Estudo acompanha bebês assintomáticos que tiveram infecção por Zika na gestação

Visando contribuir para o conhecimento sobre a infecção congênita por Zika, pesquisadores da Fiocruz Bahia realizaram um estudo de 14 casos de recém-nascidos sem microcefalia, com diagnóstico do vírus durante a gestação, em uma maternidade de Salvador, entre fevereiro e agosto de 2016. O trabalho foi publicado no International Journal of Infectious Diseases, sob a coordenação da pesquisadora Isadora Siqueira.

O diagnóstico de zika foi feito pelo teste RT PCR específico para a doença. Dos bebês, oito apresentaram positividade para zika em amostras de urina, cinco em plasma de cordão umbilical, dois na placenta e um em soro. Em dois casos, o vírus foi detectado em duas amostras diferentes: em um houve detecção em plasma e urina e em outro, em plasma e placenta. A análise filogenética indicou que a cepa do vírus pertencia ao genótipo asiático, que se agrupou intimamente com outras sequências isoladas nas regiões Norte e Nordeste.

No artigo, os pesquisadores relatam que a identificação do Zika em recém-nascidos é difícil devido ao longo período entre a infecção no útero e o nascimento do bebê. Porém a identificação da presença do vírus nas amostras  demonstra a persistência do vírus em recém-nascidos mesmo meses após a infecção na gravidez.

Cinco destes bebês foram acompanhados durante o período de dois anos, nenhum deles evoluiu com complicações neurológicas, oftalmológicas e auditivas. Os pesquisadores recomendam que, mesmo nos casos assintomáticos de bebês que tiveram infecção por zika em sua gestação, o acompanhamento médico seja realizado para detecção precoce de possíveis complicações clínicas e neurológicas tardias.

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Divulgado edital de seleção do PGPAT 2022.2

A Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Patologia Humana e Experimental (PGPAT), da Universidade Federal da Bahia em Ampla Associação com a Fiocruz Bahia, divulga o edital e a abertura das inscrições de candidatos para o processo seletivo 2022.2, para mestrado e doutorado, no período de 12 de abril a 26 de abril de 2022. 

O curso é composto por dois grandes eixos – Patologia Humana e Patologia Experimental. O eixo de Patologia Humana é restrito a Médicos. O eixo de Patologia Experimental é aberto a graduados nas grandes áreas: ciências biológicas e da saúde.

Clique aqui e consulte o edital.

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Fiocruz Bahia completa 65 anos produzindo conhecimento e tecnologia em saúde com excelência

Realizada no dia 05 de abril, no auditório Aluízio Prata, a cerimônia em celebração aos 65 anos do Instituto Gonçalo Moniz – Fiocruz Bahia, que contou com a presença da presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, reuniu autoridades, membros da comunidade científica, do Fórum das Unidades Regionais da Fiocruz (FUR) e colaboradores da instituição. Produzido em formato híbrido, o evento teve, em seu início, o anúncio do lançamento da exposição comemorativa de fotografias, que compõem a memória da instituição. Também foi apresentado o trailer do documentário ‘Sônia e Zilton: ciência, saúde e amor’. O filme e a exposição integram as ações em comemoração aos 65 anos da unidade e serão lançados ainda em 2022.

Na sequência, a mesa diretora deu início às homenagens. A diretora da Fiocruz Bahia, Marilda Gonçalves, começou dando as boas-vindas aos presentes e agradecendo a participação de todos e todas. Emocionada, Marilda falou do orgulho de fazer parte da história do IGM, citando o apoio e parceria com outras unidades da Fiocruz e instituições públicas, além da comunidade científica.

“Nós somos uma comunidade de quase 650 pessoas e lidamos no dia a dia com cada uma dessas pessoas. Não é uma comunidade pequena, os problemas também não são pequenos, mas existe um eixo central que liga todos nós que é a excelência em pesquisa, a excelência no ensino. Temos um time muito jovem de pesquisadores que congregam com o mesmo sentimento que os pesquisadores que já estavam na Unidade. Nós temos certeza de que eles darão continuidade ao que nós começamos”, afirmou. Em seguida foi aberto o espaço para uma breve saudação de alguns convidados que puderam expor os seus depoimentos e felicitações ao IGM.

A presidente da Fundação Oswaldo Cruz, Nísia Trindade, considerou o encontro e a possibilidade de realização de um evento parcialmente presencial como algo de grande importância diante das restrições impostas pela pandemia da Covid-19. “Ainda estamos em uma situação de pandemia, mas vemos os efeitos do trabalho da ciência, da tecnologia e do Sistema único de Saúde e, especialmente, os efeitos da vacinação”, salientou. A presidente também destacou a atuação da unidade na produção e no compartilhamento de conhecimento, atuando junto ao sistema de ciência, tecnologia e inovação, com compromisso social e em defesa do SUS. “O nosso papel hoje tem que ser o da construção coletiva a partir dos nossos conhecimentos e das nossas práticas”, ponderou.

O reitor da Universidade Federal da Bahia – UFBA, João Carlos Salles, ressaltou a parceria entre a universidade e a Fiocruz Bahia, especialmente na produção de conhecimento no âmbito dos programas de pós-graduação e do desenvolvimento de pesquisa. “Neste momento de pandemia, que solicitou a todos uma atuação decisiva, nesse momento em que a Fiocruz teve um protagonismo imenso em nosso país juntamente com as nossas universidades, a gente começa a recuperar a imagem do servidor público como aquele que, de certa forma, realiza essa unidade entre profissão e vocação, ou seja, nós nos realizamos na causa coletiva e eu creio que nós estamos celebrando isso aqui”, concluiu.

Representando o governador do Estado da Bahia, Rui Costa, a secretária de Saúde do Estado da Bahia, Adélia Pinheiro, ressaltou a presença e o protagonismo feminino na instituição. “Como é importante falarmos da presença e da liderança feminina. Mais do que ver a liderança feminina na Fiocruz Nacional e na Fiocruz Bahia, falo do orgulho que é ver as duas lideranças conseguirem, num cenário que é de agravo cotidiano à ciência, à tecnologia e à saúde, a proteção e a ampliação da importância e do fazer da Fiocruz, garantindo que a instituição siga a sua trajetória e sinalize o seu futuro”, concluiu.

A secretária de Política para as Mulheres do Estado da Bahia, Julieta Palmeira, destacou as contribuições e o protagonismo da Fiocruz Bahia para todo o país, desde a sua fundação. “Eu queria saudar a todas, todos e todes porque vocês representam exatamente o que temos de melhor na perspectiva de ideias e de desenvolvimento, na pesquisa e no trabalho cotidiano. Desejo que possamos ter mais mulheres, que essa sub representação feminina nas áreas de tecnologia e pesquisa possam ser superadas com mais celeridade e que tenhamos a valorização das mulheres  como chefes de grupo de pesquisa, que é o que eu considero um ponto definidor nesse desenvolvimento do Brasil”, ressaltou.

A secretária de Promoção da Igualdade Racial do Estado da Bahia – Sepromi, Fabya Reis, participou da celebração via Zoom e falou da importância de poder firmar parcerias entre a sua pasta e a Fiocruz Bahia. “Nós temos orgulho de integrar essa parceria para que nós, através deste trabalho, possamos destacar grupos de pesquisa que tenham foco na saúde dos povos tradicionais e projetos voltados à população negra, dedicando atenção aos temas transversais da nossa Bahia e a Fiocruz tem demonstrado todo esse empenho, numa parceria que nos deixa bastante feliz”, destacou.

Manoel Barral, pesquisador e ex-diretor da instituição, relembrou a tradição da unidade no desenvolvimento de pesquisas e as contribuições para a saúde, destacando os avanços e desafios enfrentados. “Acompanhar as transformações da ciência é extremamente importante e o IGM está conseguindo fazer isso. Está conseguindo acompanhar esse movimento e se manter. Essa talvez seja uma das características que distingue a Fiocruz de outras instituições, ela é uma instituição para a saúde que sempre teve a vitalidade para enfrentar os desafios”, afirmou ele, reforçando a importância da inovação para a sobrevivência e expansão para a área da produção científica.

O pesquisador e ex-diretor da Fiocruz Bahia, Mitermayer dos Reis, destacou a realização das pesquisas desenvolvidas no âmbito da instituição e a relação com as comunidades e sujeitos pesquisados, chamando atenção para o compromisso social e a inclusão de moradores que acabam por despertar o interesse pela carreira científica. “É fazendo pesquisa de campo em locais como o Subúrbio Ferroviário, Pau da Lima e Pirajá que nós estabelecemos uma relação com sujeitos que não só têm nos ajudado em uma relação amigável, como também estamos vendo-os se transformarem em pesquisadores. Eles se especializaram, fizeram mestrado, doutorado e hoje são referência para o Brasil”, afirmou.

Também participaram das comemorações a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo do Estado da Bahia (SECTI), Mara Clécia Dantas Souza; o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia – Fapesb, Marcio Costa; o pesquisador emérito da Fiocruz e membro da Academia de Medicina da Bahia, Bernardo Galvão; o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical – SBMT, Julio Croda; e a diretora da Associação dos Servidores da Fundação Oswaldo Cruz – Asfoc, Michele Alves.

Importância da patologia investigativa e da análise de dados no IGM

Após o pronunciamento da mesa diretora, a programação em homenagem aos 65 anos da Fiocruz Bahia seguiu com a realização das palestras ‘O IGM e a Patologia investigativa e diagnóstica na Fiocruz Bahia’, apresentada pelo pesquisador Washington Luis Conrado e ‘A importância da análise de grandes bases de dados na saúde pública, proferida pelo pesquisador especialista, Maurício Barreto.

