Palestra sobre desinformação na ciência em saúde marca aula inaugural da Fiocruz Bahia

O ano letivo de 2024 da Fiocruz Bahia teve início no dia 15 de março, com a aula inaugural sobre os impactos da desinformação na ciência em saúde. A atividade aconteceu no auditório Aluízio Prata e foi conduzida pela pesquisadora e professora Ana Maria Caetano Faria, diretora do Departamento de Ciência e Tecnologia (DECIT) do Ministério da Saúde, que foi recebida pela vice-diretora de Ensino, Claudia Brodskyn. Participaram do evento as coordenadoras e vice-coordenadoras; pesquisadores e estudantes do Programa de Pós-graduação em Patologia (PGPAT – UFBA/Fiocruz Bahia); Programa de Pós-graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PGBSMI); e Programa de Pós-graduação em Pesquisa Clínica e Translacional (PPgPCT).

Durante a aula, Ana Maria Caetano falou sobre o termo desinformação e a necessidade dele ser considerado para além de “notícia falsa”, ou seja, além das fake news. A pesquisadora destacou que “a desinformação é um conteúdo intencional, um erro proposital, que é planejado e que causa danos potenciais em indivíduos e grupos, e que hoje requer ação governamental muito séria”. Ela observou ainda que por vezes um conteúdo utilizado na desinformação não é falso, mas é tirado do contexto original.

Ana Maria pontuou que, embora o fenômeno da desinformação tenha tido uma dimensão muito grande em algumas eleições, como no Brasil e nos EUA, e que o negacionismo e a desinformação foram danosos durante a pandemia de Covid-19, o uso da desinformação como estratégia não é novidade. “Esse fenômeno questionou e questiona as normas científicas, a medicina baseada em evidências, e, principalmente, as instituições públicas voltadas para proteção e promoção da saúde”, ressaltou Ana Maria.

“No Brasil, na época da pandemia, a gente viu que houve uma verdadeira guerra política informacional que teve consequências muito devastadoras e tornou mais letal ainda a ação do vírus”, observou a professora. Durante sua apresentação, a palestrante fez uma retomada histórica e trouxe como exemplo estratégias de marketing e iniciativas de desinformação utilizadas contra o aleitamento materno, a favor do tabagismo e do histórico do movimento antivacina no mundo.

Um marco importante também destacado durante a aula, foi a transformação dos meios de comunicação e o advento das redes sociais, que trouxeram outros desafios para o enfrentamento à desinformação. Diante do cenário, ações governamentais para enfrentar o fenômeno da desinformação como projetos de leis, controle da internet, grupos de trabalho, acionamento do sistema judiciário, entre outras, vêm sendo tomadas em diversos países.

Ana Maria, citou o projeto Enfrenta, iniciativa da Academia de Ciências da Bahia (ACB) e Fundação Conrad Wessel (FCW), coordenado pelo pesquisador Manoel Barral, da Fiocruz Bahia. O Enfrenta realizou um ciclo de webinários que discutiram a desinformação na ciência e medidas de combate e prevenção, e está em via de produção de um e-book como resultado das discussões. “Está sendo coordenado no governo federal um verdadeiro ecossistema para enfrentar o problema da desinformação com diversos parceiros. Entre eles está o ‘Saúde com Ciência’,  uma iniciativa interministerial voltada para a promoção e fortalecimento das políticas públicas de saúde e a valorização da ciência”, finalizou.

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Estudante de doutorado é selecionada para estágio na Suíça

A estudante Larissa Vasconcelos foi selecionada para um estágio de pesquisa no programa Next Generation Scientist (NGS), na Suíça. O programa anual é oferecido pela Novartis e pela Universidade de Basileia, tem como público alvo jovens cientistas e médicos de países de baixa e média renda, nos níveis de mestrado, doutorado e pós-doutorado. A aluna é doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PGBSMI), da Fiocruz Bahia.

Com duração de três meses, o estágio é realizado no centro de pesquisa da Novartis, em Basileia, com o objetivo de promover o desenvolvimento científico e profissional dos participantes. O programa também busca facilitar a troca de conhecimento entre participantes e mentores, promovendo o compartilhamento de experiências sobre ciência e saúde em outros países, visando aumentar a quantidade e qualidade da pesquisa em saúde em regiões de baixa e média renda.

A doutoranda explicou que o processo seletivo para o programa NGS ocorreu em várias etapas. “Durante as entrevistas, senti-me bem recebida pelos entrevistadores ao compartilhar minha área de atuação. Percebi que minha opinião foi levada em consideração, e houve cuidado na seleção de projetos nos quais meu conhecimento prévio seria útil e contribuiria para o meu desenvolvimento profissional e científico”.

Larissa Vasconcelos foi selecionada no programa Next Generation Scientist (NGS), na Suíça

Larissa Vasconcelos é orientada do pesquisador Fred Santos, com o projeto “Avaliação e validação em campo do TR-Chagas Bio-Manguinhos na triagem sorológica da doença de Chagas crônica: um estudo de fase III”. Formada em Biomedicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP), tem especialização em Análises Clínicas. Durante a graduação, entrou na Fiocruz como estudante de Iniciação Científica, sob orientação de Fred Santos e coorientação de Ângelo Silva. Concluiu o mestrado no PGBSMI, com a dissertação intitulada “Avaliação e validação da fração RBD da proteína Spike do SARS-CoV-2 para o imunodiagnóstico da COVID-19”.

De acordo com Fred Santos, Larissa sempre foi uma estudante de destaque e acredita que o período na Suíça será bastante frutífero, proporcionando crescimento profissional, bem como pessoal. “Uma experiência como esta marca para sempre a vida de uma pessoa. Estou muito feliz por ter contribuído com mais um passo de sua formação científica”, ressaltou.

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Proteínas recombinantes demonstram bom desempenho para detecção de sífilis

Uma pesquisa foi realizada para avaliar a acurácia diagnóstica das proteínas recombinantes TpN17 e TmpA na detecção de sífilis. O estudo de fase II foi coordenado pelo pesquisador da Fiocruz Bahia, Fred Luciano Neves Santos, e publicado no periódico Frontiers in Microbiology.

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum, cujo diagnóstico é baseado na epidemiologia clínica e sorologia. O sorodiagnóstico dessa IST é desafiador, pois diferentes formas clínicas da infecção podem influenciar o desempenho sorológico. Nesta pesquisa, foram analisadas 647 amostras: 180 positivas para T. pallidum, 191 negativas para T. pallidum e 276 soros de indivíduos infectados com outras doenças infecto-parasitárias.

Os pesquisadores constataram que as proteínas TmpA e TpN17 demonstraram excelente desempenho diagnóstico na distinção entre amostras positivas e negativas. Além disso, os parâmetros de desempenho nesta avaliação superaram os observados na fase I do estudo. “De fato, a utilização de testes comerciais de referência (ELISA, FTA-ABS e VDRL) para recaracterização das amostras séricas e acesso aos dados clínicos dos pacientes contribuíram significativamente para melhores resultados”, avalia Fred.

Os resultados indicaram que essas proteínas apresentam alta capacidade diagnóstica, conforme evidenciado por sua especificidade, sensibilidade e acurácia. Os achados também sugerem o potencial para um maior aumento da sensibilidade através da utilização de misturas antigênicas, que será o foco principal dos próximos esforços de investigação do grupo.

Estudos futuros serão realizados para analisar amostras de sífilis de gestantes, casos de sífilis congênita e de sífilis terciária, pois uma concentração de pacientes diagnosticados predominantemente em estágios secundários e latentes de sífilis limitou a diversidade da coleta de amostras. Além de avaliar a reatividade cruzada, com a exclusão de amostras positivas para leptospirose.

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PGPAT divulga edital de seleção 2024.2 para doutorado

O Programa de Pós-graduação em Patologia Humana (PGPAT – UFBA/Fiocruz Bahia) divulga o processo seletivo para admissão de alunos no doutorado, referente ao semestre 2024.2. As inscrições poderão ser feitas no período de 18/03/2024 a 18/04/2024.

O edital oferece 8 vagas, incluindo as destinadas às ações afirmativas, além de vagas reservadas para o fluxo contínuo em que podem se inscrever apenas os concluintes e egressos do mestrado do PGPAT que tenham ingressado no programa a partir de 2023.1.

Aqueles que passaram pelo processo seletivo regular com a Etapa 1 de Avaliação de Conhecimentos Gerais, com a aprovação do orientador (indicado no Formulário de Compromisso de Orientação), têm a opção de utilizar a nota da prova da Etapa 1 realizada na seleção do mestrado. Para os concluintes do mestrado, a homologação da inscrição ocorrerá somente após a entrega da dissertação e a confirmação da data da defesa, que deve ocorrer antes da data de matrícula.

O edital completo, juntamente com os anexos, está disponível no site do PGPAT.

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Palestras marcam comemoração do Dia da Mulher

A Fiocruz Bahia promoveu a primeira sessão científica do ano de forma especial, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher (08/03). O evento contou com as palestras das biólogas Deboraci Prates, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Luisa Maria Diele e Helena Araújo, ambas da Rede Kunhã Asé de Mulheres na Ciência, da historiadora Patricia Valim, da UFBA, e da assessora da Finep, Julieta Palmeira, mediadas pela pesquisadora da Fiocruz Bahia, Natália Tavares.

Estiveram presentes a Diretora de Políticas e Programa da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia (Secti), Sahada Luedy, os vice-diretores de Pesquisa, Gestão e Ensino da Fiocruz Bahia, Ricardo Riccio, Valdeyer Reis e Claudia Brodskyn, respectivamente, além de pesquisadores. A diretora da Fiocruz Bahia não pode estar presente, mas gravou um vídeo que foi exibido na ocasião. “Fui solicitada a estar na Fiocruz, no Rio de Janeiro, para participar de uma mesa redonda e de uma homenagem a algumas mulheres da instituição. O dia 8 de março é um dia de luta e peço que os homens estejam conosco”, disse a diretora.

Sessão Científica

A apresentação de Deboraci Prates teve como título “Mulheres negras na ciência e educação antiracista”. A professora mencionou aspectos do racismo, fez uma reflexão sobre a articulação dos saberes eurocêntricos, indígenas, africanos e afrodiaspóricos produzidos no âmbito acadêmico e apresentou dados da distribuição desigual das bolsas de produtividade em pesquisa entre homens e mulheres. “Um aspecto muito importante que esses dados vêm refletindo é o das interseccionalidades, que estão presentes nas ciências e nas instituições acadêmicas. Uma pesquisa feita pelo Dieese aponta que mulheres negras ganham 38,4% menos que mulheres não negras. Comparando com homens negros, as mulheres negras ganham 52% menos”, comentou. 

Luisa Maria Diele e Helena Araújo abordaram o tema “Semeando Ciência: estimulando o empoderamento jovem em comunidades tradicionais”. Elas falaram do projeto realizado em 12 escolas do país, que teve como foco, na quarta edição, as comunidades tradicionais e as mudanças climáticas. “A ideia foi a gente se aproximar e fazer com que as crianças se vissem representadas em diferentes espaços, como o acadêmico. Começamos a discutir na escola, como um todo, questões relacionadas à equidade de gênero e inclusão”, contou Helena.  

As dinâmicas do projeto também envolvem discutir na escola os sonhos dos estudantes e entender a percepção deles do que é ciência e de como é um cientista. “Tentamos mostrar para os alunos que eles podem se tornar lideranças locais, agentes transformadores da sua realidade”, completou Luisa.

Durante a palestra “Parentalidade na ciência”, Patrícia Valim apresentou o movimento Parent in Science e a Rede Brasileira de Mulheres Cientistas, das quais faz parte, falou do impacto da maternidade para as cientistas, das propostas dessas entidades para enfrentar os desafios e apresentou dados de pesquisas sobre o assédio no ambiente acadêmico. “Existe uma luta por uma licença paternidade paritária, no mesmo período das mães, para que a gente consiga diminuir esse efeito drástico na nossa carreira e não tenha que escolher entre ser mãe ou ser cientista. Que a gente tenha as mesmas condições de produção científica que os nossos colegas tem”, pontuou.

