Fiocruz lamenta o falecimento do pesquisador Erney de Camargo, membro de seu Conselho Superior

Agência Fiocruz de Notícias

A Presidência da Fiocruz lamenta profundamente o falecimento, nesta sexta-feira (3/3), aos 87 anos, do parasitologista e protozoologista Erney Felício Plessmann de Camargo, professor-emérito da USP, instituição na qual fez parte do corpo docente do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB). Camargo foi membro do Conselho Superior (CS) da Fundação, órgão consultivo composto por representantes da sociedade civil que não pertençam aos quadros da instituição, e coordenador do Comitê de Avaliação de Credenciamento de Laboratórios no Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

Erney de Camargo na conferência proferida nos 119 anos da Fiocruz (foto: Peter Ilicciev)

Em 27 de maio de 2019, Camargo proferiu a conferência A ciência do futuro e o futuro da ciência na Fiocruz, um dos principais eventos comemorativos dos 119 anos da Fiocruz. Na ocasião, ele lembrou sua trajetória profissional e acadêmica, da conturbada vida política nacional nas últimas décadas, das perseguições e do arbítrio do regime militar e dos pontos de contato que teve com a Fiocruz e seus pesquisadores ao longo dos anos.

Camargo lembrou que quando estudou medicina na USP, na década de 1950, os médicos saíam dos bancos escolares diretamente para os consultórios. Foi justamente naquele período que isso começou a mudar, por empenho de professores como Samuel Pessoa, que se indignava com o descaso com a saúde e as más condições de vida da população brasileira, especialmente os moradores dos rincões interioranos, e com quem Camargo teve aulas. Foi Pessoa quem convenceu o jovem médico para vir ao Rio de Janeiro conhecer o IOC/Fiocruz.

Os primeiros trabalhos de Camargo foram sobre a bioquímica de protozoários parasitas, em colaboração com outro pesquisador que no futuro se tornaria um dos grandes cientistas brasileiros: Luiz Hildebrando. O primeiro trabalho independente, publicado em 1964, versou sobre o crescimento e diferenciação do Trypanosoma cruzi, sendo até hoje citado na literatura científica internacional.

Com o golpe de 1964, Camargo e vários outros pesquisadores foram demitidos da USP, sendo que alguns foram presos. Entre eles, Luiz Hildebrando, Luís Rey e Leônidas e Maria Deane, que mais tarde trabalhariam na Fiocruz. A violência dos inquéritos policiais militares (IPMs) contra as instituições acadêmicas caiu de maneira pesada em cima da Faculdade de Medicina da USP, sobretudo em relação aos pesquisadores que combatiam as precárias condições sanitárias da maior parte da população, e Camargo teve que sair do Brasil, indo para a Universidade de Wisconsin (EUA).

De volta ao Brasil, Erney de Camargo ingressou, em 1970, na Escola Paulista de Medicina, onde ajudou na reorganização do Departamento de Microbiologia e Parasitologia. Mas logo depois ele e Hildebrando foram novamente presos. Camargo trabalhou um tempo na iniciativa privada e foi colega, na Editora Abril, de outros dois perseguidos pelo regime militar: o sociólogo Fernando Henrique Cardoso e o economista José Serra. Com a redemocratização, em 1985 ele retornou à USP como professor Departamento de Parasitologia do ICB. Na universidade ele ocupou cargos administrativos e reconstruiu sua carreira, sendo citado entre os cientistas que compõem a elite brasileira da protozoologia. Seus trabalhos abarcam um amplo espectro do conhecimento, tratando da biologia, da evolução e da filogenia de tripanosomídeos, plasmódios e vetores como o Anopheles. Camargo foi também um dos responsáveis pela criação de um núcleo avançado de pesquisa da USP na cidade de Monte Negro, em Rondônia. 

Graduado em Medicina em 1959, com doutorado e livre-docência pela USP, Camargo foi professor-titular do ICB e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Foi pró-reitor de Pesquisa da USP, diretor do Instituto Butantan e presidente da Comissão Nacional Técnica de Biossegurança (CNTBio) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). No período em que foi presidente do CNPq, de 2003 a 2007, o Conselho expandiu sua capacidade de financiamento e por isso sua gestão é até hoje muito bem avaliada pela comunidade científica brasileira. Camargo era diretor-presidente da Fundação Conrado Wessel e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Foi presidente da Sociedade Brasileira de Protozoologia e membro das sociedades brasileiras de Bioquímica e Parasitologia e da Linnean Society of London. 

Na USP, o pesquisador também trabalhou com taxonomia, filogenia e evolução de tripanosomatídeos. Nos últimos 15 anos atuou, principalmente, na Amazônia, África e América do Sul (Venezuela e Colômbia) e dedicava-se ao Programa Pro-África, tendo visitado aquele continente anualmente, desde 2008. Em 2012 ele recebeu o título de professor-emérito da USP.

Seus quatro filhos (Marcelo, Fernando, Eduardo e Ana Maria) seguem carreiras científicas e sua esposa, Marisis, é professora universitária na área de Literatura Inglesa. Literatura, história, música, futebol, trabalho de campo em malária e seus 11 netos eram suas paixões. O velório terá início às 9h deste sábado (4/3), na Funeral Home, Sala Roma, e a despedida será às 13h. O local fica na Rua São Carlos do Pinhal 376, na capital paulista.

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Fiocruz Bahia vai comemorar Dia da Mulher com palestras e mesa redonda

A Fiocruz Bahia promove, no dia 09 de março, um evento comemorativo do Dia da Mulher. O encontro será realizado no auditório principal da instituição, a partir das 09 horas, e conta com a presença da Vice-Presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Cristiani Machado, que ministrará a palestra intitulada “Divulgação científica e equidade: a experiência da Fiocruz”.

Um dos destaques do evento são as apresentações de ações e iniciativas locais realizadas pela Fiocruz Bahia, como os projetos “Meninas Baianas na Ciência” e “Sons e Imagens da Bahia”, a criação do “Núcleo de Pró-Equidade de Gênero e Raça do IGM” e a Olimpíada Brasileira de Saúde e Ambiente (OBSMA) da Fiocruz na Bahia. No final haverá uma mesa redonda com representantes de secretarias estaduais.

Confira a programação e participe!

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Produção de curso EAD é tema de oficina ministrada na Fiocruz Bahia

A Fiocruz Bahia recebeu, nos dias 6 e 7 de fevereiro, a Oficina de Produção de Cursos EAD, realizada pela equipe do Campus Virtual Fiocruz. A oficina teve como objetivo apresentar a infraestrutura e a experiência da plataforma nos fluxos de trabalho, além de desenvolvimento dos cursos e recursos educacionais. O evento contou com a presença de docentes, pesquisadores e servidores da instituição, reunidos na Sala de Aula II da Biblioteca. 

Nos dois dias de curso, foram apresentados, além do Campus Virtual, o Educare e Moodle; os modelos de desenvolvimento de cursos e de uso do AVA e o sistema de gestão de cursos e certificação. Discutiu-se também o Plano de Trabalho EAD para Fiocruz Bahia, com suas parcerias, necessidades e responsabilidades. O desenvolvimento de cursos EAD, com suas etapas, orçamento (possibilidades e limites), foi também tema das aulas, discutindo o processo de produção dos cursos no CVF, lançamento e gestão (fluxo); conteúdo das aulas; inserção de recursos; papel do autor e papel do design educacional.

De acordo com Clara Mutti, coordenadora de ensino da Fiocruz Bahia, essa plataforma permite também que as unidades possam fazer uso do Latíssimo, sistema de gestão de cursos livres. A oficina permitiu que os docentes conhecessem essas ferramentas, além de compreender o suporte que a Equipe do Campus Virtual pode dar aos docentes e unidades na produção de cursos EAD. “Acredito que conhecer todas essas possibilidades foi um estímulo para que os docentes se aproximem da Educação a Distância”, comentou a coordenadora.

Para Ana Furniel, coordenadora do Campus Virtual, a oficina na Fiocruz Bahia foi uma oportunidade de apresentar o trabalho da plataforma, e principalmente, o fluxo para desenvolvimento de cursos no modelo autoinstrucional. “Houve muita participação, diálogo e tenho certeza de que o início de uma parceria”, declarou.

A oficina contou com a participação de 12 pesquisadores e para a Vice-diretora de Ensino, Claudia Brodskyn, o curso foi proveitoso, dando oportunidade para, em breve, ampliar as práticas educativas para essa modalidade também. Os cursos ofertados na plataforma são sempre gratuitos e voltados para o público externo, podendo atender profissionais, estudantes e a comunidade no geral. “O curso foi realizado com sucesso, porque eles explicaram muito bem todas as etapas e a partir daí a gente conseguiu estruturar os futuros cursos com a linguagem para cada público-alvo” explicou. 

Deborah Bittencourt, pesquisadora da Fiocruz, foi uma das participantes do evento e ressaltou a importância de aprender sobre a formação dos cursos à distância através do Campus Virtual. “Aprendemos, já pensando nas possibilidades de projetos para o futuro”, observou. 

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Dissertação reúne material bibliográfico sobre uso de óleo essencial em pacientes oncológicos

Discente: Mariana Lesquives Leite Vieira
Orientação: George Mariane Soares Santana
Título da Dissertação: “O USO DA AROMATERAPIA COM ÓLEOS ESSENCIAIS NA REDUÇÃO DE SINTOMAS SECUNDÁRIOS CAUSADOS PELO TRATAMENTO ANTINEOPLÁSICO: UMA REVISÃO DE REVISÕES”.
Programa: Pós-Graduação em Pesquisa Clínica e Translacional
Data de defesa: 16/03/2023
Horário: 15h00
Local: Sala do Zoom
ID da reunião: 890 7095 9491
Senha de acesso:
mariana

Resumo

Os cuidados durante o tratamento oncológico podem ser prestados por profissionais de cuidados primários ou especializados, e têm início quando o câncer é diagnosticado. Como abordagem terapêutica, a aromaterapia vem ganhando credibilidade no que diz respeito a dominar a arte da cura, e os óleos essenciais um papel relevante na assistência da saúde, promoção do bem-estar mental, físico e emocional. Diante desse contexto, objetivou-se reunir material bibliográfico sobre como as evidências científicas têm comprovado o uso racional dos óleos essenciais na prática do cuidado em pacientes oncológicos, e para isso, utilizou-se como método a revisão de revisões, ou síntese de evidências, que investiga conceitos-chave subjacentes a uma área de pesquisa fornecendo um mapa das evidências disponíveis através de revisões sistemáticas publicadas sobre o tema. Foram consultadas as bases de dados Medline/PubMed; Embase; Lilacs; Cochrane Library (Revisão Sistemática); Health Evidence e Epistemonikos, empregando as palavras-chaves “aromatherapy” ou armaterapia, “essential oils” ou óleos essenciais, “systematic review” ou revisão sistemática e “meta-analysis” ou meta-análise, utilizadas individualmente ou combinadas através dos termos MeSH (Medical Subject Heading), sendo utilizados também termos “livres” relacionados ao tema: “oncolog”, “cancer” e “neoplasm” e seus respectivos em português. A busca resultou em uma somatória de 132 (cento e trinta e duas) referências: no Embase 74 (setenta e quatro), no Medline/PubMed 34 (trinta e quatro), na Epistemonikos 11 (onze), nas bases de dados Lilac e Cochrane, em cada uma delas, foram selecionados 07 (sete) e no Health Evidence 02 (duas). Após a leitura dos Resumos e Palavras-chave, e aplicação dos critérios de exclusão e inclusão, os artigos elegíveis para leitura completa e análise foram 17 (dezessete). O uso da aromaterapia como técnica complementar ao tratamento convencional de pacientes com câncer demonstrou resultados promissores, sendo os óleos de lavanda, bergamota, limão, gengibre e hortelã pimenta os mais indicados no controle da dor, ansiedade, náusea e vômito.