Durante a sua apresentação, Washington apresentou alguns dos principais avanços alcançados no âmbito da patologia investigativa e as contribuições para o campo da pesquisa sobre doenças como a Doença de Chagas, leishmaniose e esquistossomose. O palestrante também considerou as contribuições do Dr. Zilton Andrade para o desenvolvimento das análises e a produção de conhecimento, que continuam sendo de suma importância para as novas gerações de pesquisadores atuantes na área. “Hoje o IGM presta serviço a toda a rede pública, aos hospitais públicos e filantrópicos, recebe biópsias renais e hepáticas desses locais e dá suporte de consultoria a alguns laboratórios privados”, informou.

Maurício Barreto apresentou o trabalho desenvolvido pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs), responsável pela realização de estudos e pesquisas com base em projetos interdisciplinares originados na vinculação de grandes volumes de dados, com foco na investigação em saúde. Segundo o palestrante, países como a Inglaterra têm dedicado grandes investimentos na área, transformando a análise de dados em políticas e ações, apoiando o desenvolvimento de pesquisas. Barreto também destacou a iniciativa e o apoio da Fiocruz na realização das ações promovidas pelo Cidacs e a parceria com outras instâncias do poder público.

“O Cidacs nasceu não só com apoio material, mas com apoio afetivo. Nós fomos crescendo e hoje ocupamos uma área substancial do prédio que nos foi cedido pelo governo do estado”, afirmou. O Centro atua na condução de estudos e pesquisa, desenvolvendo novas metodologias investigativas, treinamento científico e profissional, com importantes contribuições para a saúde pública, especialmente durante a pandemia da Covid-19.

Confira as fotos:

 

 

 

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Bioassinaturas de vias inflamatórias na leishmaniose tegumentar é tema de tese

Autoria: Hayna Malta Santos
Orientação: Valéria de Matos Borges
Título da tese: “Bioassinaturas de vias inflamatórias na leishmaniose tegumentar: um olhar integrado”
Programa: Pós-Graduação em Patologia Humana
Data de defesa: 26/04/2022
Horário: 09h00
Local: Sala virtual do Zoom

RESUMO

INTRODUÇÃO: A Leishmaniose Tegumentar (LT) é uma doença parasitária que pode resultar em um amplo espectro de formas clínicas a depender de determinantes do hospedeiro e do parasito. Entender essas características nos diferentes desfechos clínicos é importante a fim de identificar novos alvos terapêuticos. Fármacos antimoniais pentavalentes, são a primeira classe de drogas utilizadas durante o tratamento das leishmanioses. No entanto, cerca de 45% dos pacientes apresentam falha na terapia no Brasil. Nesse sentido, a identificação de potenciais biomarcadores de gravidade de doença ou controle do parasito pode favorecer o desenvolvimento de terapias direcionadas ao hospedeiro que podem incrementar o manejo clínico de casos graves/complicados. OBJETIVO: Neste estudo, avaliamos biomarcadores de gravidade de doença e falha terapêutica em pacientes com leishmaniose tegumentar e o papel das resolvinas na resistência à infecção por Leishmania. RESULTADOS: Nossos resultados demonstram que pacientes com LCD apresentam uma ativação diferencial da via das poliaminas e aminoácidos quando comparados a LCL ou LCM podendo ser utilizada como biomarcador de gravidade de doença. Além disso, encontramos uma bioassinatura influenciada por proteínas plasmáticas e mediadores lipídicos que prediz com alta acurácia a falha terapêutica na LT. Experimentos adicionais in vitro utilizando neutrófilos humanos revelaram que a RvD1 promove a replicação intracelular da L. braziliensis, no entanto, o mecanismo por trás desse efeito ainda precisa ser investigado. CONCLUSÃO: Os resultados sugerem que as vias de produção das poliaminas e mediadores lipídicos podem ser utilizados como biomarcadores de gravidade de doença e falha terapêutica e que a RvD1 favorece a resistência do parasito, podendo em conjunto servir como uma potencial estratégia terapêutica.

Palavras chave: Leishmaniose Tegumentar, arginase, poliaminas, L. braziliensis, mediadores lipídicos, Resolvina D1.

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Efetividade de quatro vacinas em casos de reinfecção por Covid-19 é avaliada em estudo

Um novo estudo do projeto VigiVac da Fiocruz, publicado na revista Lancet Infectious Diseases nesta quinta-feira (31/3), demonstra que mesmo pessoas previamente infectadas pelo Sars-CoV-2 apresentam aumento dos níveis de proteção quando vacinadas. A maior efetividade foi observada com os quatro imunizantes aplicados no Brasil (Coronavac, AstraZeneca, Janssen e Pfizer-BioNtech) na prevenção contra a Covid-19. A pesquisa mostra um aumento da proteção para evitar infecção e, principalmente, hospitalização e óbito de pessoas que já tinham sido infectadas antes de se vacinarem. 

Entre aqueles que já tinham sido infectados antes da vacinação, a eficácia do imunizante contra contra hospitalização ou morte 14 ou mais dias após a conclusão da série vacinal foi de 81,3% para a CoronaVac, 89,9% para a AstraZeneca, 57,7% para a Janssen e 89,7% para a Pfizer. Os dados reforçam que todas as quatro vacinas conferem proteção adicional contra desfechos graves de Covid-19. Além disso, o fornecimento de uma série completa de vacinas para indivíduos após a recuperação de Covid-19 pode reduzir a morbidade e a mortalidade.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores utilizaram a metodologia de estudo de teste negativo (TND) com caso-controle. Baseando-se nos dados nacionais de notificação, hospitalização e vacinação de Covid-19, no período de fevereiro de 2020 a 11 de novembro de 2021, os pesquisadores identificaram 213.457 pessoas que apresentaram doença sintomática e realizaram teste de RT-PCR pelo menos 90 dias após a infecção inicial por Sars-CoV-2 e após o início do programa de vacinação. Entre eles, 14,5% (30.910 pessoas) tiveram a reinfecção confirmada.

Os pesquisadores então compararam casos sintomáticos de RT-PCR positivo com até dez integrantes do grupo controle que apresentaram sintomas e testes RT-PCR negativos, restringindo ambos os grupos a testes feitos pelo menos 90 dias após uma infecção inicial. A partir de regressão logística condicional multivariável, eles avaliaram as chances de positividade do teste e as chances de hospitalização ou morte por Covid-19 de acordo com o status vacinal e o tempo desde a primeira ou segunda dose das vacinas.

Além da Fiocruz, outras instituições brasileiras financiaram a pesquisa: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e a empresa JBS. O trabalho também contou com o apoio do Instituto de Saúde Carlos III, o Ministério da Ciência e Inovação da Espanha e o Governo da Catalunha.

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Projeto Meninas Baianas na Ciência é selecionado na 2ª Chamada Garotas STEM

O projeto Meninas Baianas na Ciência, da Fiocruz Bahia, foi selecionado pela 2ª Chamada Garotas STEM: Formando futuras cientistas, do programa Mulheres na Ciência, do British Council em parceria com a Fundação Carlos Chagas. Ao todo foram selecionados 30 projetos que promovem a participação mais ampla de alunas do ensino fundamental e médio nas carreiras científicas e tecnológicas no Brasil, gerando interesse e incentivando-as a seguirem nas áreas STEM (sigla em inglês para as disciplinas de Ciências, Tecnologia, Engenharias e Matemática).

O objetivo da chamada é apoiar o desenvolvimento científico e tecnológico estimulando o interesse, a participação e a formação de garotas para carreiras em áreas científicas e tecnológicas, onde mulheres ainda se encontram subrepresentadas. As propostas receberão apoio, por meio de recursos financeiros e treinamento em ensino de ciências e sua interlocução com as discussões de gênero e raça. Vão participar grupos diversos, das cinco regiões brasileiras, que trabalham com crianças e jovens da educação básica nas temáticas de gênero e ciências. O curso será iniciado na próxima quinta-feira (31/03) e novas ações do projeto Meninas Baianas na Ciência estão previstas para o segundo semestre desse ano. 

Organizado pelas pesquisadoras da Fiocruz Bahia Isadora Siqueira, Karine Damasceno e Natalia Tavares, o Meninas Baianas na Ciência visa incentivar alunas a conhecerem e se interessarem por áreas de ciência, tecnologia e inovação, terem exemplos de atuação de mulheres na ciência nos quais possam se inspirar, além de fortalecer e divulgar o papel das mulheres nas áreas de ciências em saúde. 

As atividades de treinamento serão ministradas pelo STEM Education Hub – uma parceria entre o King’s College London e o British Council para a promoção da cooperação entre Brasil e Reino Unido nas frentes de pesquisa, formação e inovação. “A aprovação do projeto nos sinaliza que o trabalho realizado ao longo destes dois anos está no caminho certo. Neste momento, teremos a oportunidade de aprender e aprimorar ferramentas de ensino para atuarmos de forma cada vez mais inclusiva e assertiva na formação das meninas baianas participantes”, afirma Karine Damasceno. 

Para Natália Tavares, participar dessa chamada é de importância fundamental para ampliar os formatos de atuação junto às meninas, já que as coordenadoras do projeto farão uma imersão num curso com especialistas no tema. “Com certeza, essa oportunidade tem muito a acrescentar ao nosso projeto, qualificando a equipe e trazendo um novo olhar sobre nossas ações”, declara a pesquisadora.

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Sensores irão quantificar poluição do ar em Ilha de Maré e Região Metropolitana de Salvador

Dez sensores, com este, serão instalados em escolas e Unidades Básicas de Saúde.

