário: 09h00
Local: Sala virtual do Zoom

RESUMO

INTRODUÇÃO: A doença de Chagas (DC) é causada pelo Trypanosoma cruzi. Sua forma de infecção pode ser vetorial, oral ou congênita, além da transfusão sanguínea. No Brasil, o número de indivíduos infectados varia de 1,9 a 4,6 milhões e, na América Latina, de 5 a 7 milhões. A fase crônica da doença é caracterizada pela presença de anticorpos IgG anti-T. cruzie o seu diagnóstico é realizado por métodos sorológicos, principalmente o ELISA indireto. A OMS preconiza a utilização de dois testes distintos para o diagnóstico da DC e a combinação dos resultados define os indivíduos como positivos, negativos ou, no caso de discordância entre eles, inconclusivos. Neste último caso, um teste confirmatório deve ser empregado, como o Western blot (WB) ou a PCR; no entanto, esta última apresenta baixa sensibilidade na fase crônica da doença. Quatro antígenos recombinantes quiméricos, denominados IBMP-8.1, IBMP-8.2, IBMP-8.3 eIBMP-8.4 foram expressos pelo nosso grupo e avaliados em estudos de fase I, IIe III, utilizando o ELISA, o microarranjo líquido e a imunocromatografia, obtendo acurácia de 95 a 100%. Estes antígenos também foram submetidos à avaliação para detecção da DC em cães. Em 2016, o único teste de Western blot produzido no Brasil foi descontinuado e, por conta disso e devido ao elevado desempenho diagnóstico conferido aos antígenos IBMP, investigamos a utilização destas moléculas em diagnosticar a DC utilizando ensaios de WB.

OBJETIVO: Avaliar e validar o desempenho diagnóstico dos antígenos recombinantes quiméricos do T. cruzi (IBMP-8.1,IBMP-8.2, IBMP-8.3 e IBMP-8.4) como matrizes antigênicas utilizando plataforma de WB no diagnóstico da DC crônica.

MATERIAL E MÉTODOS: Foram avaliadas 22 amostras positivas, 24 negativas e 3 positivas para leishmaniose visceral. A padronização dos ensaios foi realizada através de diferentes diluições dos antígenos, dos anticorpos conjugados e das amostras séricas. A validação do potencial diagnóstico foi realizada através de curvas ROC. A reatividade cruzada também foi avaliada para leishmaniose visceral.

RESULTADOS: Todos os antígenos IBMP apresentaram 100% de sensibilidade, especificidade e acurácia, com exceção doantígeno IBMP-8.3, que obteve 90,9% de sensibilidade, 100% de especificidade e 95,7% de acurácia. Todavia, não houve diferença significativa nos referidos valores.

CONCLUSÕES: No presente estudo (fase I ou prova de conceito), os antígenos IBMP apresentaram elevada capacidade em diferenciar amostras positivas das negativas para a DC, sendo, portanto, elegíveis para o estudo de fase II.

Palavras-chave: doença de Chagas, Trypanosoma cruzi, Imunodiagnóstico, Western blot.

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Desempenho de antígenos para o diagnóstico de doença de Chagas é tema de dissertação

Autoria: Natália Erdens Maron de Freitas
Orientação: Fred Luciano Neves Santos
Título da dissertação: “CONJUGAÇÃO DE ANTÍGENOS RECOMBINANTES QUIMÉRICOS DO Trypanosoma cruzi À PEROXIDASE E SUA AVALIAÇÃO COMO FERRAMENTA DIAGNÓSTICA PARA DETECÇÃO DA DOENÇA DE CHAGAS”.
Programa: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa
Data de defesa: 10/08/2021
Horário: 14h00
Local: Sala virtual do Zoom