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Dissertação avalia Taxa de Filtração Glomerular em pacientes com câncer

Discente: Bárbara Maria Oliveira de Souza
Orientação: Theolis Costa Barbosa Bessa
Título da Dissertação: AVALIAÇÃO DA TAXA DE FILTRAÇÃO GLOMERULAR EM PACIENTES ADULTOS E IDOSOS COM CÂNCER: REVISÃO SISTEMÁTICA.
Programa: Pós-Graduação em Pesquisa Clínica e Translacional
Data de defesa: 07/03/2023
Horário: 16h00
Local: Sala do Zoom
ID da reunião: 895 8886 8549
Senha de acesso: Barbara

Resumo

A acurácia da medida da Taxa de Filtração Glomerular nos pacientes com câncer é fundamental para garantir a melhor opção terapêutica. Erros na estimativa da TFG podem levar ao aumento da toxicidade do tratamento oncológico por superdosagem, tratamento inefetivo causado por subdosagem ou até exclusão do tratamento de escolha.  Tanto o envelhecimento quanto efeitos da doença oncológica na massa muscular podem interferir nos parâmetros envolvidos na estimativa da TFG, em vários graus, de acordo com a equação e marcador utilizados. Não há consenso na literatura sobre a melhor equação para estimar a TFG no paciente com câncer. OBJETIVO: Avaliar as diferenças entre a TFG medida por algum método padrão-ouro e estimada por diferentes equações que são usadas na prática clínica, incluindo o CKDEPI creatinina/cistatina. DESENHO DO ESTUDO: Foi realizada uma revisão sistemática utilizando as bases de dados PubMed/MEDLINE, Embase, Central e abstracts em anais de congressos das principais sociedades internacionais da nefrologia e oncológia. RESULTADOS: Nós encontramos 5 artigos que atendiam aos critérios de inclusão. Em dois estudos a equação CKD-EPI creatinina/cistatina teve a melhor performance o que não se confirmou nos outros 3 estudos. CONCLUSÃO: Nesta Revisão Sistemática não encontramos evidência científica robusta para afirmar que a equação CKD-EPI creatinina/cistatina tenha acurácia e performance consistentes para avaliar com segurança a TFG no paciente com câncer.  

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Dissertação verifica impacto da pandemia nos trâmites da pesquisa clínica

Discente: Haína de Jesus Araújo
Orientação: Jennifer Braathen Salgueiro
Título da Dissertação: “VERIFICAÇÃO DO IMPACTO DA PANDEMIA DE SARS-COV-2 NOS TRÂMITES DAS PRINCIPAIS AUTORIDADES REGULATÓRIAS NA CONDUÇÃO DA PESQUISA CLÍNICA”.
Programa: Pós-Graduação em Pesquisa Clínica e Translacional
Data de defesa: 27/02/2023
Horário: 14h30
Local: Sala do Zoom
ID da reunião: 885 2527 6080
Senha de acesso: Haina

Resumo

A pesquisa clínica proporciona o melhor entendimento e capacidade de tratamento das doenças e com a pandemia da Covid-19, a pesquisa clínica tem ficado nos holofotes da mídia internacional. As Agências reguladoras trabalharam para minimizar os danos no desenvolvimento dos estudos clínicos. O Objetivo desse estudo é verificar o impacto da pandemia de SARS-COV-2 nos trâmites das principais autoridades regulatórias na condução da pesquisa clínica, através de uma estudo descritivo, de análise documental, que consiste em método de recolha e análise de dados. Durante o período da pandemia a ANVISA publicou 13 RDCs, 5 orientações de serviço, 2 notas técnicas e 1 portaria, o FDA publicou 10 orientações do seu guia de orientação para pesquisa clínica durante a pandemia e a EMA 5 orientações e uma carta para condução de estudos clínicos de Covid-19. É importante ressaltar que as principais mudanças ocorreram no processo de consentimento, entrega a domicilio do produto investigacional autoadministravel e monitoria remota com verificação de dados Todos os esforços foram feitos pelas agências regulatórias para que pudéssemos superar a pandemia da Covid-19, continuar com o desenvolvimento de estudos clínicos e principalmente garantir o bem estar do participante de pesquisa. As agências regulatórias tiveram como foco central discussão e proposição de alternativas e mudanças para garantir os direitos e segurança do participante de pesquisa.

Palavra-Chave: Pesquisa clínica, Agências Regulatórias e Covid-19

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Dissertação avalia uso de apps no monitoramento de tratamento de câncer

Discente: Vanessa Maria Rodriguez Malvar
Orientação: Deborah Bittencourt Mothé Fraga
Título da Dissertação: “MAPEAMENTO CIENTÍFICO E PATENTÁRIO DO USO DE APLICATIVOS NO MONITORAMENTO REMOTO DE TOXICIDADE MEDICAMENTOSA E ADESÃO AO TRATAMENTO, EM PACIENTES COM CÂNCER”.
Programa: Pós-Graduação em Pesquisa Clínica e Translacional
Data de defesa: 27/02/2023
Horário: 14h00
Local: Sala do Zoom
ID da reunião: 883 8611 1893
Senha de acesso: vanessa

Resumo

Introdução: O câncer é um problema de saúde pública no mundo e está entre as principais causas de morte prematura, na maioria dos países. Existem três formas principais de tratamento do câncer: cirurgia, radioterapia e tratamento medicamentoso. Apesar dos benefícios que os medicamentos proporcionam, as reações adversas ainda são uma causa comum de internação hospitalar, incapacidade permanente ou até mesmo óbito. Dessa forma, faz-se necessário controlar a segurança e eficácia dos fármacos disponíveis. Diante das inúmeras dificuldades encontradas no seguimento clínico do paciente com câncer, o uso da tecnologia (aplicativos) surge como uma oportunidade de aparar arestas e implementar melhorias na assistência, ao eliminar barreiras geográficas e temporais. Estudos sugeriram que o monitoramento remoto poderia auxiliar não só no acompanhamento de eventos adversos, como também na adesão aos quimioterápicos orais. Objetivo: Realizar um mapeamento científico e patentário do uso de aplicativos no monitoramento remoto de toxicidade medicamentosa e/ou adesão ao tratamento, em pacientes com câncer. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e de característica documental, que visa identificar informações qualificadas, contidas em publicações científicas e patentárias. Para a seleção dos artigos e patentes foram utilizadas as bases de dados Pubmed e Derwent World Patents Index (DWPI), respectivamente. Resultados: Sobre os registros científicos, foram encontradas 76 publicações, nos últimos 10 anos. Os três principais países envolvidos foram Estados Unidos, Canadá e Inglaterra, com 80% dos trabalhos encontrados. O ranking das 10 organizações mais produtivas, liderado pela Harvard University (11 publicações), está envolvido em 71% dos artigos analisados e, desse total, 80% correspondem a instituições americanas. Além disso, 60% são Universidades e 40% são hospitais e centros de pesquisa. Os três principais locais de publicação (revistas/periódicos) são vinculados à JMIR Publications, editora de pesquisa em saúde digital. De acordo com os dados levantados, o ensaio clínico randomizado, publicado por Mooneye colaboradores, em 2017, foi o artigo mais referenciado por outros estudos na área (62 citações). Sobre os registros patentários, foram encontradas 12 tecnologias, entre 1995 e 2022. Os três países de publicação das patentes foram Estados Unidos, China e Coréia. Ao todo, foram identificadas 13 organizações envolvidas, todas integrando o ranking de depositantes, com apenas um registro cada. Desse total, 69% correspondem a instituições americanas. Além disso, 23% são Universidades, 31% pesquisadores independentes e 46% empresas envolvidas na busca de soluções digitais e melhorias nos resultados em saúde. Do total de tecnologias analisadas, 8% possuem registro ativo até 2040, 67% não apresentavam o ano de vencimento e 25% encontram-se com seu registro expirado. Considerando a classificação IPC, 100% das tecnologias estão classificadas dentro da área do conhecimento da “Física”, 25% dentro de “Necessidades Humanas” e 8% dentro de “Eletricidade”. As duas subclasses com maior representatividade correspondem à G06F e G16H. Conclusão: Espera-se, com o presente estudo, fomentar ações de pesquisa e desenvolvimento, com foco em inovação, permitindo agregar segurança na assistência e redução dos custos em saúde, por meio de tecnologias promissoras.  

Palavras-chave: Câncer, Reação adversa a medicamento (RAM), mHealth

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Desafios da pós-graduação em saúde é tema de aula inaugural

A aula inaugural da Fiocruz Bahia acontece no dia 09 de março, às 14h, na Fiocruz Bahia. A palestra, que tem como tema “Desafios da pós-graduação em saúde no Brasil”, será ministrada pela vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Cristiani Vieira Machado. O evento também será transmitido via Zoom.

A abertura será realizada pela diretora da Fiocruz Bahia, Marilda de Souza Gonçalves. Após a palestra, haverá uma roda de conversa com os estudantes da instituição e o encontro será encerrado pela vice-diretora de Ensino da Fiocruz Bahia, Claudia Brodskyn.

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Dissertação analisa prevalência de hepatites candidatos à doação de sangue

Discente: Daniela Santana Mendes
Orientador: Dr. Luciano Kalabric Silva
Título da Dissertação: PREVALÊNCIA DOS VÍRUS DA HEPATITE A (HAV) E VÍRUS DA HEPATITE E (HEV) EM CANDIDATOS A DOAÇÃO DE SANGUE EM SALVADOR-BA“.
Programa: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa
Data de defesa: 07/03/2023
Horário: 14h00
Local: Sala do Zoom
ID da reunião: 818 3580 1246
Senha de acesso: 242803

Resumo

Introdução: A hepatite A e E são doenças indistinguíveis clinicamente, e a falta de testes para diagnostico do HEV em nível de laboratório de saúde pública torna esta doença praticamente desconhecida. Objetivo: Determinar a soroprevalência de antiHAV IgG e anti-HEV IgM/IgG entre candidatos a doação de sangue na cidade de Salvador-BA. Materiais e Métodos: O desenho do estudo é de corte transversal. Os candidatos à doação de sangue foram recrutados na Fundação HEMOBA, de ambos os sexos, com idade entre 16 e 69 anos. Foram incluídos no estudo todos os candidatos, aptos e inaptos para a doação de sangue pela triagem. Os dados foram obtidos através de entrevistas e uma amostra de sangue foi coletada para a pesquisa dos anticorpos anti-HAV IgG (ARCHITECT/ABBOT) e anti-HEV IgG e IgM ELISA (Wantai) e dosagem das transaminases séricas AST e ALT (Wiener Lab). Os dados foram analisados utilizando o software EpiInfo (CDC, v. 7.2.3.1). Resultados: Participaram do estudo cerca de 466 candidatos à doação de sangue, de ambos os sexos, com idade variando entre 16 e 69 anos na HEMOBA, sendo 387 aptos e 79 inaptos à doação de sangue (taxa de inaptidão de 17%). A maioria dos participantes foi do sexo masculino (52%), com cor da pele pretos ou parda (84%) e o nível de escolaridade médio completo ou superior (90%). Poucos candidatos revelam que receberam doação de sangue (1%). Entretanto, os participantes possuem outros riscos percutâneos: uso de seringas não descartáveis (5%), piercing (18%) e tatuagem (37%). A grande maioria revelou ser etilista (65%), ter vida sexual ativa (95%), com o hábito de realizar tanto sexo oral (87%) quanto anal (45%), e o uso de preservativo foi irregular ou nunca (74%). A grande maioria dos participantes que realizaram exames bioquímicos para dosagem das transaminases hepáticas AST (95%) e ALT (97%) apresentara-se dentro dos valores de referência. A soroprevalência do anti-HAV IgG foi estimada entre os participantes não vacinados contra HAV em 53% (185/351; IC%: 47% – 58%); a soroprevalência do anti-HEV IgG em 7% (33/464; IC 95%: 5 – 10%) e nenhuma amostra foi detectada com anti-HEV IgM. Na análise univariada, residir no interior, não possuir rede de esgoto, já ter vivenciado enchente e, sobretudo, trabalhar com criação de animais representaram risco para exposição ao HAV. Na análise multivariada, apenas idade (dado não apresentado) e criação de animais mantiveramse associados. Comer peixe fresco frequentemente também apresentou risco de exposição ao HAV (p = 0,04). Em relação à exposição ao HEV, renda familiar mensal menor que 3 salários-mínimos, viver no interior e comer carne de caça apresentaram RP maior que 2,00, mas sem significância. Na análise multivariada, apenas idade (dado não apresentado) e baixa renda mantiveram-se associados. Conclusão: A carga da hepatite A foi maior que da hepatite E mesmo havendo vacina contra HAV disponível. Um estudo mais robustos poderia identificar os riscos de infecção.
Palavras-chave: hepatite E, soroprevalência, doadores de sangue.