A Ilha de Maré e Região Metropolitana de Salvador receberão sensores para medição de material particulado PM 2.5, Dióxido de nitrogênio, Dióxido de Enxofre, Ozônio, umidade e temperatura. O primeiro será instalado amanhã (24/03), às 10h, na Escola Municipal de Paripe, com a participação da Secretária de Sustentabilidade e Resiliência de Salvador, parceira do projeto. O objetivo da iniciativa, coordenada pela pesquisadora da Fiocruz Bahia, Nelzair Vianna, é desenvolver estratégias para uma vigilância popular em saúde e ambiente, aplicando a visão de saúde planetária na identificação de vulnerabilidades socioambientais e sanitárias no contexto antes e pós-pandemia. 

Ao todo serão instalados 10 sensores, em escolas e Unidades Básicas de Saúde, sendo quatro em Ilha de Maré, um na Ilha dos Frades, quatro no Subúrbio Ferroviário e um será para controle. Esta região foi selecionada por ser historicamente impactada pela proximidade com fontes industriais e já vem sendo acompanhada por pesquisadores. Os dispositivos funcionam com auxílio de tomada elétrica e rede wi-fi. Os dados são coletados por um sistema e serão disponibilizados em dashboard, facilmente acessados em aplicativo pelo celular ou computador, em tempo real. “A proposta é que este projeto inicie uma rede permanente de monitoramento da qualidade do ar em Salvador com sensores de baixo custo, integrando dados para uma rede internacional, a ser gerenciada pelo poder público. Esta rede deverá ser ampliada para cobertura de toda a cidade”, explica Nelzair. 

Os resultados da pesquisa devem servir de apoio para propostas de regulamentação para padrões de qualidade do ar e mitigação das fontes emissoras, que poderão contribuir para a redução dos gases de efeito estufa e o combate às mudanças climáticas. As informações também serão utilizadas pelos setores de saúde e ambiente para tomada de decisão local e políticas públicas, como a implementação do programa de Vigilância em Saúde de Populações Expostas à Poluição Atmosférica – VIGIAR e instalação de unidades sentinelas para sintomas de doenças relacionadas à exposição da poluição do ar.

Além disso, toda a comunidade terá acesso aos dados, facilitando o desenvolvimento das ações de ciência cidadã. Os estudantes, por exemplo, conduzidos pela colaboração de professores da rede e gestores, trabalharão em projetos relacionados ao tema utilizando esses dados. Isto ampliará a percepção de riscos pela população e o engajamento para as estratégias de controle das fontes emissoras de poluição do ar. A comunidade local participa ativamente do projeto com o delineamento das ações e guia as atividades de campo. Reuniões são feitas regularmente para alinhamento dos objetivos com lideranças comunitárias e gestores locais das unidades de saúde e escolas deste território.  

Segundo Nelzair, a poluição do ar é uma ameaça para a saúde pública no século XXI e já tinha sido declarada como uma Pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS), pois contribui para a morte prematura de até 9 milhões de pessoas ao ano. Também, uma associação dos efeitos da poluição do ar com o aumento da mortalidade e morbidade pela Covid-19 tem sido observada. “Populações mais vulneráveis têm sido mais impactadas pela pandemia, tanto pelas desigualdades sociais, étnicas, ambientais e econômicas como também pela exposição direta aos poluentes atmosféricos, o que requer abordagem no território para encaminhamento de possíveis soluções”, afirma a pesquisadora.  

Outros métodos também serão aplicados para caracterizar e identificar fontes emissoras, bem como modelos matemáticos para acompanhar a dispersão de poluentes. A iniciativa faz parte de uma pesquisa da Fiocruz Bahia, realizada com apoio do Programa Inova Fiocruz, por meio do Edital Territórios Sustentáveis e Saudáveis no contexto da pandemia Covid-19, e em parceria com o Ministério da Saúde, Secretaria de Sustentabilidade e Resiliência de Salvador,  Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/ Fiocruz), Fiocruz Brasília, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), PUC Rio – Laboratório de Qualidade do Ar, SUPREMA – Faculdade de Ciências Médicas de Juiz de Fora e a Conforlab. 

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Build what you love: aula inaugural discute educação, ciência e tecnologia

Realizada no dia 11 de março, através da plataforma virtual Zoom, a aula inaugural dos programas de pós-graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI), em Patologia Humana e Experimental (PgPAT – UFBA/Fiocruz Bahia) e em Pesquisa Clínica (PPgPCT)  reuniu alunos, professores, coordenadores e demais colaboradores dos programas. O evento contou com a palestra intitulada “Build what you love”, ministrada pela bióloga Khady Sall, fundadora da organização sem fins lucrativos Science Education Exchange for Sustainable Development (SeeSD), para promover a ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática (STEAM), no seu país de origem, Senegal.

A diretora da Fiocruz Bahia, Marilda de Souza Gonçalves, abriu o encontro dando boas-vindas aos participantes e reforçando a importância do momento, mesmo após tantas restrições impostas pela pandemia da Covid-19. “É uma honra ter todos vocês e a nossa palestrante aqui. Estar, hoje, começando mais um ano letivo, é muito importante para todos nós”, afirmou. Em seguida, a pesquisadora da Fiocruz Bahia, Patrícia Veras, que mediou o encontro, apresentou a palestrante e agradeceu a participação de Khady Sall. 

A palestrante iniciou falando sobre a sua experiência com a educação, ciência e tecnologia e da decisão de voltar para a sua cidade natal após o doutorado, com o objetivo de incentivar a educação científica para alunos de todas as idades, atuando de forma simples, com referências presentes no cotidiano e no modo de vida local. A convidada destacou as dificuldades, a falta de recursos humanos, além das diversas formas de desigualdade e preconceito enfrentados nesse percurso. Atualmente, a SeeSD atua na realização de atividades práticas que proporcionam o pensamento crítico e a iniciação científica, além de oficinas e eventos ligados ao tema. A organização também recruta e treina voluntários que desejam contribuir com a causa.

Durante a apresentação, Khady Sall ainda defendeu a importância de uma educação inclusiva, capaz de abranger o maior número e diversidade de pessoas. Após a exposição, o espaço foi aberto para perguntas e contribuições, que foram debatidas com a convidada. A vice-diretora de Ensino da Fiocruz Bahia, Claudia Brodskyn, finalizou o evento apresentando aos estudantes o funcionamento da instituição, as equipes dos cursos de pós-graduação e tirando as dúvidas dos alunos.

Sobre a palestrante

Khady Sall tem doutorado em genética da dormência das sementes e a tolerância à seca, pela Universidade Estatal do Oregon em Corvallis – USA (2017). Dirige o recém criado Ubbil, um laboratório de inovação e Universidade Virtual do Senegal, em Dakar. Clique aqui e acesse o artigo da Nature sobre a palestrante.

 

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Solenidade celebra 65 anos da Fiocruz Bahia

No dia 05 de abril de 2022, a Fiocruz Bahia vai comemorar seus 65 anos, com solenidade que ocorrerá a partir das 9 horas, transmitida pelo canal do YouTube da instituição. O evento será conduzido pela diretora da Fiocruz Bahia, Marilda de Souza Gonçalves, e contará com a participação da presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nísia Trindade, do vice-presidente de Gestão e Desenvolvimento Institucional, Mario Moreira, dos ex-diretores da unidade, Mitermayer Reis e Manoel Barral Netto, e do reitor da Universidade Federal da Bahia, João Carlos Salles, além de autoridades e representantes das instituições da ciência e saúde.

Histórico

Em 1957, foi criado o Núcleo de Pesquisas da Bahia (NEP), por meio de um convênio entre o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), o Instituto Nacional de Endemias Rurais (INERU) e a Fundação Gonçalo Moniz, este último existente desde 1950. Estes fatos marcam a história da Fiocruz Bahia. A criação do instituto se deu com a finalidade de estudar endemias parasitárias no estado.

Em 1970, o NEP foi incorporado à Fiocruz e passou a ser denominado de Centro de Pesquisa Gonçalo Moniz (CPqGM). Em 2016, passou a ser Instituto Gonçalo Moniz (IGM), unidade técnico-científica que tem como foco o estudo de doenças infecciosas, parasitárias, bacterianas, virais, genéticas e crônico-degenerativas, em vacina, diagnóstico e tratamento e na realização de exames anatomopatológicos.

A Fiocruz Bahia abriga três cursos de pós-graduação stricto sensu, em níveis de mestrado e doutorado. O Programa de Pós-graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI) e o Programa de Pós-graduação em Patologia (PgPAT), este último da Universidade Federal da Bahia (UFBA) em Ampla Associação com a Fiocruz Bahia, ambos têm conceito 6 pela CAPES. Recentemente, foi criado o Programa de Pós-Graduação em Pesquisa Clínica e Translacional (PPgPCT), que está em sua primeira turma de mestrado profissional.