RESUMO

INTRODUÇÃO: O ELISA geralmente é o teste de escolha para o diagnóstico da doença de Chagas(DC), no entanto, o seu desempenho depende da preparação antigênica utilizada na fase sólida, podendo levar a resultados falso-positivos e reações cruzadas. A utilização de antígenos recombinantes quiméricos pode superar esta limitação. Quatro antígenos quiméricos do T. cruzi (IBMP-8.1, IBMP-8.2, IBMP-8.3 e IBMP-8.4) foram desenvolvidos e avaliado sem estudos defase I e II. Contudo, a utilização de anticorpo secundário anti-IgG humano marcado com peroxidase, como ocorre na metodologia indireta, limita o uso da técnica para a detecção de anticorpos espécie-específicos e classe-específicos. Para proporcionar a identificação da DC em diferentes espécies através do mesmo ensaio é possível utilizar o próprio antígeno quimérico marcado com peroxidase, através da metodologia do ELISA sanduíche duplo antígeno(DAS-ELISA).

OBJETIVO: Avaliar e validar o desempenho diagnóstico dos antígenos IBMP-8.1, IBMP-8.2, IBMP-8.3 e IBMP-8.4 como matrizes antigênicas e agentes de detecção após conjugação à peroxidase, para o diagnóstico da DC em humanos.

MÉTODOS: O DAS-ELISA foi otimizado por checkerboard titration. Para o estudo da fase I(prova de conceito), foram avaliadas 207amostras positivas e 205negativas. A reatividade cruzada para outras infecções também foi avaliada utilizando 68 amostras.

RESULTADOS: As condições selecionadas para realização dos ensaios foram 25ng de antígeno, conjugado diluído de 1:2.000 para todas as moléculas e ausência de diluição sérica. No presente estudo, as áreas abaixo da curva dos antígenos IBMP-8.1,IBMP-8.2, IBMP-8.3 e IBMP-8.4 foram de 98,7%, 99,5%, 98,6% e 98,8%, respectivamente. Dentre as amostras positivas, o antígeno IBMP-8.1 classificou 53 (25,6%) como falso negativas, o IBMP-8.2, 27 (13%), o IBMP-8.3, 24 (11,6%) e o IBMP-8.4, 43 (20,8%), conferindo valores de sensibilidade de 74,4%, 87%, 88,4% e 79,2%, respectivamente. O único antígeno que não atingiu uma especificidade de 100% foi o IBMP-8.3, com 96,6%. Esta foi também a única molécula a apresentar reatividade cruzada com uma amostra de HTLV.

CONCLUSÃO: O DAS-ELISA é uma ferramenta promissora para o diagnóstico da DC e, apesar dos altos valores de AUC encontrados, o desempenho deste ensaio foi diferente dos valores obtidos pelo nosso grupo ao empregar esses antígenos no ELISA indireto, por este motivo, melhorias serão consideradas para aumentar a sensibilidade do DAS-ELISA no estudo de fase 2.

Palavras-chave: doença de Chagas, Trypanosoma cruzi, Imunoensaio, Imunodiagnóstico, ELISA.

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Websérie | Esquistossomose | Episódio 2

No vídeo “Helmintíases: Esquistossomose – Conhecendo o parasito”, saiba sobre os estudos em andamento, na Fiocruz Bahia, que podem colaborar para o desenvolvimento de vacinas e fármacos contra o Schistosoma. A Fiocruz Bahia produziu uma websérie sobre as principais pesquisas realizadas na instituição.

Os vídeos, publicados semanalmente nas redes sociais, estão divididos em 9 temas: arbovirose, big data, câncer, células-tronco, doença de Chagas, doença falciforme, helmintíase, HTLV, leishmaniose e tuberculose.As gravações tiveram início em 2019, por isso a maioria das entrevistas foram realizadas antes da pandemia.

Confira!

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Melhores trabalhos de iniciação científica são premiados na RAIC 2021

A Reunião Anual de Iniciação Científica (RAIC) 2021 da Fiocruz Bahia foi realizada nos dias 22 e 23 de julho, na modalidade virtual, por conta da pandemia de Covid-19. No evento, promovido pela Vice-diretoria de Ensino da Fiocruz Bahia, através do Programa Institucional de Iniciação Científica (PROIIC), os estudantes realizaram as apresentações de seus estudos desenvolvidos na instituição e receberam os prêmios de Melhores Trabalhos e Menções Honrosas.