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Genes de resistência antimicrobiana é tema de dissertação

Discente: Pablo Alessandro Barbosa Viana
Orientador: Pablo Ivan Pereira Ramos
Coorientador: Pedro Milet Meirelles
Título da Dissertação: “MINERAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DE RESISTOMAS EM METAGENOMAS EM ESCALA GLOBAL”.
Programa: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa
Data de defesa: 03/03/2023
Horário: 13h00
Local: Sala do Zoom
ID da reunião: 854 3363 2089
Senha de acesso: 139248

Resumo

INTRODUÇÃO: A descoberta da penicilina iniciou uma nova era na medicina moderna e propiciou o aumento da procura por novos agentes antimicrobianos. Apesar do crescimento expressivo de novos antibióticos, o uso indiscriminado dessas substâncias, tanto no meio médico quanto veterinário, assim como em processos industriais e agrícolas, vem ocasionando um avanço na pressão seletiva aos ecossistemas microbianos, aumentando a disseminação e dispersão de mecanismos de defesa a esses agentes. Visando combater a problemática apresentada, as abordagens genéticas para o estudo e análise de genes de resistência a antimicrobianos (resistomas) vêm crescendo em importância, à medida que aumenta a disponibilidade de dados de sequenciamento, tornando possível associar essas manifestações fenotípicas com os genótipos disponíveis em bancos públicos de dados biológicos. OBJETIVOS: Este estudo teve por objetivo identificar e caracterizar a abundância e diversidade de genes de resistência a agentes antimicrobianos encontrados em metagenomas distribuídos em escala global em variados tipos de habitats. METODOLOGIA: Realizamos a caracterização dos resistomas de uma base de dados metagenômicos curados (N=7.006 amostras), criada a partir de repositórios públicos representando diversos tipos de ambientes com amostras espalhadas por todo globo. RESULTADOS: Para acelerar e viabilizar as análises em larga-escala destes metagenomas, foi desenvolvido um software para paralelizar essas tarefas na plataforma de computação em nuvem Microsoft Azure. Dos resultados obtidos
identificamos que a correlação do ambiente das amostras, riqueza de gêneros da comunidade microbiana e abundância de transposons, são as principais variáveis ecológicas explicativas dos padrões de distribuição de abundância e riqueza de ARGs. CONCLUSÃO: Estes achados indicam os principais motores de disseminação de ARG e podem ser utilizados para direcionar pesquisas exploratórias para novos agentes antimicrobianos e estudos de análise e dispersão de novas resistências, além de dar ênfase aos maiores risco para direcionar a atenção no combate a esta grande ameaça.
Palavras-chave: Genes de resistência antimicrobiana. Resistoma. Metagenômica. Mineração genômica. Computação em nuvem.

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Chamada Pública para Mestrado Profissional em Pesquisa Clínica e Translacional 2023

O curso de Pós-Graduação em Pesquisa Clínica (PgPCT) torna público o cronograma e as normas para a seleção de candidatos ao Mestrado Profissional. As inscrições vão de 14/02/2023 a 13/03/2023. Clique aqui e acesse o edital.

O público-alvo é de portadores de diploma de graduação, concedido por Instituição de Ensino Superior e reconhecido pelo Conselho Nacional de Educação, atuando em oncologia ou vigilância em saúde e formalmente vinculados a instituições de assistência à saúde, prioritariamente públicas. O curso oferece 30 vagas, que só serão preenchidas por candidatos aprovados em todas as etapas do processo seletivo.

As áreas de concentração são Pesquisa Clínica e Translacional em Oncologia e Vigilância em Saúde, sendo subdivididas nas seguintes linhas de pesquisa:
-Desenvolvimento de novos compostos com capacidade antitumoral, estudos pré-clínicos e clínicos;
-Mecanismos de tumorigênese e identificação/validação de marcadores tumorais;
-Pesquisa epidemiológica das neoplasias sólidas e hematológicas;
-Vigilância em saúde voltada para agravos transmissíveis e não transmissíveis.

O mestrado profissional objetiva o aprofundamento do conhecimento técnico-científico do futuro mestre, possibilitando o desenvolvimento de competência profissional para realizar pesquisas e desenvolver processos, produtos e metodologias na área ou áreas de concentração do curso.

Todas as informações referentes às inscrições poderão ser obtidas no site da Plataforma SIGASS, em Inscrição > Mestrado Profissional em Pesquisa Clínica e Translacional – IGM.

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Seminário de estudantes do LASP promove interação entre os grupos de pesquisa

Na sexta-feira (03/12), pesquisadores e estudantes do Laboratório Avançado de Saúde Pública (LASP) da Fiocruz Bahia reuniram-se para o “I Seminário Integrado do LASP”. Com o objetivo de promover maior integração entre os grupos de diferentes linhas de pesquisa, o evento foi realizado no auditório do Pavilhão Aluízio Prata e contou com a apresentação dos discentes acerca de seus projetos de pesquisa.

Foram 20 apresentações de estudantes dos programas de pós-graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI), da Fiocruz Bahia, em Patologia Humana e Experimental (PgPAT), da UFBA em ampla associação com a Fiocruz Bahia, e de cursos de pós-graduação da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP), além de alunos de iniciação científica. As palestras abordaram projetos em linhas de pesquisa envolvendo doenças virais, como HTLV, dengue e Covid-19; doenças parasitárias; enfermidades causadas por protozoários, como leishmaniose e doença de Chagas; e por bactérias, como tuberculose e sífilis.

“Esse é o primeiro seminário que fizemos integrado com todas as equipes do LASP. Nós crescemos e diversificamos o laboratório. A ideia é que possamos aumentar nosso grau de interação entre as diversas equipes”, afirma a pesquisadora e chefe do LASP, Maria Fernanda Rios Grassi.

O pesquisador Fred Luciano Neves Santos espera que a atividade possa render colaborações entre os alunos. “Preparamos essa atividade pensando no planejamento estratégico do LASP para 2023, para os grupos interagirem melhor. Com isso poderemos ver o que os outros alunos estão fazendo”, explica. “Provavelmente no segundo semestre faremos outro Seminário. Os alunos estão encarando como um simpósio externo, preparam apresentações e resumos. Este evento entrará para o calendário anual de nosso laboratório”.

Um clima amistoso permitiu aos mais nervosos realizar uma apresentação tranquila, foi o que comentou Greice Carolina Silva, mestranda do PgBSMI. A discente afirmou que a experiência no seminário irá ajudá-la futuramente. “Essa experiência é excelente. Ela nos prepara para fazermos a qualificação, a apresentação da dissertação final. Acho que deveria ter semestralmente”.

“É uma experiência interessante. Nós trocamos muitas informações, descobrimos vários projetos totalmente diferentes”, disse Ângelo Oliveira Silva, doutorando do PgBSMI. O estudante afirmou ter sido surpreendido pela diversidade de estudos que o LASP comporta. “Eu não tinha ideia da quantidade de projetos que existem, como diagnóstico, diagnóstico laboratorial, histopatológico, estudos da imunologia e da resposta imunológica, e diversas doenças infectocontagiosas como sífilis, chagas e HTLV. É muito interessante saber que o LASP abrange todas essas coisas e que muitos desses trabalhos são extremamente relevantes para a saúde publica”.

Alisson de Aquino Firmino também apresentou o seu trabalho. Para o aluno da EBMSP, cuja pesquisa de doutorado é realizada no LASP, o seminário foi um espaço de troca de conhecimento. “É um evento muito importante para o entrosamento. Todos nós pertencemos ao LASP, mas somos de grupos diferentes. É um evento importante para promover união e a expansão das ideias”.

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Boas práticas para processamento de amostras histológicas é tema de curso

O curso “Boas Práticas para o Processamento de Amostras Histológicas”, ofertado pela Fiocruz Bahia, será realizado na modalidade EAD. As aulas acontecem de 1º de março a 31 de maio de 2023. As inscrições podem ser realizadas, gratuitamente, de 13 a 24 de fevereiro, no site do curso.

A capacitação caracteriza-se por uma abordagem teórica sobre as técnicas utilizadas durante o processamento de fragmentos de tecido, incluindo desde a etapa da fixação desses fragmentos até a produção de lâminas histológicas para a análise por Microscopia Óptica, Imunofluorescência e Imunohistoquímica.

O objetivo geral da atividade, que possui carga horária de 40h, é promover a disseminação de embasamento teórico referente às etapas que compõem o processamento histológico de tecidos, possibilitando aos participantes a produção de blocos e lâminas histológicas que atendam aos requisitos mínimos de qualidade para o diagnóstico e a pesquisa.

O curso destina-se, prioritariamente, aos profissionais histotecnólogos, como subsídio para a sua atuação focada em boas práticas, auxiliando-os a identificar e resolver problemas que interfiram na qualidade dos blocos e lâminas histológicas. Adicionalmente, também pode agregar valor à formação de estudantes de pós-graduação em cursos da área de saúde, que necessitem utilizar as técnicas de processamento histológico em seus projetos de pesquisa. Os estudantes de graduação também serão contemplados com o objetivo de conhecimento das técnicas como subsídio ao entendimento da histologia, aplicação das técnicas em projetos de pesquisa e para possíveis usos futuros. 

Consulte o site do curso para informações sobre metodologia, vagas e requisitos para participação.