Julieta Palmeira falou sobre “Oportunidades para mulheres na ciência” abordando como a desigualdade de gênero se expressa na ciência, sobre as dificuldades da mulher na progressão na carreira, a equiparação salarial aos homens e dos desafios para a ampliação das mulheres na alta gestão de instituições e entidades científicas. “O patriarcado restringe as oportunidades das mulheres. Esse patriarcado também está na raiz do problema da violência contra as mulheres e que tembém está em espaços de poder, e a ciência é um desses espaços de poder”.

Fiocruz pela equidade de gênero

Como parte da programação do Dia Internacional da Mulher na Fiocruz, foi realizada, no Campus Manguinhos, no Rio de Janeiro, a roda de conversa “Fiocruz pela equidade de gênero: mulheres nos espaços de poder institucional”, organizada pela Coordenação de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas (Cedipa) da Fiocruz e o Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça. A mesa de Abertura foi formada por Lúcia Helena da Silva, vice-presidente do Sindicato dos Servidores de Ciência, Tecnologia, Produção e Inovação em Saúde Pública (Asfoc); Zélia Profeta, chefe de Gabinete da Presidência; e Andréa da Luz, coordenadora geral de Gestão de Pessoas (Cogepe).

A roda teve como palestrantes: Anamaria Corbo, diretora da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV); Marilda Gonçalves, diretora da Fiocruz Bahia; Jennifer Kelly, técnica de Inovações Farmacêuticas do Bio-Manguinhos; e Bruna Catalan, bolsista do Programa Fiocruz Saudável. A mediação foi feita por Hilda Gomes, coordenadora de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas.

Marilda Gonçalves destacou que, em quase 67 anos da Fiocruz Bahia, ela foi a primeira diretora mulher da unidade. “Espero que seja um marco, que tenha sido uma linha, e que várias mulheres queiram estar nesses espaços. Pois estar em espaços de poder é uma luta diária, porque por ser mulher, algo que embora não seja dito, mas que é subentendido, nós sempre precisamos de uma aprovação, e sempre precisamos estar provando a nossa capacidade”, afirmou.

A diretora ressaltou a importância das mulheres estarem nos espaços de poder com apoio amplo e aliadas aos homens. “Acho que nós temos que estar unidas, junto com os homens. A Fiocruz tem dado tantos exemplos como na pandemia, em outros momentos especiais, com a ministra Nísia Trindade, e tudo que representamos na sociedade brasileira e internacionalmente, nós temos que estimular que mais mulheres estejam nesses espaços. E que nós não sejamos citadas como exemplo de poucas, que tenhamos muito mais, e que possamos dividir com os homens esses espaços de poder”, observou Marilda.

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Biobanco da Fiocruz Bahia é aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa

O biobanco do Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia), o Bio-IGM, teve o protocolo de funcionamento aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). O Bio-IGM tem como objetivo realizar armazenamento de material biológico humano para o desenvolvimento de pesquisas biomédicas e melhor entendimento na patogênese, patogenia, evolução, tratamento e diagnóstico de doenças infecto-contagiosas, crônico-degenerativas e neoplasias de interesse estratégico para o Instituto.

A estrutura é constituída por uma equipe técnico-administrativa, composta pela curadora Eugênia Granado, a curadora adjunta Adriana Lanfredi Rangel e apoio técnico de Rafaela Gomes Alves. O espaço físico de aproximadamente 55 m², localizado no subsolo do edifício garagem, será composto por uma sala equipada com freezers com temperaturas de -30°C e -80°C, refrigeradores, outra receberá container de nitrogênio líquido para 40 mil amostras, além de área administrativa, de recepção e processamento de amostras.  O Bio-IGM contará com um sistema automatizado de organização e monitoramento de dados associados às amostras armazenados, com os softwares REDCap e NorayBanks.

De acordo com Ricardo Riccio, vice-diretor de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Serviço de Referência da Fiocruz Bahia, a aprovação do biobanco representa um marco significativo para a instituição, pois é o primeiro da Fiocruz nas regiões Norte e Nordeste. “Isso destaca o compromisso do IGM em impulsionar a pesquisa científica na região, fornecendo uma infraestrutura essencial para armazenar e compartilhar amostras biológicas de alta qualidade. Além disso, ao incluir amostras de doenças negligenciadas como esquistossomose e doença de Chagas, o Bio-IGM demonstra uma abordagem inclusiva e inovadora para enfrentar desafios de saúde locais e globais”, observa.

Riccio acredita que o Bio-IGM dará acesso a uma variedade de amostras biológicas e dados clínicos. “Isso permitirá que os pesquisadores explorem áreas como genética, epidemiologia e medicina personalizada, com um olhar especial para as condições de saúde comuns nestas regiões do país. E, ao promover a colaboração entre pesquisadores e instituições, pode facilitar a descoberta de biomarcadores e terapias inovadoras para melhorar a saúde pública e abordar desafios específicos da região”, conclui.

Eugênia Granado explica que o biobanco está aberto a receber o depósito de amostras de pesquisadores da Fiocruz Bahia, mas também de outras instituições. O recebimento dessas amostras será avaliado pela equipe com as curadoras do Biobanco e pelo comitê gestor da Rede Fiocruz de Biobancos (RFBB). “O Bio-IGM vai garantir qualidade para essas amostras, elas vão ficar guardadas em condições e temperaturas adequadas, conforme a necessidade, com monitoramento contínuo das temperaturas dos equipamentos aonde estarão armazenadas Além disso, essa iniciativa da Fiocruz irá fomentar uma maior interação entre diferentes grupos de pesquisa”, ressalta a curadora.

Inicialmente, serão recebidas amostras de diagnóstico de Covid-19, oriundas da Plataforma de Vigilância Molecular da Fiocruz Bahia, além de amostras provenientes de projetos de pesquisa em desenvolvimento no instituto e ligados à Rede Fiocruz de Pesquisa Clínica, em doenças causadas pelo Schistosoma mansoni e Trypanosoma cruzi.

Fruto de um projeto institucional de mais de dez anos, o financiamento para o Bio-IGM vem da captação de recursos pelo Núcleo de Excelência em Gestão de Projetos de nossa Unidade (NEGP/IGM), através de emendas parlamentares e do apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT-BA), e do apoio financeiro e organizacional da Rede Fiocruz de Biobancos (RFBB), ligada à  Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB).

Rede Fiocruz de Biobancos

A Rede Fiocruz de Biobancos (RFBB) foi formalizada em 2015, pela Presidência da Fiocruz (744/2015-PR), com coordenação da Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB/Fiocruz), com o objetivo de estabelecer e manter biobancos institucionais estruturados em rede para prover à comunidade científica material biológico humano de qualidade e dados associados, dando suporte a projetos de pesquisa que sejam de benefício e interesse da saúde em âmbito nacional e zelando pelos direitos dos participantes de pesquisa.

A RFBB é composta pelos biobancos constituídos nas unidades técnico-científicas da Fiocruz e registrados na Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep/CNS/MS). Até o momento, a RFBB está constituída pelos biobancos de Bio-Manguinhos (BBIO), do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), do Instituto René Rachou (IRR), do Biobanco da Biodiversidade e Saúde (BBS, antigo Biobanco COVID-19) e  mais recentemente pelo Biobanco da Fiocruz Bahia (Bio-IGM).

Interessados/as em depositar amostras no Bio-IGM devem entrar em contato através dos endereços eletrônicos e/ou telefone abaixo:
E-mails: bio.igm@fiocruz.br e/ou eugenia.granado@fiocruz.br
Telefone: 71 3176-2470

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Fiocruz Bahia participa da agenda da ministra Nísia Trindade em Salvador

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, esteve em Salvador, entre os dias 02 e 04 de março, após a abertura do Dia D de mobilização contra a dengue. A diretora da Fiocruz Bahia, Marilda de Souza Gonçalves, participou da agenda. No sábado, a ministra visitou as Obras Sociais Irmã Dulce, um dos maiores complexos de saúde 100% SUS do país, e ao Instituto Couto Maia, unidade de referência para casos de dengue agravados, que necessitam de assistência de média e alta complexidade.

“Pude acompanhar as equipes de saúde e conversar sobre a atual situação no estado da Bahia. Aqui, os pacientes que entraram com dengue foram recuperados, mas não podemos esquecer das medidas de prevenção. Dengue é uma doença que, infelizmente, pode matar. E nós não queremos que haja nenhuma perda de vida, nenhuma morte por dengue”, enfatizou Nísia Trindade.

Na segunda-feira, a ministra foi à inauguração do Hospital Ortopédico do Estado (HOE) da Bahia. Com investimento superior a R$ 224 milhões, a expectativa é que, mensalmente, sejam realizadas mais de 19,5 mil consultas ambulatoriais, 1,7 mil diagnósticos por imagem, 1,7 mil altas hospitalares (enfermaria e UTI) e mil cirurgias nas especialidades de traumatologia, ortopedia e medicina desportiva.

Também estiveram presentes no evento o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, a secretária de Saúde da Bahia, Roberta Santana, além de autoridades e representantes da sociedade civil.

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Fiocruz Bahia discute desenvolvimento de líderes e impactos nas relações de trabalho

A Fiocruz Bahia realizou uma roda de conversa sobre o desenvolvimento de líderes e impactos nas relações de trabalho. A psicóloga, analista junguiana e doutora em educação, Angelita Menezes, mediou a atividade, na sexta-feira, 01 de março, promovida para a divulgação do Projeto de Desenvolvimento de Lideranças, desenvolvido pelo Serviço de Gestão do Trabalho (SGT) e o Núcleo de Saúde do Trabalhador (NUST).

Angelita Menezes diz que a roda foi uma experiência rica, que teve uma adesão importante e que a proposta é o desenvolvimento de líderes construído por um coletivo de inteligência, que se ajude no desenvolvimento de potencialidades de liderança, tanto para a vida pessoal quanto para a vida laboral. “Não só para quem vai exercer cargos de liderança necessariamente, mas para aprender a conviver com os colegas de trabalho, com as potencialidades, transformando-os em desenvolvedores de pessoas, independente do cargo que ocupe, da forma de contratação que tenha, mas que possa se ver e se encontrar como potencial para liderar no sentido subjetivo ou objetivo da palavra”, destaca.

De acordo com Ariadne Luz, do Núcleo de Saúde do Trabalhador, os organizadores ficaram felizes com a participação de todos e esperam a adesão no processo de formação que será promovido pelo projeto. “A realização destas rodas de conversas promove espaços de escuta e transmissão de conhecimentos, tanto do palestrante, quanto dos participantes. Nessa roda destacamos a importância do reconhecimento dos aspectos subjetivos do papel do líder e os impactos dessa liderança nas relações, fornecendo assim, ferramentas para a promoção da saúde mental no ambiente de trabalho”, ressalta.

A coordenadora do Núcleo de Excelência em Gestão de Projetos (NEGP), Andrezza Souza, participou da atividade e acredita ser relevante a realização de espaços com esse tema e objetivo. “Achei a roda muito interessante. A Fiocruz Bahia está buscando, com essa iniciativa, promover e apoiar ações para o desenvolvimento de competências comportamentais, éticas e socioemocionais dos seus trabalhadores, através da promoção de espaços abertos de diálogo sobre essas questões e proporcionando mais integração”, pontua Andrezza.

Para Roni Dias Vinhas, chefe do Serviço de Gestão de Infraestrutura e Logística, “a iniciativa tratou de assuntos de grande relevância para o desempenho das atividades de liderança realizadas pelos gestores da instituição”. Ele avalia ser importante promover formações como essa para as relações de chefes e suas equipes. “Traz conhecimentos e estratégias para lidar com as equipes, seja para acompanhamento das atividades do setor como também na compreensão das particularidades e problemas de cada um”, conclui.