Participaram da RAIC a vice-diretora de Ensino da Fiocruz Bahia, Claudia Brodskyn, a coordenadora do PROIIC, Juliana Menezes Fullam, e os demais integrantes da comissão, Ana Carolina Menezes, Bruno Solano e Jorge Clarêncio. Os trabalhos foram divididos em 5 bancas e avaliados por pesquisadores internos e externos.

Na abertura, Claudia Brodskyn deu as boas vindas e falou da importância da ciência. “Agradeço aos alunos que estão aqui para falar de seus trabalhos e estão confiantes na ciência. Mais do que nunca, nós mostramos que a ciência é importante, que merece todo o investimento, e que só assim o país se desenvolve, não só na Saúde, demonstrada através da pandemia, mas também em áreas de tecnologia extremamente importantes”, afirmou.

Este ano a RAIC foi realizada em duas etapas. Uma oficial da Fiocruz, baseada nos relatórios das pesquisas entregues pelos alunos, e outra voluntária, “para dar oportunidade aos alunos que ainda não puderam obter resultados de seus trabalhos, devido à pandemia, de discutirem seus projetos”, explicou Juliana Fullam, que recebeu os participantes.

Clique aqui e confira o resultado da premiação.

 

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Websérie | Helmintíases: Esquistossomose | Episódio 1

No vídeo “Helmintíases: Esquistossomose – O que é?” saiba sobre o Schistosoma, como é o seu ciclo natural, o que este parasito pode causar no corpo humano e as pesquisas em desenvolvimento na Fiocruz Bahia.

A Fiocruz Bahia produziu uma websérie sobre as principais pesquisas realizadas na instituição. Os vídeos, publicados semanalmente nas redes sociais, estão divididos em 9 temas: arbovirose, big data, câncer, células-tronco, doença de Chagas, doença falciforme, helmintíase, HTLV, leishmaniose e tuberculose.

As gravações tiveram início em 2019, por isso a maioria das entrevistas foram realizadas antes da pandemia.

Confira!

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RAIC vai premiar os melhores trabalhos

A Reunião Anual de Iniciação Científica (RAIC) da Fiocruz Bahia será realizada dias 22 e 23 de julho, no formato virtual. O público pode assistir à abertura, que acontece às 08h30, neste link. Os trabalhos dos alunos serão apresentados ao longo do dia, divididos em 5 bancas:

Banca 1 – Sala Virtual 5 
Banca 2 – Sala Virtual 4 
Banca 3 – Sala Virtual 5
Banca 4 – Sala Virtual 4
Banca 5 – Sala Virtual 3 
 
O encerramento será no dia 23 de julho, às 09h00. Clique aqui para participar. A programação conta com a palestra do pesquisador da Fiocruz Bahia, Bruno Solano, intitulada “Há espaço para a terapia celular no tratamento da COVID-19?”. 
 
Clique aqui e confira a programação completa.
 
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Websérie | Playlist: Arboviroses

A Fiocruz Bahia lançou uma websérie que aborda as principais pesquisas realizadas na instituição. O primeiro módulo abordou os estudos em arboviroses. Os vídeos, publicados semanalmente nas redes sociais, estão divididos em 9 temas: arbovirose, big data, câncer, células-tronco, doença de Chagas, doença falciforme, helmintíase, HTLV, leishmaniose e tuberculose. As gravações tiveram início em 2019, por isso a maioria das entrevistas foram realizadas antes da pandemia.
 
O objetivo é reforçar a importância da cultura científica, levando ao conhecimento do público as atividades de pesquisas da instituição, que tem como missão promover a melhoria da qualidade de vida da população através da geração e difusão de conhecimento científico e tecnológico.
 
Confira a playlist! 
 