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Dissertação analisa transcriptômica de modelos celulares de hepatite C

Discente: João Victor de Oliveira Pimenta Lima
Orientação: Artur Trancoso Lopo de Queiroz
Coorientação: Kiyoshi Ferreira Fukutani
Título da dissertação: “ANÁLISE TRANSCRIPTÔMICA DOS MODELOS CELULARES DE HCV”
Programa: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa
Data de defesa: 28/02/2023
Horário: 10h00
Local: Sala do Zoom
ID da reunião: 849 5047 5296
Senha de acesso: 139189

Resumo

O vírus da hepatite C humana (HCV) é um vírus de RNA de fita simples com polaridade positiva, pertencente à família Flaviviridae e ao gênero hepacivirus. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) o HCV infecta aproximadamente 71 milhões de pessoas e com o risco de desenvolverem cirrose e câncer de fígado. O ciclo viral do HCV não é totalmente entendido, pela ausência de modelos
experimentais e falta de consenso, dentre os modelos mais utilizados o Pan troglodytes (chimpanzé) é aquele que apresenta maiores custos, o que o torna inviável para a maioria dos estudos. Dentre os modelos experimentais utilizados para a pesquisa in vitro do HCV existe uma falta de padronização das linhagens celulares, o que gera uma dificuldade em se estabelecer protocolos reprodutíveis da
infecção pelo HCV. Logo, estudos comparativos dos modelos celulares são necessários para identificar o melhor modelo que mimetize a infecção humana, já que padrões específicos de cada linhagem interferem na interpretação dos resultados. Assim com o objetivo de comparar a expressão gênica dos modelos celulares com o de indivíduos saudáveis e infectados por hcv, determinar o padrão de expressão nos diferentes modelos experimentais e identificar o modelo que melhor mimetiza a infecção natural por hcv, utilizamos 83 amostras de tecido de fígado, células de linhagem e biópsia de hepatocarcinoma obtidas de 8 estudos de expressão gênica do hcv provenientes do NCBI GEO BANK para realizar análises
de expressão gênica, análise de perturbação molecular, análise funcional dos genes e de enriquecimento e funcional das vias metabólicas. Palavras chave: HCV; Expressão Gênica; Transcriptoma; Linhagem celular.

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Dissertação analisa bioprinting para avaliação de estruturas cell-in-cell em câncer

Discente: Leonardo de Oliveira Siquara da Rocha
Orientação: Clarissa Gurgel de Araújo Rocha
Título da dissertação: “ESTUDO MORFOLÓGICO DE ESFERÓIDES TUMORAIS COMO MODELO PARA AVALIAÇÃO DE ESTRUTURAS CELL-IN-CELL EM CARCINOMA ORAL DE CÉLULAS ESCAMOSAS”.
Programa: Pós-Graduação em Patologia Humana
Data de defesa: 14/02/2023
Horário: 15h30
Local: Sala do Zoom
ID da reunião: 854 0639 0789
Senha de acesso: Ensino

Resumo

INTRODUÇÃO: O carcinoma oral de células escamosas (CECO) é um problema de saúde mundial. As interações celulares contribuem para a agressividade tumoral através de mecanismos como a formação de estruturas cell-in-cell (CIC). No entanto, somente com o desenvolvimento dos modelos in vitro 3D, se tornou possível estudar a biologia desses eventos. OBJETIVO: O objetivo deste trabalho é estudar o modelo de magnetização celular (bioprinting) de esferóides como ferramenta para avaliação das estruturas cell-in-cell em carcinoma oral de células escamosas. MATERIAIS E MÉTODOS: A linhagem metastática de CECO (HSC3) e os linhagem de fibroblastos associados ao câncer (FACs) (CAF1) foram selecionadas para obtenção de esferóides tumorais utilizando o sistema de bioprinting com NanoshuttlesTM (Greiner Bio-One). Em placas repelentes de 24 poços (Greiner Bio-One), as células foram plaqueadas em grupos de esferoides homotípicos e heterotípicos. O protocolo de plaqueamento foi modificado para eliminar a etapa de levitação e reduzir o número de beads magnéticas. Os esferóides foram avaliados nos tempos de 6h, 12h, 24h, 48h e 72h (EvosTM XL) e suas medidas unidimensionais foram registradas (Image J versão 1.8). Os esferóides foram seccionados para obtenção de lâminas e foram submetidos ao processamento e coloração com hematoxilina e eosina (H/E). As lâminas foram escaneadas (Axio Imager Z2/VSLIDE) e as análises foram feitas por meio do visualizador OlyVIA. Avaliação histomorfológica foi realizada considerando morfologia celular e formação de zonas tumorais (zonas de hipóxia e proliferativa). A contagem de estruturas CIC foi realizada considerando a porcentagem de eventos CIC pelo número total de células em áreas de centro e periferia dos esferóides. Para identificação das estruturas CIC, foi considerado o padrão morfológico de “anel de sinete” ou “olho de pássaro”. RESULTADOS: Com apenas 6h de bioprinting, já houve formação de esferóides tumorais. O protocolo modificado permitiu a formação de esferóides homotípicos e heterotípicos de tamanho e integridade reprodutíveis. Na análise das colorações em H/E, observou-se reprodução da espacialidade e morfologia compatível com o microambiente tumoral, com formação de zonas de hipóxia (centro) e proliferação (periferia). Foi observado afrouxamento e hipercromatismo celular na periferia dos esferóides. Estruturas CIC foram localizadas em todos os grupos, predominantemente na zona proliferativa dos esferóides mistos com FACs. Foram registrados eventos de “canibalismo complexo”, nos quais uma célula englobada contém outra em seu interior. CONCLUSÃO: O modelo de bioprinting viabiliza a obtenção de esferóides tumorais homotípicos e heterotípicos que reproduzem características histomorfológicas do carcinoma oral de células escamosas. A ocorrência de estruturas CIC foi maior na presença dos FACs e na zona proliferativa dos esferóides. Este modelo pode ser utilizado no aprofundamento dos estudos dos eventos CIC, dos seus mecanismos de formação e na sua relação com marcadores de prognóstico tumoral.
Palavras-chave: Esferoides tumorais; Carcinoma oral de células escamosas; Canibalismo celular; Estruturas cell-in-cell; Fibroblastos associados ao câncer;

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Efeito de GANT61 na autofagia em carcinoma escamocelular oral é tema de tese

Discente: Vanessa Sousa Nazaré Guimarães
Orientação: Clarissa Gurgel de Araújo Rocha
Título da tese: “EFEITOS DA INIBIÇÃO FARMACOLÓGICA DE GLI-1 NA AUTOFAGIA EM CÉLULAS DE CARCINOMA ESCAMOCELULAR ORAL METASTÁTICA”.
Programa: Pós-Graduação em Patologia Humana
Data de defesa: 10/02/2023
Horário: 09h00
Local: Sala do Zoom
ID da reunião: 851 9334 6679
Senha de acesso: Ensino

Resumo

INTRODUÇÃO: O carcinoma escamocelular oral (CEO) é uma neoplasia agressiva com elevada morbimortalidade e apesar dos avanços científicos relacionados a sua biologia, estes ainda não proporcionaram impacto positivo na terapêutica e prognóstico deste tumor. A reativação da via de sinalização Hedgehog (Hh) se destaca na patogênese do CEO e a sua inibição representa um alvo terapêutico promissor. Nesse contexto, a via Hh interage com a autofagia e esta relação representa uma oportunidade emergente para otimizar esta estratégia, sendo que dentre os inibidores de autofagia apenas a cloroquina e a hidroxicloroquina apresentam aprovação para uso terapêutico em humanos. OBJETIVO: Estudar o efeito biológico de GANT61 na autofagia, em células metastáticas de CEO. METODOLOGIA: A citotoxicidade de GANT61 (18 e 36 μM) e cloroquina (10 μM) em células HSC3 foi avaliada inicialmente pelo método de Alamar Blue por 72 horas. O ensaios de viabilidade celular foi realizado através do CellTiter-Glo®️ por 12, 24 e 48 horas de tratamento de GANT61 (18 e 36 μM), cloroquina (10 μM) e a associação destes fármacos. A morfologia celular foi avaliada no sistema de alto conteúdo pela marcação do citoesqueleto com faloidina 568 após tratamento das condições por 24 horas. A expressão das proteínas do fluxo autofágico (LC3 e P62) foi avaliada após tratamentos através de Western Blot e imunofluorescência, e, posteriormente, analisadas utilizando o sistema de imagem Operetta HTS. A avaliação ultraestrutural das células HSC3 após 24 horas de tratamento foi realizada por microscopia eletrônica de transmissão (MET). RESULTADOS: A análise da citotoxicidade da GANT61 e cloroquina em células HSC3 demonstrou CI50 de 36 µM e 11,6 µM, respectivamente. A associação terapêutica do GANT61 com a cloroquina demonstrou redução da viabilidade celular e incremento de alterações da morfologia das células HSC3. O acúmulo da expressão de LC3 e de P62 foram observados de forma mais acentuada nas combinações de GANT61 (18 e 36 μM) com cloroquina (10 μM) em 24 horas de tratamento, assim como foi possível observar a presença de autofagossomos em células HSC3 tratadas com GANT61 de forma isolada e combinada. CONCLUSÃO: A associação do composto GANT61 com o inibidor autofágico, cloroquina, promove uma acentuação do efeito citotóxico deste composto em células HSC3, o que pode indicar o papel citoprotetor da autofagia em células de carcinoma escamocelular oral. Além disso, ação de GANT61 com a cloroquina acentua o efeito inibitório da cascata autofágica caracterizada pelo aumento da expressão de LC3 e de P62 com maior acúmulo de autofagossomos no citoplasma celular. Entretanto, novos estudos são necessários a fim de melhor compreender os mecanismos envolvidos nessa modulação. Palavras-chave: Autofagia; Carcinoma de células escamosas; Proteínas Hedgehog; Quimioterapia.

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Tese faz avaliação de compostos híbridos como agentes antiplasmódicos

Discente: Helenita Costa Quadros
Orientador: Diogo Rodrigo de Magalhães Moreira
Coorientador: Fábio Rocha Formiga
Título da tese: “AVALIAÇÃO FARMACOLÓGICA DE COMPOSTOS HÍBRIDOS DE AÇÃO EM MÚLTIPLOS ESTÁGIOS OU DE DURAÇÃO LONGA PARA O TRATAMENTO DA MALÁRIA”.
Programa: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa
Data de defesa: 14/02/2023
Horário: 13h00
Local: Sala do Zoom
ID da reunião: 890 5523 0904
Senha de acesso: 690088

Resumo

INTRODUÇÃO: Nos últimos quatro anos, foram aprovados a vacina Mosquirix™ para a malária falcipária e o medicamento Tafenoquina para a malária vivax, os quais representam avanços importantes no combate à transmissão e no tratamento da malária, respectivamente. Todavia, ainda há inúmeros desafios a serem contornados para combater a malária, tais como o desenvolvimento de novos fármacos com ação antiparasitária frente a múltiplos estágios do ciclo evolutivo do plasmódio e o desenvolvimento de novos
fármacos que contornem o tempo de meia-vida plasmático curto das artemisininas, os quais são a primeira linha de tratamento. Uma alternativa para superar tais desafios são os compostos híbridos, os quais podem exercer um papel importante no desenvolvimento de novos fármacos antimaláricos de amplo espectro de ação e com eliminação plasmática mais lenta do que das artemisininas. OBJETIVO: Investigar as bases farmacológicas de compostos híbridos como agentes antiplasmódicos. MATERIAIS E MÉTODOS: Os híbridos foram idealizados, sintetizados e caracterizados quimicamente através de colaborações entre o nosso grupo e outros grupos de pesquisadores. Os ensaios experimentais de potência in vitro foram realizados com o P. falciparum e P. berghei, enquanto que os ensaios de eficácia in vivo foram realizados com o P. berghei. RESULTADOS: Os achados experimentais mostraram que a combinação química de grupos farmacofóricos quinolínicos, dando origem aos compostos híbridos MNCS59 (1) e MNCS60 (2), revelou potência, eficácia e espectro de ação mais amplos do que a
monoterapia ou terapia combinada com os seus fármacos parentais. Dentre os diferentes estágios evolutivos do plasmódio, o estágio sanguíneo assexuado foi o mais susceptível ao tratamento com os compostos híbridos, seguido dos esquizontes teciduais; já os gametócitos maduros foram os menos susceptíveis ao tratamento. Coincidentemente, os estágios evolutivos mais susceptíveis ao tratamento com compostos híbridos MNCS59 (1) e MNCS60 (2) são aqueles onde o processo de homeostasia redox e de detoxificação do heme são essenciais ao plasmódio. Os achados experimentais encontrados com a
combinação química do grupo farmacofórico endoperóxido existente nas artemisininas, dando origem aos compostos híbridos 163A (3) e LH70 (4), também demonstraram potência, eficácia e espectro de ação mais amplos do que a monoterapia ou terapia combinada com os seus fármacos parentais. nteressantemente, o composto híbrido (4) apresentou potência e eficácia superiores aos demais híbridos e as artemisininas. Estudos subsequentes para explicar o aumento da potência antiparasitária mostraram que o híbrido (4) possui uma estabilidade química e uma ação fenotípica mais duradoura do que as
artemisininas. Por apresentar uma ação fenotípica mais duradoura, o composto híbrido (4) foi capaz de reduzir a proliferação de parasitos resistentes as artemisininas, porém não foi tão capaz de reduzir a viabilidade celular de parasitos quiescentes e resistentes as artemisininas. CONCLUSÃO: Com este conjunto de dados, nós concluímos que os compostos híbridos aqui estudados conservam os mecanismos de ação dos endoperóxidos e/ou quinolinas, e também apresentam um potencial terapêutico melhorado e um espectro de ação mais amplo do que a monoterapia ou a terapia combinada, podendo ser considerados como possíveis fármacos para a terapia combinada com as artemininas. Palavras-chave: malária, plasmódio, artemisininas, quinolinas, híbridos, tratamento.