Projeto de Desenvolvimento de Lideranças

Desenvolvido pelo Serviço de Gestão do Trabalho (SGT) e o Núcleo de Saúde do Trabalhador (NUST), o Projeto de Desenvolvimento de Lideranças é voltado para gestores que atuam em cargos de liderança e demais trabalhadores interessados na temática, com vínculo formal na Fiocruz Bahia. O objetivo é desenvolver as potencialidades para atuação em autogestão do trabalho e para o exercício da liderança por meio da transferência de conhecimento e autoridade prática. Serão realizados encontros mensais de oito horas presenciais, com duração de 12 meses. As temáticas abordadas serão relacionadas a gestão de pessoas, psicologia analítica, organizacional e do trabalho, psicodinâmica do trabalho, entre outros.

Os interessados poderão se inscrever por meio do formulário disponível aqui.

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Aula inaugural da Fiocruz Bahia vai debater desinformação na ciência em saúde

A aula inaugural do ano letivo 2024 da Fiocruz Bahia será realizada no dia 15 de março, às 14h, no Auditório Aluízio Prata. A palestra abordará o tema “Impacto da desinformação na ciência em saúde: algumas reflexões” e será ministrada por Ana Maria Caetano, Diretora do Departamento de Ciência e Tecnologia, do Ministério da Saúde. O evento é gratuito e aberto ao público.

A palestra marca o início das atividades acadêmicas dos programas de pós-graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI), em Patologia Humana e Experimental (PgPAT/ UFBA-Fiocruz Bahia) e em Pesquisa Clínica (PPgPCT).

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Estudante de Iniciação Científica da Fiocruz Bahia é indicada a prêmio do CNPq

Bolsista de Iniciação Científica da Fiocruz Bahia foi classificada para o 21º Prêmio Destaque do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O projeto “Avaliação de proteínas recombinantes para produção de um teste rápido para o diagnóstico da leishmaniose visceral canina e humana” concorre na categoria Iniciação Científica, e foi desenvolvido por Luana Aragão dos Santos, Biomédica e discente do Bacharelado Interdisciplinar em Saúde da UFBA, no Laboratório de Interação Parasito-Hospedeiro e Epidemiologia (LaIPHE), sob orientação da pesquisadora Deborah Fraga e coorientação do doutorando Matheus Silva. Também foram classificados mais cinco bolsistas de outras unidades da Fiocruz.

Serão premiados até nove bolsistas, três para cada categoria, uma para cada grande área do conhecimento: Ciências Exatas, da Terra e Engenharias; Ciências da Vida; e Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes. Além disso, uma instituição que receberá o mérito institucional. O resultado do prêmio será divulgado no final de abril de 2024.

Luana dos Santos explica que o trabalho avalia as proteínas produzidas pelo grupo de pesquisa, através de ferramentas de bioinformática e experimentos para geração de um teste rápido para leishmaniose visceral como produto final. “Os resultados da pesquisa apontam que as proteínas apresentam altas sensibilidades e especificidades, com potencial para diminuir a reatividade cruzada e possuem epítopos lineares que poderão ser usados na construção de um antígeno quimérico para a produção de um teste rápido que possa aperfeiçoar o diagnóstico da leishmaniose visceral canina e humana no Brasil, podendo ser um candidato à substituição do atual teste rápido preconizado pelo Ministério da Saúde”, explica.

A estudante diz ainda que está emocionada com a indicação ao prêmio. “É um reconhecimento enorme da minha dedicação e da pesquisa que estou desenvolvendo. O prêmio é extremamente relevante e ser selecionada para concorrer já é uma vitória que eu sempre almejei”, ressaltou Luana.

Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica

O CNPq criou o Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica em 2003 para reforçar as ações e premiar os bolsistas de iniciação científica dos programas institucionais. Inicialmente contava com duas categorias: bolsista de Iniciação Científica e Mérito Institucional. Com o objetivo de premiar os trabalhos de destaque entre os bolsistas de Iniciação Científica do CNPq, considerando os aspectos de relevância e de qualidade de seu relatório final de pesquisa, além de premiar as instituições participantes do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) que contribuíram de forma relevante para o alcance das metas do programa. Ao longo dos anos foram incluídas as categorias bolsista de Iniciação Tecnológica e de Iniciação Científica Júnior.

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Estudo buscou caracterizar resposta dos linfócitos T à Covid em vacinados

Estudante: Greice Carolina Santos da Silva
Orientação: Maria Fernanda Rios Grassi
Coorientação: Luana Leandro Gois
Título da dissertação: “CARACTERIZAÇÃO DA RESPOSTA DOS LINFÓCITOS T AOS PEPTÍDEOS DO SARS-CoV-2 ORIGINAL E DE VARIANTES EM INDIVÍDUOS IMUNIZADOS COM DIFERENTES PLATAFORMAS VACINAIS”
Programa: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa
Data de defesa: 04/04/2024
Horário: 14h00
Local: Sala Virtual do Zoom
ID da reunião: 893 9402 9474
Senha: greice

Resumo

INTRODUÇÃO: O SARS-CoV-2 possui quatro proteínas estruturais (S, M, N e E) e 16 não estruturais, alvos da resposta imune humoral e celular, especialmente a proteína S. As vacinas anti-SARS-CoV-2 no Brasil foram formuladas com adenovírus contendo DNA de S (ChAdOx1), RNA de S (BNT162b2) e vírus inativado (CoronaVac). Mutações na proteína Spike originaram as variantes Gama, Delta e Ômicron, que apresentam alterações no sítio de ligação de anticorpos neutralizantes, resultando no escape da resposta imune. Além disso, há uma redução nos títulos de anticorpos meses após a vacinação. Há lacunas sobre o impacto dessas mutações nos epítopos de linfócitos T CD8+ e no papel dos linfócitos na proteção contra variantes do vírus, considerando as diferentes plataformas de vacinação. OBJETIVO: Caracterizar a resposta dos linfócitos T aos peptídeos do SARS-CoV-2 em indivíduos imunizados com diferentes plataformas vacinais. Especificamente, predizer in silico regiões imunodominantes nas sequências S, M e N das variantes Gama, Delta e Ômicron do SARS-Cov-2 para linfócitos T CD8+ e quantificar a proporção de linfócitos T e magnitude da resposta aos epítopos das proteínas Spike, estruturais e não estruturais das variantes e da cepa original de Wuhan do SARS-CoV-2 em indivíduos imunizados com plataformas vacinais diferentes. MATERIAL E MÉTODOS: Os epítopos das regiões imunodominantes das sequências de consenso das proteínas S, M e N das variantes Gama, Delta e Ômicron foram preditos a partir da probabilidade de apresentação aos linfócitos T CD8+, afinidade com as moléculas de HLA da população brasileira e antigenicidade positiva, através dos softwares NetCTLpan, NetMHCpan e Vaxijen. Em seguida, a quantificação de linfócitos T produtores de IFN-y em resposta aos epítopos das proteínas do SARS-CoV-2 foi realizada por ELISPOT em três grupos vacinados contra SARS-COV-2 pelas plataformas CoronaVac (n=7), ChAdOx1 (n=8) e BNT162b2 (n=9). O número de células formadoras de spots (CFS) em resposta aos epítopos foi comparado entre os grupos. RESULTADOS: Foram identificadas 17 regiões imunodominantes na sequência de referência da proteína Spike. Dessas, 14 permaneceram conservadas nas variantes Gama, 16 na Delta e 12 na Ômicron. Nas proteínas M e N, apenas a variante Ômicron apresentou nova região imunodominante. Mutações em regiões imunodominantes rresultaram em mudanças na antigenicidade, com ganho de regiões exclusivas ou perda, sendo a proteína Spike a mais variável, especialmente da variante Ômicron. As regiões imunodominantes mutadas passaram a ser reconhecidas por novas moléculas de HLA. Indivíduos vacinados com CoronaVac, ChAdOx1 e BNT162b2 exibiram números de CFS semelhantes aos epítopos das proteínas do SARS-CoV-2 original e da proteína S da variante Gama. A vacina BNT162b2 demonstrou um número maior de CFS para a proteína S da variante Delta, além de uma magnitude de resposta mais elevada às proteínas do SARS-CoV-2. CONCLUSÃO: As regiões imunodominantes das sequências S, M e N das variantes Gama, Delta e Ômicron do SARS-CoV-2 demonstram conservação em relação à sequência de referência da cepa original de Wuhan. Variações decorrentes das mutações foram mais frequentes na proteína Spike da variante Ômicron. As vacinas CoronaVac, ChAdOx1 e BNT162b2 elicitam respostas de linfócitos T produtores de IFN-γ semelhantes aos epítopos de Wuhan e Gama. Vacinados com BNT162b2 apresentam uma maior proporção de linfócitos respondedores aos epítopos de S da variante Delta, além de uma magnitude de resposta superior.

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Fiocruz Bahia recebe pesquisadoras da Holanda para cooperação

A Fiocruz Bahia recebeu a visita de pesquisadoras da Universidade de Wageningen, na Holanda, entre os dias 18 e 24 de fevereiro de 2024, com o objetivo de estabelecer uma cooperação internacional entre as instituições. A intenção é estudar, através perspectiva de saúde única (One Health), enfermidades transmitidas por vetores invertebrados, como a doença de Chagas, leishmaniose, e doenças transmitidas por mosquitos e carrapatos.

O evento principal, que ocorreu no dia 23, reuniu pessoas com diferentes especialidades para discutir os principais problemas, possíveis soluções, além das possibilidades de financiamento e de cooperação internacional para garantir a viabilidade do projeto. As pesquisadoras Natalie Vinkeles Melchers-Martinez e Helen Esser também visitaram comunidades em áreas de possível atuação na Bahia. O grupo com as professoras da Holanda também visitou uma comunidade quilombola na região de Camaçari, área de Mata Atlântica, e outra comunidade no município de Serrolândia, área de caatinga, onde recentemente ocorreu a transmissão oral de Trypanosoma cruzi para uma família, com a morte de uma criança.

“Essas são apenas duas das áreas que pretendemos trabalhar, nossa intenção é expandir para outros Biomas, talvez Amazônia legal, Pantanal, estamos decidindo ainda. O intuito é realizar esse estudo de forma integrada em três ou quatro regiões do Brasil, em três ou quatro Biomas, na tentativa de melhor entender a dinâmica de transmissão desses parasitas em diferentes regiões, onde tem diferente cepas, parasitas, diferentes espécies dos insetos vetores e diferentes culturas das pessoas”, destaca Gilmar Ribeiro-Jr, biólogo do Laboratório de Patologia e Biologia Molecular da Fiocruz Bahia.

A professora Natalie Vinkeles Melchers-Martinez relata que a reunião envolveu partes interessadas de vários setores, pessoas trabalhando no campo do meio ambiente, saúde humana, entre outras áreas da saúde. “As discussões foram muito ricas. Acho que todos estavam muito entusiasmados com as ideias de pesquisa e nós, da Universidade de Wageningen, vamos desenvolver agora”.

Natalie pontua ainda que a visita às comunidades permitiu que tivesse uma boa ideia de quais doenças estão presentes e do que é preciso para capacitar a comunidade. “A missão que tínhamos de visitar a Fiocruz para pesquisa foi muito bem-sucedida. Estou feliz pela oportunidade e pelos colegas da instituição nos receberem e espero muito poder colaborar com eles no futuro”, declara.

Helen Esser conta que, no projeto a ser desenvolvido, o grupo gostaria de focar em doenças transmitidas por vetores, em três regiões com diferentes condições e problemas ecológicos. “O objetivo desta visita era primeiro ver potenciais locais, realizarmos uma reunião com as partes interessadas, para discutirmos juntos quais são os principais desafios em termos de doenças transmitidas por vetores e as oportunidades de pesquisa. E com base nas informações que recebemos, vamos desenvolver ainda mais essa proposta de pesquisa, junto com os parceiros locais no Brasil, para a nossa universidade”, conclui Helen.

Entre os participantes do encontro estavam Leonardo Stabile, Ecólogo e Biólogo, professor da UNIFTC. Leonardo diz que achou interessante a perspectiva da saúde única e ficou interessado em participar do projeto, já que engloba sua área de formação e tem o interesse em cursar o doutorado na Fiocruz. “Foi uma reunião muito produtiva. Houve muitas interações, onde as pesquisadoras buscaram ouvir as pessoas presentes, sobre quais são os problemas na área de saúde voltados para as expertises de cada um dos pesquisadores”, finaliza.