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Websérie | Confira o episódio 9: Diagnóstico

No vídeo “Diagnóstico” os pesquisadores explicam a importância da avaliação de kits de diagnóstico para as arboviroses e como estão as pesquisas desenvolvidas na Fiocruz Bahia.

A Fiocruz Bahia produziu uma websérie sobre as principais pesquisas realizadas na instituição. Os vídeos estão divididos em 9 temas: arbovirose, big data, câncer, células-tronco, doença de Chagas, doença falciforme, helmintíase, HTLV, leishmaniose e tuberculose.

As gravações tiveram início em 2019, por isso a maioria das entrevistas foram realizadas antes da pandemia.

Confira!

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Especial Dia da Vacina BCG – 1º de Julho

No Dia da Vacina BCG, comemorado em 1º de julho, a Fiocruz Bahia celebra a importância do imunizante no avanço da prevenção da tuberculose e na diminuição da mortalidade infantil pela doença. Esse ano, a vacina completa 100 anos de seu desenvolvimento e continua sendo altamente estudada, não só por sua eficácia contra as formas mais graves de tuberculose, como também para investigar como o Bacilo de Calmette-Guérin (BCG) gera proteção indireta contra outras doenças.

Criada pelos bacteriologistas Léon Calmette e Alphonse Guérin, em 1921, na França, a vacina BCG, que no Brasil é administrada nos primeiros dias de vida do bebê, protege contra o desenvolvimento de doenças graves como a meningite tuberculosa e a tuberculose miliar, principalmente durante os primeiros anos de vida do indivíduo. Infelizmente a sua eficácia contra as formas da doença em adultos não é tão satisfatória. Apesar disso, mesmo com o avanço da ciência e da tecnologia, a comunidade científica ainda não conseguiu criar outra vacina que substituísse a BCG, oferecendo a mesma eficácia e custo-benefício.

A Fiocruz Bahia produziu um vídeo especial sobre a vacina, com especialistas convidados. A pesquisadora Margareth Dalcolmo, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) abordou o andamento do Brace Trial Brasil (BTB), projeto coordenado pela cientista, que avalia se a BCG poderá proteger ou atenuar a Covid-19. Já a pesquisadora Leila de Mendonça Lima, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), falou sobre a importância do sequenciamento da BCG no Brasil. O pesquisador Maurício Barreto (CIDACS/Fiocruz Bahia), que coordenou a pesquisa Revac BCG, comentou sobre o estudo que envolveu mais de 300.000 indivíduos em idade escolar e levou ao fim a política de revacinação da BCG no Brasil. Devido à pandemia de Covid-19, as entrevistas foram realizadas remotamente, através do Zoom.

Todo o material comemorativo do Dia da BCG foi realizado em parceria com a pesquisadora da Fiocruz Bahia, Theolis Bessa, que lidera o Grupo de Pesquisa Clínica Fiocruz em Tuberculose. 

Confira o vídeo especial:

Veja a linha do tempo da vacina BCG, desde sua criação:

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Pesquisadores criam sistema para otimizar as medidas restritivas e de distanciamento social no controle da Pandemia

Economia ou saúde? A falsa dicotomia propagada diante das medidas de contenção da pandemia por Covid-19 no Brasil perdeu mais uma nuance. Se os gestores fossem orientados por informações ideais, que pudessem permitir a adoção de medidas de distanciamento no momento e na dose adequada, mais vidas poderiam ser salvas e o impacto econômico reduzido no curso de uma pandemia. Para tornar isso possível, um sistema de controle preditivo foi desenvolvido no âmbito da Rede CoVida, fruto da colaboração científica de pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) e da engenharia de controle e automação da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, que lideraram a pesquisa.

O estudo foi recém-publicado no periódico “Scientific Reports“, do grupo Nature, um dos mais relevantes do mundo. Além do Cidacs e da Ufba, o artigo é assinado por pesquisadores vinculados a instituições internacionais, como Universidade de Almería, na Espanha, a Universidade do Porto, em Portugal e Swansea University, no País de Gales, além das nacionais Universidade Federal de Santa Catarina e Universidade de São Paulo (USP).