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Pesquisador emérito é um dos autores de livro inédito sobre caramujo transmissor da esquistossomose

Com foco no estudo dos tecidos e estruturas de um dos caramujos transmissores da esquistossomose, o “Atlas de Histologia de Biomphalaria glabrata”, publicado em novembro de 2022, pela editora CRV, tem como autores Zilton Andrade, pesquisador emérito da Fiocruz Bahia (falecido em 2020), a pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) Marta Júlia Faro, e a microbiologista do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos Samaly Souza Svigel. 

O Atlas é o primeiro livro de histologia dedicado a analisar o B. glabrata no Brasil. Essa espécie de molusco pulmonata da família Planorbidae é considerada o principal hospedeiro intermediário do Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose. O objetivo foi contribuir com o estudo básico do caramujo realizado por estudantes das áreas biológicas e auxiliar as pesquisas nas áreas de parasitologia, malacologia e histologia do caramujo.  

“O Atlas levou 8 anos para ser publicado, devido as condições de saúde de dr. Zilton e a falta de verba para publicação”, compartilham Samaly Svigel e Marta Faro. O projeto de confecção do livro iniciou quando Samaly era ainda doutoranda, orientada por Zilton Andrade. Faro atuava em cooperação com o pesquisador à época.  

“Ele foi elemento instrumental para idealização e publicação desta obra. Devido à falta de material histológico adequado para a pesquisa cientifica do caramujo, o dr. Zilton teve a ideia de utilizar seu conhecimento para confeccionar um atlas com imagens coloridas e de alta resolução, que viesse a contribuir para o estudo aplicado da histologia do molusco e para uma melhor compreensão na relação parasita-hospedeiro”. 

“Dr. Zilton foi nossa inspiração e a cada reunião lembrávamos dele com muito respeito, orgulhosas de estarmos escrevendo este livro com nosso querido mestre, como carinhosamente o chamávamos”. As autoras do livro também ressaltam a contribuição de outros pesquisadores do IOC e da Fiocruz Bahia para a finalização do projeto e o levantamento da verba necessária para a publicação, como Arnaldo Maldonado, Silvana Thiengo, Marcelo Pelagio, Ester Mota, Pedro Paulo Manso, Paulo Marcos Zech Coelho e Geneilton Vieira, junto a equipe do Serviço de Produção de Imagem do IOC. 

O Atlas é composto por 83 lâminas, com descrição detalhada das estruturas. Todas as lâminas utilizadas para análise foram confeccionadas pelas técnicas Cátia Magalhães e Cristina Motta, no Laboratório de Histopatologia do Instituto Gonçalo Moniz (IGM), sede da Fiocruz Bahia. Posteriormente, as lâminas foram fotografadas no Laboratório de Patologia do IOC. A representação dos sistemas e estruturas do caramujo conta com o uso de imagens morfológicas elaboradas pelo médico Wladimir Lobato Paraense, pesquisador titular da Fiocruz e um importante especialista em parasitologia, também já falecido.  

O livro pode ser acessado gratuitamente no site da editora CRV. (Disponível aqui) 

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Cidacs/Fiocruz Bahia participa de ação coordenada em saúde com comunidades

Com o objetivo de construir uma agenda de saúde que inclua as demandas de populações que vivem em bairros periféricos e comunidades de Salvador e Região Metropolitana, um grupo de 20 coletivos e entidades, além de pesquisadores, membros do Conselho Municipal de Saúde e do Cidacs/Fiocruz Bahia participaram de uma reunião no CEAO – Centro de Estudos Afro-Orientais – UFBA, nesta segunda-feira (23). Durante o encontro, questões estruturais do campo da saúde foram discutidas, bem como quais os problemas que devem ser tratados como prioritários pelas gestões públicas municipais, estadual e federal.

“Nossa ideia é o fortalecimento das redes que atuam em bairros periféricos e comunidades de Salvador no sentido de construir um diagnóstico que indicasse as condições de saúde nestas regiões”, afirmou Richarlls Martins, coordenador executivo do Plano Fiocruz de Enfrentamento à Covid-19 nas Favelas do Rio de Janeiro. O pesquisador foi um dos facilitadores da oficina que construiu a agenda de saúde para bairros periféricos e comunidades de Salvador e Região Metropolitana junto com a socióloga e ativista Vilma Reis, da Coletiva Mahin Mulheres Negras.

Na mesa de abertura do encontro, estiveram presentes a epidemiologista Maria Yury Ichihara, vice-coordenadora do Cidacs/Fiocruz Bahia, e o jornalista Paulo Almeida, da Agência de Notícias das Favelas. A pesquisadora relembrou o papel da Fiocruz na história da saúde pública no Brasil e em momentos como a epidemia da Zika, de influenza e mais recentemente com a Covid-19. “A Fiocruz vem buscando trabalhar apoiando o desenvolvimento de ações de intervenção e produção do conhecimento. O IGM [Instituto Gonçalo Moniz] aqui na Bahia também segue essa diretriz estratégica de resolução de problemas de saúde pública para resolver emergências sanitárias”, declarou Maria Yury.

O jornalista Paulo Almeida destacou o papel da Agência de Notícias da Favela, que, em Salvador, está sediada no Bairro da Paz, na produção de notícias para a periferia. “Comunicação é uma ferramenta capaz de salvar vidas. Trabalhamos com notícias que não vão para mídia hegemônica, temos um trabalho de combate à fake news e de formação de novos comunicadores populares”, explicou.

Desigualdades é temática transversal da agenda de saúde

Ao longo da reunião, todas as pessoas que participaram puderam fazer relatos sobre suas experiências no campo da saúde integral, bem como levantar problemas e apresentar diagnósticos tendo como foco a saúde das populações periféricas e comunidades de Salvador e Região Metropolitana. Entre as temáticas discutidas estiveram os impactos das mudanças climáticas na saúde destas populações, as populações em situação de rua, violência policial, segurança alimentar, saúde mental, agricultura familiar, o tema dos corpos diversos (pessoas gordas, pessoas com deficiência etc.), entre outras.

A experiência do Cidacs/Fiocruz Bahia também foi apresentada por Maria Yury Ichihara, que abordou resultados de pesquisas recentes, como o estudo que apontou profundas desigualdades na mortalidade infantil, principalmente entre indígenas e pretas; além da construção do Índice Brasileiro de Privação (IBP) e Índice de Desigualdades Sociais para Covid-19 (IDS-Covid-19). “O Cidacs trabalha usando dados administrativos para produzir conhecimento e avaliar quais são os efeitos das desigualdades na saúde da população”, contextualiza.

A oficina que construiu a agenda de saúde priorizou os seguintes eixos de trabalho: articulação em rede, formação, pesquisa, fomento e segurança alimentar. Visitas de campo também foram previstas na Ocupação Jardim Vitória, no bairro do Caji, em Lauro de Freitas, e no Bairro da Paz, nos dias 24 e 25 de janeiro, respectivamente. O grupo deve voltar a se reunir no dia 2 de março, na sede da Fiocruz Bahia, e convidar mais participantes para ampliar essa discussão.

Fonte: Cidacs

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Cidacs lança documentário científico sobre desigualdades em saúde na pandemia

Uma experiência inovadora de produção de ciência durante a pandemia de Covid-19 que inclui a participação social. Esse é o enreredo do documentário “Além do Distanciamento: diálogos para entender as desigualdades da pandemia de Covid-19” – o primeiro longa-metragem científico produzido pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia). Disponível no canal do Youtube do Cidacs, o filme de 55 minutos registra o processo de engajamento público da ciência realizado durante a construção do Índice de Desigualdades Sociais para Covid-19 (IDS-COVID-19), que envolveu representantes da área de gestão em saúde, de grupos de comunidades e equipe de pesquisadores (Assista aqui o documentário).

O engajamento público da ciência caracteriza uma das formas de participação de diferentes segmentos sociais no processo de construção do conhecimento científico. Durante a construção do IDS-COVID-19, este movimento permitiu uma maior aproximação entre cientistas, gestores e grupos de comunidades para troca de experiências.

“Não tem como a gente abordar este tema das desigualdades sociais em saúde na pandemia de Covid-19 sem envolver uma ampla discussão na sociedade”, defendeu a idealizadora do processo de Engajamento vice-coordenadora do Cidacs, Maria Yury Ichihara, que liderou o projeto de pesquisa que construiu o IDS-COVID-19. O índice foi produzido com o objetivo de medir os efeitos das desigualdades sociais em saúde durante a pandemia e ajudar gestores públicos e outros segmentos sociais a identificar municípios e regiões de saúde que necessitam de mais atenção.

Ao longo de um ano, a equipe de pesquisa participou de uma série de atividades que permitiu o estabelecimento do diálogo com 29 representantes da gestão pública e dez representantes de comunidades de diferentes regiões brasileiras. Reuniões técnicas, grupos de discussão, webinários e até uma visita presencial a uma das comunidades que participou do estudo foram registradas e ajudaram a compor o documentário. Além disso, mais de 30 entrevistas foram realizadas com participantes e pesquisadores.

Para Lucia Gato, ativista, professora e integrante do Grupo de Mulheres Negras Mãe Andresa (MA), o contato com pesquisadores do Centro foi avaliado positivamente. “Foi interessante o contato com essa linha de trabalho que o Cidacs desenvolveu porque ele primou primeiro por ouvir”, declarou. Ainda segundo ela, a sistemática empreendida a deixou à vontade para compartilhar suas experiências com todo o grupo.

Temáticas abordadas no documentário
Mais do que registrar o trabalho de engajamento público da ciência durante a construção do IDS-COVID-19 e de explicar os desafios enfrentados pelos pesquisadores, o documentário “Além do distanciamento…” resgata, através dos relatos das pessoas entrevistadas, as dificuldades enfrentadas durante a pandemia. Fome, dificuldades de acesso aos serviços de saúde, desemprego e desinformação foram alguns temas abordados no documentário.

A visão de representantes da gestão pública também foi incluída, bem como as dificuldades de acesso aos dados sobre a Covid-19 enfrentadas pela equipe de pesquisadores do IDS-COVID-19 durante o apagão de dados do Ministério da Saúde entre dezembro 2021 e janeiro de 2022. Os resultados alcançados a partir da análise das desigualdades sociais em saúde medidas pelo índice também foram apresentados no longa.