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Tese analisa óbitos e internações por intoxicações no Brasil

Autoria: Fernanda Gross Duarte
Orientação: Maria da Conceição Chagas de Almeida
Co-orientador: Edson Duarte Moreira Jr
Título da tese: “ÓBITOS E INTERNAÇÕES DECORRENTES DE INTOXICAÇÕES MEDICAMENTOSAS E NÃO-MEDICAMENTOSAS NO BRASIL”.
Programa: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa
Data de defesa: 11/04/2022
Horário: 09h00
Local: Sala virtual do Zoom

RESUMO

INTRODUÇÃO: O consumo de substâncias químicas cresceu com o desenvolvimento das ciências e o aumento da produção e da circulação de bens. A exposição a produtos perigosos, a substâncias tóxicas ou potencialmente tóxicas, tornou-se um relevante problema de saúde pública em diversos países no mundo. Estima-se que mais de 25% da carga global de doenças está ligada a fatores ambientais, incluindo exposições e uso inadequado de produtos químicos tóxicos. As intoxicações medicamentosas também têm aumentado sua frequência globalmente e se constituem igualmente num problema importante de saúde pública. OBJETIVOS: Estimar
a incidência das hospitalizações por intoxicação não-medicamentosa (NMx), por medicamentos com prescrição (MRx) e por medicamentos isentos de prescrição (MIP), bem como a mortalidade desses agravos no Brasil, descrevendo as tendências observadas no período de uma década (2009 a 2018). MÉTODOS: Os dados de internações hospitalares e óbitos foram originados do DATASUS e os dados demográficos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Foram selecionadas as internações hospitalares cuja AIH (Autorização para Internação Hospitalar) indicasse como procedimento “tratamento de intoxicação ou envenenamento por exposição a medicamento e substâncias de uso não medicamentoso”. A incidência de hospitalização e a mortalidade foram calculadas separadamente para intoxicações causadas por NMx, MRx e MIP. Adicionalmente, as taxas foram estratificadas por sexo, faixa etária e região de residência no Brasil. A análise de tendência foi realizada por regressão linear generalizada pelo método de Prais-Winsten. RESULTADOS: No total, ocorreram mais de 276 mil internações relacionadas ao uso de substâncias químicas durante a década da avaliação do presente estudo. Foram reportados casos de hospitalização por intoxicação em 5.351 municípios de todos os estados no Brasil. As intoxicações por NMx foram as internações mais comuns (45,4%), seguidas das causadas por MRx (30,1%), enquanto as internações por MIP foram as menos frequentes (0,9%). A incidência média de internações por intoxicação NMx (6,28 por 100 mil habitantes) foi superior àquela de intoxicação por medicamentos com prescrição (MRx) (4,16 por 100 mil habitantes), RR=1,5 (IC 95% 1,3. – 1,7); e muito superior àquela de intoxicação por medicamentos isentos de prescrição (MIP) (0,13 por 100 mil habitantes), RR=48,3 (IC 95% 27,9 – 83,7). Ocorreram 4.326 óbitos (3,45%) entre as hospitalizações por intoxicação NMx, a letalidade foi semelhante àquela causada por MRx (3,11%), e superior a observada nas internações por MIP (1,93%). A mortalidade por intoxicação NMx (0,216 por 100 mil habitantes) também foi maior do que a causada por MRx (0,129 por 100 mil habitantes), RR=1,67 (IC 95% 1,34. – 2,09) e muito superior àquela causada por MIP (0,0025 por 100 mil habitantes), RR=86,4 (IC 95% 58,4. – 133,8). Houve uma tendência decrescente na mortalidade e na incidência de internações tanto das intoxicações NMx como das intoxicações por MIP durante o período do estudo no Brasil. A tendência da incidência de internações de intoxicações por MRx foi estacionária, mas a mortalidade mostrou uma tendência crescente no mesmo período. CONCLUSÕES: As internações por intoxicação não-medicamentosa e medicamentosa se constituem num grave problema de saúde pública pelo impacto na saúde individual e coletiva, pelo importante custo econômico e social, pelos riscos que oferece ao meio ambiente e, particularmente, pela natureza prevenível desses agravos.
Palavras-chave: Intoxicação, Medicamento, Farmacoepidemiologia, Mortalidade, Hospitalização.

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Dissertação avalia o potencial terapêutico de L. lactis na leishmaniose cutânea

Autoria: Camila Mattos Andrade
Orientação: Cláudia Ida Brodskyn
Título da dissertação: Lactococcus lactis produtor de HSP65 como alteranativa terapêutica complementar para leishmaniose cutânea causada por Leishmania braziliensis“.
Programa: Pós-Graduação em Patologia Humana e Experimental
Data de defesa: 24/03/2022
Horário: 10h00
Local: Sala virtual do Zoom

RESUMO

INTRODUÇÃO: A leishmaniose é um conjunto de doenças negligenciadas, e uma das suas formas mais frequente no Brasil é a leishmaniose cutânea causada Leishmania braziliensis (L. braziliensis). Esta forma clínica é caracterizada por lesões cutâneas únicas na forma de úlcera com bordas elevadas e fundo necrótico, causada principalmente pela resposta inflamatória exacerbada, induzida por células Th1 produtoras de IFN-γ e apresentando um número reduzido de parasitas no local da lesão. Em modelos de doenças autoimunes e inflamatórias, o uso da indução de tolerância oral (TO) tem se mostrado promissor no desenvolvimento de estratégias terapêuticas, pois os mecanismos regulatórios gerados pela TO diminuem a inflamação causada nestas doenças. Trabalhos da literatura têm mostrado que as Lactococcus lactis (L. lactis), bactérias lácticas, não patogênicas e Gram-positivas são boas ferramentas para a indução da TO. Neste trabalho, utilizamos a cepa recombinante de L. lactis geneticamente modificada produtora da proteína de choque térmico 65 (Hsp65) derivada do Mycobacterium leprae. A Hsp65 possui um papel regulador importante no sistema imune, modulando principalmente respostas inflamatórias devido a sua capacidade de inibir a produção de citocinas, como TNF e IFN-γ, e de aumentar IL-10 pelas células T regulatórias (Tregs). OBJETIVO: Avaliar o potencial terapêutico da administração oral de L. lactis produtoras de Hsp65, como tratamento imunomodulador em modelo experimental de leishmaniose cutânea causada por L. braziliensis em camundongos BALB/c. MATERIAIS E MÉTODOS: Camundongos BALB/c foram desafiados na orelha com promastigotas metacíclicas de L. braziliensis. Após quatro semanas de infecção, os animais foram tratados por via oral com L. lactis produtoras ou não de Hsp65 durante quatro dias consecutivos. Nos diferentes grupos de animais avaliou-se a espessura da lesão, a carga parasitária, citocinas produzidas pelas células dos linfonodos drenantes da lesão e a frequência de células Tregs envolvidas na indução da TO durante todo o período de infecção. RESULTADOS: O acompanhamento semanal da espessura das lesões durante a infecção mostrou que, os animais tratados por via oral com L. lactis produtora de Hsp65 desenvolveu lesões menores e apresentaram uma menor destruição tecidual após o tratamento comparados aos animais dos grupos controles (Lb e Lb/Ø). O tratamento oral com Hsp65 reduziu a carga parasitária a partir de 6 semanas de infecção em relação aos animais que não receberam Hsp65. Foi observado também uma redução na produção de IFN-γ nos linfonodos drenantes da lesão dos animais tratados com Hsp65 seguido de um aumento de IL-10, evidenciando um balanço entre a produção de citocinas pro- e anti-inflamatórias. O tratamento oral com L. lactis produtora de Hsp65 também promoveu o aumento da frequência de células Tregs como CD4+CD25+Foxp3 + e CD4+LAP+ (TGF-β associado à membrana) nos linfonodos drenantes da lesão causada por L. braziliensis. CONCLUSÃO: A utilização da TO utilizando a proteína heteróloga Hsp65 apresenta boas perspectivas para seu emprego no tratamento da leishmaniose cutânea.
Palavras-chave: Hsp65, Leishmaniose, Leishmania braziliensis, Lactococcus lactis, Tolerância oral.

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Abertas as inscrições para simpósio sobre Autofagia, Fagocitose e Resposta Imune Inata

O III Simpósio Internacional em Autofagia, Fagocitose e Resposta Imune Inata, da Fiocruz Bahia, acontece nos dias 16 a 18 de março de 2022, no formato virtual. As inscrições podem ser feitas até 16 de março, através do site do curso.

O objetivo do simpósio é apresentar tecnologias inovadoras e avanços recentes da biologia celular desses mecanismos celulares a estudantes de graduação, pós-graduação e pesquisadores que trabalham com estes temas de importância médica. 

Para consultar a programação e conferir outras informações clique aqui.

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‘Build what you love’ é o tema da aula inaugural da Fiocruz Bahia

Marcando o início das atividades acadêmicas, no dia 11 de março, às 09 horas, será realizada a aula inaugural dos programas de pós-graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI), em Patologia Humana e Experimental (PgPAT/ UFBA-Fiocruz Bahia) e em Pesquisa Clínica (PPgPCT). A palestra intitulada “Build what you love” será ministrada pela bióloga, Khady Sall. O evento conta com a participação da diretora da Fiocruz Bahia, Marilda Gonçalves, que fará as boas-vindas aos alunos, e da Vice-Diretora de Ensino da instituição, Claudia Brodskyn que encerrará o encontro. 

Clique aqui para participar.

A palestrante

Khady Sall tem doutorado em genética da dormência das sementes e a tolerância à seca, pela Universidade Estatal do Oregon em Corvallis – USA (2017). É fundadora da organização sem fins lucrativos Science Education Exchange for Sustainable Development (SeeSD), para promover a ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática (STEAM), no seu país de origem, Senegal. Dirige o recém criado Ubbil, um laboratório de inovação e Universidade Virtual do Senegal, em Dakar. Clique aqui e acesse o artigo da Nature sobre a palestrante.

 

 

 

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Pesquisa avalia aceitação da vacina contra Covid-19 em Salvador

Estimar a aceitação da vacina Covid-19 e identificar fatores associados à intenção de se vacinar entre homens e mulheres, em Salvador, foi o objetivo do estudo de base populacional liderado pelo pesquisador da Fiocruz Bahia, Guilherme Ribeiro. Os resultados da investigação, que foi realizada poucos meses antes do início da vacinação contra Covid-19 no Brasil, foram publicados no periódico PLOS ONE. O trabalho faz parte de uma pesquisa mais ampla, realizada em parceria com a Prefeitura de Salvador. 