Nas simulações realizadas pelos pesquisadores, ao analisar as medidas passadas e em um cenário otimista, a adoção do sistema poderia ter evitado até em 64% o número de casos, internações e óbitos com uma melhor administração dos períodos de imposição de medidas de distanciamento social. “No entanto, é importante destacar que é uma análise a posteriori e que a aderência da sociedade às medidas governamentais é fundamental para o bom funcionamento do sistema”, ressalta o pesquisador da Ufba Marcus Americano da Costa, um dos líderes do estudo.

“Aqui na Bahia, por exemplo, tivemos agora a adoção de medidas mais rígidas com a chegada do São João. Com o método desenvolvido é possível fazer avaliações de forma contínua, em qualquer local, e utilizando métricas objetivas de acordo com o nível de transmissão do vírus na região estudada e dosar as medidas de restrição de forma mais adequada e efetiva”, pontua o pesquisador do Cidacs Pablo Ramos.

O sistema

O sistema desenvolvido pelo grupo permite analisar, avaliar e fazer previsões ao longo do tempo dos indivíduos susceptíveis, expostos, infectados sintomáticos e assintomáticos, ocupação dos leitos clínicos e UTI, recuperados e dos casos letais. Além disso, foi incorporado ao modelo uma variável de comportamento social, desenvolvida a partir do mapeamento dos decretos municipais e estaduais e da mobilidade da população.

Para construir o sistema de controle, os pesquisadores utilizaram técnicas computacionais em áreas como sistemas dinâmicos, identificação de sistemas, otimização, modelagem matemática e engenharia de controle. O sistema de controle foi implementado sobre um modelo epidemiológico, proposto anteriormente por pesquisadores da Rede CoVida, que representa de maneira realística o comportamento dinâmico não linear da propagação do Covid-19, a partir de dados como hospitalizações em leitos clínicos e UTI e mortalidade.

Essas técnicas combinadas culminaram em um sistema que gera previsões sobre a pandemia para os próximos dias e sugere assim as melhores tomadas de decisão para o controle da propagação da doença. Para validar os resultados obtidos com o sistema, os pesquisadores realizaram simulações com dados reais de diversas localidades e fizeram uma análise detalhada do desdobramento da pandemia na Bahia, avaliando ainda os efeitos da adesão da população às medidas de restrição.

“Dentre algumas inovações como um rigoroso modelo que associa a resposta epidêmica a índices de mobilidade social, o nosso principal resultado é que o estudo proposto possibilita definir a intensidade das políticas públicas de restrição (ou flexibilização) que minimizem as infecções e casos letais, garantam o não colapso dos sistemas de saúde e não comprometam desnecessariamente as atividades econômicas. Ou seja, são estratégias que permitem balancear da melhor forma possível os impactos na saúde e economia”, explica Americano da Costa.

Os autores ressaltam que, mesmo com a imunização da população em andamento, a adoção do sistema desenvolvido será útil, não só para locais sem disponibilidade suficiente de vacinas, mas para outras epidemias. “Na falta de vacinação generalizada capaz de induzir a imunidade de rebanho, estratégias para coexistir com o vírus enquanto minimizar os riscos de surtos são fundamentais, o que deve funcionar em paralelo com a reabertura das sociedades”, anuncia o artigo.

Adoção

O sistema já está disponível para ser adotado por qualquer gestor público, mas para ser utilizado deve estar programado especificamente em algum computador e é necessário que o gestor tenha um conhecimento básico em análise de dados e interpretação de gráficos. Contudo, os pesquisadores trabalham agora na criação de um ambiente acessível para o usuário comum, além de um modelo que inclua os efeitos das vacinas, para se adequar ao momento atual.