Confira as organizações participantes do documentário
Grupo de Mulheres Negras Mãe Andresa, Observatório de Direitos Humanos Crise e Covid-19, Rede de Mulheres Negras para Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, Instituto de Mulheres Negras do Amapá, Rede de Mulheres Negras de Pernambuco e Painel Unificador de Favelas.

Serviço:

Documentário “Além do Distanciamento: diálogos para entender as desigualdades da pandemia de Covid-19”
Acesso: Canal do YouTube do Cidacs
Idealização: Maria Yury Ichihara e Mariana Sebastião
Direção e roteiro: Adalton dos Anjos Fonseca e Gabriela Carvalho
Edição: Gabriela Carvalho
Duração: 55 minutos

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Diretora da Fiocruz Bahia participa da posse da secretária de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia

Realizada na tarde da segunda-feira (16), a solenidade de transmissão de cargo oficializou a posse de Elisângela Araújo à Secretária de Políticas para as Mulheres da Bahia (SPM). Agricultora familiar e sindicalista, Araújo assumiu a SPM em um evento realizado na sede da Governadoria, com a presença de autoridades públicas e parceiros da SPM. A solenidade contou com a presença das antigas gestoras da pasta Julieta Palmeira, que exerceu o último mandato, Olívia Santana e Vera Lúcia. Marilda Gonçalves, diretora da Fiocruz Bahia esteve presente.

A primeira-dama do estado Tatiana Velloso também participou, assim como secretárias e secretários governamentais, deputadas e deputados federais e estaduais, vereadores, representantes de entidades sindicais – entre elas a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (CONDSEF), o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal no Estado da Bahia (SINTSEF-BA); servidores de órgãos governamentais, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil – seção Bahia (OAB/BA), Conselho Regional de Farmácia (CRF/BA) e de movimentos sociais, entre outros.

Marilda Gonçalves comentou que a SPM tem sido uma grande parceira da Fiocruz Bahia, com apoio e participação em vários projetos institucionais, em especial o Meninas Baianas na Ciência. Também mencionou a participação da Fiocruz Bahia na Rede Mulher Solidária da Secretaria. “Agradecemos a Dra. Julieta Palmeira por todo o apoio recebido, foi muito importante para nossa Fiocruz. Desejamos uma excelente gestão à secretária Elisângela Araújo. Estaremos juntas na luta pelo reconhecimento da participação feminina na nossa sociedade, por menos violência e por mais trabalho, que todas tenham uma vida digna e de grandes conquistas”, declarou a diretora.

Emocionada, Elisângela Araújo recordou as mulheres da família e companheiras do movimento sindical que a auxiliaram a chegar até a SPM. A secretária iniciou sua fala lendo um trecho do poema “A noite não adormece nos olhos das mulheres”, escrito por Conceição Evaristo em memória à intelectual, vítima de feminicídio, Beatriz Nascimento. “Quando uma mulher é morta, um pedaço de nós também morre”, afirmou.

A secretária declarou que a sua gestão na SPM estará focada em continuar lutando pela inclusão sócio produtiva das mulheres baianas do campo e da cidade e por uma educação não sexista. “Contem comigo para transformar a vida de todas as mulheres baianas, oferecendo melhor qualidade de vida, com acesso à cultura, educação e emprego”, finalizou.

“Fui uma gestora feminista”, declarou Julieta Palmeira, ex-secretária. A médica reforçou que é necessário pensar no momento político atual e como ele afeta os direitos das mulheres. “Quando a democracia se retrai, a vida das mulheres piora fundamentalmente. Nós não somos um nicho da população, somos maioria. Tudo o que afeta a população, afeta essencialmente as mulheres e o povo negro”.

Julieta Palmeira utilizou o termo “esperançar”, cunhado por Paulo Freire, para falar sobre o papel que as políticas públicas para mulheres devem exercer na sociedade. “O governo precisa saber que é preciso esperançar, é entender que é preciso transformar a realidade. É uma nova perspectiva, no âmbito do Estado, que paute não só políticas imediatas, mas também políticas que mexam com essa estrutura desigual para as mulheres”.

A solenidade contou com um momento cultural, com a participação da banda de mulheres Yayá Muxima, realizando a execução do Hino Nacional e do Hino ao 2 de Julho. Foram prestadas homenagens às gestoras da SPM e também a duas servidoras da pasta, escolhidas como representantes da diversidade que a secretaria defende. Milena Passo, coordenadora do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Mulher (CDDM) e primeira mulher trans nomeada em uma Secretaria de Políticas para Mulheres no Brasil, e a motorista Valdineia Nunes receberam a cortesia em nome da equipe da secretaria.

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Fiocruz Bahia participa da posse de secretário da SECTI e do diretor geral da FAPESB

A cerimônia de recondução de André Joazeiro ao cargo de secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (Secti) e de empossamento do novo diretor geral da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (FAPESB) Handerson Leite foi realizada no auditório do Parque Tecnológico, na manhã da sexta-feira (13/1). O evento contou com a presença de parlamentares, servidores públicos e representantes de diversas instituições públicas de ensino e pesquisa da Bahia, incluindo a Fiocruz Bahia, representada pela diretora Marilda de Souza Gonçalves. A posse foi transmitida pelo canal de Youtube da Secti. O coordenador do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) Maurício Barreto e o pesquisador da Fiocruz Bahia e presidente da Academia de Ciências da Bahia, Manoel Barral-Netto, também participaram do evento.

Presente na cerimônia, a diretora da Fiocruz Bahia, Marilda Gonçalves, compartilha a sua alegria e esperança durante o evento. “Nós, que representamos as instituições de ciência e tecnologia da Bahia, estamos comprometidos em apoiar o secretário André Joazeiro e o diretor geral da Fapesb, Handerson Leite. Esse momento requer uma atuação efetiva da SECTI e da FAPESB para que possamos avançar no desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação da Bahia, precisamos de mais ações estruturais, verbas para o financiamento de pesquisas, apoio aos programas de pós-graduação e o incentivo ao desenvolvimento de novas tecnologias e de inovação, além de contribuir para despertar a curiosidade científica nos mais jovens, com o incentivo a formação de mais cientistas. Que o futuro seja promissor para toda a ciência brasileira”.

André Joazeiro agradeceu pela confiança depositada em sua permanência a frente da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (Secti).  Nesta etapa de sua gestão, o secretário partilha que foi incumbido de duas missões:  combater a fome e cuidar dos jovens baianos. “A Secti pode ter um papel fundamental no combate a fome. E iremos trabalhar pela iniciação científica já na escola. Essa é uma questão muito complexa. Nossos jovens, principalmente mulheres e negros, não se enxergam como cientistas. Isso é proibido para eles desde cedo”, afirma.

Para Joazeiro, é necessário inspirar os jovens compartilhando mais histórias de cientistas mulheres, negros e negras, como a própria Marilda Gonçalves. “Queremos mostrar as referências de meninas da periferia fazendo pesquisa e fazendo com qualidade”, afirma. “Na minha casa nós tínhamos o mantra de que a educação é a única coisa que ninguém te tira. Agora, eu quero dar oportunidade para outros jovens e crianças que queiram mudar suas vidas através da ciência”.

Handerson Leite recordou a missão da Fapesb de viabilizar ações de ciência, tecnologia e inovação na Bahia. O diretor destacou que um dos desafios para a atuação da fundação é o desconhecimento da importância e do papel dessa instituição para a sociedade. “Nos anos 2000, nós tínhamos uma média de menos de uma publicação por milhão de habitante. Pela ação da Fapesb, chegamos a uma média de 32,5 papers por milhão de habitante. Ainda não é o ideal, mas crescemos muito”, exemplifica.

“E ainda não chegou a hora de diminuir. Ao contrário, vamos tentar aumentar, porque entendemos a importância de fazer esse avanço científico na Bahia”, defendeu. “Ninguém faz nada sozinho e não o farei. Que nós possamos abraçar a Fapesb e fazer com que a sociedade reconheça esse papel brilhante que a Fundação tem para o desenvolvimento sustentável do estado da Bahia”.

O evento contou com a presença de deputados estaduais e federais, e representantes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Universidade Católica do Salvador (UCSAL), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), do Senai Cimatec, entre outros.

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Estudo demonstra alto potencial de proteínas quiméricas para diagnóstico confirmatório de Chagas

O diagnóstico da doença de Chagas na fase crônica se caracteriza pela identificação da presença de anticorpos do Trypanosoma cruzi, através de testes sorológicos. Como ainda não há um kit que possa ser usado como teste de referência, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o uso paralelo de dois testes diferentes para o diagnóstico da doença. No entanto, muitos testes apresentam discordância, necessitando de um teste confirmatório para a definição sorológica dos pacientes.

O Western blot (WB) pode ser usado para esta finalidade, porém não se encontram comercialmente disponíveis em todo o mundo (inclusive no Brasil). A produção do único teste comercial produzido no país teve sua produção descontinuada em 2016, deixando uma lacuna no diagnóstico confirmatório da doença de Chagas.

Buscando uma alternativa para a confirmação do diagnóstico nesta fase da infecção, um grupo de pesquisadores, liderado por Fred Luciano Neves Santos, da Fiocruz Bahia, analisou o uso de proteínas quiméricas associadas à plataforma de testagem do Western blot. As proteínas foram a IBMP-8.1, IBMP-8.2, IBMP-8.3 e IBMP-8.4, já utilizadas em outros estudos de diagnósticos por esse mesmo grupo. O estudo foi publicado no periódico Plos Neglected Tropical Diseases.

Quarenta amostras positivas para T. cruzi, 24 negativas e três amostras adicionais de amostras positivas para leishmaniose visceral foram avaliadas. Todos os antígenos IBMP alcançaram 100% de sensibilidade, especificidade e precisão. Somente o antígeno IBMP-8.3 apresentou valores menos elevados de sensibilidade (95%) e acurácia (96,9%), apesar de ser 100% específico. Nenhuma reação cruzada foi observada em amostras positivas para leishmaniose.

O presente estudo de fase I (prova de conceito) demonstrou o alto potencial diagnóstico desses quatro antígenos IBMP para discriminar entre amostras T. cruzi positivas e negativas, tornando-as candidatas à fase II e testes confirmatórios com Western blot. “Neste momento, dois estudos estão sendo conduzidos por duas estudantes de doutorado, os quais visam avaliar o potencial confirmatório dos antígenos utilizando um quantitativo maior de amostras”, afirma o pesquisador.