No total, foram entrevistadas 2.521 moradores de Salvador com mais de 18 anos de idade. A seleção dos participantes foi feita de forma aleatória e as entrevistas realizadas entre novembro de 2020 e janeiro de 2021. Cerca de 81,4% dos indivíduos entrevistados relataram o desejo de receber uma vacina para Covid-19, enquanto 18,6% disseram hesitar em receber o imunizante. Entre os que pretendiam se vacinar, 68% disseram que pagariam pela vacina se necessário. A aceitação do imunizante foi um pouco maior entre os homens que para as mulheres (85% versus 80%).

Entre os homens, aqueles que trabalhavam e que tinham comorbidades foram os que menos hesitaram sobre o desejo de se vacinar. Entre as pessoas do sexo feminino, aquelas com maior escolaridade, e com alta percepção de risco de infecção da Covid-19 foram as que menos hesitaram sobre a vacinação. O histórico de vacinação contra a Influenza, em 2020, foi o único fator que influenciou a favor da vacinação em ambos os sexos. Com esses achados, os pesquisadores concluíram que campanhas para conscientização da população sobre a importância da vacinação contra o coronavírus deve levar em conta as diferenças entre os gêneros.

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Pesquisadores da Fiocruz Bahia são contemplados com bolsas de produtividade do CNPq

Pesquisadores da Fiocruz Bahia foram contemplados na Chamada Nº 04/2021, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, para concessão de bolsas da modalidade Produtividade em Pesquisa. O resultado foi publicado, em 24/02, no site do CNPq. 

Os objetivos da chamada são valorizar pesquisadores que possuam produção científica, tecnológica e de inovação de destaque em suas respectivas áreas do conhecimento; incentivar o aumento da produção científica, tecnológica e de inovação de qualidade; e selecionar projetos de pesquisa que sejam propostos considerando o rigor e o método científico, bem como outros conceitos fundamentais para a produção do conhecimento científico. As bolsas são divididas nos níveis 1A, 1B, 1C, 1D e 2.

Conheça os cientistas da Fiocruz Bahia contemplados com as bolsas. Clique na imagem para acessar o currículo Lattes:

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Mesas redondas e oficinas foram destaques do Meninas Baianas na Ciência

A segunda edição do Meninas Baianas na Ciência, organizado pela Fiocruz Bahia com apoio da Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC), foi realizada nos dias 11, 15 e 16 de fevereiro, em modelo remoto. O encontro reuniu pesquisadoras e alunas da pós-graduação da Fiocruz Bahia, que ministraram oficinas a alunas da rede pública de ensino, sobre temas como biologia da célula, vacina, métodos de diagnóstico e desenvolvimento de drogas para diversos tipos de tratamento. 

O evento, que acontece no contexto do Dia Internacional da Mulher e Menina na Ciência – 11 de fevereiro, é promovido pelas pesquisadoras da Fiocruz Bahia, Karine Damasceno, Isadora Siqueira e Natália Tavares. A iniciativa tem como objetivo incentivar meninas de escolas públicas de Salvador, Bahia a conhecer e a se interessar pelas áreas de ciência e tecnologia, a partir dos exemplos de atuação de mulheres na ciência, visando inspirar essa vocação, além de fortalecer e divulgar o papel das mulheres nas atividades em áreas de ciência da saúde.

No primeiro dia, aconteceu o evento integrado virtual da Fiocruz em nível nacional. No dia 15, na mesa redonda de abertura, a diretora da Fiocruz Bahia, Marilda de Souza Gonçalves, destacou a importância das parcerias e das iniciativas da instituição, que este ano está completando 65 anos. “Temos um quantitativo acima de 600 pessoas que desempenham diversas atividades na unidade regional. Destas, em torno de 50% são mulheres, então elas constituem uma força de inteligência e trabalho importante na nossa unidade. O espírito é que continuemos nesse caminho, dando oportunidades e trazendo as meninas para que elas conheçam nossa instituição e nossas pesquisas”, declarou. 

Ricardo Riccio, vice-diretor de Pesquisa da Fiocruz Bahia, fez um perfil da participação das mulheres na instituição, no âmbito da pesquisa. “Nossa situação é diferenciada, temos muitas mulheres líderes, chefes e gestoras de grupos e setores. É fundamental que ações como essas, que são lideradas pela Fiocruz, especialmente pela unidade regional da Bahia, possam expor esses exemplos de sucesso de meninas na ciência”, avaliou. De acordo com o vice-diretor, na unidade há 50 servidores em atividade de pesquisa, destes 43% são mulheres. Dos 12 laboratórios da Fiocruz Bahia, cinco são chefiados por mulheres.  

Para a vice-diretora de Ensino, Cláudia Brodskyn, o incentivo à participação de estudantes na ciência é fundamental. “A Fiocruz tem incentivado meninas do Ensino Médio, com iniciativas como as bolsas de Provoc, e, posteriormente, na graduação, com bolsas de Iniciação Científica, que são extremamente importantes para conhecer o universo da pesquisa e da docência, é importante passar o conhecimento adiante. Fazer ciência é árduo mas compensador”, observa. Também participaram da mesa redonda as coordenadoras dos programas de pós-graduação PGBSMI e PGPAT, Deborah Fraga e Valéria Borges, respectivamente. 

Patricia Oliveira, coordenadora do Programa Ciência na Escola, da SEC, ressaltou as ações promovidas pela Secretaria através do programa e comentou sobre a parceria com a Fiocruz. “A gente tem muitos espaços para ocupar enquanto mulheres, pensando na promoção da aprendizagem dos nossos estudantes, despertando o interesse delas pela área científica e fomentando as estratégias da iniciação científica”, disse. 

No terceiro dia do evento, Juliana Menezes, coordenadora do Programa Institucional de Iniciação Científica (PROIIC) da Fiocruz Bahia, mediou a mesa redonda sobre os programas de iniciação científica (IC) e iniciação científica Junior, abordando aspectos como o desenvolvimento de um projeto de pesquisa e o primeiro contato com o pensamento científico. Participaram das discussões as alunas de IC Polyana Bernardes, Astrid Goycochea e Lorena Martins, que estão há 3 na Fiocruz Bahia. “A iniciação científica é o início da formação do pesquisador, mas esse treinamento de desenvolvimento de análise crítica proporcionado por essa experiência os estudantes levam para a vida toda, independente se vão ser pesquisadores ou não. É uma experiência extremamente enriquecedora e proveitosa”, salienta Juliana.

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Determinantes imunogenéticos para tuberculose é tema de tese

Autoria: Juan Manuel Cubillos Angulo
Orientação: Bruno de Bezerril Andrade
Título da tese: “Determinantes imunogenéticos para tuberculose”
Programa: Pós-Graduação em Patologia Humana e Experimental
Data de defesa: 23/02/2022
Horário: 13h00
Local: Sala virtual do Zoom

RESUMO

Estima-se que aproximadamente um quarto da população global está infectada com Mycobacterium tuberculoses (Mtb). Polimorfismos genéticos do hospedeiro podem ser importantes na determinação da suscetibilidade à infecção Mtb, porém seu papel não é totalmente compreendido. No presente estudo, em uma coorte de contatos próximos de pacientes com TB pulmonar confirmados microbiologicamente atendidos em ambulatório de referência de TB no Rio de Janeiro, identificamos potenciais biomarcadores genéticos de suscetibilidade à infecção (conversão do teste tuberculínico (TST)) por Mtb e desenvolvimento de TB ativa, de forma prospectiva e retrospectiva. Além disso, realizamos uma revisão sistemática visando análise de biomarcadores genéticos adicionais. No primeiro estudo, diferente “single nucleotide polymorphims” (SNPs) foram estudados como fatores de risco para conversão do TST e desenvolvimento de TB: TLR2 (rs5743708), TLR4 (rs4986791), TNFA (rs361525), IFNG (rs2430561), IL1B (rs1143627). Em um segundo estudo, 7 SNPs adicionais foram testados para associação com positividade do TT: genes candidatos IFI16-PYHIN1-AIM2 (rs1101998, rs1633256, rs866484), IFIT5 (rs59633641, rs10887959), IFIT1 (rs304478, rs304498) e IRF7 (rs11246213). Ambos os estudos foram realizados em contatos de casos de TB pulmonar confirmados microbiologicamente em laboratórios de referência, no Rio de Janeiro. Finalmente, realizamos uma revisão sistemática para avaliar a associação entre todos os SNPs relatados de CD14 e NOD2 e a ocorrência de TB, e como essa associação pode diferir em populações étnicas distintas. No estudo prospectivo, entre os 526 participantes, 60 tiveram conversão no TST e 44 desenvolveram TB ativa durante o acompanhamento. Na análise de regressão multivariada observou-se que os SNPs em genes TLR4 (odds ratio [OR]: 62,8, intervalo de confiança de 95% [IC 95%]: 7,5–525,3) e TNFA (OR: 4,2, IC 95%: 1,9–9,5) foram independentemente associados à conversão no TST. No estudo retrospectivo foram examinados 482 contatos, dos quais 296 contatos apresentaram TST positivo. Em um modelo multivariável, observamos que no modelo recessivo o SNP PYHIN1-IFI16-AIM2 rs1101998 (OR ajustado [aOR] = 2,90; IC 95% = 1,24-6,78; p = 0,014) e rs1633256 (aOR = 10,1; IC 95% = 2,20- 46,28; p = 0,003) foram associados a um risco aumentado de reatividade no TST. Na revisão sistemática, foram incluídos, 13 estudos que preencheram os critérios de seleção. Destes, 9 foram investigados do gene CD14 e em 6 foi relatada uma associação significativa entre o alelo T e os genótipos TT do SNP rs2569190 e aumento do risco de TB. Ademais, em 4 estudos foram relatadas relações entre os SNPs do gene NOD2 e a TB, e destes, foram observadas associações significativas de rs1861759 e rs7194886 com maior risco de TB em uma população chinesa Han em 2 estudos. Os resultados sugerem associações entre polimorfismos dos genes da imunidade e as probabilidades de infecção e/ou adoecimento por Mtb. No intuito de promover conhecimento sobre fatores imunogenétcos em TB na presente análise, foram apresentadas associações entre polimorfismos de genes relacionados à imunidade e as probabilidades de infecção e/ou adoecimento por Mtb. Palavras chave: Mycobacterium tuberculosis; Polimorfismo de nucleotídeo único; Teste Cutâneo da Tuberculina; CD14; NOD2; receptores Toll-Like; Fator de Necrose Tumoral.