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Impacto de uma década de transmissão da chikungunya nas Américas é destaque na The Lancet Regional Health – Americas 

Após a detecção dos primeiros casos de chikungunya nas Américas, em dezembro de 2013, na ilha de Saint Martin, o vírus da Chikungunya se espalhou rapidamente, causando epidemias em toda a região. Até os dias atuais, cerca de 3,7 milhões de casos suspeitos e confirmados em laboratório foram registrados em 50 países das Américas. Passada a primeira década desde a emergência da Chikungunya no continente, um balanço da situação epidemiológica e análise de perspectivas futuras para prevenção e controle do vírus foi tema do artigo publicado na The Lancet Regional Health Americas, que contou com a participação do pesquisador Guilherme Ribeiro, da Fiocruz Bahia, no grupo composto por instituições do Brasil, Estados Unidos e Reino Unido.

Em 2014, as maiores epidemias de chikungunya nas Américas foram observadas predominantemente no Caribe. No ano seguinte, as regiões da América Central e Andinas foram as mais afetadas. Entre 2014 e 2015, a maioria dos territórios ou países com surtos de chikungunya na América Latina Caribe relatou uma ou duas ondas epidêmicas anuais, seguido por um período com menor incidência ou nenhum caso.

O vírus chegou ao Brasil em 2014, mas foi a partir de 2016 que o país se tornou o maior epicentro da chikungunya nas Américas, tendo ao final de 2023 ultrapassando a marca de 1,6 milhões de casos reportados, o maior da região. Diferente dos outros países, o Brasil se destaca por registrar epidemias anuais da doença, que ocorrem de forma heterogênea no espaço, possivelmente devido ao cenário irregular da imunidade ao vírus; climas específicos do local; diferenças nos mosquitos vetores e exposição de pessoas em diferentes condições sociodemográficas. O clima propício e uma população expressiva de Aedes aegypti também são fatores que facilitam a transmissão do vírus no país.

Embora inquéritos sorológicos para conhecer a frequência de exposição ao vírus chikungunya na população brasileira continuem escassos, é importante notar que 40,5% dos municípios ainda não registraram casos de chikungunya, sugerindo que uma proporção significativa da população do país permanece suscetível ao vírus ou foi infectado, mas não detectada pelo sistema de vigilância nacional. Ao sustentar uma contínua circulação do vírus, o Brasil pode se tornar a principal fonte de disseminação para novas regiões geográficas, onde há grandes populações suscetíveis.

Apesar de a maioria dos casos de chikungunya se concentrarem na América do Sul e Central, já há registro da presença dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus na América do Norte, em especial nos estados do sul dos Estados Unidos, com casos já sendo reportados. Estima-se que, no futuro, casos autóctones sejam registrados nos EUA, muito por conta das mudanças climáticas favorecendo a proliferação dos vetores dessa doença.

Consequências da doença

O elevado número de casos de chikungunya se traduz em um problema de saúde pública que causa grande fardo econômico, por causa dos gastos diretos e indiretos. Os indivíduos infectados podem passar meses com sequelas, como dores crônicas nas articulações, necessitando acompanhamento médico prolongado e tratamento com fisioterapia e medicações. O afastamento das atividades laborais muitas vezes leva o paciente a perder sua renda e, por consequência, não conseguir dar continuidade ao tratamento.

As estimativas da letalidade por chikungunya variam ao longo do Américas, com taxas entre 0,5 e 1,3 mortes a cada 1.000 casos. Fatores que podem afetar o risco de morte podem diferir entre países, incluindo a capacidade do sistema de saúde e vigilância, a presença de comorbidades (por exemplo, hipertensão, diabetes ou obesidade) e dados demográficos da população, com neonatos e pessoas com mais de 65 anos de idade apresentando maior risco em comparação para outras idades. Além disso, estabelecer um sistema de vigilância preciso para mortes por chikungunya nas Américas é um desafio, em parte devido às limitações de recursos e a ocorrência simultânea de outras doenças arbovirais fatais com manifestações clínicas semelhantes, particularmente dengue.

Um estudo recente, publicado em fevereiro na revista The Lancet Infectious Diseases, investigou o risco de morte de pessoas infectadas por chikungunya durante 2 anos após os primeiros sintomas da doença, utilizando uma grande amostra da população brasileira entre 2015 e 2018. Essa análise mostrou a persistência do risco de óbito após a chikungunya em até 3 meses do início dos sintomas, indo além da fase aguda da doença, que são os primeiros 14 dias, mais uma preocupação a ser levado em conta quando trata-se do pós-infecção pelo vírus.

Desafios

A vigilância da chikungunya e de outros vírus transmitidos por mosquitos nas Américas tem sido um desafio por vários fatores, incluindo a dependência de um sistema passivo de registro, insuficiência de infraestrutura laboratorial, disponibilidade limitada de profissionais de laboratório qualificados, bem como de entomologistas (profissional que estuda o mosquito), e acesso desigual ao diagnóstico.

Outro ponto delicado é a circulação de outros arbovírus que causam manifestações clínicas semelhantes, como os vírus da Zika e dengue, tornando o diagnóstico clínico bastante complexo. Isso mostra a necessidade urgente de desenvolvimento e incorporação de testes point-of-care (PoCT), que podem ser usados nas unidades de saúde, alinhada com a colaboração entre agências de saúde locais, nacionais e internacionais e instituições de pesquisa, com um objetivo mais amplo: apoiar iniciativas de fortalecimento de capacidades, reduzir as desigualdades em infraestrutura de diagnóstico e laboratório e fortalecer e expandir os sistemas universais de saúde.

Em novembro de 2023, foi licenciada a primeira vacina contra chikungunya pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA, mas ainda não há previsão de quando a vacina será aprovada para uso no Brasi. Mesmo depois de licenciada no Brasil, pode levar tempo até a sua incorporação no programa de imunização e até o alcance de grandes coberturas vacinais. Antivirais específicos continuam indisponíveis para prevenir e tratar a chikungunya.

Diante destes desafios, os autores do artigo propuseram algumas ações a fim de mitigar e eliminar a chikungunya nas Américas, entre elas:

• Melhorar a vigilância molecular e o diagnóstico de chikungunya para rastrear transmissão endêmica, detectar precocemente surtos e melhorar os desfechos clínicos dos pacientes de forma eficaz.

• Aproveitar dados genômicos e sorológicos para identificar populações suscetíveis, antecipando futuros surtos e monitorar a evolução e transmissão do vírus chikungunya.

• Identificar os fatores ambientais e socioeconômicos que determinam a transmissão espaço-temporal do vírus durante e entre surtos para refinar estratégias de mitigação.

• Implementar tecnologias tradicionais e de ponta no controle de vetores para reduzir a população de vetores competentes e a incidência da doença.

• Implementar programas de imunização em populações vulneráveis para conter e potencialmente eliminar a transmissão de chikungunya em todas as Américas.

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Estudo analisou transmissão da chikungunya um ano após a introdução do vírus em Salvador

O vírus chikungunya foi introduzido nas Américas em 2013 e no Brasil em 2014, causando grandes surtos que afetaram rapidamente parcela substancial da população em vários países. A cidade de Salvador, que tem sido um epicentro de várias epidemias de arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, foi uma das capitais brasileiras inicialmente afetadas pela chikungunya. Com a finalidade de entender melhor a propagação do vírus, um estudo, coordenado pelo pesquisador Guilherme Ribeiro, da Fiocruz Bahia, e fruto do doutorado de Rosângela Oliveira Anjos, pelo Programa de Pós-graduação em Saúde em Biotecnologia e Medicina Investigativa (PgBSMI), analisou a dinâmica de transmissão do vírus chikungunya em Salvador, no primeiro ano após a introdução do vírus no país. O trabalho foi publicado no periódico PLOS e pode ser lido aqui.

A pesquisa analisou dados de soroinquéritos semestrais, realizados em uma coorte comunitária, composta por 652 participantes com idade maior ou igual a cinco anos, no bairro de Pau da Lima. O seguimento da coorte foi iniciado antes da introdução do vírus da chikungunya em Salvador, em fevereiro de 2014, e os inquéritos foram conduzidos até fevereiro de 2017.

Os pesquisadores concluíram que, ao contrário das observações em outros locais, a propagação inicial da chikungunya neste grande centro urbano foi limitada e focal em certas áreas, deixando uma elevada proporção da população suscetível a novos surtos. Além disso, identificaram um padrão de agregação espacial das infecções e maior risco de infecção em pessoas que residiam em domicílios onde outra infecção pelo vírus foi detectada. O trabalho apontou a necessidade de investigações adicionais para explicar melhor os fatores que impulsionam a dinâmica de propagação do vírus, incluindo a compreensão das diferenças em relação aos vírus da dengue e da zika, a fim de orientar estratégias de prevenção e controle para lidar com surtos futuros.

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Estudo investigou o mecanismo de ação de fármacos antimaláricos derivados da artemisinina

A partir da necessidade de produzir novos medicamentos para o tratamento da malária, uma das doenças mais disseminadas e com elevada mortalidade do planeta, um estudo buscou desenvolver fármacos mais eficientes que os antimaláricos já disponíveis na clínica. Realizada em parceria com um grupo da Friedrich-Alexander-Universität Erlangen Nürnberg na Alemanha, a pesquisa teve como um dos coordenadores o pesquisador Diogo Moreira, da Fiocruz Bahia, e a participação das discentes do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PGBSMI), Adrielle Sacramento e Mariana Borges. O artigo foi capa da conceituada revista Britânica Chemical Science.

No estudo, foram desenvolvidos fármacos fluorescentes derivados da artemisinina, uma das substâncias de referência no tratamento da malária. Isso porque, apesar de já haver cura, existem parasitos resistentes a todos os antimaláricos que estão disponíveis para o tratamento. Como a terapia combinada com a artemisinina é a principal linha de frente de tratamento e já foram identificados parasitos resistentes à artemisinina no Sudeste Asiático e na África, é importante entender a doença e o parasito para produzir fármacos de espectro de ação mais amplo, efetivos em cepas resistentes.

O grupo na Alemanha realizou a parte química, desenvolvendo uma molécula sob medida, onde a artemisinina foi ligada à cumarina por uma metodologia química, resultando em uma molécula fluorescente. Essa característica possibilitou o mapeamento do parasito, através de técnicas como microscopia e citometria, logo após o tratamento. Já na Fiocruz Bahia, foi feita toda a parte farmacológica do estudo, através do teste das moléculas inéditas tanto in vitro quanto in vivo, tentando entender como se dava o funcionamento na biologia parasitária. Os resultados do trabalho demonstraram que esses fármacos fluorescentes têm potência e eficácia como antimalárico, se acumulando em organelas específicas do Plasmódio, protozoário causador da enfermidade.

Os desdobramentos destes achados são importantes para entender como as artemisininas atuam, assim como na racionalização e aprimoramento da terapia atual. Este estudo teve continuidade pela discente Adrielle Sacramento, no qual recebeu um suporte financeiro da Fundação Maria Emília para realizar estudos de campo de susceptibilidade dos parasitos resistentes.  