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Sequenciamento para análise metagenômica viral é tema de dissertação

Estudante: Alessandra Gonzalez do Nascimento
Orientação: Luciano Kalabric Silva
Coorientação: Taryn Ariadna Castro Cuesta
Título da dissertação: “METAGENÔMICA COMO FERRAMENTA DIAGNÓSTICA E IDENTIFICAÇÃO DE PATÓGENOS EMERGENTES”
Programa: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa
Data de defesa: 03/02/2023
Horário: 14h00
Local: Sala do Zoom
ID da reunião: 834 1438 1809
Senha de acesso: 365176

Resumo

INTRODUÇÃO: A análise metagenômica de dados de tecnologias de sequenciamento de nova geração (NGS) tem fornecido oportunidades para o diagnóstico e vigilância em saúde pública de patógenos conhecidos e ou emergentes em amostras clínicas. OBJETIVO: Neste trabalho objetiva-se padronizar e validar uma metodologia de NGS para análise metagenômica viral (viroma) de amostras clínicas de pacientes. MATERIAL E MÉTODOS: Dados de treinamento foram utilizados em benchmarks, para testar os diferentes workflows (wf) de bioinformática e otimizar o tempo de processamento das análises de reconhecimento das bases (basecalling) e demultiplexação. A principal diferença entre os wfs consistiu no
software utilizado para classificação taxonômica sendo: primariamente, utilizamos o Kraken2 no wf1, que classifica vírus e bactérias a partir de um grande banco de dados; e o BLAST no wf2, que utiliza um banco local apenas com sequencias de referência virais de interesse (painel); e, alternativamente, utilizamos o Genome Detective no wf3, que é uma ferramenta web para análise de sequencias virais; e, por fim, o Epi2ME no wf4, para uma análise rápida e automatizada. Um ensaio de diluição seriada utilizando a vacina de poliovírus atenuados (OPV) foi realizado para testar o limiar de detecção dos nossos métodos. Amostras clínicas retrospectivas e recentes de arboviroses, casos suspeitos de meningites virais, infecções
agudas do trato respiratório e infecções crônicas causadas por hepatites virais e HIV, além de amostras de isolados virais foram testadas. O RNA viral foi enriquecido pela depleção do DNA por DNAses. O cDNA foi sintetizado por transcrição reversa e amplificado por SISPA antes da preparação das bibliotecas e sequenciamento num dispositivo portátil MinION (ONT). Uma análise de acurácia foi realizada utilizando-se diferentes cut-off (0,0% a 5,0%) da abundância relativa em nível de reads e contigs classificadas para eliminar “ruídos” ou artefatos do sequenciamento. RESULTADOS: O basecalling para o modelo fast foi otimizado, 1,36 horas, e para o modelo hac, 30,72 horas, que representa redução de 10% e 81%, respectivamente, no tempo médio de processamento dos dados de treinamento. Entretanto, o modelo fast foi preferido por ter melhor relação do custo computacional e acurácia. Foi possível identificar os enterovírus presentes na OPV até a diluição de 10-4 tanto pelo wf1 quanto pelo wf2. Ao todo, seis bibliotecas foram preparadas contendo 35 amostras clínicas com suspeita de infecção por vírus RNA. Tanto em nível de reads quanto contigs, o wf3 apresentou a melhor acurácia (70%) e (67%), respectivamente, utilizando um cut-off ≥1,0%. O wf4 não disponibiliza as reads classificadas para montagem e análise em nível de contigs. CONCLUSÕES: Os resultados deste estudo são promissores, pois demonstram que a utilização de uma metodologia de NGS metagenômica possibilita o diagnóstico acurado de patógenos virais de importância clínica. Avanços nessa metodologia podem reduzir custos e
viabilizar sua utilização na rotina de diagnóstico, com a vantagem de permitir a vigilância e descoberta de agentes emergentes.

Palavras-chave: Metagenômica, Sequenciamento de Nova Geração, Viroma, Sequenciamento por Nanoporos, Validação de Método.

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Laboratório de Nível de Biossegurança 3 retorna ao funcionamento pleno

O Laboratório com Nível de Biossegurança 3 (NB3) instalado na Fiocruz Bahia, após ter seu funcionamento manejado para atender ao diagnóstico molecular da Covid-19, volta a funcionar plenamente. O NB3 pertence ao Sistema Nacional de Laboratórios de Saúde Pública, rede da Secretária de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, sendo um espaço multiusuário em que pesquisadores poderão utilizar mediante aprovação pela comissão responsável, assinatura do termo de responsabilidade e agendamento prévio pela intranet.

Em Laboratórios de Nível de Biossegurança 3 são desenvolvidos trabalhos e/ou pesquisas com a capacidade de contenção de agentes biológicos que acarretam risco elevado e moderado individual, bem como para a comunidade. Nesse ambiente são disponibilizadas condições especiais de segurança pela possibilidade de contaminação humana e ambiental. Em 2021, o Ministério da Saúde contava com 12 laboratórios NB3, sendo este o único presente na Bahia.

O NB3 foi implantado na Fiocruz Bahia em 2002, oportunizando espaço para mais pesquisas sobre a tuberculose. Agora, há expectativas da realização de estudos com os vírus HIV e HTLV, além de ser possivel a sua utilização para outros patógenos, em consonância com as normas de biossegurança. A diretora da Fiocruz Bahia, Marilda Gonçalves, ressalta que o NB3 da Fiocruz Bahia possui instalações que foram projetadas com base em requisitos internacionais de segurança, sendo um dos laboratórios que consta do portfólio de estruturas sensíveis da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde – SCTIE, do Ministério da Saúde.

“Além do uso para pesquisas, o NB3 faz parte da rede de laboratórios que podem ser solicitados para atuar em situações de emergências sanitárias e em atos relacioados ao bioterrorismo. Recentemnete, o laboratório passou por uma reforma ampla, com investimentos que possibilitaram a renovação da infraestrutura e do parque de equipamentos. Nesse sentido, reforçamos e agradecemos o apoio irrestrito recebido pela Coordenação de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência, da Fiocruz, em especial ao Dr. Rivaldo Venâncio, que é o coordenador institucional, bem como do Engenheiro Marcelo Ayres, que possui expertise em instalação de NB3”, pontua Marilda Gonçalves.

A vice-diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico coordenou os trabalhos juntamente com a coordenação do NB3 e o setor de manutenção do IGM. “Podemos voltar a fazer estudos com microrganismos que só podem ser trabalhados neste ambiente, como a Mycobacterium tuberculosis e outros. A Bahia é um estado onde a tuberculose ainda tem uma grande importância em termos de saúde pública”, considera o vice-diretor de Pesquisa da Fiocruz Bahia, Ricardo Riccio.

O responsável técnico do NB3, Antonio Carlos Muniz, explica que a segurança do local funciona com o apoio de outras ferramentas. “As pessoas que entram no laboratório participam de um curso específico para o NB3. Toda a água utilizada na autoclave [tratamento térmico usado para matar microrganismos] é descontaminada, antes de ser lançada no esgoto. Além disso, o laboratório é multiusuário, está aberto a outros pesquisadores. Basta fazer o cadastramento do projeto e esperar a aprovação”, ressalta.

Hoje, o laboratório possui hoje todos os procedimentos de Qualidade e Biossegurança necessários ao funcionamento e são fruto de trabalho conjunto entre o do Serviço de Qualidade e Biossegurança (SQB), Serviço de Manutenção e Coordenação de Plataformas da Fiocruz Bahia. “Em breve, o NB3 contará também com a implantação do Sistema de Documentos Interact, ferramenta que facilitará o gerenciamento, controle e disseminação de toda a sua documentação, tornando esta gestão mais segura e simples. Este gerenciamento e controle eletrônico de documentos é importante para o aprimoramento e valorização das informações corporativas, mantendo sua excelência nas atividades”, afirma a coordenadora do SQB, Hilda Carolina Rios.

A pesquisadora Theolis Bessa, assim como outros cientistas do IGM, voltará a desenvolver projetos neste espaço. Ela coordena estudos sobre a análise do ciclo de vida do Mycobacterium tuberculosis, patógenos causador da tuberculose, após ser internalizada pelas células. “Nosso grupo tem focado em mecanismos que podem auxiliar na morte intracelular da bactéria. Esses mecanismos podem ajudar a associar o tratamento microbicida com outras drogas”, relata. A cientista conta que no interior do NB3 também serão realizadas culturas das bactérias, a serem utilizadas nas pesquisas.

“Dependemos dessa infraestrutura que nos isola desse microrganismo de forma eficaz, tanto com a barreira do fluxo do ar, como com a quantidade de equipamentos de proteção individual (EPIs) que utilizamos”, assegura Theolis. A contenção dos patógenos no laboratório ocorre por conta do fluxo continuado e renovado de ar no espaço e do controle de temperatura, umidade e pressão.

“O NB3, inicialmente, atenderá a duas demandas: pesquisa com bactérias, que envolve a tuberculose, e pesquisa com vírus, como o HIV e o HTLV. Tanto que o laboratório conta com equipamentos duplicados, permitindo o fluxo de trabalho com vírus e outro com bactérias”, afirma Roni Vinhas, chefe do Serviço de Manutenção da Fiocruz Bahia.

Antes da reabertura, o NB3 contou com uma readequação do seu espaço. Entre as reformas realizadas estão o isolamento dos dutos, adequação do sistema de automação, revisão do sistema de intertravamento das portas (para entrar e sair do laboratório é necessário passar por portas automáticas, que avisam quando estão abertas, e controlam o fluxo dos pesquisadores, garantindo a segurança) e a substituição do filtro de ar HEPA, equipamento responsável pela purificação do ar. Parte dos equipamentos do NB3 também foram renovados. 

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Inscrições para seleção do PGBSMI foram modificadas e o prazo prorrogado para 15/01

A Coordenação do PGBSMI informa que, devido a um problema na Plataforma SGT, os documentos para a conclusão das inscrições da Seleção 2023.1 para o Mestrado e Doutorado deverão ser enviadas através do e-mail pgbsmi@fiocruz.br. O prazo máximo para envio da documentação completa foi prorrogado, encerrando-se às 23:59h do dia 15/01/2023. O documento sobre a prorrogação pode ser consultado na página de seleção da plataforma SIGASS.

O candidato deverá anexar os documentos, de acordo com o Item 9.1. DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS PARA A INSCRIÇÃO do Edital 2023.1. Os documentos deverão ser digitalizados e anexados em 7 arquivos em formato PDF e enviados por e-mail.

Os arquivos deverão ser obrigatoriamente nomeados conforme especificação do edital. No assunto do e-mail deverá constar: “Edital Seleção Pública de Candidatos ao Curso de Mestrado 2023.1 – PGBSMI” (para candidatos ao Mestrado), ou “Edital Seleção Pública de Candidatos ao Curso de Doutorado 2023.1 – PGBSMI” (para candidatos ao Doutorado).

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Inscrições prorrogadas para curso sobre impacto da interação parasita-vetor na transmissão da leishmaniose

O curso “Desvendando a importância da interação parasita-vetor para a transmissão da leishmaniose”, que ocorrerá de 26 de janeiro a 03 de fevereiro, em formato híbrido, prorrogou as inscrições para o dia 23 de janeiro. O público-alvo é de alunos de pós-graduação, pesquisadores, tecnologistas e técnicos da área de saúde. Interessados devem enviar carta de interesse, currículo lattes e declaração de vínculo para o e-mail ciipvh@gmail.com. As vagas são limitadas. 

Os temas abordados durante as 32 horas de aulas teóricas e práticas serão: ciclo de vida da Leishmania no flebotomíneo; a importância da microbiota e outros componentes do flebotomíneo para a sobrevivência da Leishmania; ferramentas para avaliação da transmissibilidade pelo vetor; resposta imune à picada do vetor. Os alunos que não puderem participar presencialmente poderão se inscrever como ouvintes, pois as palestras teóricas expositivas serão transmitidas online. Durante o curso serão realizadas demonstrações práticas como dissecação de flebotomíneos, extração de glândula salivar e avaliação de infecção experimental e natural. 

Leishmaniose

As Leishmanioses são doenças negligenciadas causadas por protozoários do gênero Leishmania. Essas doenças são mantidas nos centros urbanos por um ciclo de infecção que envolve seres humanos, o vetor flebotomíneo e vertebrados não humanos. A transmissão da leishmaniose ocorre quando o flebotomíneo alimenta-se de um hospedeiro vertebrado infectado e posteriormente realiza o repasto sanguíneo em outro hospedeiro. 