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Tese investiga moléculas diferencialmente expressas em neoplasias mieloproliferativas

Autoria: Rifkath Marie Laurence Rahimy
Orientação: Dalila Lucíola Zanette
Título da tese: “Rastreamento de moléculas diferencialmente expressas em neoplasias mieloproliferativas”.
Programa: Pós-Graduação em Patologia Humana e Experimental
Data de defesa: 22/02/2022
Horário: 09h00
Local: Sala virtual do Zoom

RESUMO

INTRODUÇÃO: As neoplasias mieloproliferativas (NMPs), mais especificamente a Policitemia vera (PV), a Trombocitemia essencial (TE) e a Mielofibrose primária (MFP), são um grupo de doenças clonais da medula óssea, compartilham a mutação JAK2V617F, entre outras características. As células estromais mesenquimais (MSCs) fazem parte do microambiente da medula óssea, e as influências mútuas das MSCs e do clone hematopoético são potencias determinante do fenótipo de NMP. OBJETIVO: O objetivo do presente trabalho foi investigar a expressão gênica e protéica das células estromais e hematopoéticas na PV, na TE e na MFP, em busca de moléculas que possam ser indicadas como biomarcadores de diagnóstico e prognóstico destas neoplasias. MATERIAL E MÉTODOS: As MSCs foram obtidas da medula óssea e os leucócitos do sangue periférico de pacientes com PV, TE, MFP e de indivíduos saudáveis. Extratos proteicos foram obtidos de MSCs de indivíduos saudáveis e de pacientes com PV e TE. O RNAs de MSCs e de leucócitos periféricos de controles saudáveis e de pacientes com PV, TE e MFP foi extraído pelo método de Trizol. Os RNAs foram convertidos em cDNA para as análises de qPCR e os extratos proteicos foram utilizados para análise por espectrometria de massas. RESULTADOS: A análise do proteoma de PV e TE comparados a controles indicou a maior expressão de VPS26A, CTTN, MAP4, TPD52L2, FAM175B, BAX em amostras de MSCs de PV comparadas a MSCs de indivíduos saudáveis, enquanto a proteína TNC mostrou-se menos expressa na PV. Nas MSCs de TE houve maior expressão de ALDH1A3, PON2 e SCP2; e menor expressão de RAB21 e RANBP1. As análises in silico identificaram genes diferencialmente expressos em MFP quando comparadas a controles, sendo que essas diferenças foram verificadas nas amostras de sangue periférico de um número maior de pacientes, com expressão diferencial significativa dos genes AVEN e CRACD, embora a expressão nos leucócitos tenha sido contrária àquela verificada nas MSCs de medula óssea. CONCLUSÕES: Os resultados obtidos indicam a expressão diferencial de algumas moléculas que podem ser potenciais marcadores das NMPs.

Palavras-chave: Células mesenquimais estromais, células tronco hematopoéticas, neoplasias mieloproliferativas, expressão gênica, expressão proteômica.

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Estudante do PGPAT recebe prêmio da Sociedade Internacional de Patologia Urológica

A estudante Maiara Ferreira de Souza que recebeu o Prêmio Stipend, da ISUP.

A doutoranda Maiara Ferreira de Souza, do Programa de Patologia Humana e Experimental (PGPAT), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) em Ampla Associação com a Fiocruz Bahia, foi agraciada com o Prêmio Stipend, da Sociedade Internacional de Patologia Urológica (ISUP). A premiação é um reconhecimento às conquistas acadêmicas de jovens patologistas em todo o mundo, e oferece uma bolsa para complementar a formação dos premiados em estágios e eventos científicos.

Para Maiara, a premiação é uma honra, não só por ser a primeira vez que a ISUP concede um prêmio a uma patologista brasileira, mas também porque muitos autores que hoje são destaques na Patologia Urológica receberam esta honraria no passado. “Fico ainda mais orgulhosa porque o prêmio veio para Bahia. Fiz toda minha formação na UFBA, no Hospital Universitário Professor Edgard Santos e, agora, curso a pós-graduação em Patologia, da UFBA e Fiocruz Bahia. Apesar de importante, nem sempre precisamos de estágios em outros estados ou países para ter uma formação acadêmica e de pesquisa com qualidade”, declara a médica. 

A Coordenação do PGPAT avalia que a premiação da discente é motivo de orgulho e contribui para a excelência do programa que no ano que vem comemora 50 anos de uma história de sucesso na formação de patologistas no país. “A premiação recebida endossa a dedicação da discente e do seu orientador, em um tema de estudo de grande relevância, ao tempo que contribui para a sua trajetória acadêmica no âmbito internacional. Também ratifica a importância dos programas de Pós-Graduação e o investimento em instituições públicas de pesquisa e ensino no Brasil”, afirma Valéria Borges, coordenadora do programa.

O prêmio leva em conta toda a carreira dos patologistas em formação. Orientada por Daniel Athanazio, professor do PGPAT, a tese de doutorado de Maiara Ferreira, que tem foco em biomarcadores de prognóstico no câncer de próstata de baixo risco, é um dos destaques, bem como o trabalho apresentado com dados preliminares, no Congresso Brasileiro de Patologia em Fortaleza, em 2019. O estudo, que tratou da expressão da proteína PTEN em biópsias de próstata – a perda da expressão em tumores de próstata vem sendo relacionada a comportamento mais agressivo -, ganhou o prêmio de bolsa de médico residente oferecido pela Sociedade Brasileira de Patologia. 

“Sem dúvida este reconhecimento é um estímulo muito grande para que eu continue minha formação acadêmica e produção científica. Mas a maior alegria é ter o trabalho reconhecido pela Sociedade Internacional de Patologia Urológica. Nós patologistas, desde o começo de nossa formação, usamos os critérios definidos em consensos e publicações desta sociedade. É muito recompensador fazer parte de tudo isso”, comemora. Este ano, além da brasileira, também receberam o prêmio Robert Humble e Rayan Rammal, dos EUA, e Calim Gurbuz Begüm, da Turquia.

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Desempenho diagnóstico de antígenos na doença de Chagas crônica em cães é analisado em dissertação

Autoria: Natália Dantas Fontes
Orientação: Fred Luciano Neves Santos
Título da dissertação: “AVALIAÇÃO DE ANTÍGENOS QUIMÉRICOS DO Trypanosoma cruzi NO DIAGNÓSTICO SOROLÓGICO DA DOENÇA DE CHAGAS CRÔNICA EM CÃES – UM ESTUDO DE FASE II”
Programa: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa
Data de defesa: 09/03/2022
Horário: 09h00
Local: Sala virtual do Zoom

RESUMO

INTRODUÇÃO: Os cães são considerados reservatórios de importância epidemiológica para a doença de Chagas devido ao seu papel de sentinela, proximidade com os seres humanos e manutenção do ciclo de transmissão em ambientes domésticos e peridomésticos. Além disso, destaca-se a correlação existente com a soroprevalência em humanos. Mesmo com o impacto epidemiológico, a ausência de testes diagnósticos para a detecção de cães infectados é um importante entrave que traz riscos à saúde pública. Uma estratégia para ultrapassar esta limitação baseia-se na utilização de antígenos recombinates quiméricos do Trypanosoma cruzi. Nosso grupo, em um estudo de fase I, avaliou o potencial diagnóstico de quatro antígenos quiméricos e obteve resultados semelhantes aos encontrados em humanos. Desta forma, este estudo sucede ao de fase I, com um quantitativo amostral ampliado afim de avaliar os quatro antígenos quiméricos na detecção da infecção por T. cruzi por meio do ELISA indireto. OBJETIVO: Avaliar o desempenho diagnóstico dos antígenos recombinantes quiméricos do T. cruzi (IBMP-8.1, -8.2, -8.3 e -8.4) em imunoensaios para detecção de anticorpos IgG anti-T. cruzi em cães na forma crônica da doença de Chagas. MATERIAL E MÉTODOS: Os imunoensaios foram otimizados por checkerboard titration. Para o estudo de fase II foi avaliado o desempenho diagnóstico das IBMP a partir de 1.260 amostras séricas caninas provenientes de diferentes estados brasileiros. A reatividade cruzada para outras doenças infecto-parasitárias também foi avaliada em 752 amostras. Ao final, comparou-se o desempenho dos quatro antígenos com teste comercial humano adaptado à espécie canina. RESULTADOS: Os antígenos IBMP alcançaram valores de AUC que variaram entre 89,0-97,4%. O nível de exatidão variou de 87,8-96%. O maior índice de sensibilidade foi atribuído a IBMP-8.2 (90,3%), enquanto a IBMP-8.1, a IBMP-8.3 e a IBMP-8.4 obtiveram 74,8%, 72,6% e 79,6%, respectivamente. A maior especificidade encontrada foi para a IBMP-8.4 (99,6%), seguida pela IBMP-8.1 (90,6%), IBMP-8.2 (96,5%) e IBMP-8.3 (99,0%). O teste comercial adaptado, o Gold Elisa Chagas, apresentou sensibilidade de 62,3%, especificidade de 98,6% e acurácia de 89,9%. O menor índice de reatividade cruzada foi alcançado com a IBMP-8.2 com 0,9%, sendo esta molécula a que mais se aproximou de um teste ideal. CONCLUSÃO: Devido ao bom desempenho das moléculas IBMP no diagnóstico da infecção por T. cruzi em cães, estas são promissoras para a identificação da doença de Chagas canina. A utilização combinada destes antígenos é uma alternativa que visa aumentar os valores de sensibilidade e especificidade em estudos futuros, bem como em outras plataformas diagnósticas.
Palavras-chave: Doença de Chagas, Trypanosoma cruzi, Imunodiagnóstico, antígenos recombinantes quiméricos, cães.