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Pacientes com câncer colorretal nos primeiros 12 meses de pandemia são avaliados em tese

Estudante: João Paulo Velloso Medrado Santos
Orientação: Mitermayer Galvão dos Reis
Título da dissertação: “CÂNCER COLORRETAL ANTES E DURANTE A EPIDEMIA DE COVID-19 NO MAIOR HOSPITAL ONCOLÓGICO DO ESTADO DA BAHIA: ESTUDO DE CORTE TRANSVERSAL DO PERÍODO DE 03/2019 A 03/2021”
Programa: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa
Data de defesa: 29/02/2024
Horário: 14h30
Local: Sala Virtual do Zoom
ID da reunião: 860 5372 8180
Senha: joao

Resumo

INTRODUÇÃO: O câncer é uma das principais causas de óbito no Brasil. Nos anos imediatamente anteriores à pandemia de COVID-19, estava a frente das doenças infectocontagiosas e das causas externas, sendo em menor número apenas em relação às mortes causadas por doenças cardiovasculares. Em alguns países com melhores níveis socioeconômicos, as malignidades já ultrapassaram as doenças cardiovasculares como principal causa de óbito. Globalmente, o câncer colorretal é um dos mais incidentes e está entre os maiores responsáveis pela mortalidade oncológica. No Brasil, é o segundo mais incidente, em ambos os sexos. Entretanto, apesar de tão relevante, a Literatura carece de dados nacionais em relação às características dos pacientes acometidos pelo câncer de cólon e reto – o que também se aplica aos dados regionais do Estado da Bahia. Nesta entidade da Federação, o Hospital Aristides Maltez (Salvador – BA) é responsável pela maior parte dos atendimentos oncológicos, inclusive àqueles dos pacientes com câncer colorretal. Porém, os anos de 2020 e 2021 são peculiares devido à pandemia do COVID-19 no Estado da Bahia, o que pode ter tido impacto também na assistência oncológica ao paciente com câncer colorretal. Levando-se em conta que a maior parte dos cânceres colorretais metastáticos já não é mais curável, avaliar se houve aumento da proporção de pessoas com esse tipo câncer em estadio avançado, já na primeira consulta no HAM durante a epidemia de COVID-19, pode servir como métrica para se avaliar o impacto dessa epidemia na atenção ao paciente com esse tipo de malignidade. OBJETIVO: Avaliar se houve aumento da proporção de pacientes com câncer colorretal metastático no grupo de pessoas que iniciaram acompanhamento no HAM no período dos primeiros 12 meses de epidemia de COVID-19 na Bahia em relação ao grupo de pessoas com essa mesma malignidade que iniciaram acompanhamento no HAM nos 12 meses anteriores. Análise descritiva dos pacientes acometidos por câncer colorretal atendidos no HAM nesses 2 períodos. MÉTODO: Foi gerada lista dos pacientes acometidos por câncer colorretal atendidos no Hospital Aristides Maltez entre março/2019 e março/2021. Foram avaliados dados demográficos, e dados relacionados à malignidade em si. Essas informações foram extraídas dos prontuários eletrônicos dos respectivos pacientes. Foram empregados métodos de análise descritiva, como números absolutos, frequências, proporções, medidas de tendência central, e de dispersão. Análise comparativa dos dados do Hospital Aristides Maltez entre os 12 primeiros meses da epidemia de COVID-19 na Bahia (18/mar/2020 a 17/mar/2021) e os 12 meses anteriores (01/mar/2019 e 28/fev/2020). RESULTADOS/DISCUSSÃO: Foi avaliada amostra de 170 indivíduos do 1º ano da Epidemia de COVID-19 na BA e 152 indivíduos dos 12 meses anteriores. Em ambos, a mediana de idade foi de 63 anos, com representação semelhante de ambos os sexos, predomínio da raça parda e de baixo nível de escolaridade. No 1º ano da Epidemia de COVID-19 na Bahia, houve aumento de 26,29% do percentual de indivíduos que iniciaram acompanhamento no HAM com câncer colorretal já metastático (entretanto, sem significância estatística).

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Pacientes com leishmaniose cutânea recorrente têm doença mais branda

Uma pesquisa comparou o perfil clínico, a carga parasitária, a positividade de reação em cadeia da polimerase (PCR) e a resposta à terapia em pacientes com leishmaniose cutânea recorrente e leishmaniose cutânea primária. O trabalho, coordenado pelo pesquisador Edgar Carvalho, da Fiocruz Bahia, foi publicado no periódico Open Forum Infectious Diseases.

Os participantes do estudo foram pacientes atendidos no posto de saúde de Corte de Pedra, distrito localizado no município de Tancredo Neves, na Bahia, área endêmica de leishmaniose cutânea. Participaram da análise 61 indivíduos, sendo 41 com leishmaniose cutânea primária e 20 com a recorrente, diagnosticados entre 2020 e 2021, e para os quais foi realizado o exame histopatológico da úlcera cutânea. A leishmaniose cutânea primária foi definida como a que ocorreu em indivíduos pela primeira vez e a recorrente como a que ocorreu em indivíduos que já tiveram a doença, foram curados e se infectaram novamente.

Os pacientes foram tratados com antimoniato de meglumina ou com Anfotericina B convencional. A cura clínica foi definida como cicatrização completa da lesão com recuperação da pele na ausência de bordas elevadas, 90 dias após início do tratamento. Já a falha foi definida pela presença de úlcera ativa ou cicatrização da lesão, mas com bordas elevadas.

A investigação concluiu que os casos recorrentes de leishmaniose cutânea apresentaram maior duração da doença, menos lesões, menor número de parasitas e maior rigidez da lesão em comparação aos pacientes com a leishmaniose cutânea primária, o que provavelmente aconteceu em decorrência da menor carga parasitária. Concluíram ainda que a detecção de DNA de Leishmania por PCR foi muito baixa nos casos recorrentes, enquanto a imunoquímica mostrou alta sensibilidade e deve ser usada para diagnóstico da leishmaniose recorrente causada por L. braziliensis.

Clinicamente, as lesões dos casos recorrentes eram mais superficiais, com bordas menos infiltradas e de menor tamanho. Os resultados indicam que os pacientes com leishmaniose cutânea recorrente têm melhor capacidade de controlar a replicação do parasita, sugerindo que eles desenvolvem uma resposta imune aos antígenos do L. braziliensis que podem inibir a replicação do parasita, resultando em uma doença mais branda e na melhor resposta à terapia.

Esses dados abrem a possibilidade de realizar mais estudos para explicitar os fatores de risco para pessoas desenvolverem leishmaniose cutânea recorrente, incluindo diferenças nas cepas de L. braziliensis, bem como as diferenças na resposta imune local e sistêmica em pacientes com leishmaniose cutânea recorrente.

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Tese avalia modulação da migração de células hospedeiras induzida por Leishmania

Estudante: Amanda Rebouças Paixão
Orientação: Juliana Perrone Bezerra de Menezes Fullam
Título da tese: “Estudo da modulação da migração de células hospedeiras induzida por Leishmania e seu impacto na disseminação do parasito no hospedeiro”
Programa: Pós-Graduação em Patologia Humana e Experimental
Data de defesa: 28/02/2024
Horário: 14h00
Local: Sala Virtual do Zoom
ID da reunião: 882 5465 1428
Senha: defesa

Resumo

Leishmania spp. infectam diversos hospedeiros vertebrados, incluindo o homem. As doenças causadas por este protozoário, as leishmanioses, podem apresentar diferentes tipos de manifestações clínicas, desde lesões localizadas na pele que cicatrizam espontaneamente, lesões de pele, que se espalham de forma disseminada, a forma mucocutânea da doença, além da leishmaniose visceral, forma mais grave que podem levar à morte se não tratada. A disseminação e homing de células infectadas contendo antígenos de Leishmania são fundamentais para a sobrevivência deste parasito no hospedeiro e para o estabelecimento da lesão. Ainda hoje, pouco se sabe sobre os mecanismos envolvidos na adesão da célula hospedeira e sua migração na infecção por este protozoário. Assim, este trabalho teve como objetivo avaliar a migração de monócitos, macrófagos e células dendríticas humanas na infecção por Leishmania e os mecanismos envolvidos nesse processo. Células hospedeiras humanas oriundas de doadores saudáveis foram obtidas, infectadas por diferentes espécies de Leishmania e submetidas a migração direcional e randômica por sistema transwell e em tempo real, respectivamente. Avaliamos ainda a formação de complexos de adesão pela imunomarcação de p-FAK e p-paxilina. Adicionalmente, investigamos a dinâmica de actina por meio de análise da expressão de Rac1, RhoA, Cdc42 e marcação por faloidina nestas células, bem como a formação de podossomos por meio da imunomarcação de vinculina. Por fim, investigamos o papel da via de sinalização associada a AKT/PI3K na migração de células hospedeiras infectadas por estes parasitos, através da análise da expressão desta proteína por western blot, além do efeito da inibição dessa via na migração de células hospedeiras infectadas. Nossos dados mostram uma redução na migração bidimensional de monócitos e macrófagos humanos infectados por L. amazonensis, L. braziliensis ou L. infantum, associado a uma redução na formação de complexos de adesão, podossomos e dinâmica de actina nestas células. Entretanto, observamos um aumento na migração de células dendríticas infectadas por L. infantum ou isolados de Leishmania oriundos de pacientes com a forma disseminada ou difusa da doença. Adicionalmente, observamos que o aumento da migração nessas células está associado a um aumento na formação de complexos de adesão, podossomos, dinâmica de actina e expressão de CCR7. Por fim, observado que a infecção por Leishmania induz a ativação da via de AKT/PI3K. Em conjunto, nossos dados apontam para um papel de células dendríticas, mas não de macrófagos e monócitos na disseminação de Leishmania no hospedeiro vertebrado. Palavras-chave: Célula hospedeira, Leishmania, Migração celular

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Estudo indica maior risco de morte por Chikungunya mesmo após crise da doença

Desde o início do ano, as infecções causadas pelo mosquito Aedes aegypt, como dengue e chikungunya, têm aumentado. Nestas últimas semanas Acre, Minas Gerais, Goiás e o DF decretaram estado emergencial após o aumento do número de casos de dengue, exigindo cuidado redobrado com o mosquito. Outras cidades veem os números aumentarem não apenas para esta doença, como para a Chikungunya. O estado de São Paulo enfrenta um aumento de 26% no número de casos de Chikungunya neste ano.

Um estudo, publicado no dia 8 de fevereiro, na revista The Lancet Infectious Diseases, investigou o risco de morte de pessoas infectadas por chikungunya durante 2 anos após os primeiros sintomas da doença. Utilizando uma grande amostra da população brasileira entre 2015 e 2018, a principal evidência da pesquisa, segundo Thiago Cerqueira, um dos pesquisadores do estudo, “foi mostrar a persistência do risco de óbito após a Chikungunya em até 3 meses do início dos sintomas, indo além da fase aguda da doença, que são os primeiros 14 dias”.

Pesquisas anteriores avaliaram as complicações após a infecção e apresentaram o risco de gravidade quando associados com a presença de outras condições crônicas, principalmente a diabetes. Outros estudos investigaram o excesso de mortalidade causada pelas complicações da doença. Entretanto, não foi encontrado estudos de comparação de risco de morte entre pessoas expostas ou não ao vírus

Liderado por pesquisadores do Centro de Integração de Dados para Conhecimentos em Saúde (Cidacs) e o Laboratório de Medicina e Saúde Pública de Precisão (MeSP2), ambos da Fiocruz Bahia, o estudo demonstrou evidências de um maior risco de morte mesmo após o período da infecção aguda pelo vírus Chikungunya. Conforme Thiago, “geralmente, a característica mais marcante da chikungunya é dor nas articulações, sendo muitas vezes a única condição considerada pelos profissionais de saúde. A pesquisa revela e quantifica complicações possíveis após a doença, indicando a necessidade de um olhar mais atento frente aos casos de chikungunya”, observou.

Neste estudo, foram apresentadas evidências sobre o risco aumentado de mortalidade natural, e também um risco aumentado de morte associado com outras doenças dentro de 84 dias após o início dos sintomas. Para Thiago, “no cenário brasileiro com uma grande onda de Dengue, não deve ser esquecido a Chikungunya. Os manuais de conduta devem ser atualizados para indicar o potencial de complicações metabólicas e cardiovasculares, além da musculoesquelética [relacionadas aos músculos e ossos], com especial atenção às primeiras 12 semanas após o início dos sintomas”.