O desenvolvimento do sistema reforça a importância da aproximação entre o conhecimento científico e a Gestão Pública, especialmente em casos de grande impacto sobre a vida social, como da atual pandemia, como pontua Mauricio Barreto, um dos líderes do estudo e coordenador do Cidacs: “A ciência tem dado grandes contribuições para o controle desta pandemia, porém os gestores públicos sempre estão carentes de instrumentos que permitam o manejo mais integrado da pandemia. O estudo mostra a possibilidade da existência destes instrumentos mediante a integração de conhecimentos advindos da modelagem de sistemas complexos, epidemiologia e engenharia de controle”.

 

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Abertas as inscrições para processo seletivo do PROFORTEC-SAÚDE

Estão abertas, até 29 de julho, as inscrições para o processo seletivo da Turma 2021, do PROFORTEC-SAÚDE (Programa de Formação Técnica em Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde). Os candidatos devem se inscrever através do Campus Virtual Fiocruz, nos links destinados ao perfil para o qual deseja se candidatar (disponíveis abaixo), seguindo as orientações da Chamada Pública 01/2021
 
O PROFORTEC-Saúde tem como objetivo principal contribuir para a consolidação do Sistema Único de Saúde – SUS, por meio de qualificação profissional em serviço para desenvolvimento de competências em atividades laboratoriais, ciência de dados e de apoio à pesquisa científica  em saúde. A qualificação em serviço acontecerá ao longo de 21 meses (2 anos), com início em setembro de 2021 e término em maio de 2023. 
 
Em 2021, a qualificação contemplará 2 perfis: Laboratórios e Plataformas e Ciência de Dados. O candidato deve ser maior de 18 anos, ter disponibilidade de 40 horas semanais e ser portador de diploma de ensino técnico profissionalizante nas áreas compatíveis com o perfil especificadas na Chamada Pública. 

 

PERFIL LABORATÓRIOS E PLATAFORMAS – inscrições aqui. 
 
PERFIL CIÊNCIA DE DADOS – inscrições aqui.
 
 
 
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Websérie | Confira o oitavo episódio: Bueiros como foco de mosquito

No vídeo “Vetores – Bueiros como foco de mosquito” conheça a pesquisa desenvolvida na Fiocruz Bahia sobre a presença de mosquitos transmissores de arboviroses como dengue, chikungunya, zika e febreamarela, em bueiros de Salvador.
 
A FiocruzBahia produziu uma websérie sobre as principais pesquisas realizadas na instituição. Os vídeos estão divididos em 9 temas: arbovirose, big data, câncer, células-tronco, doença de Chagas, doença falciforme, helmintíase, HTLV, leishmaniose e tuberculose. As gravações tiveram início em 2019, por isso a maioria das entrevistas foram realizadas antes da pandemia.
 
Confira! 
 

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Tese investiga mecanismos na ação leishmanicida de inibidores da Hsp90

Autoria: Luana Carneio Palma Gonçalves
Orientação: Patrícia Sampaio Tavares Veras
Título da tese: “Investigação de mecanismos envolvidos na ação leishmanicida de inibidores da Hsp90”.
Programa: Pós-Graduação em Patologia Humana e Experimental
Data de defesa: 30/06/2021
Horário: 13h30
Local: Sala virtual do Zoom