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Dissertação avalia potencial terapêutico do PICTILISIB em carcinoma escamocelular oral

Autoria: Davi Silva Vale Nascimento
Orientação: Bruno Solano de Freitas Souza
Título da dissertação: “Potencial terapêutico do PICTILISIB e seus efeitos na via hedgehog em linhagem metastática de carcinoma escamocelular oral”.
Programa: Pós-Graduação em Patologia Humana e Experimental
Data de defesa: 04/03/2022
Horário: 09h00
Local: Sala virtual do Zoom

RESUMO

O carcinoma escamocelular oral (CEO) é um grave problema de saúde pública com elevada prevalência em populações com baixo nível socioeconômico, sendo frequentemente diagnosticado em fase tardia, quando o prognóstico se torna reservado. Ainda há poucas opções de fármacos para o tratamento deste tumor nos pacientes. Previamente, demonstramos que a via embrionária Hedgehog (HH) está reativada neste tumor, levando a um perfil de maior agressividade. Deste modo, a busca por fármacos inibidores da via HH, seja inibindo sua ativação canônica ou não canônica, passa a ser de grande relevância para o tratamento do CEO. Dentre os mecanismos de ativação não canônica da via HH destaca-se a interação com PI3K/AKT, uma importante via de sobrevivência celular. O objetivo deste trabalho foi avaliar a atividade antitumoral in vitro e a inibição farmacológica de componentes da via HH por um inibidor farmacológico de PI3K, o Pictilisib, em linhagem metastática de CEO. Deste modo, foi realizado o tratamento das células HSC3 com Pictilisib em diferentes concentrações para avaliação da citotoxicidade, viabilidade celular, análise de apoptose por ensaio de Anexina-PI em citometria de fluxo, análise de migração celular por scratch assay, além da avaliação da expressão dos componentes da via HH por western blot, Imunofluorescência e RT-qPCR. O Pictilisib apresentou perfil de citotoxicidade na linhagem HSC3, com valor de CI50 de 0,05 µM. Nas concentrações de 0,97 μM e 1,94 μM, foi demonstrada significativa redução da viabilidade celular, além de aumento do percentual de células na fase sub-G1 após 48 e 72 h de incubação com o Pictilisib na concentração de 0,97 μM. O ensaio de Anexina-PI demonstrou indução de apoptose 48 e 72 h após incubação com o Pictilisib nas concentrações de 0,97 µM e 1,94 µM. O ensaio de migração celular demonstrou que o tratamento com Pictilisib reduziu a migração celular nos tempos de 6 e 24h. Através da técnica de Western blot, as proteínas PTCH1, SHH e GLI1 foram analisadas após o tratamento com o Pictilisib no período de 24h nas concentrações de 0,97 e 1,94 µM, mas não foi observada diferença na expressão destas proteínas com o tratamento. Através da técnica de imunofluorescência, as proteínas GLI1, GLI2 e SMO foram analisadas em relação à presença e à localização. Os resultados demonstram forte
imunoexpressão dos componentes citados, havendo marcação nuclear das proteínas GLI1, GLI2 e SMO em ambas as concentrações com o Pictilisib. A expressão gênica dos componentes da via Hedgehog (GLI1, GLI2 e GLI3), foi avaliada através de RTqPCR na linhagem HSC3 após 24 h de incubação com Pictilisib 1,94 µM. Não foi observada inibição da expressão do mRNA de GLI1 e GLI2, quando células tratadas foram comparadas com o controle não tratado. No entanto, observou-se aumento do mRNA de GLI3 após incubação com Pictilisib a 1,94 µM. Em conclusão, os dados deste estudo dão suporte para um potencial papel do Pictilisib como um fármaco promissor para utilização terapêutica no CEO. O papel deste fármaco na interação do PI3K/AKT com a via HH merece aprofundamento em estudos futuros.
Palavras-chave: Hedgehog; Pictilisib; PI3K/AKT.

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Determinantes da susceptibilidade à infecção e da resposta terapêutica para tuberculose é tema de tese

Autoria: Maria Belen Arriaga Gutierrez
Orientação: Bruno de Bezerril Andrade
Título da tese: “Determinantes clínicos e epidemiológicos da susceptibilidade à infecção pelo mycobacterium tuberculosis e da resposta terapêutica em pacientes com tuberculose”.
Programa: Pós-Graduação em Patologia Humana e Experimental
Data de defesa: 11/02/2022
Horário: 13h00
Local: Sala virtual do Zoom

 

RESUMO

A tuberculose (TB), causada pelo bacilo Mycobacterium tuberculosis, ainda é um problema de saúde pública mundial. A transmissão da TB acontece pelo ar, quando a pessoa infectada expele os bacilos de Koch através da expulsão de gotículas de Flügge, pelo meio da fala, tosse ou espirro, ficando suspenso no ar e podendo ser inalado por outras pessoas. Assim, a pessoa exposta pode-se tonar doente ou com a infecção latente (ILTB). Através do tempo, diversas pesquisas e iniciativas no mundo tem sido feitas para controlar a TB, entre eles a Estratégia para o Fim da TB da Organização Mundial da Saúde, cujo objetivo é eliminar a TB até o ano 2035. Apesar da implementação da estratégia, o cenário para o continente americano não tem melhorado muito em razão do incremento da incidência dos casos de TB, sendo o Brasil e o Peru os países com maior carga da doença. A fim de melhorar o panorama atual, são necessários conhecimentos atuais e adicionais da TB para a implementação de novas abordagens nos sistemas de saúde. Este trabalho de tese agrupa onze manuscritos que identificam potenciais determinantes clínicos e epidemiológicos da susceptibilidade à infecção pelo M. tuberculosis e da resposta terapêutica em pacientes TB. O primeiro estudo utiliza ferramentas estatísticas inovadoras para caracterizar a amostra coorte do RePORT-Brasil e a compara com a população nacional brasileira de TB, além disso identifica fatores associados aos desfechos desfavoráveis no tratamento anti-TB como o uso de drogas ilícitas, coinfecção por HIV e diabetes (DM) apenas na coorte do RePORT-Brasil. O rastreio de contactantes de casos TB e tratamento profilático daqueles com ILTB são importantes para o controle da transmissão da doença, em um dos nossos trabalhos identificamos que não completar a cascata de acompanhamento de ILTB estava associado independentemente com o aumento da idade, baixo status socioeconômico e a coinfecção por HIV. Além disso, seguindo com os resultados no primeiro estudo, demostramos mais uma vez que a DM está associada a um risco aumentado de desfechos desfavoráveis de tratamento, assim como da mortalidade em pacientes com TB pulmonar e comparamos esses resultados com os do SINAN-TB. Na coorte peruana achamos que a disglicemia persistente está associada também com desfechos desfavoráveis no tratamento. Adicionalmente, identificamos que a presença do HIV não afetou substancialmente a apresentação clínica em pessoas com TBDM. Adicionalmente, os contatos de pacientes com TB e pré-DM apresentaram maior risco de QuantiFERON positivo, no início do estudo e os contatos de pacientes que tinham TB-DM apresentaram um risco aumentado de ter uma conversão (QuantiFERON negativo no início para positivo no mês 6). Na triagem de DM nos casos de TB, identificamos diferenças quanto aos valores de HbA1c e FPG para diagnóstico da DM nas coortes do Peru (onde achamos alta prevalência de DM e de pré-DM em casos TB) e do Brasil. Finalmente, na coorte do Peru, a disglicemia (DM e pré-DM) afetou a apresentação lesões pulmonares nos casos de TB e padrões alimentares foram identificados no perfil de ingestão alimentar dos participantes desse estudo. Assim, os manuscritos que compõem a tese, adicionam informação relevante na identificação dos determinantes clínicos e epidemiológicos na infecção, transmissão e tratamento da TB, o que visa ser um suporte para a estratégias implementadas no sistema de saúde.

Palavras-chave: tuberculose, infecção latente, transmissão, tratamento, resultados, determinantes

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Pesquisa descreve distribuição da coinfecção por HIV e HTLV na Bahia

Um estudo analisou a distribuição geográfica e a frequência da coinfecção pelo Vírus Linfotrópico de Células T Humanas (HTLV) e o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) na Bahia, estado endêmico para ambos os retrovírus. A pesquisa foi realizada utilizando todas as amostras submetidas a testes sorológicos do Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (LACEN-BA), de 2004 a 2013, totalizando cerca de 130.000 amostras provenientes de 358 dos 417 municípios baianos.