A primeira vacina para o vírus Chikungunya foi aprovada nos EUA no final de 2023, mas ainda não existe previsão para iniciar o uso no Brasil. Além disso, não existem antivirais específicos, e intervenções terapêuticas baseadas em anticorpos para o vírus Chikungunya permanecem em desenvolvimento. Com isso, também é indicado a necessidade de desenvolvimento de medicamentos e vacinas específicos para chikungunya e acesso a esses avanços em países com surtos recorrentes da doença. Como limitação deste estudo, Thiago ressaltou que não foi possível avaliar “os casos que necessitaram de internação hospitalar, mas que não evoluíram a óbito, o que pode ter subdimensionado o impacto da chikungunya”.

Risco de morte

Nesta parte do estudo, foi comparado o risco de morte em pessoas com a doença causada pelo vírus Chikungunya com aquelas sem a doença, no período de 2015 a 2018. Ao analisar os dados, a equipe de pesquisa percebeu um risco aumentado de morte para até 84 dias após os primeiros sintomas da infecção.

As pessoas infectadas tiveram um risco 8,4 vezes maior de morte do que as pessoas não infectadas entre 1 e 7 dias. Entre 57 e 84 dias o risco diminuiu para 2.26 vezes maior que as pessoas sem a doença. Após, o risco se aproximou de 1, isso quer dizer que não houve diferença significativa no risco de morte entre os grupos expostos e não expostos durante esse período. Na análise desse estudo e dos dados disponíveis, em um cenário com 100.000 pessoas doentes, é esperado cerca de 170 mortes a mais nos primeiros 84 dias do que em um contexto sem a doença.

Quando foi estudado as causas específicas de morte destas pessoas que haviam sido infectadas pelo vírus, foi observado maior mortalidade associada com diabetes e doença cardíaca isquêmica até os primeiros 28 dias, e permaneceu significativamente elevada até 84 dias para doença cardíaca isquêmica e até 168 dias para diabetes.

Uma análise apenas entre o número de mortos entre 2015 e 2018

Nesta outra parte do estudo, entre 2015 e 2018, foram analisados os dados de 1.933 pessoas que tiveram a doença do vírus Chikungunya e morreram em um tempo médio de 294 dias, menos de um ano. Dos casos por morte natural, o risco foi maior entre o primeiro e o sétimo dia do início dos sintomas da doença pelo vírus, com um risco de 8,75 vezes maior em comparação com outros períodos, diminuindo para 1,59 entre 57 e 84 dias.

Para os resultados secundários, o risco de morte em 28 dias após o início dos sintomas da chikungunya estiveram associados geralmente com maior risco para diabetes, com 8,43 vezes maior risco do que doenças cerebrovasculares, com 2,73, e para doença cardíaca isquêmica, com 2,38. Não houve evidência de aumento do risco nos períodos subsequentes entre 85 e 168 dias para esses resultados secundários.

Semelhante à análise comparativa entre pessoas doentes e não doentes, a análise realizada com o acompanhamento dos dados sobre as 1.933 mortes, mostrou um risco relativo aumentado de mortalidade natural por todas as causas dentro de 84 dias após os sintomas iniciais.

Não é possível afirmar que os números de mortalidades por outras doenças estejam apenas relacionados com o vírus Chikungunya, pois existem outras diversas variáveis que não foram possíveis de serem analisadas neste estudo. Entretanto, o aumento do risco de mortalidade em todas as faixas etárias e, principalmente, nos primeiros 84 dias, reforça a necessidade de os profissionais de saúde acompanharem de perto casos de doenças cardiovasculares, neurológicas, renais e distúrbios metabólicos e outras doenças clínicas graves ligadas a doenças sistêmicas e envolvimento de órgãos específicos, permitindo a detecção antecipada e prevenção de complicações e mortes.

Embora não haja uma explicação definitiva sobre os mecanismos específicos que aumentam o risco de mortalidade em casos de infecção por chikungunya, é importante reconhecer, como mencionou Thiago, a existência de “alguns mecanismos comuns a várias infecções virais”, podendo desencadear complicações graves que podem levar a morte. Sendo assim, é sugerido uma maior atenção aos casos dessas doenças, assim como pesquisas contínuas para se compreender melhor os mecanismos que elevam o risco de mortalidade.

Realização e dados do estudo

Neste estudo, vinculou-se os dados sobre notificações e análises laboratoriais de desfechos para as doenças de Chikungunya, Dengue e Zika, sendo utilizados para esta investigação apenas os dados de pessoas infectadas por Chikungunya. Foram usados dados do período de 1º de janeiro de 2015 a 31 de dezembro de 2018. Utilizou-se dois métodos, o primeiro de coorte retrospectiva, comparando o risco de morte entre pessoas expostas ao vírus e as não expostas ao longo de um período de até 2 anos após a infecção. Já o segundo método, de série de casos autocontrolada, seguindo a mesma temporalidade de análise do método anterior, incluiu apenas as pessoas que morreram após terem a doença, comparando o risco de morte em diferentes períodos em relação a data dos primeiros sintomas.

Foram incluídos 143.787 casos de doenças causadas pelo vírus da Chikungunya entre o período de 2015 a 2018. Dos doentes, 1.933 foram a óbito algum período após a doença. Foram dois os desfechos de mortalidade: o primário, por causa natural, e o secundário, relacionado às mortes associadas a causas específicas, incluindo doenças cardíacas isquêmicas – àquelas que afetam as artérias e impedem a passagem do sangue, de oxigênio e nutrientes necessários -, diabetes e doenças cerebrovasculares.

O estudo utilizou dados da Coorte de 100 Milhões de Brasileiros, inovação científica que inclui dados de mais de 130 milhões de brasileiros(as) do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico). Para este estudo vinculou-se dados do CadÚnico aos dados do Sistema Nacional de Informação sobre Doenças de Notificação Notificável (SINAN) e Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).

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Pesquisadores da Fiocruz Bahia integram diretoria da SBMT para o biênio 2024-2025

A Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) apresentou a diretoria que assume a instituição no biênio 2024-2025, entre os membros estão os pesquisadores da Fiocruz Bahia: Mitermayer Galvão dos Reis, no Conselho Fiscal, e Fred Luciano Neves Santos, na Comissão de Redação.

O lema da nova gestão é “Inovação e Ciência” e seus membros acreditam que essa é a chave para o progresso na área, e está comprometida em explorar novas fronteiras, adotar abordagens pioneiras e incentivar a criatividade em todas as áreas de atuação da SBMT.

Para Fred Luciano, a SBTM representa um exemplo emblemático de ciência de qualidade e seriedade. Desde a graduação, o pesquisador participa ativamente dos congressos organizados pela sociedade. “Embora já me sentisse próximo, sempre almejei uma conexão mais profunda, buscando contribuir ainda mais para o engrandecimento da Medicina Tropical no Brasil. Assim, fazer parte da atual diretoria da SBMT representa a concretização de um dos muitos sonhos que possuo”, destaca.

Sobre as expectativas para a participação na diretoria, Fred diz que almeja contribuir para ampliar o alcance e o impacto das publicações da SBMT, assegurando que elas continuem a ser referências no campo da Medicina Tropical, tanto nacional quanto internacionalmente.

“Isso envolve trabalhar para melhorar cada vez mais a qualidade, a acessibilidade e a relevância dos conteúdos publicados. Além disso, em conjunto com os demais colegas da Comissão, pretendo focar na inclusão de pesquisas e perspectivas inovadoras, buscando abordar temas emergentes e desafios atuais na área da Medicina Tropical. Isso inclui a promoção de uma abordagem interdisciplinar, integrando diferentes áreas do conhecimento que se cruzam com a Medicina Tropical”.

Fred também espera que sua participação contribua para a formação e inspiração de novos profissionais e pesquisadores na área, promovendo a educação e a disseminação do conhecimento em Medicina Tropical, e assim, contribuir para o fortalecimento, a sustentabilidade da SBMT e de seu papel fundamental na saúde pública brasileira e global.

Mitermayer Reis compartilha que se sente honrado e lisonjeado em participar da diretoria da SBMT. O pesquisador já foi vice-presidente e presidente da sociedade, além de presidente do congresso da SBMT em 2001 e 2023, e membro da comissão científica em vários congressos. “O nosso papel primordial na condição de membro do conselho fiscal é de acompanhar a execução financeira da SBMT”, pontua.

A entidade

A SBMT foi fundada em 1962 e tem o compromisso técnico-político de apoiar os órgãos públicos e particulares envolvidos no enfrentamento e controle de doenças tropicais, infecciosas e parasitárias, em várias frentes de apoio, respeitando as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), promover e incentivar estudos e pesquisas relativos à Medicina Tropical, em seus aspectos epidemiológicos, etiológicos, clínicos, fisiopatológicos, terapêuticos e preventivos, considerando os seus condicionantes físicos, biológicos e sócio-econômicos, considerando os seus determinantes e condicionantes socioeconômicos, políticos, ambientais, físicos e biológicos.

Além disso, a entidade dá assessoria técnico-científica, estimula educação permanente, promove reuniões, congressos, cursos e simpósios, de âmbito internacional, nacional e regional, sobre assuntos relacionados com a Medicina Tropical; promove intercâmbio cultural com instituições científicas, nacionais ou estrangeiras; e divulga conhecimentos técnico-científicos relacionados com a Medicina Tropical.

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Tese avalia mecanismos e perfil fenotípico de antimalárico

Estudante: Mariana da Cruz Borges Silva
Orientação: Diogo Rodrigo de Magalhães Moreira
Coorientação: Leonardo Paiva Farias
Título da tese: “AVALIAÇÃO FARMACOLÓGICA DO COMPLEXO DE OURO AUPAQ (2) PARA O TRATAMENTO DA MALÁRIA EXPERIMENTAL”
Programa: Pós-Graduação em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa
Data de defesa: 04/03/2024
Horário: 14h00
Local: Sala Virtual do Zoom
ID da reunião: 851 0695 3271
Senha: mariana

Resumo

INTRODUÇÃO: Os compostos de ouro, a exemplo do auranofino, têm potencial antiparasitário na malária por inibirem a atividade enzimática das TrxRs, todavia, estes são relativamente pouco potentes e não apresentam eficácia in vivo. É possível que a acumulação de compostos de ouro nas células do Plasmodium aumente o acesso dos inibidores de TrxR ao seu alvo biológico. Uma maneira de aumentar a acumulação dos compostos de ouro no plasmódio seria através da conjugação com uma molécula que tenha uma alta taxa de acúmulo no plasmódio. As quinolinas, a exemplo da Amodiaquina (AQ), se acumulam no vacúolo digestivo no plasmódio com eficiência elevada através do mecanismo de sequestro de íons. Paralelamente, a conjugação da AQ ao ouro traria um benefício à AQ, uma vez que a AQ possuí alvo biológico somente no estágio sanguíneo assexuado (detoxificação do heme), enquanto que o alvo biológico do auranofino é conservado ao longo de todo o ciclo evolutivo do plasmódio. Previamente, nosso grupo de pesquisas identificou uma molécula (AuPAQ) que é um conjugado da AQ com uma espécie de ouro (AuP) no qual se mostrou mais potente e mais eficaz como um agente antimalárico do que a AQ, sugerindo que o AuPAQ apresente um mecanismo de ação dual, atuando tanto na detoxificação do heme quanto na homeostasia redox do plasmódio. OBJETIVO: Avaliar o perfil fenotípico da ação antimalárica e os mecanismos de ação tanto a nível estrutural (alvo molecular) quanto a nível celular (em cultura celular), envolvidos com a ação antiparasitária do AuPAQ. RESULTADOS: Os dados revelaram que o AuPAQ é um agente antiparasitário potente e seletivo frente ao P. falciparum, capaz de inibir a transição de anéis em trofozoítos e com velocidade de ação mais rápido do que a atovaquona. O AuPAQ, mas não a AQ, foi capaz de inibir competitivamente a enzima TrxR do P. falciparum com potência similar ao auranofino. A nível celular, o AuPAQ, mas não a AQ, foi capaz de induzir um desequilíbrio na homeostasia redox de tióis no P. falciparum, de maneira temporal e dependente da concentração do fármaco. Outrossim, o AuPAQ e a AQ, mas não o auranofino, foram capazes de se ligar as espécies de heme envolvidas durante a detoxificação do heme no plasmódio e bloquear este processo, tanto a nível estrutural quanto a nível celular. CONCLUSÃO: De uma maneira geral, os dados indicaram que o AuPAQ é capaz de atuar em dois mecanismos biológicos que são distintos porém essenciais para a sobrevivência do plasmódio. Embora estudos adicionais sejam necessários para verificar a contribuição de cada um dos mecanismos para a ação antiparasitária do AuPAQ, os dados são coerentes com a noção de que atuar nestes dois mecanismos é promissor para o desenvolvimento de tratamentos para a malária.