RESUMO

A leishmaniose é uma doença infecciosa causada por parasitos protozoários do gênero Leishmania. Independente da manifestação clínica da doença, o tratamento convencional é baseado principalmente no uso de antimoniais pentavalentes e anfotericina B. Entretanto, tais drogas exibem alta toxicidade, efeitos colaterais graves e administração prolongada. Desse modo, a busca por compostos mais eficazes e menos tóxicos para o tratamento da leishmaniose é emergencial. Neste contexto, os inibidores da Hsp90 têm sido estudados para o tratamento da leishmaniose, entre eles, os inibidores da família da geldanamicina (GA). Estudos demonstraram que o 17-N-alil amino 17-demetoxi geldanamicina (17-AAG) foi capaz de reduzir em 90% o percentual de macrófagos infectados por L. amazonensis, assim como o número de parasitos intracelulares. Esse efeito ocorreu em doses que não foram tóxicas para o macrófago, que é célula hospedeira para Leishmania spp. Apesar das evidências do efeito leishmanicida desses inibidores, pouco se sabe como atuam durante a infecção por Leishmania. Assim, para desenvolvimento de um esquema terapêutico ideal para a leishmaniose, por meio do uso de inibidores da Hsp90, a compreensão dos mecanismos envolvidos na ação leishmanicida desses compostos é fundamental. Desse modo, o objetivo do presente trabalho foi investigar possíveis mecanismos de ação de inibidores da Hsp90, incluindo GA, 17-AAG e 17-dimetil-amino-etil amino-17-demetoxi geldanamicina (17-DMAG), sobre a morte de Leishmania. Nessa tese focamos principalmente no composto hidrossolúvel 17-DMAG. Nossa hipótese é que os inibidores de Hsp90 teriam um efeito duplo, direto sobre a Leishmania, assim como sobre a célula hospedeira, modulando a resposta inata, facilitando a morte intracelular de L. amazonensis. Assim, a eficácia em matar o parasito em concentrações não tóxicas para o macrófago poderia estar relacionada a uma maior afinidade dos inibidores da família da GA pela Hsp90 do parasito em comparação a sua afinidade pela Hsp90 da célula hospedeira, resultante de possíveis diferenças estruturais e funcionais entre os ortólogos de Hsp90, Hsp83 de Leishmania e Hsp90 da célula hospedeira. Além disso, hipotetizamos que inibidores da família da GA poderiam contribuir para a morte do parasito por meio de ativação do inflamassomo. Para avaliação do efeito direto do inibidor, inicialmente, avaliamos a toxicidade do parasito e da célula hospedeira aos inibidores GA, 17-AAG e 17-DMAG, e confirmamos que L. amazonensis foi mais sensível aos inibidores do que a célula hospedeira. Em seguida, utilizando uma abordagem in silico, avaliamos as interações presentes entre GA, 17-AAG e 17-DMAG e Hsp83 de L. amazonensis ou Hsp90 humana. Os dados mostraram predominância de ligações de hidrogênio mediadas por moléculas de água na interação entre os inibidores e Hsp90 humana, enquanto que, ligações diretas de hidrogênio foram observadas entre os inibidores e Hsp83 de L. amazonensis. Em seguida, a partir de análises de docking foi observado que GA, 17-AAG e 17-DMAG tendem a se ligar com maior intensidade a Hsp83 de L. amazonensis do que Hsp90 humana, o que pode estar relacionado às ligações diretas de hidrogênio presentes entre inibidores e Hsp83 de L. amazonensis. Posteriormente, foi avaliado o efeito do inibidor de Hsp90, 17-DMAG, na modulação da resposta imune da célula hospedeira, especificamente na ativação do inflamassoma. Os dados mostraram que células infectadas tratadas com 17-DMAG apresentaram níveis elevados de IL-1 quando comparados com células infectadas não tratadas, sugerindo ativação do inflamassoma. Entretanto, em macrófagos com inibição de caspase 1 e em macrófagos de camundongos C57BL6 NLRP3-/- a morte do parasito induzida por 17-DMAG não foi alterada, sugerindo que o inflamossomo NLRP3 não tem influência sobre o efeito leishmanicida desse inibidor da Hsp90. Em conclusão, nessa tese apresentamos evidências que o 17-DMAG tem efeito direto na morte de Leishmania, o que pode ser explicado pela maior tendência de ligação entre o inibidor e Hsp83 do parasito do que Hsp90 humana. Estudos serão futuramente conduzidos para esclarecer se a produção de IL-1em macrófagos tratados com 17-DMAG influenciam na morte de L. amazonensis em macrófagos infectados e tratados por 17-DMAG.

Palavras-chave: Leishmania, Hsp90, 17-DMAG

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