Ao alimentar-se, o vetor infectado inocula as formas promastigotas metacíclicas de Leishmania e vários componentes, como saliva, exossomos, parte da microbiota do seu trato digestório e um gel secretado pelo parasito. Esses componentes, junto com o parasito, são reconhecidos pelo sistema imune do hospedeiro e são responsáveis por desencadear diferentes eventos que irão determinar a eliminação ou persistência e multiplicação do parasito.

Confira o cronograma das atividades:

AtividadeProfessorDataHoras
Abertura do curso Apresentação dos professores, monitores e participantes, metas e objetivos do cursoTodos26/01 09:00-10:002 h
Palestra: Atualizações no ciclo de vida da Leishmania no seu ambiente favorito: o flebotomíneoEva Iniguez26/01 10:00-12:002 h
Atividade Prática: Manipulação e cultivo de flebotomíneos em insetário experimentalEva Iniguez26/01 14:00-17:002 h
Palestra: Características da leishmaniose visceral em hospedeiros desnutridos após picadas de flebotomíneos infectados por Leishmania donovaniEva Iniguez27/01 09:00-10:02 h
Atividade Prática: Infecção ArtificialTodos27/01 10:00-12:00 14:00-16:004 h
Palestra: Competência vetorial dos flebotomíneos: a importância da microbiota na sobrevivência da LeishmaniaTiago Mota30/01 09:00-11:002 h
Atividade Prática: Dissecção de flebotomíneosTodos30/01 14:00-17:003 h
Palestra: A importância do componentes do vetor na transmissão da LeishmaniaCamila Indiani31/01 09:00-11:002 h
Roda de discussão de artigos científicos relacionados ao tema e conteúdo da palestraTodosTer 31/01 11:00-12:001h
Palestra: Ferramentas para avaliação da transmissibilidade pelo vetorTiago Mota e Manuela Solcà01/02 09:00-11:002 h
Atividade Prática: Demonstração de xenodiagnóstico, PCR, western e ELISATiago Mota e Manuela Solcà01/02 14:00-17:003 h
Palestra: Resposta imune à picada do vetorClaudia Brodskyn03/02 09:00-10:002 h
Demonstração Prática Experimentos relacionados a estudo da interação parasita vetorClaudia Brodskyn e Manuela Solcà03/02 10:00-12:002 h
Demonstração Prática Experimentos relacionados a estudo da interação parasita vetorEva Iniguez03/02 14:00-16:002 h
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Diretora da Fiocruz Bahia homenageia Nísia Trindade em posse como ministra da Saúde

A diretora da Fiocruz Bahia, Marilda Gonçalves, participou da Cerimônia de Investidura no cargo da Ministra de Estado da Saúde, Nísia Trindade, realizada em Brasília, nesta segunda-feira (2/1). O evento ocorreu no Auditório Emílio Ribas, do edifício-sede do Ministério da Saúde, e contou com a presença de diversos ministros e secretários do governo empossados ontem. 

Marilda foi responsável pela leitura da homenagem do Conselho Deliberativo (CD) da Fiocruz para a ex-presidente da instituição, destacando a honra de acompanhar de perto a trajetória da primeira mulher a assumir a presidência da Fundação em 120 anos e agora a primeira mulher a ocupar o cargo de Ministra da Saúde. Em sua fala, a diretora destacou o trabalho feito por Nísia Trindade em sua trajetória na Fiocruz, em especial durante a pandemia da Covid-19 e do enfrentamento da escassez de recursos financeiros e de pessoal na instituição. 

“Temos a certeza de que o Ministério da Saúde está recebendo um presente, um tesouro. Cuidem muito bem dele, pois nele está depositada a esperança de tantos brasileiros pelo futuro da saúde no Brasil”, salientou Marilda Gonçalves, antes de entregar à Nísia um quadro em nome do Conselho Deliberativo. Nísia agradeceu a homenagem destacando o fato de o pai ser baiano e que a homenagem ter vindo representada pela diretora da Fiocruz Bahia tem um sentido especial para ele, que estava assistindo à cerimônia pela internet. 

Em seu primeiro discurso no cargo, a ministra declarou que sua gestão na pasta será pautada pelo diálogo com a ciência, garantindo que o trabalho coletivo com estados, municípios e sociedade será fundamental para alcançar os resultados almejados. “Firmei esse compromisso com muita convicção. A convicção de quem há muito tempo estuda as desigualdades sociais em nosso país e que atua na área de ciência e tecnologia, especialmente a partir da minha história na Fiocruz, para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde [SUS] e também com sentido de urgência que se requer hoje de todos nós que integramos a equipe do presidente Lula e que farei cumprir com todo o empenho no Ministério da Saúde”, acrescentou Nísia.

Confira o evento na íntegra, no canal do YouTube do Ministério da Saúde.

Nísia Trindade

Nísia Trindade Lima foi a primeira presidente mulher eleita da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em 2017, sendo reeleita em 2020 para a gestão 2021-2024. É doutora em Sociologia e servidora da Fundação desde 1987. Ingressou na instituição como pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), assumindo a direção da unidade de 1999 a 2005. De 2011 a 2016, à frente da Vice-Presidência de Ensino, Informação e Comunicação (Vpeic/Fiocruz), tornou-se integrante do Conselho Consultivo do Sistema Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS). 

Como Presidente da Fiocruz, liderou as ações da instituição no enfrentamento da pandemia de Covid-19 no Brasil. A Fiocruz, dentre outras iniciativas, criou um novo Centro Hospitalar no campus de Manguinhos; coordenou no país o ensaio clínico Solidarity da Organização Mundial da Saúde (OMS); aumentou a capacidade nacional de produção de kits de diagnóstico e processamento de resultados de testagens; organizou ações emergenciais junto a populações vulneráveis; ofereceu cursos virtuais, para profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS), de manejo clínico e atenção hospitalar para pacientes de Covid-19; lançou manual de biossegurança em escolas; e tornou-se laboratório de referência para a OMS em Covid-19 nas Américas. 

Criou o Observatório Covid-19, rede transdisciplinar que realiza pesquisas e sistematiza dados epidemiológicos; monitora e divulga informações, para subsidiar políticas públicas, sobre a circulação do novo coronavírus e seus impactos sociais em diferentes regiões no Brasil. Outro destaque foi a inauguração do Biobanco COVID-19 (BC19-FIOCRUZ) em dezembro de 2021. Como presidente da Fiocruz, coordenou todo o acordo de encomenda tecnológica na articulação com o Ministério da Saúde do Brasil, a Universidade de Oxford, a farmacêutica AstraZeneca e as unidades de produção locais. 

Em dezembro de 2020, foi eleita membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) na categoria Ciências Sociais. Em 1º de janeiro de 2022, ela se tornou membro da Academia Mundial de Ciências (TWAS) para o avanço da ciência nos países em desenvolvimento. Em 2021, foi agraciada com o grau de Cavaleira da Ordem Nacional da Legião de Honra da França, oferecido pelo Governo da França. Em novembro de 2022 recebeu o Prêmio Regional da TWAS para Diplomacia Científica, que homenageia indivíduos que tenham atuado em projetos de pesquisa transfronteiriços que contribuíram para a melhoria das relações internacionais.

Recebeu também as seguintes Medalhas de Mérito: Oswaldo Cruz do Ministério da Saúde (2018); Academia Brasileira de Medicina Militar (2018); Academia Brasileira de Ciências Farmacêuticas (2018); Rui Barbosa (2016); Euclides da Cunha (2008); 110 anos da Academia Brasileira de Letras (2007); e Centenário da Fiocruz (2000); Doutor Honoris Causa pela UFRJ; Carioca do Ano pela Revista Veja (2020); Prêmio Personalidade França-Brasil; Prêmio Personalidade Profissional; II Prêmio EMERJ de Direitos Humanos; Medalha Tiradentes (2021); e Comenda Celso Furtado (2022).

*Com informações do Ministério da Saúde e do Portal Fiocruz.

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Dissertação avalia perfil de mamografias realizadas pelo SUS na Bahia

Autoria: Lorena Christiane Fonseca Almeida
Orientação: Maria da Conceição Chagas de Almeida
Título da dissertação: “RASTREAMENTO MAMOGRÁFICO: PERFIL E TRAJETÓRIA DAS USUÁRIAS DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE NA BAHIA”.
Programa: Pós-Graduação em Pesquisa Clínica e Translacional
Data de defesa: 11/01/2023
Horário: 09h30
Local: Sala do Zoom
ID da reunião: 830 5874 5505
Senha de acesso: Lorena

Resumo

Introdução: De todos os tipos de neoplasias, exceto de pele não melanoma, o câncer de mama é o mais incidente nas mulheres no mundo. O rastreamento dessa neoplasia tornou-se objetivo de ações de políticas públicas para sua prevenção e controle. Estudos evidenciam que o diagnóstico e tratamento precoce do câncer de mama podem reduzir a mortalidade específica. Há indícios de que o acesso ao diagnóstico do câncer de mama pelo SUS, não está ocorrendo como preconizado pela Lei do MS, Nº. 13.896/19, podendo impactar no prognóstico e sobrevida das pacientes. Objetivo geral: Avaliar o perfil dos exames de mamografia realizados por usuárias do SUS no estado da Bahia na faixa etária de 50 a 69 anos, descrever os resultados suspeitos de câncer e a trajetória no tempo dos exames. Metodologia: Trata-se de um estudo avaliativo investigativo com dados secundários dos Sistema de Informação do Câncer – SISCAN, referentes ao estado da Bahia, no período compreendido entre 2018 e 2021. Serão analisados dados secundários do SISCAN, disponibilizados nos Sistemas de Informações em Saúde do DATASUS e acessados acessadas pelo TabNet. Os dados tiveram abordagem descritiva. Resultados: O rastreamento foi a principal indicação clínica (98,8%) e população alvo (faixa etária de 50 a 69 anos) foi responsável por 96,3% dos exames; as macrorregiões afastadas dos grandes centros apresentaram as maiores taxas brutas de realização de exames; a produção de mamografia de rastreamento do estado vem diminuindo gradativamente nos anos de estudo; na população-alvo elegível do estudo, aproximadamente 68% dos exames de rastreamento estavam na faixa etária preconizada; foram realizados na periodicidade bienal 25% dos exames; A indicação de encaminhamento para investigação diagnóstica por biópsia foi de 0,7% (Categorias BI-RADS® 4 e 5); no tempo total de exame 60,4 % dos exames, foram liberados em até 30 dias. Conclusão: Evidenciamos baixa cobertura da população ao programa de rastreamento do câncer de mama na Bahia, nas macrorregiões com maiores valores interno bruto, exceto em 2021 e diminuição gradativa do número de mamografia de rastreamento na faixa etária de 50 a 69 anos. A maioria dos exames estavam na faixa etária preconizada, porém fora da periodicidade bienal em desacordo com as recomendações das Diretrizes de Detecção do Câncer de Mama no Brasil. O acesso ao exame está sendo efetivo e a maioria foi realizado em até 10 dias. Somente, aproximadamente 60,4% das usuárias de Sistema Único de Saúde, tiveram seus direitos respeitados, em concordância com a Lei do MS, nº. 13.896, de 30 de outubro de 2019. Enfatizamos a importância da implantação de um rastreamento organizado e o imprescindível o papel dos profissionais envolvidos na Detecção Precoce do Câncer de Mama para um rastreamento de qualidade. Impacto: os resultados do obtidos irão apoiar políticas de saúde relacionadas ao acesso em tempo oportuno ao diagnóstico câncer de mama, possuindo interesse estratégico para o SUS ao demostrar a importância dos dados do SISCAN nas ações dessas políticas públicas para a detecção precoce do câncer de mama. Palavras-chave: Neoplasias de Mama; Detecção Precoce de Câncer; Mamografia; Programa de Rastreamento

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