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Tumor de células renais papilífero de células claras é tema de tese

Estudante: Maiara Ferreira de Souza
Orientação: Daniel Abensur Athanazio
Título da tese: “Tumor de células renais papilífero de células claras – presença de cápsula, cistificação e expressão de GATA3”.
Programa: Pós-Graduação em Patologia Humana e Experimental
Data de defesa: 11/03/2024
Horário: 08h30
Local: Sala Virtual do Zoom
ID da reunião: 821 2623 4659
Senha: defesa

Resumo

INTRODUÇÃO: O tumor papilar de células renais de células claras é uma neoplasia de células renais comum e às vezes subdiagnosticada. Seu reconhecimento adequado é importante porque seu diagnóstico implica uma probabilidade notavelmente alta de comportamento indolente. OBJETIVO: Este estudo teve como objetivo avaliar a frequência de cápsula fibrosa, componente cístico e expressão de GATA3 em tumores papilares de células renais de células claras. MATERIAL E MÉTODOS: Avaliamos 419 neoplasias de células renais de três instituições localizadas no Nordeste do Brasil e identificamos 42
tumores papilares de células renais de células claras (de 39 pacientes), que foram a quarta neoplasia de células renais mais comum. RESULTADOS: Esses tumores comumente exibiam cápsulas fibrosas (todos apresentavam cápsulas completas ou parciais) e componente cístico (93%). Dezoito dos 42 tumores (43%) mostraram alguma expressão de GATA3, e coloração fraca e focal foi comum entre os tumores positivos. CONCLUSÃO: O tumor de células renais papilares de células claras deve sempre ser incluído no diagnóstico diferencial de neoplasias de células renais predominantemente císticas. Como o GATA3 é expresso de forma inconsistente em tumores de células renais papilares de células claras, não é útil neste
diagnóstico. Palavras-chave: GATA3; classificação; imuno-histoquímica; molecular; patologia; célula
renal; tumor.

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Vacina do Butantan para dengue desenvolvida em parceria com a Fiocruz Bahia protege 79,6% dos imunizados 

O Instituto Butantan, órgão vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, publicou, na New England Journal of Medicine, uma das mais prestigiosas revistas científicas do mundo, os primeiros resultados do ensaio clínico de fase 3 da sua vacina contra a dengue, desenvolvida com a participação da Fiocruz Bahia. O imunizante feito com os quatro vírus atenuados, de dose única, evitou a doença em 79,6% dos vacinados ao longo de um período de dois anos, protegendo tanto quem já tinha tido dengue como aqueles sem infecção prévia. A publicação traz os resultados detalhados de eficácia após a imunização, divulgados no final do ano passado. 

A Fiocruz Bahia coordena um dos 16 centros da pesquisa no Brasil e recrutou voluntários com idade entre 2 e 17 anos, independente de terem dengue no passado. Os voluntários são acompanhados durante 5 anos na Unidade Básica de Saúde José Maria de Magalhães, no município de Simões Filho. O local foi escolhido por ter histórico de altas taxas da doença. As pesquisadoras da Fiocruz Bahia, Aldina Barral e Viviane Boaventura, e o infectologista Antônio Bandeira participam do estudo como investigadores. 

“Os dados dessa análise foram positivos e estimulantes. O trabalho continuará esse ano até finalizarmos o seguimento de todos os voluntários para então termos o resultado final do estudo. É um trabalho longo, e gostaria de agradecer especialmente a dedicação dos colaboradores e a participação dos voluntários do nosso centro de pesquisa clínica em Simões Filho”, declara Viviane Boaventura. 

Trata-se de uma nova perspectiva para o combate da doença em meio ao aumento de casos de dengue no Brasil: nas quatro primeiras semanas de 2024, foram identificados 217.841 casos prováveis da dengue, com 15 mortes confirmadas e 149 sob investigação. No apanhado de 2023, foram registrados 1,6 milhão de casos prováveis até novembro, segundo o Ministério da Saúde. Além disso, a divulgação do estudo fortalece a possibilidade de aprovação da vacina pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

“Os dados de fase 3 são muito animadores. A publicação na NEJM, uma revista de prestígio, reforça a qualidade dos ensaios clínicos conduzidos pelo Butantan, a capacidade dos centros de pesquisa e cientistas envolvidos no projeto e o reconhecimento internacional do Instituto”, afirma Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan e investigador principal. “Tudo isso só foi possível graças à colaboração generosa dos participantes que se voluntariaram para o estudo”, completou ele. 

A análise de eficácia do imunizante foi feita ao longo de dois anos de acompanhamento de 16.235 voluntários de todo o Brasil, com idades de 2 a 59 anos, em 16 centros de pesquisa. Durante esse período, foram notificados apenas alguns casos de dengue entre os participantes. O estudo, que iniciou o recrutamento em 2016, seguirá até que todos os voluntários completem cinco anos de acompanhamento. 

A proteção foi observada em todas as faixas etárias, sendo 90% em adultos de 18 a 59 anos, 77,8% dos 7 aos 17 e 80,1% nas crianças de 2 a 6 anos. 

Em pessoas que já apresentavam anticorpos para a dengue antes do estudo, a proteção foi de 89,2%; naqueles que nunca tiveram contato com o vírus, a eficácia foi de 73,6%. O imunizante teve o mesmo perfil de segurança em ambos os grupos, representando uma vantagem em relação a outro disponível no mercado privado que é indicado preferencialmente para pessoas com infecção prévia.  

A vacina do Butantan foi desenvolvida para proteger contra os quatro sorotipos do vírus da dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). Como no período do estudo circularam apenas os sorotipos 1 e 2 no Brasil, até o momento foi possível descrever uma eficácia de 89,5% para DENV-1 e 69,6% para DENV-2.  

Em relação à segurança, a maioria das reações adversas foi classificada como leve a moderada, sendo as principais dor e vermelhidão no local da injeção, dor de cabeça e fadiga. Eventos adversos sérios relacionados à vacina foram registrados em menos de 0,1% dos vacinados, e todos se recuperaram totalmente. 

Uma grande vantagem potencial da candidata a imunizante do Butantan é que uma dose foi suficiente para fornecer uma proteção robusta contra a dengue, enquanto outras vacinas aprovadas exigem duas ou três doses. O esquema de dose única é muito mais favorável, principalmente durante epidemias, pois induz a proteção da população em um curto espaço de tempo, ajuda a alcançar uma maior cobertura vacinal e traz vantagens logísticas e econômicas. 

Sobre a vacina 

A tecnologia da vacina da dengue foi licenciada para o Instituto Butantan em 2009, pelo Instituto Nacional de Saúde Americano (NIH). A instituição norte-americana cedeu as patentes e os materiais biológicos referentes às quatro cepas virais que compõem o imunizante, permitindo que ele seja produzido e distribuído no Brasil. 

Em 2018, o Butantan assinou um acordo de desenvolvimento e compartilhamento de dados com a farmacêutica multinacional MSD, que trabalha em uma vacina análoga, em uma ação conjunta para acelerar os estudos e registro do produto. 

A fase 1 do ensaio clínico, desenvolvida nos Estados Unidos (2010-2012) pelo NIH, e a fase 2, conduzida no Brasil (2013-2015), mostraram que a vacina induz produção de anticorpos contra os quatro sorotipos do vírus, e que seu perfil de segurança fundamentava a continuidade dos estudos. 

Impactos da dengue 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que cerca de metade da população mundial (3,9 bilhões de pessoas) vive em risco de contrair dengue. Uma análise feita pela Universidade de Oxford estima que, até 2080, esse número pode chegar a 6 bilhões, devido ao aumento das temperaturas e da adaptação do mosquito Aedes aegypti a locais onde antes não circulava. 

A cada ano, são registrados de 100 milhões a 400 milhões de casos de dengue no mundo. No Brasil, a doença acomete cerca de 1 milhão de pessoas anualmente. Em 2023, a incidência foi maior na região Sul (1.269,8 mil casos/100 mil habitantes), seguida da Sudeste (1.028,6 casos/100 mil habitantes) e da Centro-Oeste (935,9 casos/100 mil habitantes), conforme o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde. 

A maioria das pessoas não tem sintomas; outras, apresentam febre alta, dor de cabeça, dor no corpo, náuseas e manchas vermelhas na pele, que podem durar de uma a duas semanas. No entanto, alguns indivíduos podem desenvolver formas graves da doença, também conhecidas como dengue hemorrágica ou síndrome do choque da dengue, que acometem principalmente quem passa por uma segunda ou terceira infecção. 

A dengue grave atinge um a cada 20 pacientes e costuma aparecer depois de três a sete dias do início dos sintomas, quando a febre começa a baixar. Nesse momento, o paciente pode sentir dor abdominal intensa, vômito persistente, sangramento nas gengivas ou nariz, queda de pressão arterial e dificuldade respiratória, entre outras complicações que podem levar à morte. 

Texto com informações do Instituto Butantan.

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Secti abre inscrição para 5ª Conferência de CT&I

A Conferência Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) é uma ação integrante da 5ª Conferência Nacional, que busca orientar políticas públicas estaduais. Com foco na elaboração da Estratégia Nacional de CT&I (2024-2035) e na formulação de uma Nova Política Estadual, a conferência irá abordar temas como recuperação do Sistema Nacional, inovação empresarial na reindustrialização e o papel estratégico da CT&I em programas nacionais. O evento visa reunir representantes de instituições científicas, empresas, empreendedores, sociedade civil e setor público.

Clique aqui para acessar o formulário de inscrição.

Objetivos

• Propor recomendações para a elaboração da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação – ENCTI 2024-2030.
• Elaborar a Nova Política Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Calendário de conferências 

– Municipais/Macroterritoriais: De 28 de Fevereiro de 2024 até 14 de março de 2024
– Estadual: 04 e 05 de abril de 2024
– Regional NE: Abril de 2024
– Nacional: 4, 5 e 6 de Junho 2024

Conferências livres

As conferências livres integrarão as ações previstas na 5ª CECTI e contemplará setores e segmentos estratégicos envolvidos no ecossistema de CT&I e contribuirão com proposições aos eixos temáticos. Os trabalhos ocorrerão em ambiente virtual ou hibrido no período de 13/03 a 16/4 de 2024.

Eixos temáticos das Conferências 

I – Recuperação, expansão e consolidação do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação; 
II – Reindustrialização em novas bases e apoio à inovação nas empresas; 
III – Ciência, tecnologia e inovação para programas e projetos estratégicos nacionais; e 
IV – Ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento social.

Atores do ecossistema de CT&I

– Ator de geração de conhecimento: Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação – ICTs, incluindo todos os setores das universidades.
– Ator empresarial: Empresas e Empreendedores. 
– Sociedade civil organizada
– Setor público: Gestores de políticas e incentivos; Executivo, Legislativo e Judiciário. 