Os resultados do trabalho, coordenado pela pesquisadora da Fiocruz Bahia Maria Fernanda Grassi, foram publicados no periódico Frontiers in Medicine. Nas análises, o HTLV foi detectado em 2,4% das amostras positivas para HIV e em 0,5% das que apresentaram resultado negativo, apontando um risco quase cinco vezes maior de infecção por HTLV em indivíduos infectados pelo HIV.

A coinfecção foi encontrada em 3,4% dos municípios de todo o estado. As cidades com maior número de coinfecção são importantes centros econômicos ou turísticos do estado, sendo a maioria dos casos em Salvador, que teve 57% das coinfecções. A idade desses indivíduos variou entre 41 e 55 anos. Além disso, a frequência da coinfecção foi maior em mulheres. Os autores do estudo observam que a maior frequência no sexo feminino pode ser explicada pela obrigatoriedade da triagem sorológica de HTLV para gestantes no estado a partir de 2011, o que contribuiu para uma quantidade maior de amostras de mulheres analisadas. 

Os dados sugerem que a coinfecção por HIV e HTLV na Bahia é um evento raro, no entanto os pesquisadores ressaltam que é importante a identificação de fatores de risco para a coinfecção para elaboração de ações eficazes em diversos contextos epidemiológicos específicos de cada região afetada.

HIV e HTLV

O HTLV e o HIV são retrovírus que pertencem à mesma família e não têm cura. O HTLV, que é pouco conhecido, não destrói o sistema imunológico como o HIV, mas causa doenças como leucemia, incontinência urinária, disfunção erétil e problemas neurológicos, sendo a Bahia o estado detentor do maior número de casos deste vírus no país. As principais formas de transmissão de ambos são por meio da relação sexual, aleitamento materno e agulhas de seringas contaminadas. 

Segundo o artigo, estudos anteriores apontam que a coinfecção com HTLV pode interferir no desfecho da infecção pelo HIV, sugerindo que, por um lado o HTLV-1 pode favorecer o aparecimento de doenças oportunistas, ocasionando o aumento da mortalidade, enquanto a coinfecção com o outro tipo do vírus, o HTLV-2, pode retardar a progressão da AIDS. 

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Fiocruz Bahia realiza 2ª edição do evento Meninas Baianas na Ciência

O evento Meninas Baianas na Ciência, organizado pela Fiocruz Bahia com apoio da Secretaria de Educação do Estado da Bahia, será realizado nos dias 11, 15 e 16 de fevereiro, pelo Zoom.

O encontro vai reunir pesquisadoras e alunas da Fiocruz Bahia que ministrarão oficinas a alunas da rede pública de ensino, sobre temas como biologia da célula, vacina, métodos de diagnóstico e desenvolvimento de drogas para diversos tipos de tratamento. Também está prevista a apresentação dos programas de Iniciação Científica da instituição para alunos de Graduação e Ensino Médio.

Esta é a segunda edição do evento, promovido pelas pesquisadoras da Fiocruz Bahia, Karine Damasceno, Isadora Siqueira e Natália Tavares, realizado no contexto do Dia Internacional da Mulher e Menina na Ciência – 11 de fevereiro.

A iniciativa tem como objetivo incentivar meninas de escolas públicas de Salvador, Bahia a conhecer e a se interessar pelas áreas de ciência e tecnologia, a partir dos exemplos de atuação de mulheres na ciência, visando inspirar essa vocação, além de fortalecer e divulgar o papel das mulheres nas atividades em áreas de ciência da saúde.

PRIMEIRA ETAPA

 

Data: 11/02/2022

Divulgação institucional e convite a comunidade da Fiocruz Bahia para o evento virtual integrado em nível nacional no Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência.

SEGUNDA ETAPA

Data: 15/02/2022

14h00-15:00: Abertura – Mesa Redonda com a participação da diretora da Fiocruz-BA, Marilda Gonçalves, da vice diretoria de ensino da Fiocruz-Bahia, Claúdia Brodskyn, do vice diretor de pesquisa, Ricardo Riccio, representante da Secretaria de Educação do Estado da Bahia, Patrícia Oliveira Santos, e das Coordenadoras de Pós-graduação, Deborah Bittencourt e Valeria Borges.
15h00 – 16h00: Oficina 1 (Tema: O mundo invisível da célula)
16h00 – 16h10: Intervalo
16h10 – 17h10: Oficina 2 (Tema: Saiba mais sobre vacinas)
17h10 – 17h30: Discussão e encerramento

Data: 16/02/2022.
14h00 – 15h00: Oficina 3 (tema: Desenvolvimento de testes diagnóstico)
15h00 – 16h00: Oficina 4 (tema: Desenvolvimento de novas drogas para tratamentos)
16h00 – 16h10: Intervalo
16h10 – 17h00: Mesa redonda: apresentação dos programas de Iniciação científica e Iniciação científica junior
17h00 – 17h30: Discussão e encerramento

 

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Tese avalia papel de microRNAs na exposição de células à Leishmania braziliensis

Autoria: Sara Nunes de Oliveira Araújo
Orientação: Natalia Machado Tavares
Título da tese: O papel funcional do miR-193b e miR-205 na exposição in vitro de diferentes células humanas à Leishmania braziliensis
Programa: Pós-Graduação em Patologia Humana e Experimental
Data de defesa: 28/01/2022
Horário: 09h00
Local: Sala virtual do Zoom

RESUMO

As leishmanioses estão entre as enfermidades mais negligenciadas no mundo, afetando as populações mais pobres, principalmente em países em desenvolvimento. A leishmaniose cutânea (LC) é a forma mais frequente dessa doença, caracterizada por lesão(s) cutânea(s) ulceradas(s) com uma inflamação crônica descontrolada. Os mecanismos moleculares associados a regulações pós-transcricionais e a imunopatogênese da LC permanecem pouco compreendidos. Os microRNAs (miRNAs), pequenos RNAs endógenos não codificantes, surgiram nos últimos anos como moléculas-chave na regulação da expressão gênica. Dados do nosso grupo mostraram que o miR-193b, miR-671 e seus alvos estão fortemente correlacionados com o tempo de cura dos pacientes com LC. Estes achados sugerem que este eixo pode desempenhar um papel importante na LC, além de serem candidatos potenciais para o desenvolvimento de novas ferramentas para a doença. Além disso, comparamos o perfil de expressão de miRNAs com outras doenças inflamatórias de pele, onde apenas o miR-205 foi
encontrado com a expressão significativamente inibida em todas as doenças. Diante dessas evidências, este estudo avaliou o papel funcional dos miR-193b e miR-205 na exposição in vitro de diferentes células humanas à Leishmania braziliensis (Lb). No primeiro capítulo, investigamos o perfil de expressão do miR-193b na infecção por Lb em macrófagos humanos in vitro. Inicialmente, análises de predição in silico sugeriram que esse miRNA tem o TREM1, TLR4, TNFRSF1B, CCR7, CD40 e STAT5 como alvos potenciais. Também foi possível validar a expressão desses alvos em novas biópsias de pacientes com LC e apenas a STAT5 não apresentou diferença estatística. Posteriormente, os ensaios com macrófagos infectados por Lb mostraram que a exposição por 30 minutos ou 4 horas reduz significativamente a expressão do miR-193b. Em contrapartida, a expressão do TREM1 foi significativamente aumentada nos dois tempos de infecção, diferente dos demais alvos que não apresentaram uma diferença estatística no perfil de expressão. Com o intuito de avaliar o papel funcional desse miRNA, macrófagos foram transfectados com miR-193b e infectados por Lb por 4 e 12 horas. Não foram observadas alterações nos potenciais alvos ou mediadores inflamatórios. No entanto, após 12 horas, houve redução na taxa de infecção e carga parasitária, sugerindo que este miRNA tem papel no controle da infecção. No segundo capítulo, validamos o perfil de expressão do miR205 em novas biópsias de pacientes com LC. Análises in silico mostraram os alvos do miR205, tanto na LC quanto nas demais doenças, e os resultados indicam que há uma especificidade dos alvos para cada doença avaliada. Sendo assim, validamos os dois genes alvo mais modulados na LC: SULF1 e o IRF1. Ambos, significativamente aumentados nas biópsias, confirmando os resultados das análises. Considerando que os queratinócitos desempenham um papel fundamental na regulação da inflamação da pele, avaliamos a expressão desse miRNA em queratinócitos humanos imortalizados (HaCats) expostos a Lb por 4 ou 24 horas, diante de lesões mecânicas. Os dados sugerem que, independente das lesões, a exposição das HaCats à Lb reduz a expressão desse miRNA. Nas HaCats transfectadas com o miRNA e expostas a Lb não foram observadas alterações na expressão dos alvos preditos, mediadores inflamatórios ou proliferação celular. No entanto, o miR-205 regulou a migração dessas células, uma vez que o percentual de fechamento de lesão no ensaio in vitro foi maior nos grupos transfectados com esse miRNA e menor com a exposição a Lb. Esses dados mostraram que a regulação negativa do miR-205 pode ser um fenômeno comum em doenças inflamatórias de pele, independente da sua etiologia, podendo atuar em processos básicos da biologia da pele e influenciando a cicatrização. Sendo assim, o miR-205 pode ser considerado um candidato promissor para aplicação na prática clínica. Em conjunto, essas análises demonstram o potencial desses dois miRNAs na LC, podendo atuar desde processos iniciais da inflamação até o processo de cicatrização da lesão.

Palavras-chave: Leishmania braziliensis, microRNA, macrófagos, queratinócitos

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