DATAS, MUNICÍPIOS, LOCAIS E MACROTERRITÓRIOS DAS PLENÁRIAS

27/02 – Serrinha (Uneb) – Sisal, Semi Árido Nordeste II e Itaparica 
27/02 – Eunápolis (Uneb) – Extremo Sul e Costa do Descobrimento 
27/02 – Irecê (Uneb) – Irecê e Velho Chico 
27/02 – Juazeiro (Uneb) – Sertão do São Francisco
29/02 – Ilhéus (Uesc) – Litoral Sul, Baixo Sul, Vale do Jiquiricá e Médio Rio de Contas 
29/02 – Seabra (Uneb) – Chapada Diamantina, Piemonte de Paraguaçu e Bacia do Paramirim 
29/02 – Senhor do Bonfim (Uneb) – Bacia do Jacuípe, Piemonte Diamantina e Piemonte Norte Itapicuru
01/03 – Vitória da Conquista (Uesb) – Médio Sudoeste, Sudoeste Baiano e Sertão Produtivo
05/03 – Barreiras (Uneb) – Bacia do Rio Grande e Bacia do Rio Corrente 
07/03 – Feira de Santana (Uefs) – Recôncavo, Agreste, Litoral Norte e Portal do Sertão 
14/03 – Lauro de Freitas (CEEPTIC) – Território Metropolitano de Salvador

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Segurança e efeito ao longo prazo da vacina da Dengue são avaliados em estudo

Com a incorporação da vacina contra a dengue no Sistema Único de Saúde (SUS), pelo Ministério da Saúde, o imunizante tornou-se um dos assuntos mais comentados. Para sanar algumas dúvidas, um estudo, que contou com a participação do pesquisador da Fiocruz Bahia Edson Duarte Moreira, avaliou a efetividade e segurança a longo prazo da vacina da dengue. O artigo oriundo dessa pesquisa foi publicado no periódico The Lancet Global Health e pode ser acessado na íntegra aqui.

O ensaio clínico contou com a participação de crianças e adolescentes entre 4 e 16 anos, de 26 centros médico e de pesquisa em oito países com dengue endêmica: Brasil; Colômbia; República Dominicana; Nicarágua; Panamá; Filipinas; Sri Lanka e Tailândia. O grupo foi dividido entre participantes que receberam duas doses da vacina TAK-003 e duas doses de placebo, com três meses de intervalo entre as doses.

O acompanhamento ocorreu por cerca de 4-5 anos após a administração da segunda dose da vacina e do placebo. Os resultados da vigilância dos participantes mostraram que dos 27.684, 1.007 (placebo: 560; TAK-003: 447) tiveram confirmação de dengue, com 188 casos necessitando hospitalização, sendo desses 142 de pacientes que receberam a vacina placebo e 46 a TAK-003.

A eficácia cumulativa da vacina foi de 61,2% contra dengue confirmada virologicamente e 84,1% contra hospitalização de dengue com confirmação. Uma análise exploratória, a vacina foi eficaz contra os quatro tipos de dengue em participantes soropositivos para o vírus, enquanto em participantes soronegativos apresentou eficácia contra o tipo 1 e 2; não apresentou contra o tipo 3 e pouca eficácia contra o tipo 4.

Tais achados demonstram que a TAK-003 é uma vacina com eficácia e segurança a longo prazo, contra os quatro tipos de dengue em indivíduos previamente expostos ao vírus, e contra a dengue tipo 1 e 2 em pessoas sem exposição prévia.

A vacina chega para ser uma das ferramentas de controle da dengue em territórios endêmicos. O pesquisador Edson Moreira ressalta a importância das outras medidas contra a dengue, mesmo quando a vacinação estiver avançada no país.

“O fato de dispormos de uma vacina como essa no SUS não quer dizer que a gente vai esmorecer em relação às outras medidas, que são extremamente importantes para o controle do vetor, o mosquito Aedes Aegypti”, salienta o pesquisador.

O primeiro grupo a ser vacinado no Brasil será com crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, em cidades com mais de 100 mil habitantes que tiveram alta incidência de dengue. A prioridade diante da quantidade limitada de doses no momento se dá por essa faixa etária concentrar o maior número de hospitalizações pela infecção do vírus, motivando a escolha como alvo da pesquisa realizada para garantir sua eficácia e segurança.

Texto: Por Jamile Araújo com supervisão de Jéssica Fernandes

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Estudo realizou acompanhamento de dez anos da vacina contra o papilomavírus humano

Pesquisadores avaliaram a imunogenicidade, eficácia e segurança de vacina contra o Papilomavírus Humano (HPV) em um grupo, no período de 10 anos após a aplicação da última dose. Coordenado pelo pesquisador da Fiocruz Bahia, Edson Duarte Moreira Júnior, e publicado no periódico “Pediatrics”, da Associação Americana de Pediatria, o estudo acompanhou 301 meninos e 971 meninas que receberam três doses da vacina 9vHPV no estudo base (dia 1, meses 2 e 6) e se inscreveram na extensão.

A imunogenicidade de uma vacina está relacionada à capacidade que ela tem de estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos. A eficácia, por sua vez, diz sobre a capacidade do imunizante em conferir proteção imunológica a um determinado agente. Já a segurança está ligada à notificação de eventos adversos pós-vacinação (EAPVs), e no estudo em questão incluíram a notificação de todos os eventos adversos graves (SAEs), mortes relacionadas à vacina, além das gestações, que foram acompanhadas até o desfecho.

O acompanhamento a longo prazo foi realizado de 27 de agosto de 2009 (primeira visita do participante no estudo de base) até 22 de abril de 2021 (última visita). O acompanhamento foi realizado em 40 locais em 13 países (Bélgica, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Peru, Polônia, África do Sul, Coreia do Sul, Espanha, Suécia, Taiwan, Tailândia e Estados Unidos).

O soro foi coletado até o mês 126, cerca de 10 anos e seis meses, para avaliações de anticorpos por imunoensaio competitivo Luminex e imunoensaio imunoglobulina G-Luminex. Para análise de eficácia nos participantes a partir dos 16 anos, foram coletados esfregaços genitais (para avaliar o DNA do HPV por reação em cadeia da polimerase) e exames genitais externos foram realizados a cada seis meses.

Os anticorpos atingiram o auge da proteção com cerca de sete meses, diminuíram mais acentuadamente entre os meses sete e 12, depois diminuíram gradualmente a partir de então até o mês 126. Foi observado que os anticorpos atingiram picos mais altos nos participantes entre nove e 12 anos, do que entre 13 e 15 anos. Não foi registrado evento adverso grave nos participantes.

Não houve casos de neoplasia intraepitelial cervical, vulvar ou vaginal de alto grau em participantes do sexo feminino, de neoplasia intraepitelial peniana, perineal ou perianal de alto grau em participantes do sexo masculino, ou de verrugas genitais em todos os participantes relacionados aos tipos de HPV direcionados à vacina até o final do acompanhamento. Houve um caso de neoplasia de baixo grau, provavelmente causado pelo HPV tipo 39 e/ou HPV tipo 59, dada a detecção de infecção persistente com esses tipos, e não é considerado um caso inovador, uma vez que esses dois tipos não são cobertos pela vacina 9vHPV.

A investigação conclui que a imunogenicidade, eficácia e segurança foram demonstradas ao longo de 10 anos após a vacinação. As taxas de infecção persistente e de doenças relacionadas com os tipos de HPV visados ​​pela vacina situam-se dentro dos intervalos esperados, em comparação com o conjunto de pessoas vacinadas de idade semelhante em estudos anteriores de eficácia da vacina contra o HPV.

Para ler o artigo completo clique aqui.

Texto: Por Jamile Araújo com supervisão de Jéssica Fernandes

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Iniciativa de vigilância em vacina publica nota técnica sobre efetividade da vacinação contra Covid-19 em crianças

A Covid-19 foi a principal causa de morte por doença imunoprevenível em menores de 19 anos entre agosto de 2021 e julho de 2022. A taxa de mortalidade pela doença foi de 4,3 mortes por 100 mil habitantes para menores de 1 ano e 0,6 por 100 mil para crianças de 1 a 4 anos. Apesar dessa alta taxa de mortalidade, quase dois anos após o início da vacinação de crianças contra Covid-19, a cobertura vacinal desse imunizante no Brasil ainda encontra-se em números abaixo do esperado, chegando a menos de 25% na faixa etária de 3 a 4 anos de idade com duas doses.

O Projeto Vigivac, uma iniciativa de vigilância digital que busca avaliar a efetividade das vacinas contra Covid-19, publicou esta semana uma Nota Técnica reforçando a efetividade das duas vacinas contra o SARS-CoV-2 aplicadas nesta fase da vida. Este projeto conta com a coordenação de Manoel Barral-Netto e participação de Viviane Sampaio Boaventura, ambos da Fiocruz Bahia.  

A nota enfatiza que as vacinas CoronaVac, do Butantã, e BNT162b2, da Pfizer, possuem valores próximos de 90% de efetividade contra infecção e, principalmente, contra hospitalização por Covid-19. Já em relação aos efeitos adversos, a CoronaVac apresentou taxa de 5% para eventos leves, enquanto a Pfizer, os eventos adversos graves foram raramente relatados. 

Além de proteger contra doença grave, a vacina também protege contra Covid Longa, uma condição em que a pessoa permanece com sintomas após a fase aguda da doença e ocorre em até 30% dos casos. O documento indica que a vacinação reduz em 41% o risco de crianças e adolescentes desenvolverem Covid Longa, a proteção sendo ainda maior para crianças com até 6 meses da última dose da vacina, onde alcança 61%.

A vacinação completa, incluindo as doses de reforço, é necessária porque a resposta imune protetora desenvolvida após a vacinação ou após infecção prévia apresenta decaimento ao longo do tempo. Por isso o Vigivac alerta mais uma vez para a vacinação desse grupo de indivíduos, que ainda se encontra em situação vulnerável com a baixa cobertura. 

Esse conjunto de achados demonstram a proteção das vacinas contra Covid-19, inclusive em casos considerados como “falha vacinal”, isto é, em casos em que a pessoa não é protegida da infecção. Portanto, as vacinas contra Covid-19 são efetivas em proteger contra formas graves da doença e suas complicações residuais.

Para acessar a nota na íntegra, clique aqui.

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Estudo avalia a criação e implementação de sistema capaz de antecipar novos surtos infecciosos

Com a possibilidade de novas pandemias e milhares de pessoas sendo impactadas todos os anos por surtos de doenças infecciosas em todo o mundo, é importante elaborar estratégias de vigilância abrangentes e inovadoras que visem o alerta precoce e a contenção de agentes patogênicos emergentes e reemergentes.

Para agilizar a detecção precoce desses surtos e pandemias, um estudo liderado pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), em colaboração com pesquisadores de outras unidades da Fiocruz, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Fundação Rockefeller, elaborou um sistema desenvolvido para a vigilância epidemiológica, podendo assim identificar e produzir alertas de forma antecipada à ocorrência de possíveis surtos infecciosos, como, por exemplo, da H1N1 e da Covid-19.

O sistema apresentado chama-se ÆSOP, Sistema de Alerta Antecipado de Surtos com Potencial Pandêmico (Alert-Early System of Outbreaks with Pandemic Potential, em inglês). O artigo mais recente do grupo, publicado no Journal of Medical Internet Research (JMIR) Public Health and Surveillance, foi coordenado pelo pesquisador Manoel Barral Netto, da Fiocruz Bahia, e destaca que a pandemia da COVID-19, e as anteriores, evidenciaram a necessidade de melhorias na preparação e resposta a eventos do tipo, em nível mundial.

O alerta precoce será alcançado através da monitorização de dados clínicos, o que permite a exploração de padrões potencialmente anómalos, como surtos inesperados de doenças respiratórias fora da sazonalidade esperada ou em grupos etários ou locais atípicos. Diferentes estruturas de modelagem foram desenvolvidas e aplicadas a dados de saúde visando a detecção precoce de surtos, incluindo métodos estatísticos, matemáticos e computacionais. Embora alguns deles estejam em uso na rotina dos órgãos de vigilância sanitária, até onde se sabe, nenhum foi adotado como padrão ouro de indubitável eficácia

Além disso, os relatórios do ÆSOP devem permitir estratégias de saúde pública precisas, tais como estratégias de mitigação e resposta precoce a surtos, bem como a recolha de amostras dirigidas ao local para caracterização molecular de agentes patogênicos, melhorando assim a logística e melhorando as respostas. O envolvimento ativo e os processos de cocriação com as partes interessadas, os usuários finais e os especialistas multidisciplinares serão essenciais e fundamentais para construir e aprimorar sistemas de vigilância que atendam adequadamente às necessidades da saúde pública.

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